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No dia 25 de Abril de 1974 Portugal terminava definitivamente com meio século de opressão, medo e atraso.

Era a "Revolução dos Cravos"
No dia anterior a rádio foi a “senha” para o arranque simultâneo dos militares que decidiram acabar de uma vez por todas com uma ditadura que matava o País com uma morte que não se via mas matava.
5 minutos antes das 23h do dia 24 de Abril de 1974, nos estúdios da Rádio Alfabeta dos Emissores Associados de Lisboa, o locutor de serviço - João Paulo Dinis – “lançou” a música “E depois do adeus” de Paulo de Carvalho. Era o sinal para as tropas avançarem.
A "senha", constituída pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, foi gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no âmbito do programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, antecedida da leitura da sua primeira quadra.
“Grândola, vila morena
Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade”
Esta segunda “senha” transmitida pela Rádio Renascença, estação de cobertura nacional, serviu para informar todos os quartéis e militares que aderiam ao golpe, de que tudo estava preparado e a correr conforme o previsto.
Era o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
Quatro horas mais tarde a rádio era já o eco da liberdade e augúrio de que tudo iria correr bem.
A Rádio Clube Português é ocupada por militares e transformada no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas» - por este motivo a emissora fica conhecida como a “Emissora da Liberdade”.
Às 04h26 o locutor Joaquim Furtado fazia a leitura do primeiro comunicado do MFA, aos microfones do Rádio Clube Português:
“Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.”

Na manhã do dia 25 já cheirava a liberdade e a ditadura, podre de cinquenta anos, caiu sem criar resistência. Nos canos das espingardas foram colocados cravos.
Nas décadas passadas a rádio prendia os seus ouvintes com programas de grande interesse popular: entrevistas, teatros radiofónicos, variedades, infantis, etc, constituíam um forte elo de ligação entre a rádio (virtualmente o rádio) e os seus ouvintes.
A importância de alguns deles levou os ouvintes a alterarem hábitos e horários, muitos introduziram modas e costumes, surgiram vedetas e estrelas, amores é ódios, mas, há hora certa, eles lá estavam de ouvido colado ao receptor, sorvendo cada palavra, cada frase, cada música como se do seu ar se tratasse.

Abaixo referem-se três dos mais importantes programas brasileiros das décadas de ouro da rádio. São exemplos fantásticos da sua força e importância enquanto meio de comunicação e distracção.
Este programa, produzido por Almirante, Radamés Gnattali e José Mauro, foi emitido pela primeira vez em 6 de Abril de 1945 na Rádio Nacional, sendo apresentado por Almirante.
"Aquarelas do Brasil" era transmitido à sexta-feira, pelas 21 horas e 30 minutos, na Rádio Nacional.
O seu patrocionador era a Pan American World Airways.
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Genérico do programa "Aquarelas do Brasil" |
Um ano depois, e na sequência do programa "Aquarelas do Brasil", surgia o "Aquarelas do Mundo", produzido por Haroldo Barbosa, José Mauro e Radamés Gnattali.
A primeira emissão foi a 26 de Abril de 1946, na Rádio Nacional, mantendo o mesmo dia e hora do programa anterior. Os locutores eram Jorge Curi e Cesar de Alencar.
O patrocinador era o mesmo, a Pan American World Airways.
O primeiro programa tinha como título "As cidades que cantam"
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Genérico do programa "Aquarelas do Mundo" |
Este foi o mais conhecido e famoso programa de ALMIRANTE. Histórias sobrenaturais colhidas na literatura e nas cartas dos ouvintes.

O primeiro programa foi apresentado na Rádio Tupi, no dia 21 de Outubro de 1947, sendo transmitido à terça-feira pelas 21 horas e 30 minutos.
O seu produtor e narrador era Almirante e contava com a orquestra Tupi sob a regência de Alto Taranto.
O indespensável patrocínio era da Guaraina.
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Genérico do programa "Incrível, fantástico, extraordinário" |
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Apresentação do programa "Incrível, fantástico, extraordinário" |
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Extracto do primeiro programa |
"O maravilhoso espectáculo do som! Eis, quanto a nós a melhor definição de rádio: um conjunto de sons que formam uma linha, definem uma ideia é o que lhes vamos apresentar.
Há ainda uma curiosidade: a ausência da voz do locutor!"
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INTRODUÇÃO DE MATOS MAIA na reportagem "Lisboa e o Tejo" realizada pelo Rádio Clube Português em 1967. |
Este interessante trabalho retrata a vida dos que fazem do tejo a sua profissão; os pescadores, os estivadores, as varinas e os marinheiros.
E sempre com o locutor ausênte.
São os próprios intervenientes que, falando de si e do seu trabalho, falam da sua relação com o Tejo e, lógicamente, da relação deste com a cidade.
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EXTRACTO DE UM LEILÃO DE PEIXE NA LOTA |
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EXTRACTO DE UM pregÃO DE PEIXE NA LOTA |
"Lisboa e o tejo" foi mais um dos muitos trabalhos inovadores que se fizeram no antigo "Rádio Clube Português
O "RCP" - Foi a primeira emissora do país, criada em 1931, por iniciativa privada, com cobertura nacional de onda média e curta. Deveu-se-lhe o desenvolvimento da actividade radiofónica em Portugal.
Entre outras acções, efectuaram a primeira transmissão ininterrupta de 24 horas, realizada em 1963, com a estreia do programa Sintonia 63, emitido diariamente entre as três e as seis da madrugada, um horário inédito até então.
Exerceu um papel importante na revolução de 25 de Abril de 1974, tendo sido nesta estação que o locutor João Paulo Diniz leu a primeira senha que deu o arranque ao Movimento das Forças Armadas (MFA), na madrugada de 25 de Abril de 1974. Horas mais tarde, foi o primeiro órgão de informação a relatar a ocorrência da revolução, pela voz de Joaquim Furtado.
"Cai da noite um longo véu
Toda a luz desaparece
Já dormem estrelas no céu
Quando Lisboa adormece"
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OUÇA-O AQUI DITO POR LUIS FILIPE COSTA |
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DEPOIMENTO DE UM ESTIVADOR |
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DEPOIMENTO DE UMA VARINA |
Nesta produção do "Rádio Clube Português" Mário Paiva e José Manuel captaram os exteriores para concretizarem uma ideia de Matos Maia e Leston Martins
Abrantes Gonçalves sonorizou e montou
Luis Filipe Costa leu quadras inéditas de Fernando Péres
Voz de Matos Maia
Responsáveis técnicos Manuel Pascoal e Luis Alcobia
Realização radiofónica de Matos Maia e Leston Martins
Uma cortesia do arquivo histórico de "Os Clássicos da Rádio"
de Júlio Dantas.

