Como começar


RÁDIO RESTAURO - Como começar


Imagem animada de um rádio antigo


São antigos mas não são velhos. Resistiram ao tempo, ao uso e ao desgaste.


Calibrar um receptor de rádio


CALIBRAR UM RECEPTOR DE RÁDIO


Com o passar do tempo os receptores de rádio vão perdendo sensibilidade e alterando os limites das bandas de recepção.

Isto é devido à alteração da capacidade dos vários condensadores do estágio de RF, envelhecimento das válvulas e alteração dos valores das resistências, principalmente, as de valor elevado.

Um dos trabalhos de restauro passa pela calibração ou alinhamento de forma a melhorar a sensibilidade, selectividade e diminuir o ruído.

Trata-se de um trabalho meticuloso, que deve ser feito com paciência e muito cuidado uma vez que se se partir um núcleo de uma bobina de RF ou alguma das que estão dentro dos “canecos” de FI a sua recuperação será muito difícil.

Era habitual cobrir os núcleos de ferrite com cera ou lacre para evitar que estes se descolassem com a trepidação. Com o tempo esse material fica muito duro tornando difícil e arriscado o processo de libertação dos núcleos.

Antes de iniciar o alinhamento do receptor deve levar em consideração se vale mesmo a pena arriscar. Se o rádio tem recepção razoável, e não pretendendo que ele fique como novo, talvez não valha a pena efectuar essa tarefa. Poderá restringir o seu trabalho ao retoque dos “trimmers” de ajuste da antena e do oscilador local.


Ferramenta necessária:




Ajuste da frequência intermédia (FI):


Antes de proceder ao ajuste deste andar tem de verificar primeiro qual a frequência indicada pelo fabricante para a calibração da FI. Em regra está no esquema do receptor, mas, há falta deste, pode procurar na tampa ou no chassis. Geralmente situa-se nos 455KHz embora em receptores muito antigos ele possa ser um pouco superior a este valor.


  1. Ligue o gerador de RF na grelha de controlo da válvula conversora tendo o cuidado de colocar o condensador variável (de sintonia) totalmente aberto.

  2. Ligue um multímetro à saída do altifalante ajustando-o para uma escala AC de valor muito baixo. Se, durante a calibração, não conseguir obter um desvio perceptível da agulha, pode, em alternativa, ligar o multímetro através de um condensador de 0,01mF à placa da válvula de saída de áudio ajustando para uma escala de corrente alterna (AC) conveniente.

  3. Ajuste o gerador de RF para o valor da FI, ex: 455KHz e ajuste o nível de saída para obter algum som no altifalante e um desvio perceptível no multímetro. Use apenas o nível de sinal absolutamente necessário para não correr o risco de activar o “CAG” (Controlo Automático de Ganho) tornando assim o ajuste errático.

  4. Ajuste cuidadosamente os trimmers ou bobinas situadas nos “canecos” de FI até obter o máximo de sinal/tensão à saída do altifalante. Se, ao ligar o gerador à grelha de controlo da válvula conversora, não escutar sinal nenhum pode ser indicação que o valor da FI não se encontra na frequência preconizada pelo fabricante. Neste caso experimente variar um pouco a frequência do gerador até ouvir algum sinal. Depois basta regular a FI ao mesmo tempo que se leva o gerador para a frequência correcta.


Ajuste do estágio de RF:


(Como exemplo indica-se o ajuste para a banda de ondas médias (MW). Para outras bandas deve usar o mesmo procedimento)


  1. Ligue o gerador de RF na entrada da antena e comute o receptor para a banda de onda média (MW).

  2. Ligue um multímetro à saída do altifalante tal como se explicou para o ajuste da FI.

  3. Sintonize o gerador e o receptor para uma frequência um pouco acima do limite inicial da banda, ex: 600KHz. (A banda de MW vai de 550 a 1620HKz).

