Como usar


RÁDIO RESTAURO - Como usar


Imagem animada de um rádio antigo


São antigos mas não são velhos. Resistiram ao tempo, ao uso e ao desgaste.


A "lâmpada série"


LÂMPADA SÉRIE


Trata-se de um dispositivo muito simples de limitação de corrente que evita que um aparelho se danifique ou provoque um curto-circuito por excesso de corrente consumida.

Este dispositivo consiste simplesmente na ligação de uma lâmpada de 40W em série com o aparelho a ligar.

A montagem é igual à de qualquer candeeiro, substituindo-se o interruptor de ligação por uma tomada.

Esquema da lâmpada série


Para isto pode usar um velho candeeiro ou montar o conjunto suporte/lâmpada numa placa de baquelite ou madeira.


Como funciona?


Faça um curto-circuito na tomada usando um fio ou uma ponta de prova. O que acontece? A lâmpada acende com o seu brilho máximo.

Assim se ligar um rádio ou outro aparelho que esteja em curto-circuito não queimará nenhum fusível da instalação eléctrica com todos os riscos que se conhece, apenas acenderá a lâmpada na sua totalidade.

Um rádio sem problemas de sobrecarga fará com que a lâmpada acenda um pouco ao ligar, diminuindo a sua intensidade para, alguns segundos depois, aumentar um pouco o seu brilho.

Este ciclo acontece porque quando se liga o rádio os filamentos das válvulas estão frios tendo uma resistência muito baixa. Isto provoca um excesso temporário de consumo. Ao serem percorridos pela corrente que os alimenta estes aquecem aumentando a sua resistência, logo baixando o consumo. No momento seguinte a lâmpada brilha um pouco mais porque passa a existir consumo anódico.

Se ao ligar o rádio a lâmpada se mantém sempre acesa com o seu brilho máximo significa que há um curto-circuito franco, por exemplo um condensador em curto na entrada da alimentação.

Se o brilho é bastante intenso e não diminui significa que há um consumo anormal. Pode ser o transformador de alimentação ou condensador em curto numa das saídas deste.

Se, alguns segundos depois de ligado o rádio, o brilho da lâmpada começa a aumentar é indicação de uma sobrecarga na alimentação anódica (vamos chamar-lhe +B). Alguma válvula em curto, condensador electrolítico, etc.

Note que se o rádio trabalhar a 110Volts e for ligado através da lâmpada a 220Volts o brilho da lâmpada será elevado mas o aparelho não se danificará, exactamente por esta espécie de limitação automática de corrente.

Com o tempo e a prática habituar-se-á às várias situações de brilho e ao seu significado.

A substituição de uma lâmpada de 40W por uma de potência mais baixa não é aconselhável uma vez que a corrente máxima que esta suporta é inferior limitando a carga a ligar.

Uma lâmpada de 60W ainda pode ser utilizada criando, no entanto, algum risco de dano quando se liga um aparelho de 110Volts sem o respectivo transformador redutor.

Quando tudo parece normal pode ligar o aparelho directamente à corrente uma vez que a colocação em série da lâmpada provoca alguma queda de tensão limitando o desempenho.


O ferro de soldar


COMO USAR O FERRO DE SOLDAR


Efectuar uma solda parece fácil, mas uma boa soldadura requer alguma experiência e cuidado.


Ferro de soldar ao lado do suporte


O ferro de soldar é muito importante uma vez que deve estar adaptado ao tipo de componente ou superfície que vai ser soldada. Uma superfície grande requer um ferro mais potente e solda mais grossa; um pequeno ponto de solda requer um ferro de pouca potência e solda mais fina.

Por exemplo, o ferro que se usa para soldar uma blindagem de uma bobina não pode ser o mesmo que se usa para soldar uma ficha de auscultadores. Um ferro de pouca potência não conseguirá derreter a solda da blindagem, o de grande potência derreterá a ficha!


Ferro de soldar tipo pistola


Para uso em rádios antigos o melhor é o ferro tipo pistola. Este ferro é de aquecimento quase instantâneo e só aquece enquanto estiver premido o seu botão de corrente, daí que seja relativamente fácil controlar o calor a aplicar num determinado componente.


Ferro de soldar com suporte


A solda deve ser fina e de boa qualidade com uma boa percentagem de estanho e de antioxidante. Este antioxidante serve para remover a sujidade ou oxidação dos pontos de solda. Quando esta proporção não é suficiente pode usar-se resina para esse efeito.