28 de Março de 1902: a obra literária "A Ceia dos Cardeais", de Júlio Dantas (O Dantas) é estreada no então Teatro D. Amélia (hoje Teatro São Luís), em Lisboa.
Este livro projectou o escritor no mundo, tendo 50 edições nas mais diversas línguas em 50 anos, atingindo 200 mil exemplares, o que era incalculável naqueles tempos da nossa Literatura.
Peça em um acto, em verso com Alves da Cunha, Assis Pacheco e João Vilaret
Data provável da gravação: 1961
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Ouça a parte inicial da peça |
Trecho da peça "Como é diferente o amor em Portugal!
Nem a frase sutil,
nem o duelo sangrento...
É o amor coração,
é o amor sofrimento.
Uma lágrima...Um beijo...
Uns sinos a tocar..
Um parzinho que ajoelha
e que vai casar.
Tão simples tudo!
Amor, que de rosas se inflora:
Em sendo triste canta,
em sendo alegre chora!
O amor simplicidade,
o amor delicadeza...
Ai, como sabe amar,
a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e,
desde tenra idade,
Ir nesse beijo unindo o amor
com a amizade,
Numa ternura casta
e numa estima sã,
Sem saber distinguir entre
a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em
cordas misteriosas,
Como se em comunhão se
entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse
um amor somente...
Ai, como é diferente!
Ai, como é diferente!"
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Fala do Cardeal Gonzaga, ao descrever aos 84 anos, o seu amor de infância. |
de Cottinelli Telmo.

Realizado em 1933, foi o primeiro filme sonoro feito em Portugal.
Vasco Leitão (Vasco Santana), vive da mesada das tias, que vivem em Trás-os-Montes, que nunca vieram à capital, e o consideram um aluno cumpridor. Ora, o Vasco prefere os retiros e os arraiais, as cantigas populares e as mulheres bonitas, em particular Alice (Beatriz Costa), uma costureira do Bairro dos Castelinhos, o que não agrada ao pai, o alfaiate Caetano (António Silva), sabendo-o crivado de dívidas...
Os azares de Vasco sucedem-se: no mesmo dia em que é reprovado no exame final de curso, recebe uma carta em que as tias lhe anunciam uma visita a Lisboa!
BEATRIZ COSTA - Alice
VASCO SANTANA - Vasco
ANTÓNIO SILVA - Pai de Alice
TERESA GOMES - Tia de Vasco
SOFIA SANTOS - Tia de Vasco
MANOEL DE OLIVEIRA - Carlos
Realizador - COTTINELLI TELMO
Argumento - COTTINELLI TELMO
Fotografia - HENRY BARREYRE, OCTÁVIO BOBONE
Produtor - TOBIS PORTUGUESA|
Ouça um extracto do filme |

O aparecimento da rádio nos anos trinta e a sua importância na vida diária dos portugueses acaba por se reflectir no cinema que, curiosamente, também passava por uma fase de glória tendo atingido o apogeu em 1933 com o filme "A Canção de Lisboa", o primeiro filme sonoro.
"A Menina da rádio" e "O Pátio das Cantigas" são dois interessantes exemplos da popularidade da rádio narrando de forma cómica a maneira como eram feitas as emissões naquele tempo.
À semelhança do que foi dito, "A Menina da Rádio" é uma "típica comédia portuguesa", na qual é introduzido um elemento novo: a rádio, meio em grande expansão nessa altura em Portugal.
Os donos de dois pequenos comércios (Cipriano e Rosa) odeiam-se, mas os seus filhos (Geninha e Oscar) amam-se. Cipriano decide fundar um Clube de Rádio onde Geninha interpreta as canções de Oscar, apesar da oposição impetuosa de Rosa. As coisas vão-se complicando mas o final adivinha-se feliz.
Pelo meio há doce de ginja no casaco de Fernando Verdial, um cantor da moda, bilhetes de amor, ciúme e um final feliz com a inauguração, contra tudo e contra todos, do "Rádio Clube da Estrela".
Realizador - Arthur Duarte
Ano de Produção - 1944
Ficha Artística:
ANTÓNIO SILVA - Cipriano
MARIA MATOS - Rosa
RIBEIRINHO - Fortunato
MARIA EUGÉNIA - Geninha
ÓSCAR DE LEMOS - Óscar
Ficha Técnica
Realizador - ARTHUR DUARTE
Argumento - JOÃO BASTOS
Fotografia - AQUILINO MENDES
Produtor - COMPANHIA PORTUGUESA DE FILMES
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Tudo começa na publicidade ao doce de ginja |
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doce de ginja faz estragos |
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Aqui está a prova, quando ler anúncios não beba |
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Será a rádio um bichinho? |
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Um final feliz - Inauguração da Rádio Clube da Estrela |
de Artur Duarte

Talvez se pergunte o que terá este filme a ver com a rádio. Pelo título nada se descobre, mas se recorrermos à nossa memória para recuar no tempo, lembramo-nos da célebre cena em que Simplício Costa (António Silva), depois de ter comprado um rádio, o demonstra, explicando como funciona e porque faz aqueles estranhos ruídos.
Nessa simples explicação, feita da forma exuberante com que António Silva nos habituou, acaba por dar a melhor definição de rádio que já se ouviu:
"E isto toca?" – Alguém terá perguntado - "Se toca! Liga-se à parede e é uma torneira a deitar música!". Simples mas genial.
Era o tempo em que o rádio ocupava um lugar de destaque no aposento principal da casa e a família (quantas vezes os vizinhos) se reunia para ouvir atentamente as músicas e as vozes da rádio.
Daniel aluga um quarto na humilde e simpática casa da senhora Rita e do senhor Januário, na Costa do Castelo, onde mora Luisinha - uma jovem bancária, órfã, por quem Daniel se sente atraído - e um popular professor de guitarra, Simplício Costa. A verdadeira identidade de Daniel é desmascarada por Mafalda da Silveira, sua tia, o que causa grande sarilho na relação entre Luisinha e ele, pois trata-se de um fidalgo.
Graças a um estratagema acabam todos por mudar-se para o solar da família, nos arredores de Lisboa.

"O Costa do Castelo", assim como "A Menina da Rádio" e "O Leão da Estrela", que viriam a dominar a comédia popular nos anos 40, resulta da associação (feliz) entre o realizador Arthur Duarte, o autor João Bastos, o argumentista Fernando Fragoso, o director de fotografia Aquilino para retratar a vida do bairro lisboeta, as velhas casas com roupa a secar e sardinheiras à janela, as tricas de vizinhas, a coscuvilhice, o gosto de conversar na cozinha. E algumas das suas figuras típicas, como este António Silva-da-Arábia, que resolve sempre os problemas e nunca está de mal com ninguém.
O enredo (...) é pobre de efabulação e recorre a velhos truques cénicos, como a identidade escondida. Mas o que está em causa é a movimentação permanente
das personagens, a vivacidade dos diálogos, a verdade dos apontamentos e (...) a espantosa graça de algumas cenas cómicas."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986
Realização:
Arthur Duarte
Local de Estreia:
São Luiz (Lisboa) - 15 de Março de 1943
Produção:
Tóbis Portuguesa
Obra Original:
João Bastos
Argumento:
Fernando Fragoso
Diálogos:
João Bastos
Actores:
Luís Campos
António Silva
Maria de Lourdes de Almeida Lemos (Milú)
Maria Olguim
António Sacramento
Mendonça de Carvalho
Manuel Santos Carvalho
Hermínia Silva
Dina Salazar
Isabel Carvalho
Vital Santos
João Silva
Maria Matos
Fernando Curado Ribeiro
Teresa Cazal
Virgínia Noronha
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No aniversário de Luisinha Simplício Costa faz uma surpresa |
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Um rádio! Mas isto toca? |
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Ruídos: uma explicação técnica |