  4. Localize e ajuste o “padder” de antena para a maior intensidade de sinal. Este “Padder” de ajuste situa-se muitas vezes no próprio condensador variável, na secção de antena. Nos receptores muito antigos distingue-se dos outros pelas suas dimensões francamente maiores do que as dos “Trimmers” de ajuste do oscilador.

  5. Sintonize o gerador e o receptor para uma frequência em torno dos 1300KHz.

  6. Localize e ajuste o “Trimmer” do oscilador local até ouvir o sinal do gerador de RF na frequência inscrita no dial.
  7. Se não for fácil ler no dial a frequência de 1300KHz escolha outra próxima desta e que seja de melhor leitura. Se o receptor tiver mais de uma banda pode descobrir qual o “Trimmer” de ajuste do oscilador local correspondente à onda média por tentativas.
  8. Repita novamente primeiro os pontos 3 e 4 e a seguir os pontos 5 e 6 uma vez que existe alguma interacção entre os dois ajustes.

Notas finais:
Se o receptor tiver “olho mágico” pode dispensar o multímetro para avaliar o nível de sinal. Certifique-se, no entanto, que este esteja a funcionar correctamente.

Com o tempo o ponteiro tem tendência para “escorregar” no fio do quadrante. Antes de calibrar a frequência do oscilador local, deve verificar se o início e o fim do dial estão assinalados correctamente pelo ponteiro.

A saída de RF do gerador de sinais deve ser modulada em amplitude por um sinal de BF de 1KHz, tendo o cuidado de usar apenas o nível de sinal necessário para se ouvir e fazer desviar a agulha do multímetro.

Para este tipo de ajustes o multímetro analógico é preferível ao digital.



Detecção e reparação de avarias


DIAGNÓSTICO DE AVARIAS


Como ficou dito na introdução a este dossier, vamos apenas referirmo-nos a diagnósticos simples, avarias que não exigem grandes conhecimentos técnicos. Para situações mais complicadas deverá recorrer a um técnico experiente e paciente, que tenha um bom domínio da tecnologia usada nos circuitos a válvulas. Neste dossier encontrará um tópico com referências a alguns desses técnicos embora não tenhamos qualquer interesse nem responsabilidade nessa informação.

O diagnóstico é muito importante uma vez que o sucesso da resolução do problema depende fortemente da exactidão com que esse defeito é diagnosticado. Para isso deverá saber servir-se do multímetro, saber usar o ferro de soldar e possuir boas ferramentas. Alguma paciência também é bem-vinda.

Abaixo encontrará algumas dicas simples que o ajudarão nesta tarefa.


Avarias e possíveis causas:


FAQ01: Não liga, nada acende


DIAGNÓSTICO - FAQ01


Sintoma:


O aparelho não liga, nada acende, nem a luz piloto, nem as válvulas


Possíveis causas:


  1. Verifique a continuidade do fio de corrente e as ligações da ficha.
  2. Verifique a continuidade do interruptor ON/OFF que, geralmente, está associado ao potenciómetro de volume. Em muitos casos este interruptor é duplo cortando nos dois pólos. Se um deles estiver avariado faça um "shunt" evitando assim a substituição do potenciómetro.
  3. Confirme a continuidade do fusível, caso exista.
  4. Confirme o estado dos filamentos das válvulas. Se se tratar de um receptor "AC/DC", não existe transformador, as válvulas estão todas ligadas em série. Caso uma funda, as outras não acenderão uma vez que o circuito fica interrompido. Retire cada uma das válvulas e, com a ajuda do Manual de válvulas e o multímetro, confirme a continuidade de todos os filamentos.
  5. Ainda nestes receptores, principalmente os de fabrico europeu, a lâmpada piloto também faz parte da série de ligação das válvulas. Se estiver fundida, nada ligará.

  6. Para os modelos "AC/DC" de 220V existe uma resistência ou válvula balastro para reduzir a tensão a aplicar nos filamentos. Verifique a continuidade desta.
  7. Nos modelos com transformador deve verificar a continuidade deste. Em muitos aparelhos antigos, o transformador era dotado de um fusível térmico, um bi-metálico que abre quando a temperatura nos enrolamentos ultrapassa o valor normal. Com o tempo este bi-metálico cria mau contacto provocando isolamento eléctrico. O seu acesso é feito junto dos enrolamentos colocando para o exterior os terminais de ligação.

