Adelino Morte, uma força da natureza

Separadores primários

<br /><h3>Adelino Morte, uma força da natureza</h3>

Adelino Morte, uma força da natureza

Antes de mais quero apresentar-me a todos vós; quem sou onde tenho vivido, o que tenho feito profissionalmente, e o que gostaria de ter feito caso a vida tivesse sido mais favorável.

Adelino Morte em abril de 2014


(Ver a foto em alta resolução)

Nasci em Torres Novas uma vila do interior de Portugal a 100 km (Nordeste de Lisboa) onde vivi até aos 7 anos de idade e onde iniciei o meu ensino primário, ano de 1939.

Em 1940 passei a viver em Lisboa onde estudei e trabalhei, no ano de 1951 entro para a Força Aérea Portuguesa no curso de Radiotelegrafista de avião que falhei no exame de 6 mêses tendo passado para o curso de Radar. Fiz cursos de Radar nos Estados Unidos e em Itália.

Em 1961 casei e em 1965 consigo sair da FAP no posto de 1º. Sargento, depois de grandes dificuldades devido à guerra colonial.

Enquanto na FAP trabalhei em rádios dos aviões, receptores e transmissores de terra HF, VHF, em radares de alerta GCI e de aterragem GCA.

Em 1965 já como civil, sigo para Londres para fazer um curso de 3 mêses em computadores, estes completamente “solid state” da marca “Burroughs” modelo B 500. Na base Americana dos Açores estive 4 anos como “costumer engineer” tomando conta deste computador.

Em 1969 sigo para Zurich para cursar em “Magnetic Tapes” antes de ser colocado na Burroughs da Hollanda onde estive 3 anos trabalhando no mesmo sistema, saio da companhia para trabalhar em automatização de Hoteis por mais 1 ano.

Emigrei para o Canadá no dia 29 de Dezembro de 1973. Num próximo futuro descreverei a minha vida neste país.

Voltando à minha infância: Lembro-me que um dia em casa da minha Avó ter desmanchado um relógio despertador só com um alicate, o que me valeu uma valente descompostura e como resultado prometi pôr tudo como estava, no dia seguinte e depois de muito ter chorado por ter feito uma maldade, chamei a minha Tia para lhe dar o relógio montado e a funcionar.

O meu Pai tinha um Rádio onde ouvia música e seguia as notícias locais e do mundo.

Lembro-me de extasiado olhar pela parte de traz para ver donde vinham as vozes e a música, mas só conseguia ver uns pontitos de luz vermelha (os filamentos das válvulas), tambem falava lá para dentro esperando ouvir uma resposta.

Estas são as mais antigas memórias que tenho em relação a Rádios e Máquinas.

Em 1940 a família muda-se para Lisboa devido a condições económicas adversas devido aos efeitos da Guerra na Europa.

Com mais ou menos dificuldade a vida ia progredindo, mas em 1942 e no dia 7 de Outubro, o primeiro dia de escola para o meu 4º. ano primário senti um grande cansaço e muita febre, na emergência fiquei logo separado de minha mãe porque estava com um grave ataque de tifo, da janela da ambulância disse adeus a minha Mãe e perdi logo a consciência entrado em estado de coma por 2 mêses.

Num belo dia de Sol em Dezembro acordo e verifico que estava na enfermaria geral, de imediato vieram os enfermeiros, médicos e outros doentes dar-me os parabéns porque estava livre de perigo chamando-me o “Morte Vivo”.

Sim... estava salvo mas o meu corpo estava muito debilitado e teria que fazer uma recuperação lenta e vigiada.

Entretanto os meus dias eram passados na cama a fazer carrinhos e outros brinquedos com as caixas de fósforos e de cigarros usando tezouras cola e fita adesiva que os enfermeiros me davam; depois os brinquedos eram distribuidos pelos outros doentes.

Antes do Natal o meu tio que era enfermeiro levou-me para casa porque podia seguir o meu progresso e estado de melhoras.

A recuperação durou um ano inteiro, estava muito fraco e careca, tinha muita dificuldade em andar e era sempre rejeitado pelos outros rapazes nas brincadeiras e no futebol.

Como resultado, perdi o ano escolar devido ao meu estado e andava sempre só pelas quintas nos arredores de Lisboa sempre em contacto com a Natureza, muitas vezes levava comigo livros e entre eles também o de Física sendo o capítulo de electricidade o mais fascinante.

Assim começou o fascínio, comecei a fazer perguntas e a olhar para os Rádios com outros olhos. Terminei a Instrução Primária (4º. Ano) indo de seguida para a Escola Industrial no curso de Serralheiro Metalo-Mecânico.

Entretanto consigo em conversa com os meus colegas de Escola saber da possibilidade de ouvir as estações locais usando uns auscultadores de 8000 ohms, um detector de galena, uma bobine e um condensador variável.

Fui ao mercado das velharias e sucata onde vendiam de tudo, por uma quantia que eu podia pagar consegui o que queria tendo conseguido montar tudo num pedaço de madeira, mas só me faltava o mais importante, a bobine.

Meto mãos à obra e num tubo de cartão enrrolei fio esmaltado que consegui nas oficinas de electricistas da fábrica onde aos 15 anos comecei a trabalhar como Afinador de Máquinas.

Porque o orçamento familiar era muito pobre, assim teria que frequentar a escola nocturna para continuar o meu curso.

Assim fabriquei a minha primeira bobine do meu primeiro Rádio “ Receptor de Galena”. Como vivíamos num apartamento alugado não tinha acesso ao telhado afim de montar uma Antena digna desse nome, o fio que lançava da janela não dava para ouvir bem as estações e por isso tive a ideia de ir para o campo fazer a experiência.

A Terra era um ferro aguçado que espetei no solo e a Antena era uma ligação ao arame farpado usado para delimitar a área da quinta.

Comecei logo a ouvir a estação mais forte e as outras misturadas porque o circuito “tank” não tinha boa selectividade.

Lembrei-me de fazer uma experiência e à distância de 2 Kilómetros mandei um colega ligar o auscultador entre o arame farpado e a terra e eu do outro lado fiz o mesmo.

Como resultado fizemos uma comunicação telefónica dum lado da quinta para o outro usando somente os auscultadores de 8000 ohms que faziam de microfone e de ausccultador.


13 de Abril de 2015
Tem continuação num futuro próximo.

Adelino Morte

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