Como soldar:


  1. Certifique-se que as superfícies a unir pela solda estão limpas. Os componentes antigos acumulam uma fina camada de óxido que dificulta a soldadura. Pode raspar a superfície a estanhar com um canivete, lâmina ou faca. O fio de uma tesoura também serve.
  2. Estanhe primeiro cada parte a unir. Depois do ferro suficientemente quente encoste a ponteira no fio de solda até que esta se derreta e fique na ponta do ferro. Em seguida passe a ponteira pela primeira superfície a unir de forma a que esta fique uniformemente estanhada. Repita o mesmo para a segunda superfície. Se tiver dificuldade em fazer com que a solda adira, molhe a ponta do ferro num pouco de resina.
  3. Uma outra alternativa é encostar o fio de solda à área a estanhar e, ao mesmo tempo, o ferro de forma a que a solda derreta directamente no ponto a estanhar.

  4. Una as duas peças e encoste o ferro para que a solda já existente derreta unindo os dois pontos. Se for necessário adicione um pouco de solda como explicado no ponto 2. Aguarde que arrefeça durante uns dois ou três segundos. Não mexa a ligação durante esse tempo. A solda deve ficar com um aspecto liso, brilhante e sem rugosidade. Uma bolinha de solda quer, quase sempre, dizer que a soldadura não está correcta sendo oca por dentro. Com o tempo essa solda vai produzir um mau contacto, em regra chamado de "solda fria".

Lembre-se que muita solda não significa que está bem soldado. Tenha cuidado para que não caia nenhum pingo de solda noutra parte do circuito, na mesa de trabalho ou na roupa. Cuidado com as queimaduras, em regra são bastante dolorosas.


O gerador de sinais


GERADOR DE SINAIS


O uso do “Gerador de Sinais”:


Embora a utilização do gerador de sinais seja dispensável, em muitos casos pode ser uma boa ajuda para perceber e isolar o estágio do receptor que está avariado.


Gerador de sinais de BF e RF


O “Gerador de Sinais” é um equipamento que produz tons de baixa frequência de um valor compreendido entre os 40Hz e os 1000Hz e sinais de rádio frequência entre 100KHz e 100MHz. Estas características são as mais comuns mas variam conforme a qualidade e preço do equipamento.

O essencial é perceber que este aparelho gera dois tipos de sinais: Os de BF, baixa frequência ou áudio e os de RF, rádio frequência, sinais muito semelhantes aos produzidos pelas emissoras de radiodifusão.

Estes sinais de RF podem ser apenas uma portadora simples ou modulada em amplitude pelo sinal de BF.

O “Gerador de Sinais” ajuda a identificar o estágio avariado através da injecção de sinal desde o andar de áudio até à antena. Onde se perde esse sinal é onde se localiza a avaria.

Além disso este sinal injectado serve de referência para o alinhamento dos andares de frequência intermédia e calibração dos andares de conversão e amplificação de RF.


Como usar:


No “Gerador de Sinais” encontrará pelo menos duas saídas, uma correspondendo a um sinal de BF e outra a um sinal de RF. Em geral cada saída tem um controlo de ganho ou mais conhecido como “atenuador de sinal e que serve para regular o sinal presente em cada saída. Um sinal muito fraco pode não ser suficiente para excitar o ponto a testar, um sinal muito forte produzirá saturação e, consequentemente, distorção.


Pormenor da escala do gerador de sinais


Um botão dotado de uma escala ou várias escalas graduadas serve para ajustar a frequência de RF de saída. Esta escala pode ter marcações de, por exemplo, 1 a 100 fazendo depender a leitura da frequência correcta da posição do multiplicador seleccionado.

Se este multiplicador estiver em x10KHz significa que cada número para o qual aponta o ponteiro deve ser multiplicado por 10KHz.
Ex: 50=50x10KHz=500KHz
Vale o mesmo para qualquer outra selecção do multiplicador.


Injecção de sinal:


Um receptor de rádio é constituído por três estágios:

A pesquisa no estágio de BF é feita usando-se o sinal de áudio do gerador. A pesquisa nos estágios de FI e RF é feita com o sinal de RF modulado em amplitude pelo sinal de BF para que seja mais facilmente ouvido.


Pesquisa no estágio de BF:


Use a saída apropriada do gerador e regule o seu nível, caso exista este ajuste, para um valor médio. Ligue o negativo ao chassis do receptor e agora, com a ponta de prova, toque na grelha de controlo da válvula de saída. Para identificar o pino correspondente use o “Manual de Válvulas”.

Se este andar estiver a funcionar correctamente ouvirá um forte tom de BF correspondente à frequência produzida pelo gerador. Este sinal deve ser limpo e sem distorção.