Reginald A. Fessenden ficou fascinado com a idéia da telegrafia sem fio desde criança quando viu Bell demonstrar a sua invenção do telefone.
Perguntou a si mesmo se a partir daquele ponto não se poderia transmitir a voz humana sem o auxilio de fios.
No natal de 1900, transmitiu a sua primeira mensagem, exactamente seis meses após a demonstração pública de Landell em junho de 1900 em São Paulo.
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É a gravação dessa primeira mensagem que pode ser ouvida |
Diz a mensagem de Fessenden em 25 de Dezembro de 1900, :
"Hello! test, one, two, three, four. If it's snowing where you are, Mr. Thiessen, If it is telegraph back and let me know"
("Alo!, um, dois, três, quatro. Se estiver a nevar onde o Sr. está, Sr. Thiessen, se estiver, telegrafe-me e deixe-me sabê-lo.")
Agradecimentos a Luiz Netto pela disponibilidade do ficheiro de áudio

"Se não chegarmos a triunfar não nos restará senão, ao soçobrarmos, arrastar connosco metade do mundo neste desastre" - Hitler a H.Rauschning, "Gesprache"
O ambiente no bunker era tenso, sufocante. Passavam mais de cem dias, entre entradas e saídas, que um pequeno grupo de funcionários, oficiais e chefes nazis, estavam lá como lobos ao redor de Adolf Hitler.
Construído nos jardins da Chancelaria do Reich, em Berlim, este abrigo tinha a função de os proteger dos ataques aéreos aliados que devastavam a capital da Alemanha.
Acentuando ainda mais a situação bárbara e claustrofóbica em que viviam, chegou-lhes a notícia que o Exército Vermelho estava às portas.
No dia 18 de Abril de 1945, um colossal exército blindado de tanques, canhões e aviões, dispersou dois milhões e meio de soldados russos para os arredores da cidade. Mais de um milhão deles combateram numa espectacular batalha de rua, contra as derradeiras forças da resistência alemã. Pelo preço de 300 mil baixas, os soviéticos penetraram-na por todos os lados.
Hitler ainda recebeu alguns convidados mais próximos no seu aniversário em 20 de Abril. Há uma foto dele na ocasião. Com a gola do capote levantada, cumprimenta, do lado de fora da Chancelaria do Reich destruída, alguns jovens da juventude nazi que se tinham destacado na defesa desesperada da cidade.
O Führer estava uma ruína humana. A sua tez acinzentou-se, o rosto encovou-se e os olhos adquiriram uma opacidade de semimorto. Para o consolar e sacudir da letargia depressiva em que se encontrava, Joseph Gobbels, seu Ministro da Propaganda, lia-lhe diariamente trechos da "História de Frederico o Grande", de Carlyle, especialmente a passagem onde é narrada a milagrosa salvação daquele capitão prussiano na Guerra dos Sete Anos (1756-63), que escapou do destino dos derrotados devido a um erro ocorrido entre os seus inimigos.
No dia 29 de Abril, deu-se a reunião final. O General Weidling, governador militar de Berlim, e comandante da LVI Panzer Corps, ainda aventou a possibilidade de uma fuga pelas linhas soviéticas, mas Hitler dissuadiu-o. Não tinham nem tropas, nem equipamento, nem munições, para qualquer tipo de operação.
Era ficar e morrer!
O Führer então despediu-se formalmente das pessoas mais próximas que ainda o seguiam até aquele momento. Pressentindo o suicídio, os que estavam no bunker reagiram de uma maneira inesperada. Muitos, depois de colocarem discos, puseram-se a dançar e alegremente, confraternizaram com os demais, como se um esmagador peso, repentinamente, tivesse sido removido de cima deles. O fascínio de feiticeiro que Hitler exercera sobre eles cessara como que por encanto.
Depois do almoço, no dia 30 de Abril, trancou-se com Eva Braun nos seus aposentos. Ouviu-se apenas um tiro. Quando lá entraram encontraram-no com a cabeça Desfeita à bala e com a pistola caída no colo. Em frente, numa languidez de morta, estava Eva Braun, sem nenhum ferimento visível. Ingerira cianeto, um poderosíssimo veneno. Eram 15:30 horas.
Rapidamente os dois corpos, envolvidos num lençol, foram removidos para o pátio e, com o auxilio de 180 litros de gasolina em que os embeberam, formaram, incendiados, uma enorme tocha. Ao redor deles, uma silenciosa saudação fascista prestou-lhes a homenagem derradeira.

Como era de esperar, a notícia espalhou-se rapidamente e a rádio foi o melhor veículo para isso.
A notícia da BBC correu mundo. Entre incredulidade, espanto e uma incontida alegria, a rádio era, mais uma vez, portadora de esperança num mundo melhor e em paz.
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Último discurso de Hitler em Abril de 1945
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Hitler morreu! Notícia transmitida pela BBC a 30 de Abril de 1945
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Durante o século XX foram muitas as realizações do homem de grande envergadura, levando aos limites a engenharia, a ciência e a tecnologia. Construções gigantescas cruzaram os mares, edifícios tocaram os céus, pontes e estradas levaram a engenharia a realizações nunca antes imaginadas. E tudo isto deu a sensação de que o homem era invencível, capaz de dominar as leis da natureza, substimando-a, esquecendo a sua força e poder.
No entanto, por várias vezes, a natureza se encarregou de mostrar a sua força e invencibilidade, reduzindo o homem à sua insignificância.
Em 15 de Abril de 1912 o maior, o mais luxuoso, o mais caro e indestrutível navio Titanic era destruído por um iceberg, durante a sua viagem inaugural, após 4 dias de navegação.

Em 6 de Maio de 1937, o maior e mais luxuoso dirigível jamais construído explodiu ao pousar em Lakehurst, Nova Jersey.
Curiosamente ambos os casos tiveram influência na história da rádio, motivando grandes alterações, quer sob o ponto de vista técnico, quer (principalmente no segundo caso) na forma de fazer informação, beneficiando o directo e o imediato.

