
São antigos mas não são velhos. Resistiram ao tempo, ao uso e ao desgaste.

Para um coleccionador, o valor de cada objecto é incalculável, porque não está em causa vendê-lo ou avaliá-lo.
Quanto vale a sua colecção? Quanto vale cada objecto? Não interessa saber, uma vez que, muitas vezes, o valor estimativo supera largamente o valor comercial.
Mas a situação é diferente quando se trata de comprar. O mercado está cheio de oportunistas, pessoas sem qualquer competência, que se dedicam a restaurar, sabe Deus em que condições, e vender em feiras ou antiquários, sobrevalorizando objectos e componentes.
Neste artigo tentar-se-ão definir alguns critérios de avaliação para os rádios antigos, de forma a evitar abusos e compras exageradamente caras. Lembre-se: a precipitação e o entusiasmo são os maiores inimigos de uma boa compra.
Observe sempre muito bem antes de comprar e discuta o preço com o vendedor, o seu desinteresse é a chave do sucesso.



Para além do que foi indicado acima, existem outros factores que têm influência no valor de um rádio, factores esses que podem estar relacionados com a qualidade do restauro efectuado ou com o aspecto e condições gerais do aparelho.
Com base em informações fornecidas por publicações da especialidade e nos valores médios de licitação do Ebay, foi criada uma Tabela de cotação para rádios antigos.
Nesta tabela estão referenciadas as principais marcas e os seus modelos mais populares.
Infelizmente não é, nem pode ser, exaustiva, mas contamos com a sua colaboração na disponibilização e correcção de valores.
Note que estes objectos são cada vez mais raros. A sua tendência é para uma inflação de preço com o passar do tempo.
Estamos seguros que com tudo o que foi indicado neste artigo, fará compras mais equilibradas e com mais sucesso.
Um dos grandes problemas que se coloca aos coleccionadores e restauradores de rádios antigos é determinar a data em que foram construídos os receptores que têm em mãos.
Nenhum processo é infalível a não ser, claro, a consulta de documentos da época, publicações, esquema tecas ou manuais de serviço.

Em muitos casos, a leitura de publicidade em livros, jornais e revistas, pode ser muito útil nesse trabalho. Por exemplo, a leitura da revista “Selecções do Reader’s Digest”, através da sua publicidade tem-se revelado muito interessante, fornecendo informações sobre a data aproximada de rádios e televisores das principais marcas europeias e americanas.

Logicamente nem todos os fabricantes usavam as válvulas ou tecnologias mais recentes, ou mesmo seguindo a moda através da utilização de um determinado tipo de caixa ou dial. Mas a observação de alguns destes detalhes pode ajudar a datar com razoável precisão um modelo desconhecido.
Esta forma de determinar a data de um receptor de rádio será mais precisa se o aparelho em questão for de marca famosa e conceituada. As marcas menos conhecidas poderiam ter utilizado técnicas e componentes menos actuais para a época. Daqui se percebe que o mais que se conseguirá são valores pouco exactos, conseguindo-se apenas saber que um dado aparelho foi construído antes ou depois de tal data, antes da década de tal ou depois da guerra de tal.
Abaixo serão enumerados alguns detalhes que ajudarão a determinar a época em que um receptor foi construído.
Verifique alguns detalhes do dial. Entre 1920 e 1930 o dial ou escala dos receptores não tinha nenhuma referência aos nomes de estações de rádio. Eram marcados com o comprimento de onda em metros ou em graus.

Até meados da década de 30 eram nomeadas as estações nacionais ou regionais. Em França esta característica estende-se até depois de 1937.

Durante o período da 2ª guerra mundial eram referenciadas emissoras regionais e militares. Depois da guerra, 1945, surge a “Light Programme” (BBC) e em 1946 o “Third Programme” em 203,5M, onda média. A partir de 1950 este muda-se para 194m.