FAQ02: Liga mas não tem qualquer som


DIAGNÓSTICO - FAQ02


Sintoma:


O aparelho acende mas não se ouve qualquer sinal no altifalante


Possíveis causas:

  1. Meça a tensão +B no electrolítico de filtragem. Deverá ter cerca de 300V para os aparelhos equipados com transformador e cerca de metade nos aparelhos "AC/DC". Caso não tenha, verifique a tensão alterna procedente do transformador ou da resistência balastro, caso este não exista.
  2. Verifique a válvula rectificadora.
  3. No electrolítico de entrada, normalmente duplo, deve encontrar uma tensão ligeiramente superior ao do outro. Se um deles não tiver tensão, verifique a resistência de queda colocada entre eles. Nos rádios muito antigos não existia uma resistência de queda mas sim um choque de filtro. Este choque era constituído por uma bobina localizada no altifalante que, na altura, não era de imã permanente mas sim com um campo magnético gerado por esta mesma bobina de choque.
  4. Verifique a continuidade do altifalante.
  5. Meça o transformador de saída. No enrolamento primário deverá medir uma resistência alta, uns 2000Ohms e no secundário uma resistência próxima de 0.
  6. Identifique, com a ajuda do Manual de válvulas, a válvula de saída de áudio. Meça a tensão na placa da válvula, tensão essa que deverá ser próxima da tensão de +B. Terá uma tensão semelhante na grelha auxiliar. No cátodo deverá encontrar uma tensão entre 4 e os 10Volts. Falta de tensão na placa indica que o transformador de saída está interrompido. Falta de tensão na grelha auxiliar remete para a resistência colocada em série aberta. Toque com uma chave metálica na grelha de controlo. Se ouvir um ronco de alterna significa que o andar final está a funcionar remetendo o problema para trás deste estágio. Falta de ronco pode determinar, depois dos testes acima feitos, a avaria da válvula de saída.

FAQ03: Há apenas um ligeiro ronco


DIAGNÓSTICO - FAQ03


Sintoma:


Há um ligeiro ronco no altifalante, verifica-se a presença de áudio tocando com a chave na grelha de controlo da válvula de saída, mas não há mais nada.


Possíveis causas:

  1. Se o receptor tiver entrada de "PU", coloque o selector nessa posição e toque com uma chave na entrada. Note que, dos dois bornes, um é massa e outro é o vivo. Só no vivo deverá ouvir um ronco de alterna forte que pode controlar com o potenciómetro de volume.
  2. Caso não exista qualquer sinal de áudio identifique com ajuda do Manual de válvulas a válvula amplificadora de "BF". Em muitos casos este circuito é uma secção da válvula de saída que, para além do pentodo de potência, também dispõe de um tríodo amplificador de "BF". Ex: ECL82, UCL86. Em muitos dos rádios PHILIPS dos anos 30 e até meados dos 40 esta válvula não existia sendo o ataque da detecção feito logo à entrada da válvula de saída.
  3. Meça a tensão na placa e compare com o valor indicado pelo manual. Uma tensão igual ou muito próxima da tensão de +B indica que a válvula não está a amplificar, estando a sua grelha fortemente positiva ou sem qualquer tensão. Uma tensão próxima de 0 indica que a válvula está mal polarizada ou tem a resistência de placa aberta.

    Em boa parte dos casos o problema está nos condensadores de acoplamento da placa à grelha de controlo da válvula de saída, ou da grelha de controlo da válvula de "BF" ao circuito detector ou ao potenciómetro de volume. Deve ter também atenção à resistência de polarização da grelha de controlo, em regra uma resistência de valor elevado, próximo de 1MOhm.