O Hidenburg era um dos melhores transportes aéreos da Aviação da Alemanha Nazi, sendo suposto representar a grandeza do Reich Alemão e o seu líder, Adolfo Hitler.
Foi um gigantesco dirigível construído para comprovar a superioridade tecnológica da Alemanha. Conhecido como Zepelin era sustentado no ar por 200 mil metros cúbicos de hidrogénio, o maior dirigível da história até 1937.
O LZ 129 era o orgulho da engenharia alemã, considerado o modelo mais espectacular da Zeppelin. Tinha 245m de comprimento, 41,5m de diâmetro, voava a 135km/h com autonomia de 14 mil quilómetros e tinha capacidade para transportar 50 passageiros e 45 tripulantes.
Na noite de 6 de Maio de 1937, o gigantesco dirigível Hindenburg preparava-se para descer na base de Lakenhurst, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, com 97 passageiros a bordo, vindos da Alemanha.
Amigos e familiares aguardavam a chegada dos passageiros. O Jornalista Howard Morrison em representação da sua rádio, estava a gravar o acontecimento para mais tarde o poder transmitir. O dia estava chovoso e já se tinham registado trovoadas. Morrison gravava uma pequena informação sobre o tempo, o Dirigivel e o que seria necessário para que o Hindenburg pousasse em segurança.
À medida que o Dirigivel se apróximava e já a uma altura de 300 pés Morrison continuava a sua reportagem descrevendo a aterragem, Quando, subitamente, o dirigível explode em chamas, em pleno voo.
Morrison fica chocado, após uma pequena pausa, o repórter continua a relatar toda aquela tragédia. Enquanto retiram as vitimas, os sobreviventes são entrevistados.
Vivia-se o melhor das noticias radiofónicas, acontecimentos relatados no exacto momento em que ocorrem. A reportagem é emitida para os lares dos ouvintes e assiste-se a um sentimento de dor pelas mortes e pelos feridos.

Este acontecimento reflectiu o futuro das transmissões radiofónicas imediatamente antes e durante a II Guerra Mundial quando os Murrow Boys e outros iriam trazer a guerra para a América através das ondas de rádio.
Este acontecimento não foi para o ar ao vivo, mas foi transmitido mais tarde. Nesta época as reportagens de rádio sobre acontecimentos, eram sempre transmitidas ao vivo, já que as estações de rádio tinham políticas que proibiam o uso de material gravado excepto para efeitos sonoros. Mas Howard Morrison, o jornalista, não estava lá para fazer a reportagem do acidente, logo não tinha equipamento nem meios para transmitir em directo. Pelo contrário, encontrava-se no local por ordem da sua estação de rádio, WLS, de Chicago, para gravar uma reportagem sobre o "Zepplin" Hindenburg.
No mesmo dia, Morrison e o seu engenheiro de som, Charlies Nehlsen regressaram a Chicago com as cópias. Mas só na manhã seguinte é que algumas partes da gravação foram transmitidas na WLS. Não se conhecem registos da primeira vez que foi transmitido pela NBC. Sabe-se que pelo menos cinco minutos da gravação foram transmitidos no dia 7 de Maio, pelas 11:38, na zona de Nova Iorque. Só mais tarde, nesse dia, é que transmitiram a reportagem completa, para uma audiência nacional.
Esta foi uma das poucas vezes que as estações de rádio autorizaram que uma gravação de um acontecimento fosse transmitida.
Na época as gravações eram feitas por pesadas máquinas que registavam em disco de cera, sendo constituídas por uma plataforma giratória grande com um disco de 16", um braço resistente e um estilete que cortava o disco da cera, e um amplificador. Era importante que estes gravadores estivessem perfeitamente nivelados, caso contrário o estilete saltava. No momento da explosão, quando Morrison grita "para explodir em chamas!" as vibrações da explosão fizeram com que o braço do gravador saltasse no disco, críando sulcos profundos até que o técnico levantou o braço do disco e retornou-o para trás.
Os discos que estão nos arquivos nacionais reflectem os sulcos e a força da explosão.
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Morrison fala do tempo e do Hindenburg |
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O momento da explosão, detalhe do estremecimento repetindo-se numa montagem para melhor audição |
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Momento da explosão e relato dos acontecimentos seguintes |
O incêndio do Hindenburg encerrou a era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

A história do Teatro Nacional de D. Maria II está, de algum modo, associada ao triunfo do Romantismo e da burguesia portuguesa do século XIX. Com o advento do liberalismo, o sector mais progressista da intelectualidade nacional teve a oportunidade para desenvolver algumas linhas de acção de que a Cultura há muito sentia necessidade.
A vitória da revolução de 9 de Setembro de 1836 colocou Passos Manuel à frente do governo e uma das medidas de fomento cultural que esse estadista assumiu foi pensar o teatro português em termos globais. Através de uma portaria régia de 1836, encarregou Almeida Garrett da feitura "sem perda de tempo, de um plano para a fundação e organização de um Teatro Nacional, o qual, sendo uma escola de bom gosto, contribua para a civilização e aperfeiçoamento moral da nação portuguesa".
Foi necessário esperar pelo ano de 1846 para que finalmente tivesse lugar a inauguração do nosso primeiro Teatro Nacional. Nos finais do século XIX, quer em Lisboa, quer por todo o País foram-se edificando teatros de todos os tipos e tamanhos, uns melhores que outros no gosto ou no estilo, simbolizando o triunfo de uma certa forma de cultura burguesa, urbana e laica.
Não obstante as dificuldades crónicas resultantes da inércia, da burocracia e de outros atavismos muito nacionais, Garrett conseguiu em Julho de 1842, dar início ao processo de edificação do Teatro Nacional, cumprindo as funções para as quais tinha sido nomeado por Passos Manuel e pelo então Governador Civil de Lisboa, Joaquim Larcher.O arquitecto italiano Fortunato Lodi projectou o edifício sobre as ruínas do antigo Paço dos Inquisidores, o Palácio dos Estáus, que servira de sede à Inquisição e que em 1836 tinha sido destruído por um incêndio.
Situado no topo norte da Praça do Rossio, foi construído por Fortunato Lodí.
O novo teatro representava também uma apropriação burguesa da prestigiada praça. A linguagem arquitectónica tem algumas bases neoclássicas (estrutura de templo romano, divisão tripartida do edifício, uso de silharia de junta fendida), embora tenha uma grande liberdade criadora, orientada por um certo gosto de opulência.
Nele colaboraram também os artistas Assis Rodrigues e António Manuel da Fonseca e alguns dos seus discípulos, autores da estátua de Gil Vicente, que remata o frontão da fachada virada para o Rossio. Pedra liós e mármore branco e rosa, constituem o edifício numa linguagem sob o signo do neoclassicismo.
A inauguração ocorreu no dia 13 de Abril de 1846, data do aniversário da Rainha D. Maria II.
A peça que por esta ocasião subiu à cena foi o drama histórico em cinco actos O Magriço e os Doze de Inglaterra, original de Jacinto Aguiar de Loureiro. A partir de então, o Teatro Nacional adoptou também a designação de "D. Maria II".
Na noite de 1 de Dezembro de 1964 um violento incêndio destruiu-o quase completamente, poupando apenas as paredes exteriores.
A tarefa de reconstrução demorou 14 anos, reabrindo, finalmente, as portas ao público na noite de 11 de Maio de 1978.
É esta espécie de maldição que se tem abatido sobre as salas de teatro em Portugal e que já levou a muitos incêndios. Mas este foi diferente: a rádio estava lá!
Ouça a reportagem realizada na noite de 1 de Dezembro de 1964 e a forma sentida, quase desesperada, com que o repórter fala do seu teatro, do teatro de todos os lisboetas.
Para facilitar a audição e diminuir o tempo de transferência, a reportagem está dividida em quatro partes.
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Incêndio D. Maria II, 1ª parte |
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Incêndio D. Maria II, 2ª parte
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Incêndio D. Maria II, 3ª parte |
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Incêndio D. Maria II, 4ª parte |