A “Radio Luxembourg” muda-se, em 1951, para 208M em onda média. Em 1955 surge a banda de VHF (FM). A “Light Programme” emite em 89.1MHz.
A “Radio Caroline” e outras emissoras piratas iniciam as suas emissões em 1964. Em 1967 surgem as estações “Rádio 1”, “Rádio 2”, “Rádio 3” e “Rádio 4” (BBC).
Verifique o tipo de válvulas utilizadas. Geralmente quando saía um novo tipo os fabricantes passavam a incluí-lo nos seus receptores. Alguns fabricantes levavam mais tempo a incluir as novas válvulas, daí que a data de um receptor será sempre mais recente do que a data de introdução da válvula.
Entre 1922 e 1925 as válvulas tinham base metálica com 4 ou 5 pinos e uma saliência no topo por onde era feito o vácuo.
Em 1925 foram introduzidas as válvulas com base de baquelite.
Em 1931 apareceram as válvulas com vidro metalizado, geralmente em cor vermelha, prateada ou dourada. Essa cobertura metálica funcionava como blindagem.
Em 1933 surgem as válvulas inglesas de 7 pinos.

em 1934 as de 9 pinos laterais, em 1936 os indicadores de sintonia (olho mágico) e em 1937 base octal internacional.

1938 base octal inglesa (Mazda) e base loctal.

O socket GT Octal aparece em 1946. Era semelhante ao Octal internacional mas com invólucro mais pequeno. Um ano depois surge a base B7G, para válvulas miniatura usadas em aparelhos portáteis.