  4. Caso nenhum dos testes acima produza resultado substitua a válvula.

FAQ04: Há BF mas continua sem som


DIAGNÓSTICO - FAQ04


Sintoma:


Aparentemente toda a secção de áudio está a funcionar correctamente, mas não se sintoniza nenhuma estação


Possíveis causas:

O estágio de RF é o mais complicado de reparar, podendo ser muitas as causas da falta de recepção.

  1. Confirme que o selector de banda se encontra em AM. Podem aparecer inscrições como AM, MW ou OM para a recepção em onda média.
  2. Rode o selector de banda e verifique se ao passar de comutação em comutação ouve um estalido no altifalante. Em muitos casos, ao fazer isto, ouvem-se muitos estalidos na mesma comutação indicando a presença de maus contactos no selector. Pode estar aí o problema. Limpe o selector de bandas com um spray limpa contactos.
  3. A audição de estalidos indica que os circuitos de FI e, talvez, Conversor, se encontram em boas condições. Se não se ouve nada pelo menos o circuito de FI está avariado.

  4. Geralmente a válvula amplificadora de frequência intermédia encontra-se entre os dois “canecos” de FI. Estes “canecos” são caixas de alumínio redondas ou rectangulares com um ou dois orifícios para afinação. Deverá medir as tensões presentes na placa e na grelha auxiliar. A falta de tensão nestes elementos pode ser devida à abertura das resistências de carga ou a condensadores de desacoplamento com fuga ou em curto-circuito.
  5. A injecção de um sinal de RF na grelha de controlo da válvula amplificadora de FI permitirá avaliar o funcionamento deste estágio. Nos receptores muito antigos a válvula de FI tem uma ligação pelo topo que corresponde à grelha de controlo. Ao retirar o “capacete” e tocar no pino da válvula deverá ouvir um forte ronco.

    Resista à tentação de mexer nos trimmers ou bobinas de ajuste das frequências intermédias, seguramente não estará aí o problema.

  6. Em caso de dúvidas substitua a válvula.
  7. O circuito de detecção também pode ser responsável pela falta de sinal. Este circuito é responsável pela extracção do sinal de áudio (BF) da portadora de RF. É constituído por um diodo alojado na válvula amplificadora de BF ou na válvula de saída de áudio. Aqui não há muito a fazer a não ser substituir os condensadores de passagem e de desacoplamento.

FAQ05: O áudio é baixo


DIAGNÓSTICO - FAQ05


Sintoma:


São sintonizadas emissoras mas o áudio é muito baixo


Possíveis causas:

As causas podem ser diversas, o problema pode estar na baixa sensibilidade do circuito de HF, pouca amplificação do andar de FI ou do andar de BF. A facilidade com que resolverá o problema dependerá da identificação correcta do andar defeituoso.

  1. Regule o gerador de sinais para uma saída de BF de 1KHz e aplique-o no cursor do controlo de volume. Se não possuir um gerador de sinais toque no cursor com um objecto metálico.
  2. Se o sinal ouvido for forte o andar de BF está em bom estado, remetendo-se o problema para os andares anteriores.

  3. Regule o gerador de sinais para uma saída no valor da FI, geralmente em torno de 455KHz modulada em BF a 1KHz e aplique o sinal na grelha de controlo da válvula amplificadora de FI. Geralmente esta válvula está entre os dois blocos metálicos de FI. Não use uma saída de sinal muito forte para não “enganar” o circuito de AGC.
  4. Descarte este andar se o sinal for perfeitamente audível.

    Resta o andar de HF.


Verificação dos vários andares:


Andar de BF:

  1. Meça a tensão de placa da válvula amplificadora de BF. Uma tensão próxima de 0 indica erro de polarização ou resistência de placa aberta. Confirme a tensão de ambos os lados desta resistência.
  2. Meça o valor da resistência da grelha de controlo, em regra entre 470Kohms e 1Mohms. Se a tensão nesta grelha for positiva substitua o condensador de acoplamento.
  3. Meça a resistência da grelha de controlo da válvula de saída. Substitua o condensador de acoplamento da grelha.
  4. Meça a tensão de cátodo da válvula de saída, deverá estar em torno dos 3 a 5Volts. Um valor mais elevado indica que a resistência de cátodo está aberta. Substitua o condensador de cátodo, geralmente um electrolítico de 100mf.
  5. Confirme os valores de tensão de placa e da grelha auxiliar.
  6. Substitua o condensador em paralelo com o primário do transformador de saída.
  7. Substitua as válvulas.
  8. Note que em muitos casos não há válvula amplificadora de BF, sendo essa tarefa desempenhada apenas pela válvula de saída.


