Acção policial

Separadores primários


ACÇÃO POLICIAL


Na quarta feira passada, (7 de Maio de 1925) a policia acompanhada dum funcionário dos Correios e Telégrafos procedeu á selagem dos postos emissores amadores de radiotelefonia que existem em Lisboa a saber:

P1AA - propriedade do Sr. Abílio Nunes dos Santos (atualmente na América),
Avenida António Augusto de Aguiar, 146.

P1AB - propriedade do Sr. José Joaquim de Sousa Dias Melo, Gerente do Hotel Internacional.

P1AC - propriedade do Sr. Eduardo Dias, sócio da acreditada casa da especialidade Radio-Lisboa, Rua Serpa Pinto, 15.

P1AE - propriedade do Engenheiro Tenente Sr. Eugênio de Avilez, Costa do Castelo, 15.

P1AM - propriedade do Sr. Maurice Mussche, Rua Newton, 22.


Deu origem a esta diligencia a desconfiança de que estes postos poderiam ter enviado noticias falsas para o estrangeiro durante os últimos acontecimentos.

Cremos ter ficado provada a impossibilidade destes postos poderem alcançar a fronteira dadas as razões técnicas a que estão sujeitos.

Assim, se na verdade com pequenos comprimentos d’onda que eles empregam (que já são grandes) se tem feito ouvir no Porto, embora irregularmente, nunca poderia acreditar-se que a qualquer hora do dia ou mesmo da noite o fizessem pois nenhum deles dispõe de potência suficiente para transpor a fronteira.

Alem disso dentre o milhar de postos receptores que existem em Portugal algum teria interceptado essas mensagens e d’isso estamos certos dadas as comunicações constantes que recebemos dos nossos leitores informando-nos das recepções que obteem.

Alguns desses postos estão autorisados pelo Ministério da Marinha a funcionar em determinados comprimentos de onda, o que cumpriam integralmente.

Não podemos deixar de lembrar mais uma vez a quem de direito que se deve regulamentar a T.S.F. no nosso paiz, conforme já reclamávamos no n.” 18 d’esta Revista.

Esta era uma etape escusada se as respectivas entidades tivessem encarado este assunto com o carinho e o cuidado que em todos os paizes do mundo merece.

A idoneidade d’estes pioneiros da T. S. F. em Portugal põe-os ao abrigo de qualquer suspeita.

Eles só são dignos da admiração e do reconhecimento de todos os portugueses, pois que souberam avançar um passo mais na nobre sciencia do nosso paiz.

N’um amplo abraço, saudamos estes amadores, detentores da vanguarda radiofila portuguesa.


O sr. Eduardo Dias depois da selagem feita pela policia ha dias acaba de dar-nos a noticia do passamento do (P1AC). Tem recebido inúmeras cartas de pezames. As bobines Gama, então, mostram-se pezarosas e os transformadores FAR, acham-se desolados na perda irreparável do seu porta voz musical. Na camar ardente estão velando o cadáver o Sr. Microfone, Transfo Far, as válvulas Metal e família.


Pedem-nos a publicação da seguinte carta.


Sr. redactor --Permita-nos V. que na sua conceituada revista venhamos prestar ao publico uns esclarecimentos oportunos.

Tendo visto em quasi todos os jornais, uma local subordinada ao titulo ”Ecos dos acontecimentos” em que se informa a apreensão dos nossos postos emissores de telefonia sem fios, não podemos deixar passar sem o nosso mais veemente protesto á ligação que se faz desta apreensão com os últimos acontecimentos.

Não descobriu nem pretendeu descobrir a P.S.E. estes postos pela s’mples razão de nunca terem estado escondidos

Chamam-lhes clandestinos quando a imprensa lhes tem publicado os programas dos concertos, quando as montagens têm sido publicadas e descritas nas revistas da especialidade, quando se pediam pelo microfone informações sobre a emissão dizendo o numero do telefone, e emfim quando todos os amadores, que são centenas, nos conheciam de nome e pessoalmente ?

Que têm estes postos com o movimento se é certo que alguns existiam antes, outros ha que são posteriores? Porque as autoridades só pela T. S. F. explicam a chegada rápida de noticias tendenciosas ao estrangeiro é motivo para que assim se confundam uns amadores estudiosos com agencias de informações, duvidando do seu patriotismo? Não, sr. redactor, não deve ser suficiente,

Terminando agradecemos á P.S.E. a correcção inexcedivel com que tem tratado deste assunto não regateando delicadeza no desempenho da sua desagradável missão e a V. agradecemos o espaço que lhe roubamos.


Somos etc. De V. Abílio Nunes dos Santos (1AA); J. S. Dias Melo (1AB); Eduardo Jacome-Dias (1AC); Eugênio de Avilez (1AE)



Nota: Foi preservado o português original


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