A B8A de 8 pinos "Rimlock" data de 1948. Estas válvulas tinham um círculo metálico na base como, por exemplo a UL41, UF42, etc.
A base noval de 9 pinos surge em 1951 e foi utilizada por válvulas como a EF89, EL84, etc.
Em 1953 todas as válvulas com a base B8A "Rimlock" deixam de ter o cilindro metálico.
Para além das bases utilizadas também é possível avaliar a data através da referência das válvulas usadas. Esta forma de avaliação será tanto mais eficaz quanto mais curto for o tempo de fabrico da válvula referênciada.
Em alguns casos existem válvulas utilizadas por mais de 20 anos e outros por apenas 2 ou 3.
Para ajudar nesse trabalho criou-se uma TABELA com as referências mais comuns e o período de tempo em que foram utilizadas.
A observação de alguns aspectos de construção podem ser também úteis na verificação da data de um receptor embora nem todos os fabricantes aderissem desde logo às novas tendências.
Neste aspecto, é muito difícil obter dados dos receptores fabricados durante os anos 20 uma vez que muitos eram construídos por pequenas empresas de forma artesanal e estas rapidamente desapareciam sem que ficassem quaisquer registos.
Os receptores construídos nos anos 20 eram inicialmente do tipo galena, com utilização de auscultadores, passando a ser, em meados da década do tipo regenerativo. Exceptuando os aparelhos portáteis, os receptores tinham altifalante externo ligado por bornes. Os receptores superheterodinos começam a aparecer nos fins dos anos 20 mas, inicialmente, em aparelhos de luxo devido ao seu alto custo.
Em 1930 McMichael construiu o primeiro dial em vidro iluminado “full vision” com um ponteiro movido por um tirante e que percorria uma escala graduada. Começaram a ser construídos receptores com o alto-falante com bobina de campo.
A PHILIPS começou a fabricar em 1931 transformadores de indutância de alta qualidade para receptores regenerativos.
O “AVC” (Automatic Volume Control) surge em 1932 bem como os receptores “AC/DC”. Os alto-falantes passam a ser internos e com uma tomada adicional que permite a ligação de um alto-falante suplementar.
Em 1933 surgem os indicadores de sintonia, pequenas lâmpadas que variavam de intensidade luminosa. Para resolver alguns problemas do “AVC”, surge o “QAVC” que equipava os modelos mais caros.
Vindos da Inglaterra e dos Estados Unidos, surgem em 1934, os primeiros rádios miniatura. Nessa altura a generalidade dos receptores produzidos é do tipo superheterodino. Estão na moda os diais estilo “relógio”, redondos com um ponteiro e os de estilo “avião”, também redondos mas com dois ponteiros.
Em 1936 surgem os primeiros receptores com “olho mágico”.
Os primeiros botões de pressão (teclas) surgem dois anos mais tarde. Usados para funções mecânicas, eléctricas ou de pré-selecção de sintonia.
Nos anos 40 não foram introduzidas alterações importantes para alem do facto de surgirem novas bases de válvulas e estas terem diminuído de tamanho como já se referiu acima. Na primeira metade da década a Europa mergulhava numa guerra mundial e na segunda metade procedia-se à reconstrução e recuperação financeira dos países intervenientes.
Na década de 50 o mercado expande-se popularizando-se os pequenos receptores agora desenhados para serem usados nas cozinhas ou nos quartos de dormir. Esta tendência também é seguida pelos receptores a pilhas. O “olho mágico” passou a ser usado mesmo nos modelos mais baratos.
Em 1953 surgem os alto-falantes elípticos e os receptores portáteis conquistam o interesse feminino.
Os primeiros receptores montados em placa de circuito impresso aparecem em 1954. Antecipando a entrada do serviço de FM, alguns rádios eram já dotados de banda de VHF. A entrada deste serviço ocorreu em 1955. Nesta altura os receptores passaram a ter as bandas de FM, MW e LW ou SW.
Um ano mais tarde, em 1956, é fabricado na Inglaterra o primeiro rádio trransistorizado, o “PAM 710”.
Em 1957 tornam-se muito populares os controlos redondos de grandes dimensões.
Comercializam-se, em 1960, os primeiros receptores transistorizados com FM. O FM stereo surge em 1965.
Talvez pareça estranho, mas uma verificação atenta dos condensadores electrolíticos pode ajudar a datar um receptor. Este tipo de componente tinha um prazo de validade relativamente curto para estar armazenado, não podendo ser utilizado depois de passado esse tempo. Daí que, em geral, para além das características técnicas indicadas no seu invólucro, também era indicada a data de fabrico.
Assim o receptor seria fabricado alguns meses depois, digamos um ano, da data de fabrico do condensador. Esta referência está situada em regra abaixo da indicação da capacidade, sendo que os dois primeiros dígitos correspondem ao ano de fabrico e os dois seguintes à semana. Por exemplo: 6825 refere um condensador fabricado em 1968, na 25ª semana.
É evidente que esta forma de avaliação pode revelar-se errada. Nada garante que o condensador já tenha sido substituído por outro mais recente, ou até mais antigo.
A mesma forma de introduzir a data também pode ser encontrada em outros componentes, principalmente semicondutores.
Como numa charada os dígitos de um modelo podem ajudar a determinar com bastante precisão a data de fabrico de um rádio. Claro que podem existir excepções à regra utilizada por um determinado fabricante, mas, mesmo assim, pode ser uma boa ajuda.
Ferranti: Nos modelos posteriores à segunda guerra, e comparando os modelos com as informações obtidas em registos do fabricante, percebe-se que os dois últimos dígitos lidos invertidamente revelam o ano de fabrico. Por exemplo, os modelos 215 e 615 foram construídos em 1951.
Isto é só meia verdade uma vez que não se sabe durante quanto tempo este fabricante manteve esta forma de identificar os seus rádios.
GEC (General Electric): Estes são mais fáceis de identificar, excluindo uma ou outra excepção.
Até 1949 os dois primeiros dígitos do modelo indicavam o ano de fabrico. Após 1950 o ano do modelo é a soma dos primeiros dois dígitos adicionados aos últimos dois dígitos. Assim BC5639 = (5+6)+39 = 50.
Infelizmente esta regra não se aplica aos modelos com 3 dígitos.
PHILCO: Uma placa no topo do chassis em preto com a indicação de ter sido construído nos Estados Unidos indica que o rádio foi fabricado em 1928
Uma placa em dourado na traseira do chassis aponta para o ano de 1929.
Um decalque na parte traseira do chassis com o antigo logo da marca sugere o ano de 1930 ou 1931.
Se o rádio tiver um decalque na PARTE DIANTEIRA da caixa com o logo mais novo de PHILCO, um pequeno dial de sintonia e o número de série não começar com dois dígitos seguidos do -, (por exemplo 37-), trata-se de um modelo construído entre 1932 e 1935.
Um dial oval mais alto do que largo refere como ano de construção 1936.
Se o modelo começar com dois dígitos seguidos por um – aponta para o ano de construção indicado por esses dígitos. Por exemplo: 37- 1937, 38- 1938, 40- 1940 ... 53- 1953. Este método de indicação da data de fabrico é válido até 1953.
A substituição dos dois dígitos por uma letra aparece nos modelos de 1954 até 1961 da forma que segue:
B (1954), C (1955), D (1956) ... J (1961).
Os modelos transistorizados cuja construção começou em 1954 iniciam o modelo com a letra “T”. Os antigos fonógrafos iniciam com a letra “M”.
Certamente existirão outros meios, truques ou jogos de números que nos ajudarão a datar um receptor de rádio mas, seguramente, a forma mais eficaz é recorrer a manuais especializados, bases de dados dos fabricantes, esquematecas, etc.
As principais marcas, como a PHILIPS, RCA, PHILCO, ZENITH, GE, etc, têm dados sobre os seus receptores. Para as outras marcas uma busca minuciosa e paciente na Internet pode conduzir a resultados satisfatórios e ser uma excelente ajuda para quem tem à frente um receptor desconhecido e uma etiqueta desbotada com uma referência que já ninguém vê.
Um dos problemas que se coloca durante o processo de reparação ou restauro de um receptor de rádio é saber qual o valor da frequência intermédia utilizado.
Esta informação é importante porque é dela que depende o correcto ALINHAMENTO dos circuitos de FI e de RF e é fundamental se se tratar da substituição de alguma destas bobinas danificadas.
Se existe o esquema, esta informação é, em regra, indicada no mesmo. Também em muitos casos existe uma etiqueta no chassis ou numa “FI”.
Mas se não houver esquema ou a etiqueta já tiver sido destruída pelo tempo?
Abaixo descreve-se um truque simples que poderá ser útil na determinação deste valor.
No início dos anos 30 os primeiros superheterodinos tinham uma frequência intermédia de 175KHz e um estágio de RF ou pré-selector para melhorar a rejeição de imagem.
Mais tarde os receptores passaram a ter uma frequência mais elevada, em torno dos 455KHz ou 465KHz.
Para determinar qual destes valores é o correcto verifique o condensador
“padding” da bobina osciladora:
Para um valor de FI de 455KHz a 465KHz este condensador tem um valor em torno
dos 450pF.
Para uma FI de 175KHz o condensador tem um valor acima dos 900pF.
Durante a década de trinta foram muito populares os alto-falantes de “campo”, chamados assim porque não possuíam um imã permanente para gerar o campo magnético que contrariaria o da bobina móvel. Esse campo era gerado por uma bobina fixa que, ao ser atravessada por uma determinada tensão, produzia o campo magnético necessário.