Se não houver sinal é porque este andar não está a funcionar. Consulte a secção de avarias deste dossier.

Se houver sinal passe em seguida à placa da válvula amplificadora de BF. O sinal deve ser de intensidade semelhante. Em alguns receptores o controlo de volume existe entre a válvula de BF e a de saída. Nestes casos a intensidade do sinal varia com a posição do potenciómetro de volume.

Passe em seguida para a grelha de controlo da válvula de BF. O sinal deve ser mais forte uma vez que está sujeito à amplificação da válvula. Se houver distorção reduza o ganho no gerador. Se não houver aqui sinal está identificado o andar avariado.


Pesquisa no estágio de FI:


Use agora a saída de RF do gerador e escolha uma frequência em torno dos 450KHz. Se o gerador permitir, module esta portadora com um sinal de BF. Regule o ganho de saída para um valor médio.

Toque com a ponta de prova no enrolamento de saída, secundário, da segunda FI. Em seguida passe para a placa da válvula amplificadora de FI.

Se tudo estiver bem, passe para a grelha de controlo. Por fim toque no enrolamento primário da primeira FI.

Detectará o defeito onde perder o sinal.


Pesquisa no estágio de RF:


Mantenha a saída de RF do gerador mas escolha uma frequência próxima da metade da banda seleccionada. Por exemplo, para a onda média escolha uma frequência em torno dos 800KHz.

Toque na placa da válvula conversora. Geralmente esta válvula é dupla sendo constituída por um heptodo para a conversão e um pentodo para a amplificação de RF.

Agora na grelha de controlo. Caso não ouça nada rode o condensador variável.

Passe para a placa da amplificadora de RF. Em seguida toque na grelha de controlo. Tenha o cuidado de ir rodando o condensador de sintonia.

Por fim toque na secção do condensador variável correspondente à antena.


O manual de válvulas


O MANUAL DE VÁLVULAS


Todas as válvulas têm uma referência que as identifica física e electricamente. Por exemplo: 6V6, 50L6, AZ1, UCH21, etc.

No artigo sobre válvulas neste dossier é possível identificar algumas destas características apenas pela leitura da referência. No entanto essas indicações são muito vagas e, ao longo dos tempos, a nomenclatura nem sempre foi seguida à risca.

Para além disso importa saber a pinagem, ou seja, a que pinos da válvula correspondem os respectivos elementos, cátodo, filamento, grelhas, etc. Saber quais as tensões de trabalho recomendadas é bastante útil uma vez que servem de elemento comparativo com as que se encontram no aparelho que se está a reparar; nem sempre há um esquema disponível ou nem sempre este tem indicadas as tensões de trabalho correctas.

Percebe-se então a necessidade de utilizar manuais onde, para cada referência, sejam indicados os seus parâmetros, esquema eléctrico, tensões e correntes de trabalho, facilitando assim a tarefa de diagnóstico de uma avaria.

Chamam-se "Manuais de válvulas" e já existem, pelo menos, desde os anos trinta.


Imagem de um antigo manual de válvulas


Existem os manuais mais simples onde aparece apenas o desenho da pinagem com a indicação dos respectivos elementos e os mais completos com equivalências, tensões e correntes recomendadas e um circuito típico de aplicação da válvula. Estes circuitos são muito úteis porque, para além de darem uma visão geral da aplicação da válvula num dado circuito, ajudam a descobrir por aproximação o valor de algum componente que não se consegue determinar no aparelho a reparar por já ter perdido a referência, estar muito sujo ou mesmo totalmente danificado.


Esquema e pinagem de uma válvula


As novas tecnologias colocaram à disposição dos reparadores manuais em CD-ROM e na Internet existem várias bases de dados onde é possível obter este tipo de informação.

Abaixo ficam alguns sites de referência com bases de dados e informações úteis sobre válvulas:



O multímetro


O MULTÍMETRO


O "Multímetro" é o meio de diagnóstico mais eficaz que, se usado correctamente, torna todos os outros aparelhos de teste e medida dispensáveis.


Multímetro analógico


Chama-se "Multímetro" porque agrega várias medições: tensão, corrente e resistência tanto em corrente alterna (AC) como em corrente contínua (CC ou DC).

Alguns aparelhos são complementados com medidor de diodos, medidor de continuidade ou medidor de transístores.