Naquela manhã de segunda-feira, dia 6 de Agosto de 1945, o mundo assistiria a algo nunca visto, um acontecimento que, pela sua violência e consequências, nunca mais deixaria igual o relacionamento entre os povos nem as relações de força entre as grandes potências.
A cidade de Hiroshima, no Japão, acordava para mais um dia quando, cerca das 8 horas e 15 minutos, um ruído surdo, primeiro indistinto, depois mais forte, fazia pressentir um bombardeamento.
Mas era um bombardeamento diferente. A bomba, apenas uma, que caiu sobre a cidade não era como as outras. Bastou apenas esta para provocar imediatamente milhares de mortos e muitos mais posteriormente, vítimas das queimaduras graves ou das radiações.
Era uma bomba atómica. "Little Boy" de seu nome.
A bomba foi largada a partir do B-29 Superfortress, "Enola Gay", pilotado pelo Tenente-Coronel Paul Tibbets, que desde Fevereiro de 1945 se preparava para esta missão.
Para a realizar, Tibbets escolheu pessoalmente um quadrimotor B-29, baptizando-o com o nome "Enola Gay" em homenagem à sua mãe.
Este lançamento foi efectuado a cerca de 9450m de altitude. O engenho explodiu aproximadamente às 8h15 da manhã (hora do Japão) quando atingiu uma altitude de 550m.
Foi a primeira, e uma das duas únicas armas nucleares que foram utilizadas em guerra. A Mk I "Little Boy" tinha 3 metros de comprimento, 71cm de largura e pesava 4000kg. O design tinha um mecanismo igual a uma arma para explodir uma massa de urânio-235 e três anéis de U-235, iniciando uma reacção nuclear em cadeia. Continha 60kg de U-235, no qual 0.7kg foram submetidos à fissão. O urânio foi enriquecido nas plantas massivas em Oak Ridge, Tennessee durante o Projecto Manhattan.
As estimativas do número total de mortos variam entre 100 mil e 220 mil, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. Mais de 90% dos indivíduos mortos eram civis.

Três dias mais tarde, era lançada em Nagasaki a bomba "Fat Man".
O papel dos bombardeamentos na rendição do Japão, assim como os seus efeitos e justificações, foram tema de muitos debates. Nos Estados Unidos, o ponto de vista que prevalece é que estes dois bombardeamentos terminaram a guerra meses mais cedo, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido.
Estranha forma de ver as coisas, estranha filosofia de vida, ou talvez de morte.
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Notícia do lançamento da bomba e discurso do presidente Truman dos EUA |

Na noite de 4 de Dzembro de 1980 a rádio e a televisão portuguesas interrompiam as suas emissões para dar notícia de uma tragédia: O avião em que seguia o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro tinha caído alguns minutos após ter descolado do aeroporto de Lisboa.
Nessa noite, Sá Carneiro ia ao Porto para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o General António Soares Carneiro.
Juntamente com ele faleceu o Ministro da Defesa, o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecassis, para além de assessores, piloto e co-piloto.
O avião caiu sobre Camarate, em circunstâncias que, ainda hoje, não estão explicadas, existindo duas teses para o
motivo da queda:
a de acidente (eventualmente motivado por negligência na manutenção de um avião que não era novo), ou a de atentado
(neste último caso, desconhecendo-se quem o perpetrara e contra quem teria sido ao certo - Sá Carneiro ou Amaro da
Costa).
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Comunicação ao país do presidente Ramalho Eanes |
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Mensagem de Freitas do Amaral |
O humorista João Manuel começou a escrever "Piadas à moda do Porto" para o jornal "Os Ridículos", de Lisboa. Mais tarde, Aníbal Nazaré, proprietário do jornal e nome grande do teatro, convidou-o para escrever textos de revista e isso deu-lhe grande experiência na construção de piadas.
Um dia, João Manuel propôs ao Portuense Rádio Clube, cujos estúdios estavam instalados na Avenida Rodrigues de Freitas, uma rubrica de humor num programa de variedades da emissora.
Assim, a 17 de Abril de 1945 ia para o ar o primeiro programa de "A voz dos ridículos", emitido na Ideal Rádio.
Foi dado o nome de " A Voz dos Ridículos", porque eram textos falados, à semelhança do que João Manuel já escrevia para o jornal.
A equipa inicial, e que se manteria pelas décadas seguintes, era constituída pelo maestro Castro Silva, Eduardo Augusto, Correia de Oliveira, o imitador Mena Matos, Bê Veludo, um dos maiores humoristas portugueses, e André Brun.
Nas primeiras emissões, a equipa era de luxo. Além das piadas, havia canções humorísticas e as imitações de Mena Matos, um dos maiores artistas do Porto.
O dramaturgo Bê Veludo escrevia textos mordazes e de crítica profunda. A equipa era de luxo e fez escola.
Algum tempo depois e embora já com grande sucesso, o programa foi interrompido em virtude do fecho da estação pelo governo.
Júlio Silva, pioneiro da Rádio em Portugal e proprietário da Ideal Rádio, quando soube do fim da rubrica, convidou imediatamente João Manuel a levá-lo para a sua estação, a Ideal Rádio, com estúdios na Rua Alferes Malheiro.
"A voz dos ridículos" ficou cerca de 40 anos nessa estação. Com o declínio da "Ideal Rádio,, que culminou com o seu fecho após o 25 de Abril, "A voz dos ridículos" mudou-se para os "Emissores do Norte Reunidos, com estúdios na Rua D. João IV.
Com a nacionalização da rádio e a consequente absorção dos Emissores do Norte Reunidos, o programa passa a ser transmitido na Rádio Comercial.
Mais tarde passou para a emissora local Rádio Clube de Matosinhos e, actualmente, é emitido todos os domingos, à hora do almoço, na Rádio Festival, uma rádio local que emite para a zona do grande Porto.
Não é fácil resistir durante mais de 60 anos, mas "A voz dos ridículos" tem-no conseguido, graças em boa parte à teimosia do seu fundador e a uma equipa coesa, formada por alguns descendentes da equipa original.
Actualmente o programa conta com os seguintes colaboradores:
- Vozes: José Lopes, Salazar Ribeiro, Júlio Couto, Mauro Calado, Manuel Carvalho, Zulmiro Reimundo, Virgílio
Cervantes, Manuel Morais, Elisabete Moreira e Maria José
- Técnico de som: José Manuel
"Rir é bom, rir faz bem ao coração" é este o slogan que, semanalmente, o mais antigo programa da rádio portuguesa e talvez um caso raro no mundo, leva aos seus fieis ouvintes.
Com muita música, poesias magistralmente ditas por Júlio Couto, histórias, anedotas, vão criticando e chamando a atenção de quem os ouve para os muitos problemas da actualidade, mas sempre com muito humor.
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Genérico do programa actual |
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Extracto com a referência aos 62 anos do programa |
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Pequeno extracto do programa |
Mena Matos, considerado um dos maiores humoristas portugueses, notabilizou-se pela sua excepcional capacidade em imitar vozes das personalidades e figuras públicas da época.
Oliveira Salazar, Marcelo Caetano, General Spínola, foram alguns dos muitos políticos que viram a sua voz imitada.
Mas o mundo das artes, rádio e TV também encontrou em muitas das suas personagens eco na voz de Mena Matos: Vitorino Nemésio, Jorge Alves, Vasco Santana, António Silva, Fernando Pessa.
Participou no programa "Companheiros da alegria" de Igrejas Caeiro, no programa portuense "A voz dos ridículos" e nos "Parodiantes de Lisboa", para além de muitos espectáculos e algumas gravações editadas.
Um exemplo de uma dessas gravações pode ser aqui ouvida. Trata-se do "Cartaz Alegre" uma paródia ao, então popular, "Cartaz TV" transmitido todas as semanas no 1º canal da RTP.
Podem ser encontradas referências a um filme polémico estreado na altura, "O último tango em Paris" bem como a alusão a uma popular série de desenhos animados, "O senhor Pitosga".
A gravação é de 1978 e está dividida em seis partes para facilitar a audição e o tempo de transferência.
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Cartaz TV: "TV Rural" |
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Programa de "variedades" |
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Desenhos animados "O senhor Pitosga" |
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Museu do Cinema |
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Palestra de Vitorino Nemésio |
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Programa musical |
Durante décadas os "Parodiantes de Lisboa" fizeram sorrir os portugueses. O seu humor fino e mordaz criticou a sociedade, os usos e o regime.
As personagens que povoavam o rádio, como "O BÁUBAU E A FLAUSINA", "JACK TAXAS E O SEU CAVALO CARA LINDA", "MANAS CATATUA", "COMPADRE ALENTEJANO", "MENINO ARNESTINHO", "PATILHAS E VENTOINHA", eram muito mais do que simples figuras ti picas de uma dada região ou de características especiais. Simbolizavam a voz de todos os que sentiam na pele as injustiças da sociedade e as crueldades de um regime.
Mesmo depois do 25 de Abril a voz dos "Parodiantes" continuou a ser de grande importância, funcionando como alerta para os excessos que uma liberdade incontrolada provocava.
Os Parodiantes de Lisboa surgiram em 18 de Março de 1947, graças à determinação, persistência e genialidade de JOSÉ ANDRADE, depois de acabarem as emissões semanais de um jornal humorístico daquela época, intitulado "A Bomba".
Começaram com um programa denominado " Parada da Paródia", que ia para o ar às terças-feiras, às 20 horas, através da Rádio Peninsular, naquele tempo instalada na Rua Voz do Operário.
Com o evento da publicidade, os Parodiantes de Lisboa, começaram a lançar novos programas, ainda nos Emissores Associados de Lisboa.
Assim nasceu o programa "Graça com Todos", no Rádio Clube Português. Este programa chegou a ser transmitido, simultaneamente, em Lisboa, Porto, Madeira, Angola, Moçambique e em muitas estações estrangeiras destinadas aos emigrantes.
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Genérico do programa "Graça com todos" |
Um episódio do policial "Rádio Crime
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Pequeno extracto do "Graça com todos" |
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Outro extracto desse mítico programa |
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Fecho do "Graça com todos" |
Leia a HISTÓRIA DOS PARODIANTES DE LISBOA
Agradecimentos aos "Novos Parodiantes" pela disponibilidade dos sons