Para compreender melhor o funcionamento destes dispositivos sugere-se a leitura do artigo “CONHECENDO OS ALTO-FALANTES”.
Sabendo-se da necessidade de alimentação da bobina de campo, é importante, antes da substituição, perceber de onde vem essa tensão.
Para melhorar a filtragem dos circuitos de rectificação era usado o tipo de filtragem em “PI”. Assim a tensão no cátodo da rectificadora era filtrada por um primeiro condensador. Deste ponto era retirada a alimentação para a placa da válvula de saída devido ao facto de ser esta a válvula de maior consumo. Para alimentar as válvulas restantes era colocada em série uma indutância (bobina) com o fim de reduzir o ripple e aumentar a impedância da fonte. Um segundo condensador eliminava os resíduos de alterna. Para simplificar o circuito, a indutância utilizada era precisamente a bobina de campo do alto-falante.
Assim, ao substituir-se o alto-falante de campo por um de imã permanente tem de se providenciar uma substituição para essa bobina. Pode substituir-se por outra de indutância semelhante ou, na falta desta, uma resistência de valor omico semelhante ao da bobina de campo do alto-falante. Porém essa solução reduzirá consideravelmente a filtragem da tensão do +B, uma vez que a resistência não tem a indutância oferecida por uma bobina de campo.
Assim sendo, o condensador de saída da fonte deverá ser aumentado, para se manter a componente de 50Hz ou 60Hz da rede num nível aceitável (ou seja reduzir ao máximo o zumbido no áudio introduzido pela fonte).
Na maioria dos casos não temos uma indicação clara da resistência à corrente contínua do "campo" nos diagramas dos rádios; assim, temos de fazer um cálculo aproximado do valor da resistência usada para a substituição.
Supondo-se que estamos diante de um rádio com as seguintes válvulas:
6A7, 6D6, 76, 41 e 80
Num circuito como este, um dos lados da bobina de campo, é ligado a um dos pinos
do filamento da 80(rectificadora), juntamente com um dos condensadores de
filtro. A tensão nesse ponto, será a máxima tensão de +B (+/- 330 Volts dc). o
outro lado do campo, estará ligado à placa da 41 (saída de áudio), e também ao
outro condensador de filtragem. A tensão nesse ponto é de aproximadamente 240
Volts, indicando uma queda de tensão de 90 Volts no "campo".
Se soubermos a corrente que circula pelo "campo" poderemos calcular o valor
correcto da resistência substituta usando a “lei de ohm”.
Utilizando um manual de válvulas, ou consultando tabelas de características em algum dos inúmeros sites na Internet, poderemos calcular o consumo de corrente das válvulas.
Por exemplo:
6A7 Para operação com 250 Volts na placa:
Corrente da placa = 3,5 mA
Corrente da grelha g3 = 2,2 mA
Corrente da grelha g2 = 4,0 mA
Corrente da grelha g1 = 0,7 mA
Total = 10,6 mA
Assim, temos:
6A7 = 10,6 mA
6D6 = 10,2 mA
76 = 2,5 mA
41 = 37,5 mA
Total = 60,8 mA
Usando a lei de ohm:
R=E/I ((R)resistência é igual à (E)tensão dividida pela (I)corrente)
A queda de tensão que temos de obter é de 90 Volts como vimos acima. A corrente consumida pelas válvulas é de 60,8 mA
Aplicando os dados acima à lei de ohm temos:
90/0,0608 = 1480 ou seja a resistência será de 1480 ohms que pode ser
"arredondada" para 1500 ou 1K5
Para calcular a dissipação em watts da resistência, usaremos a formula:
Watts= corrente ao quadrado multiplicado pela resistência
No nosso caso, (0,068 x 0,068) x 1500 = 6,936 Watts
Na prática usaremos uma resistência de 1K5/10 watts
Depois de resolvido o problema da substituição da bobina de campo há que ter em atenção que o novo alto-falante deve possuir a mesma impedância da bobina móvel.
Uma das soluções interessantes usadas para alimentar um receptor “AC-DC” de 110Volts a 220Volts consistia na utilização de um “cordão óhmico” (também conhecido por “rabo quente”) que era ligado em substituição do normal cabo de rede.
Este cordão era feito de fio resistivo e de forma a ficar com a resistência exactamente necessária para provocar a queda de tensão de 220Volts para 110Volts.
A queda de tensão no cabo provocava o aquecimento deste, daí o nome popular de “rabo quente”.