Amplificador de FI:

  1. Confirme as tensões de placa e grelha auxiliar. Tensões próximas de 0 podem indicar as respectivas resistências de carga abertas.
  2. Calibre o andar de FI conforme o artigo “CALIBRAR UM RECEPTOR DE RÁDIO”.

  3. Substitua a válvula.

Andar de HF:

  1. Com o auxílio do manual de válvulas confirme as tensões na válvula amplificadora de HF e osciladora local.
  2. Substitua os condensadores de desacoplamento de placa.
  3. Calibre o andar de HF conforme o artigo “CALIBRAR UM RECEPTOR DE RÁDIO”.
  4. Substitua a válvula.

FAQ06: Distorção elvada mesmo em baixo nível


DIAGNÓSTICO - FAQ06


Sintoma:


Volume de som normal mas com muita distorção mesmo em baixo nível


Possíveis causas:

Geralmente este problema é motivado pela polarização positiva da válvula de saída de áudio. Em muitos casos também resulta da abertura da resistência da grelha auxiliar da mesma válvula. São descartados os circuitos de HF e FI.

  1. Meça a tensão de polarização da grelha de controlo do tríodo amplificador de BF. Esta tensão deve ser negativa. Caso seja positiva substitua o condensador de acoplamento de grelha.
  2. Substitua o condensador de acoplamento entre a grelha de controlo da válvula de saída e a placa da amplificadora de BF.
  3. Substitua o condensador de cátodo da válvula de saída.
  4. Meça a tensão da grelha auxiliar da válvula de saída. Esta deve ser um pouco superior à medida na placa.
  5. Substitua a válvula de saída de áudio.

FAQ07: Distorção elevada


DIAGNÓSTICO - FAQ07


Sintoma:


Distorção elevada quando se aumenta o volume


Possíveis causas:

Erros de polarização da válvula de saída ou esta avariada são os motivos mais comuns. Descartam-se os circuitos de HF e FI.

  1. Meça a tensão de polarização da grelha de controlo da válvula de saída de áudio. Se estiver positiva substitua o condensador de acoplamento.
  2. Substitua o condensador de cátodo.
  3. Substitua o condensador em paralelo com o transformador de saída.
  4. Substitua a válvula.

FAQ08: Distorção elevada ao sintonizar uma estação forte


DIAGNÓSTICO - FAQ08


Sintoma:


Distorção elevada quando se sintoniza uma estação mais forte. Ao aumentar o volume o som chega a desaparecer


Possíveis causas:

Geralmente podem ser descartados os andares de BF, no entanto, e nos casos mais difíceis, devem ser feitas as medições e verificações indicadas nos pontos anteriores relacionados com distorção.

Este problema é motivado pela chegada à grelha de controlo da válvula de BF da tensão resultante da detecção de RF alterando a polarização da mesma. Como esta tensão é proporcional à intensidade do sinal recebido e à posição do controlo de volume, há distorção dá-se nas emissoras mais fortes e com o volume mais elevado.

  1. Substituir o condensador de acoplamento entre o “vivo” do controlo de volume e a placa da detectora.
  2. Substituir o condensador entre o cursor do controlo de volume e a grelha de controlo da amplificadora de BF.

FAQ09: Forte ronco no altofalante


DIAGNÓSTICO - FAQ09


Sintoma:


Forte ronco no altifalante


Possíveis causas:

Depois da rectificação da tensão de AC é necessário filtrar esta para que os seus resíduos de alterna sejam mínimos. Isto é feito através de um condensador electrolítico de capacidade e tensão de isolamento relativamente elevadas.