A "RDP", Rádio Difusão Portuguesa, sucessora, com a revolução de Abril, da "Emissora Nacional", conservou, a despeito de tantos cortes drásticos com o passado, aquele que era já considerado o mais original e belo sinal horário do mundo.
A pesar dos anos conturbados da revolução e de todas as alterações de hábitos que a sociedade e os tempos modernos impuseram, o sinal horário mais longo do mundo manteve-se até Setembro de 2003.
Depois foi o fim de algo que, durante mais de três décadas, foi mais do que um símbolo, um logótipo, uma referência do serviço público.
Eram 20 segundos de um suave silêncio interrompido por um breve "bip" a cada 5 segundos. O último, mais curto, fazia adivinhar o fim do silêncio e a continuação da emissão com a leitura das notícias do país e do mundo.
Era um sinal horário que fazia lembrar os velhos tempos da rádio, do pioneirismo e curiosidade, onde os silêncios não importavam e ninguém estranhava uma pausa.
Os tempos modernos e a rádio que se faz actualmente são incompatíveis com 20 segundos de silêncio. 20 segundos é muito tempo e há tanto para dizer; talvez publicidade ou o estado do tempo.
A "RDP" aderiu aos tempos modernos, converteu o seu sinal horário numa acelerada sucessão de "bips" transmitidos num quarto do tempo do sinal anterior.
Não se sabe se ganhou alguma coisa com isso, mas certamente que perdeu parte do seu património, sim, porque o sinal horário da "RDP" era um património único e o mais belo do mundo.
No dia 16 de Setembro de 2003 Adelino Gomes, um dos homens a quem a rádio deve muito, escrevia assim no jornal "O Público":
"Vai o ouvinte embalado pela voz e pelos sons de António Cartaxo para as 10 da manhã e nem quer acreditar nas horas que um "mixing" surpreendente e agressivo lhe anuncia. Mudança automática de frequência, pensa, aborrecido. O anúncio de estação logo a seguir mostra-lhe que não há engano. Aquilo é mesmo a Antena 1. O que acabou foi o sinal horário.
Assim de repente, sem aviso prévio, deitou-se borda fora um património sonoro que acompanhou três gerações de ouvintes de rádio. Mais do que o logótipo, mais até do que a sigla - ambos com menos de trinta anos e infelizmente de uma triste banalidade - , muito mais do que os indicativos com que cada novo director parece querer ganhar o seu lugar na eternidade radiofónica, o sinal que até ontem nos anunciava a hora certa na RDP (antes, na Emissora Nacional) era a imagem de marca, o referencial estético sonoro do serviço público de Radiodifusão.
Tão diferente era de todos os outros quanto esta síntese amalgamada de nervosos "pis" se confunde agora com a de todas as outras estações do espectro radiofónico. Sim, aquele era - sustentei neste mesmo jornal há nove anos quando outros decisores o calaram, felizmente por pouco tempo - o mais belo sinal horário do mundo. Ouvi-lo, assim solene e límpido, era regressar à magia dos dias do sanfilismo. Os burocratas que o suprimiram não devem nunca ter amado a Rádio, (...)
Argumentarão os responsáveis com a excessiva duração do "velho" sinal horário. Por isso lhe cortaram 15 dos 20 segundos que demorava no "ar". Como se deles necessitassem para algum anúncio a algum sabonete. Mostrando que não entenderam que aqueles momentos sem palavra antes da hora eram, num tempo de frenesim e caos informativo, a pausa de reflexão, o sereno respirar fundo que nos prepara para a entrada numa outra hora do resto das nossas vidas.."
Abaixo poderá voltar a ouvir ou ouvir pela primeira vez esses fantásticos 20 segundos de um sinal que, para além de horário, foi também prenúncio de novos tempos, incompatíveis com o silêncio.
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Sinal horário da RDP, 20 segundos de silêncio |
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Montagem simulando o sinal horário numa emissão da RDP |
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Outra montagem simulando uma emissão mais recente |

