A televisão

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A TELEVISÃO

(Dezembro 1925)

Causou grande impressão nos círculos scientificos a noticia de que a visão radio ou televisão, sonho de alguns inventores, saiu do campo teórico para ser um facto praticamente.

Deve-se esse triunfo a Mr. J. L. Baird, que já ha algum tempo vem efectuando experiências, vendo os seus esforços coroados de êxito ao conseguir que os movimentos dos olhos e da boca dum rosto fossem completanente visíveis na placa receptora.

O processo empregado é completamente diferente do que se emprega na radiotransmissão de fotografias.

Um dos primeiros problemas a resolver na televisão é o da amplificação das pequinissimas correntes produzidas por um elemento sensível á luz. A válvula deu solução ao problema, permitindo a amplificações de grande extensão; é este um dos vários dispositivos usados na televisão. Nos modelos primitivos apenas se transmitiam sombras, pois que a luz tinha que estar detraz do objecto que se queria mostrar, porém, a utilidade dum aparelho capaz de transmitir sombras unicamente, era bastante restricta.

A diferença entre a transmissão de sombras e a do objecto real é muito maior do que se poderá supor. No primeiro caso, o elemento sensível á luz, só tem que distinguir entre a obscuridade completa e todo o potencial do manancial de luz, aliás de milhares de velas, emquanto que no segundo caso, para transmitir a visão de objectos animados; ainda que eles se reproduzam somente em negro e branco, o elemento tem que distinguir entre a obscuridade e intensidades de luz muito pequenas, usualmente uma pequena fracção de vela, como serão as reflectidas pelas partes brancas do objecto, para o que os aparelhos teem que detectar mudanças de luz com uma intensidade mil vezes menor que quando se transmitem as sombras.

Existem outros problemas ópticos que tornam também mais difícil a televisão do objecto que a das sombras.

Os aparelhos que Mr. Baird emprega actualmente, consistem num disco giratório que leva uma espira de lentes e por detraz um obturador de palhetas que gira com grande velocidade. O objecto cuja imagem deve ser transmitido, é colocado em frente do disco que leva a espiral de lentes e que gira a umas 500 rotações por minuto. Quando giram o disco e o obturador, a luz reflectida pelo objecto cae consecutivamente sobre o elemento sensivel, depois de ter sido interrompida com uma grande frequencia pelo disco de palhetas, originando uma corrente pulsatória no circuito sensível que, depois de ser amplificada, se transmite da forma ordinária á maquina receptora que é formada por outro disco contendo uma espiral de lentes semelhante á do transmissor e que gira em sincronismo com aquele. Detraz deste disco, numa posição correspondente á do elemento sensível á luz. existe uma lâmpada alimentada pela corrente recebida, que é previamente amplificada fazendo variar a luz emitida pela lâmpada, luz que atravessa um cristal esmerilado colocado dentro duma chapa onde se reproduz o objecto transmitido.

O elemento que Mr. Baird usou nas suas experiências, não é foto-electrico; é um coloidal de sua própria invenção, do qual não deu detalhes até agora.

À primeira vista, a reprodução está longe de ser prefeita, mas, o próprio inventor declarou:

”Os meus aparelhos, presentemente, são rudimentares e puramente experimentaes, mas demonstraram a possibilidade de ver os objectos animados pela radio. Nestas primeiras experiências, a transmissão fez-se duma casa para outra: mas como o receptor e o transmissor estavam completamente separados, efectuando-se a transmissão inteiramente por radio, a distancia a que podem colocar-se ambos os aparelhos, está limitada á potência empregada na emissão das ondas electromagnéticas”.

Se nos recordarmos das dificuldades que foi preciso vencer para levar a radiotelefonia á sua actual perfeição, não será de extranhar que as experiências levadas a cabo por Mr. Baird façam da televisão uma realidade pratica num futuro muito próximo.

Com a firma TELEVISÃO, formou-se recentemente em Londres uma nova sociedade com o fim de desenvolver o sistema de televisão Baird. O capital nominal foi fixado em 5.000 libras, dividido em 5.000 acções de uma libra.

Do mesmo modo que vários outros sistemas de televisão propostos e experimentados nestes últimos anos, o sistema Baird está também num estado experimental mas, sem querer discutir os méritos de tal ou tal sistema, é agora que se poderão anunciar resultados práticos das experiências com a televisão.



Nota: Foi preservado o português original

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