No entanto esta primeira filtragem não é suficiente, principalmente para os andares de BF e RF. Por esse motivo é adicionado mais um condensador de capacidade e tensão semelhante num circuito designado “PI”.

Assim a tensão recolhida no cátodo da válvula rectificadora liga ao primeiro condensador de filtragem cujo valor se situa entre os 47 e os 100MDF. Deste ponto sai a alimentação para a placa da válvula de saída de áudio uma vez que o seu consumo é mais elevado que o do restante circuito. Ainda deste ponto sai uma resistência cujo valor varia entre os 100 e 1000ohms que liga ao segundo condensador de filtragem. É deste ponto que sai toda a alimentação de “+B” para os vários circuitos.

Nos receptores mais antigos em lugar da resistência usava-se um “choque”, uma bobina de alta impedância.

Antes da utilização dos altifalantes magnetodinâmicos (em que o imã é permanente, constituído por material ferroso) estes eram electrodinâmicos (uma bobina produz o campo magnético). Essa bobina era utilizada como choque de filtro. Daí que, de muitos altifalantes dos rádios dos anos 30, saíssem 4 fios para o chassis; dois correspondiam à bobina móvel e dois à bobina geradora do campo magnético.

A partir de determinada altura estes dois condensadores passaram a ser incorporados numa única carcaça formando um condensador duplo.

Um forte ronco no altifalante é motivado pela perda de capacidade do primeiro condensador uma vez que é este que alimenta a placa da válvula de saída de áudio.

Quando existe ronco, mas mais fraco, é o segundo condensador que perdeu capacidade.

No entanto isto é relativo de forma que, para detectar qual dos dois está defeituoso, o melhor é “pendurar” um outro no circuito provisoriamente.

A substituição deste condensador, ou apenas a secção do duplo, deve obedecer à tensão de isolamento indicada no original. Tanto a tensão como a capacidade podem ser superiores, mas a tensão nunca poderá ser inferior ao indicado.

Se o condensador está montado por cima do chassis (geralmente enroscado ou preso com uma braçadeira) e não tem nenhum semelhante para substituição, coloque-o por baixo do chassis deixando o original no lugar.

Nem sempre o corpo metálico (negativo) está directamente ligado ao chassis. Nos receptores dos anos 30 era muito comum fazer essa ligação através de uma resistência de queda. O objectivo era aproveitar a pequena tensão residual existente no negativo do condensador para polarizar a grelha de controlo da válvula de saída de áudio.

Se o condensador é enroscado no chassis, antes de o substituir verifique a continuidade eléctrica entre este e a massa uma vez que pode haver oxidação do ponto de contacto, provocando perda de continuidade.


Primeira abordagem


A PRIMEIRA ABORDAGEM


Nota importante: Ao manusear o chassis de um rádio com este ligado existe perigo de choque eléctrico cujas consequências podem ser graves. Nele podem ser encontradas tensões superiores a 300Volts!

Em muitos casos o chassis não está isolado da rede sendo um pólo do sector ligado nele. A utilização de um transformador isolador é fortemente recomendada.

Nunca ligue o receptor a uma tomada de terra nem mesmo que este tenha um terminal disponível para isso. Em regra o condensador que faz o "bypass" para o chassis está com fuga provocando um curto-circuito.

Nunca trabalhe em bancada metálica e tenha a instalação eléctrica desta protegida com disjuntor diferencial de alta sensibilidade.


A primeira vez:


É importante que resista ao primeiro impulso de ligar o aparelho que tem em mãos. Lembre-se que podem já ter passado muitos anos desde a última vez que ele foi ligado bem como desconhece o que aconteceu ao chassis durante todo esse tempo.

Assim torna-se fundamental proceder a uma ligeira inspecção do mesmo para avaliar visualmente o seu estado.


Como avaliar:


Imagem de rádio em más condições


Uma avaliação preliminar do rádio: estado geral da caixa, estado do pano que reveste o altifalante, botões, escala, etc, ajudará a perceber a dificuldade de todo o trabalho de recuperação. A ausência de botões ou o dial partido significam trabalho extra e, por vezes, nada fácil de resolver.