Em Maio de 1951, o Jornal Diário do Norte, organizava, como habitualmente, a Volta a Portugal em Bicicleta.
Este matotino nortenho entra em contacto com Igrejas Caeiro, convidando-o a organizar um espectáculo no final de cada etapa.
Inícialmente Igrejas Caeiro recusou, mas dado à insistência por parte do jornal, este acabou por ceder e logo iníciou a estruturação da digressão.
A descrição que se segue é do próprio Igrejas Caeiro, publicada no livro"Telefonia" de Matos Maia:
«Contactei o RCP para comprar espaço para uma emissão diária a partir das 22 horas. Programei tudo para um mês, dado que tinha pensado o concurso "À Procura de Uma Estrela", seleccionando um concorrente em cada etapa, que estaria na final em Vila do Conde, com o prémio de oito dias de estada, naquela localidade, com tudo pago.
Verifiquei ser mais vantajoso, em vez de alugar transporte, comprar um pequeno autocarro, que foi encomendado à Renault, pensando que terminada a tormé facilmente o venderia.
Contactei dois excelentes técnicos, o Álvaro Espírito Santo e o Ribas. E reuni um elenco muito popular de bons artistas e organizei um conjunto musical. Eu próprio com a Irene fomos a França para trazer o autocarro e ter a certeza de que estaria pronto para 11 de Agosto de 1951.
A Volta começou no Porto onde fizemos a estreia de Os Companheiros da Alegria, no Cinema Carlos Alberto. Recorda-se que foi nesta Volta que o Alves Barbosa teve o seu primeiro triunfo. Os artistas fundadores foram Belita, Guilherme Kjoiner, Luiz Horta, Luiz Piçarra, que veio propositadamente de Paris, Maria Amélia Marques, Maria Odete Coutinho, Maria de Lurdes Resende, Maria Pereira, Mimi Gaspar e um quinteto constituído pelo professor Arnaldo Silvério, Francisco Carvalhinho, João Aleixo, Luiz Vilar e o professor Martinho da Assunção.
A música e os versos de apresentação d'Os Companheiros da Alegria ainda hoje são lembrados e muita gente me saúda repetindo: "Uma nota de quinhentos não se pode deitar fora."
Alguns nomes de colaboradores literários: Manuela de Azevedo, Olavo D'Eça Leal, Mário Castrim, Manuel Mendes, Francisco Mata, Ferro Rodrigues, Santos Fernando, Nelson de Barros, Aníbal Nazaré, Artur Varatojo, Mário Domingues, Vasco Lemos Mourisca.
Os Companheiros da Alegria terminam com a inauguração do Teatro Maria Matos, em Novembro de 1969
Pode dizer-se que Os Companheiros da Alegria passaram a ter tanto ou mais interesse que a Volta a Portugal.
Quando se realizaram as finais em Vila do Conde, perante milhares e milhares de pessoas no enorme recinto do mercado local, existiam já dezenas de pedidos de espectáculos de todos os pontos do País e foi assim que nunca mais parou o entusiasmo pelo programa, muito solicitado para actuações a favor de obras de solidariedade. Os concursos atraíam as multidões. Todos ambicionavam ir ao palco para "Tem um Minuto para Mostrar o que Vale", "À Procura de Uma Estrela", "Adivinhe se É Capaz", "À Conquista da Felicidade", "Antes que Cases Vê o que Fazes", "Palavras Escusadas", "Onde Está o Gato", "O Tempo éDinheiro", "Não Casa quem Quer", "Pelo Andar da Carruagem", "O Maestro É Você".
Alguns concursos apelavam aos conhecimentos e ao discernimento dos concorrentes; outros constituíam motivo de permanente gargalhada: "A Dança da Batata", "A Prova do Esparguete", "O Rei dos Bebedores de Cerveja por Biberão", "A Dança das Cadeiras"; outros ainda apontavam para circunstâncias pessoais que permitiam a conversa com os concorrentes e motivo de muitos prémios. Lembram-se: "Os Gémeos mais Iguais". O casal mais antigo e o mais recente (muitos procuravam aparecer mesmo no dia do casamento): "O Dia de Aniversário", "A Prova das Farófias".
A continuidade dos espectáculos e a transmissão diária pelo Rádio Clube Português exigiam acrescentar o elenco e passaram a ser também companheiros: Eugenia
Lima, Fausto Caldeira, Maria Adelaide, João Armando, Luiz Guilherme, As Três Marias, António Baião, Manuel Fernandes, Mena Matos, Os Boémios do Ritmo.
Com agrado geral, passaram a ser frequentemente utilizados os elementos seleccionados nas várias finais regionais:
António Alvarinho, Ana Dolores, Júlio José, Bertine Branco, Alcino Soares, José Afonso, Dilma Melo, Virgínio Monginho, Carronda Mendes, Carlos Santos,
Armando Cardona, Ulisses Fernando, Fernando Almeida, Artur Borralho, Alberto Ramos, Os Dois Odemira (mais tarde Trio Odemira), Helena Maria, Maria Pais,
Maria Emília Fernandes, Lisete Costa, Diná Luísa, Honorato de Sousa, Arménio Pedro, João José Lopes, Mariano Calado, notável poeta e excelente recitador,
Maria Guiomar (jovem acordeonista), Lídia Ribeiro.
Do quinteto musical passou-se à Grande Orquestra dirigida por Ferrer Trindade.
Para a segunda série do concurso "À Procura de Uma Estrela" foram percorridas todas as ilhas dos Açores e da Madeira.
Passaram a incluir-se momentos de teatro com os episódios da "Família Alegria", originais de Ferro Rodrigues e Santos Fernando e sempre num crescendo de popularidade.
Foi encomendado um grande autocarro para cinquenta lugares, apetrechado com cozinha e casa de banho.
Nos finais de 1953, decidi alugar o Teatro da Trindade, com promessa de compra, com o objectivo de aproveitar o êxito d'Os Companheiros da Alegria para criar uma companhia de teatro, dispensando quaisquer subsídios estatais.
O poder de atracção do espectáculo radiopublicitário ia ser o apoio ao espectáculo teatral. Contratou-se a companhia e simultaneamente preparava-se a grande surpresa: pela primeira vez o elenco artístico d'os Companheiros da Alegria ia apresentar-se numa opereta cómica para o Carnaval de 1954, escrita por Ferro Rodrigues e Santos Fernando, com música de Ferrer Trindade.
Com as lotações esgotadas para todos os espectáculos de Entrudo e já com grandes marcações para os dias seguintes, tudo se encaminhava para um êxito clamoroso, quando surge o histórico e malfadado despacho ministerial do professor Costa Leite proibindo-me de trabalhar e impedindo, não só os espectáculos, como toda a actividade que dependesse da Inspecção dos Espectáculos. Tudo isto por ter dito, numa entrevista concedida ao jornalista Rolo Duarte, para o jornal Norte Desportivo, em 11 de Fevereiro, que o pandita Nehru era o maior estadista da nossa geração.