Tratava-se de uma solução económica ao transformador e tinha, por outro lado, a vantagem de, quando comparada com a utilização de resistências internas (balastros), não concentrar o aquecimento provocado pela dissipação de calor dentro do receptor.
Vejamos algumas alternativas para substituir este componente muito frágil e já difícil de encontrar:
A primeira delas, mais simples e óbvia é, sem dúvida, comprar um transformador de 110 para 220Volts, e ligar o rádio à tomada através do mesmo. Essa solução dispensa qualquer intervenção interna, é segura e não causará dano algum às válvulas.
Dado o baixo consumo destes receptores, pode usar um auto-transformador, aproveitando a tomada de 110Volts do enrolamento primário de um qualquer modelo de 300 ou 500mA para a alimentação do receptor.
Outra maneira é a simples inserção de uma resistência apropriada, em série com os filamentos das válvulas.
Porém aqui há alguns cuidados a serem levados em conta:
Analogamente, se o rádio usa válvulas do tipo octal ou miniatura com filamentos
de 150mA como por exemplo:
Nos exemplos acima foi omitida a lâmpada piloto que, em alguns casos, faz parte da série de válvulas. No entanto basta adaptar os valores, usando o mesmo raciocínio, adicionando o piloto à soma dos filamentos.
Uma alternativa a estes dois métodos consiste em ligar em série com a alimentação do receptor um condensador de poliéster ou electrolítico não polarizado, cujo valor deverá ser calculado em função da frequência de rede e da reactância pretendida.
Esta reactância acaba por se tornar numa espécie de resistência, provocando a queda de tensão pretendida.
O principal inconveniente é que, em caso de avaria do condensador, que em geral se traduz pela entrada em curto-circuito deste, os filamentos de uma ou mais válvulas se fundirá.
Este artigo teve como base um texto especialmente escrito por Meyer Rochwerger para esta secção.