A precisão de medida é bastante importante e vai ter consequências nos valores apresentados. Essa precisão depende de três factores:

  • Qualidade das resistências de queda utilizadas internamente
  • Resistência interna. Esta resistência interna traduz-se numa sobrecarga criada no circuito a medir pelo próprio aparelho de medida. Se se tratar de um circuito de alta impedância com uma elevada resistência, por exemplo, a grelha de controlo de uma válvula, a carga interna do medidor pode influenciar o funcionamento do circuito bem como da própria medida, acusando um valor diferente do real. Esta resistência interna do Multímetro mede-se em Ohm/Volt. Um Multímetro de 100000Ohm/V apresentará por cada volt medido em escala uma resistência de 100000ohm (100kOhm). Se estiver comutado para uma escala de 2,5V a sua resistência interna que se refletirá no circuito a medir é de 250kOhm (100000x2,5=250000Ohm ou 250kOhm). Daqui se retira que um Multímetro será tanto melhor quanto maior for a sua resistência interna. Os Multímetros analógicos têm um valor relativamente baixo quando comparados com os aparelhos digitais. Existem ainda aparelhos de leitura analógica mas com um circuito interno de amplificação a válvula ou a transístor MOS-FET que disponibiliza grande resistência de entrada.
  • Erro de escala. Este erro só acontece nos aparelhos de agulha e deve-se à tolerância na inscrição da escala, alinhamento do ponteiro e erro de "paralaxe". O erro de "paralaxe" reside na distância entre o ponteiro e a escala que, ao ser vista um pouco de lado falseia a indicação visual da agulha não mostrando a sua correcta posição na escala. Por este motivo a leitura é mais rigorosa se for feita no meio da escala, piorando à medida que se caminha para os seus extremos.

Como trabalhar com o Multímetro:


Comece por interpretar a escala, caso se trate de um modelo analógico.


Imagem da escala de um 

multímetro


Existem escalas para Volts, Ohms, dB, etc. Para simplificar, uma dada escala é usada para a medição de Volts, por exemplo, deve ser multiplicada ou dividida em função do que está seleccionado no selector do aparelho.

Imagine que a escala de Volts CC (contínuos) é de 250. Se o comutador estiver numa posição de leitura de 25Volts, deve dividir o valor mostrado na escala de 250Volts por 10. Se for numa posição do botão de 2,5Volts deve dividir a escala por 100. Acontece o mesmo para as restantes medidas.

O selector de funções e escalas é o mais importante no manuseamento do Multímetro. Um erro na selecção da escala ou na função pode danificar o aparelho.


Imagem do selector de 

funções


Este selector está dividido em valores e grupos. Cada grupo corresponde a um tipo de medida: tensão, corrente ou resistência. Um risco ou cor diferente dos números restringe cada secção.

A escala seleccionada deve ser ligeiramente superior ao valor que pretendemos medir. Se quisermos confirmar uma tensão que deve ser de 125Volts alternos temos de seleccionar primeiro a secção ou o tipo de medida, no caso escolher tensão alterna e um valor de escala superior ao valor medido, imagine que a escala mais próxima é 250Volts é esta que deve escolher.

Nos aparelhos analógicos há ainda um botão de ajuste do Zero para a medição de resistência. Para efectuar este ajuste leve o selector para a escala de Ohms que pretende utilizar e em seguida encoste as duas ponteiras, a vermelha e a preta, uma à outra. O ponteiro deslocar-se-á para a direita. Ajuste o botão para que este fique exactamente sobre o 0.

Em repouso a agulha deve estar sobre o 0 da esquerda. Para acertar a agulha use o orifício que se situa no mostrador do medidor.


Imagem de multímetro digital


A leitura nos aparelhos digitais é mais simples mostrando exactamente o valor medido. Apenas deverá ter em atenção a vírgula para destinguir um valor de 250Volts de um de 2,50Volts.


Ligação das pontas de prova:


Há duas pontas de prova: a vermelha, positivo e a preta, negativo. Quando se mede tensão ou corrente contínua a colocação das ponteiras deve respeitar a polaridade. Num Multímetro analógico a inversão de polaridade faz com que a agulha se desloque em sentido contrário.

Num aparelho digital aparece no display a indicação de "-".

A ponta vermelha liga na ficha com a indicação de "+" e a preta na entrada assinalada com um "-". Nesta posição o medidor mede voltagem, corrente e resistência. Em regra existe uma outra ligação para medição de alta corrente. Para efectuar uma medição nesta escala deve retirar a ponta positiva e colocá-la no borne respectivo.

Não se esqueça de voltar a colocar a ponteira no borne correcto depois de efectuar a medição. Um esquecimento e provocará um curto-circuito.