Na Inglaterra a TSF e o crime

Separadores primários


NA INGLATERRA A T.S.F. E O CRIME (1925)



Um novo aliado dos detectives

As recentes experiências feitas pelas autoridades de New Scotland Yard, provaram, de maneira concludente, que a T. S. F. está destinada a desempenhar um papel de capital importância em matéria criminal.

Há três anos que primeiros ensaios começaram em Londres, com dois «camions» equipados com T S. F. A despeito das numerosas dificuldades que foi preciso transpor, fizeram-se instalações especiaes, necessárias para um serviço policial eficaz e de tal modo aperfeiçoadas que seis carruagens cobertas, munidas de postos transmissores e receptores, são utilisadas diariamente pelos agentes do departamento de investigação, para a execução de certos deveres do seu serviço.

Dois d’estes automóveis são os veículos servidos ás primeiras experiências, mas que são ainda utilisaveis. Quatro são utilisadas diariamente pela brigada movel de detectives, que percorrem districtos inteiros á procura dos ladrões e salteadores que fazem caça aos ladrões de automóveis ; vigiam activamente os indivíduos suspeitos de toda a espécie, e cumprem outros serviços de segurança que necessitam medidas prontas e rapidez de movimento.

A sétima carruagem é a mais recente, e tanto escrúpulo foi dedicado ao seu equipamento de T.S.F. e instalações, que lhe chamam o «az» das carruagens. Ao mesmo tempo existe no veiculo um telefone de bordo, de modo que o telegrafista pode comunicar ao chauffeur instruções tais como : «Pare !», «Siga!», «Volte á direita!», «Volte á esquerda!», «Oblique á direita!», «Lentamente !» etc. Está também instalado um porta-voz.

Todos os dias esta carruagem transporta uma «equipe» de detectives, que são iniciados no manejo dos aparelhos e que os tem impressionado de tal forma, com a facilidade e rapidez com ôs quais a comunicação é estabelecida com o posto radiotelegrafico do seu quartel general em New Scotland Yard, que apreciam enormemente o seu valor para os auxiliar nas pesquizas que se relacionam com us diversos crimes de maior importância. E está bem de ver que se os detectives devem ser enviados em busca n’um bairro qualquer de Londres, e não dispõe senão d’um veiculo ordinário, eles exprimentarão uma profunda decepção de estarem privados d’um poderoso auxiliar na repressão das infracções.

Entre aqueles que teem circulado n’esta carruagem figuram o comissário, o comissario-adjunto, os detectives encarregados de velar a segurança de «Big-Four» e outros agentes. Dentro em pouco, todos os agentes da brigada estarão ao corrente do valor dos meios de acção que oferecem os carros munidos de T.S.F.

Cada um dos carros é munido dum posto de 200 watts permitindo a transmissão duma mensagem telefónica num raio de acção de 20 milhas, mesmo quando o vehiculo marcha com uma velocidade de 70 kilometros á hora. Há alguns dias, estabeleceu-se comunicação satisfatória por T.S.F. com Preston-Lancashire, distante 198 milhas, emquanto o auto circulava com toda a velocidade numa das ruas de Londres. Os quatro carros primeiros não possuem antena visível, de forma que não podem diferençar-se dos outros vehiculos similares, conservando assim o seu verdadeiro caracter policial. O «az» dos carros possue uma antena exterior consistindo em cinco fios paralelos montados em armadoras moveis, fixados no tecto, podendo ser retiradas ou baixadas para o interior da carruagem quando a necessidade o exige.

Por meio dum comutador pode fazer-se a ligação a um quadro montado no interior ou paralelamente com a antena interior.

Desde à muito, o major Vitty que dirige o serviço técnico em Scotlande Yord e Mr. Wootton, engenheiro encarregado do serviço eléctrico, que teem orgamizado estas experiências radiotelegraficas, teem constatado que existia uma interferência considerável na transmissão, devida a uma tomada de terra ineficáz no vehiculo móvel, do ruido proveniente dos edifícios, dos atmosféricos, dos caminhos de fero, dos carros eléctricos, etc., mas empregando circuitos rejecteurs, conseguiram eliminar em larga escala todas estas causas de interferncia, e as mensagens são agora recebidas tão claramente como se estivesse no domicilio.

Pode suceder que, como os criminosos modernos possuem postos radiotelegraficos próprios, e muitos os teem incontestavelmente, eles s’ntonisem e possam captar as mensagens policiais,- adquirindo assim informações preciosas que lhes permitam tomar medidas preventivas.

Por isso, todas as mensagens recebidas e transmitidas pela esquadrilha radiotelegrafica serão em código, e mesmo, dada a hipótese d’um criminoso se apoderar d’esse código, isso de nada lhe serviria. O código poderá modificar-se tão rapidamente como o comprimento de onda.

Scotland Yard trabalha em dois comprimentos de on da ; transmite com 730 metros e recebe com 265 metros. Sintonisando, o salteador em questão ouvirá no seu posto qualquer, por exemplo: «GH. 10, MZ. 04 X T», o que, decifrado, pode muito bem significar que os detectives em automóvel munido de T.S.F., vão em perseguição de ladrões de automóveis que viajam na direcção de Brighton.

O código é muito difícil, mas o seu emprego é fácil. Praticamente, uma mensagem importante pode ser posta em código, transmitida, recebida, decifrada e receber certificado de recepção dentro de 10 minutos.

Os automóveis munidos de T.S.F. teem provado a sua grande utilidade pratica, para a policia, em numerosas ocasiões e não há dúvida que este sistema se tornou um auxiliar permanente da mesma, sabido já como existem tantos meios a empregar no interesse público. A ideia original que presidiu ás experiências da T.S.F. era o fornecer um melhor sistema de fiscalização do trafico, por meio de comunicação entre o Governo Civil e um vehiculo móvel. A experiência adquirida em várias ocasiões foi a causa do desenvolvimento actual.

Tempo virá em que todos os detectives encarregados d’uma missão importante, a efectuarão auxiliados com um posto de T.S.F., que eles próprios transportarão em qualquer caixa de algibeira, podendo assim pôr-se em comunicação com os automóveis ou com as estações receptoras. Estes postos portáteis constituem já ideia amadurecida, e, além do seu emprego policial, poderão prestar grandes serviços em todas as ocasiões que uma circulação intensa deva ser vigiada.



Nota: Foi preservado o português original

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