Verifique a presença de etiquetas ou selos na caixa e, mais comum, na tampa do aparelho. Essas etiquetas podem ser muito úteis para identificar o modelo ou a data de fabrico. Dentro da caixa e no chassis também pode encontrar etiquetas com as referências das válvulas, valor da frequência intermédia, fabricante original, etc.

Durante o trabalho de reparação e restauro deve preservar essas etiquetas uma vez que contêm quase sempre dados interessantes para a avaliação do aparelho.


O mesmo rádio visto sem tampa


Retire a tampa e inspeccione o chassis. Esta observação é crucial para a avaliação do aparelho; este pode estar bem conservado e ter um bom aspecto geral, mas se lhe faltarem peças como válvulas, transformadores, altifalante, etc, a sua recuperação ficará muito mais difícil.

Um dos segredos para uma recuperação eficaz é não ter pressa em terminar o trabalho. Pode ser necessário arranjar uma válvula que falta, pode até ter que descobrir primeiro que válvula é, pode ter de procurar um altifalante ou recuperar uma FI, isto levará tempo e trabalho de pesquisa, mas no fim certamente que terá valido a pena.

Ao observar o chassis deverá ter em conta a presença de ferrugem, humidade, ausência de válvulas ou quaisquer outros componentes, estado físico dos condensadores, revestimento dos fios, etc. Também deve ter atenção às válvulas que podem estar partidas. Uma coloração esbranquiçada dentro da ampola de vidro, próxima do topo, quer, em regra, dizer que a válvula tem o vidro estalado e deixou de haver vácuo lá dentro. Note que muitas válvulas têm umas manchas escuras ou espelhadas ao longo do vidro. Isso não significa que estejam danificadas, essas manchas resultam de um gás que é colocado, durante o fabrico, dentro delas para criar alto vácuo.

Se tudo estiver aparentemente bem ligue o aparelho mas não directamente à corrente. Use a "lâmpada série" porque a avaliação visual não permite verificar as características eléctricas dos vários componentes e é impossível descobrir visualmente um condensador em curto-circuito ou um transformador avariado.

Avalie o brilho da lâmpada conforme já foi explicado no tópico "Lâmpada série" e apure os seus sentidos! Verifique se há fumo ou cheiro a queimado. Se o brilho da lâmpada aumentar demais ou for muito intenso na altura de ligar o aparelho é sinal de que há alguma sobrecarga.

Tente sintonizar alguma estação. Um ligeiro ronco no altifalante bem como ruído ao mudar o selector de banda ou o controlo de volume podem ser bons sinais.

Não se esqueça que geralmente estes receptores necessitam de antena para funcionar. Coloque um fio ou a ponta de prova do multímetro na respectiva entrada.

Agora a sorte ditará uma de três situações: o aparelho funciona perfeitamente, não funciona de todo ou funciona mal. Escolha o tópico e vá em frente!

Repare que a avaliação do funcionamento deve levar em atenção a idade e a qualidade do rádio e talvez seja preferível ter um pouco mais de distorção ou ruído de alterna a efectuar uma reparação com a substituição de algum componente por outro mais recente ou diferente.

Deixe o aparelho a funcionar por alguns minutos e depois ligue-o directamente à corrente.

Verificará uma melhoria do desempenho mas apure o ouvido. Há a possibilidade de algum condensador começar a "ferver", isto era muito comum nos rádios PHILIPS em que eram usados condensadores revestidos de alcatrão que, tendo alguma fuga, aqueciam provocando o derretimento do seu revestimento. Estes condensadores eram colocados no desacoplamento dos filamentos ou na entrada da rede. Se algum deles entrar em curto-circuito fundirá uma válvula.

Se tudo continuar bem seguir-se-á a limpeza do chassis, limpeza de contactos e suportes das válvulas bem como o possível restauro da caixa, botões, dial, etc.