Foi um momento inesquecível de revolta e profunda tristeza não apenas de todo o grupo. Milhares de entusiastas dos nossos programas e principalmente das centenas dos que se apresentavam no Trindade para os espectáculos para que haviam adquirido bilhetes. Muitos recusavam o reembolso do que haviam despendido, em tocantes gestos de solidariedade perante esta prepotência e mesquinhez do regime autoritário e persecutório.
Não chegámos a estrear o famoso autocarro que acabou por ser entregue ao Sport Lisboa e Benfica.
Graças ao major Jorge Botelho Moniz foi possível continuar, como produtor independente, no Rádio Clube Português, transformando Os Companheiros da Alegria num programa de cabina.
Surgiram então algumas rubricas de variado leque, atingindo os mais diversos gostos dos radiouvintes. Alguns títulos:"
"O Perfil de Um Artista", "O Casal Caeiro Dá-lhe Uma Ajuda", "Ensaio Geral", "O Casal Caeiro Conversa com o Companheiro Ouvinte Acerca de Literatura", "O Parque Infantil", "As
Mais Belas Histórias de Amor", "A Família Alegria", os diálogos de Olavo D'Eça Leal , "A Lelé e o Zequinha", "Lições de História Universal".»
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Genérico do programa, uma nota de 500 não se pode deitar fora! |
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A publicidade era cantada a metro, só mudava a letra, a música era a mesma |
O "Perfil de um Artista" foi um programa apresentado no Rádio Clube Português, com produção, realização e apresentação de Igrejas Caeiro.
A primeira emissão deste programa foi em Abril de 1954 com a entrevista a Jean Sablon.
Inicialmente transmitido às terças-feiras pelas 22 horas e 30 minutos, o "Perfil de um artista", ao longo de 6 anos fez 300 emissões e entrevistou 258 personalidades.
O programa terminou em 23 de Fevereiro de 1960 com o convidado (em repetição) Caetano Luca de Tena.
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Genérico inicial do programa, este foi o primeiro genérico, patrocinado pelos relógios "Tissot" |
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Genérico da entrevista com António Silva |
Cortesia de Paulo Ferreira
Este foi, sem dúvida, o maior programa de rádio de todos os tempos no Brasil. Dois dos maiores humoristas brasileiros, Lauro Borges e Castro Barbosa estavam à frente desse programa de humor, que estreou na rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, em 19 de Outubro de 1944.
PRK-30 era o prefixo de uma suposta rádio pirata, onde dois speakers, Megatério Nababo D'alicerce (Castro Barbosa) e Otelo Trigueiro (Lauro Borges), apresentavam notícias de impagáveis correspondentes internacionais, cantores, declamadores, etc, todos protagonizados pelos dois humoristas.
O programa PRK-30 teve a sua origem no programa PRK-20 da Rádio Clube do Rio de Janeiro, com os mesmos apresentadores. Lauro Borges recebeu um convite irrecusável para se mudar para a rádio Mayrink Veiga e lá, criou a PRK30, segundo ele, com 10 megahertz a mais de potência que a anterior.
Castro barbosa só iria para a Rádio Mayrink Veiga em 16 de Abril de 1945, na 25º edição do programa, porque estava preso ao contrato com a Rádio Clube.
Enquanto Castro Barbosa permanecia na Rádio Clube, o actor Pinto Filho assumia o seu posto com o personagem Chouriço de Moraes.
Ainda mesmo antes da PRK-20, Lauro Borges já tinha ficado famoso com dois outros programas de humor. Eram eles, A Buzina e Cenas Escolares (mais tarde, baptizado de Piadas do Manduca, devido a problemas com a censura).
O programa humorístico PRK 30 está para o rádio como o Barão de Itararé, o grande humorista, está para o jornal escrito. Se até hoje os livros de humor do Barão são lidos com total prazer, as poucas gravações existentes permitem que possamos acompanhar, com a mesma satisfação, Lauro Borges e Castro Barbosa à frente do programa de rádio que permaneceu no ar de 1944 a 1964, sendo que em 1947, no auge da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, conseguiu 52,5% da audiência em Novembro e fechou o ano com 50,1%.
O programa passava para o ouvinte a ideia de uma "rádio pirata" que entrava no ar em cima do prefixo da Rádio Nacional, satirizando tudo que acontecia no Rádio da época. PRK 30, que segundo os apresentadores, era um programa "só para homens, mulheres e crianças de ambos os sexos", era escrito por Lauro Borges e apresentado por ele e Castro Barbosa, sendo que apenas os dois faziam todas as vozes de todos os personagens, coisa que boa parte do público não acreditava que fosse possível. Alguns exemplos são: Megatério Nababo d’Alicerce (Castro), um português que se orgulhava de "falar inglês em vários idiomas", e Otelo Trigueiro (Lauro), "a voz onde as abelhas se inspiram para fazer o mel", que fala para o "deleite condensado das morenas inequívocas, das louras inelutáveis e até das morenas ferruginosas. Para todas aquelas que estão me ouvindo, meus sinceros parabéns"!
As radionovelas que faziam grande sucesso na época não escaparam às sátiras dos dois e então a PRK 30 colocava no ar novelas como: "Só morra em Godoma", que tinha os personagens: Romeu de Pontapelier, tio de uma sobrinha. Amaro, primo de Rosa. Rosa, prima de Amaro. Alice, filha de um vizinho da esquerda. Dona Esquerda, vizinha do pai de Alice. Dona Moema, esposa do doutor Valério, já falecido e, portanto, viúva.
Lauro Borges fazia um outro programa chamado "Piadas do Manduca" e Castro Barbosa fazia o mesmo "português" em outros programas. Antes disso, em1937, Lauro tinha um programa chamado "A Buzina", onde imitava vozes de correspondentes estrangeiros.
Os dois conheceram-se no lendário Programa Casé e foi Renato Murce quem teve a ideia de reuni-los pela primeira vez no programa "A Hora Sorrindo".
Estiveram também nos programas humorísticos "Variedades Esso", "Programa Colgate-Palmolive", "Clube do Lero-Lero", mas, sobretudo, "PRV-8 "RaioX" e "PRK-20", esboços da futura "PRK-30" - quando só então Castro Barbosa assumiu o seu nome real.
PRK-30 estreou no dia 19 de Outubro de 1944, às 21h, pelas ondas da Mayrink Veiga: "Meus estimados admiradores, boa-noite. A voz que vocês estão tendo o prazer de ouvir neste momento é a voz penicilínica, veludosa e afiambrada do maior espícler da presente actualidade: Otelo Trigueiro. Tanques! Tanques! Tanque iú vira e mexe".
A partir dessa saudação ao público, a empatia popular do programa só fez crescer a cada edição, principalmente quando passou a ser transmitido pela Rádio Nacional, em 1947.
Ninguém sabia que Lauro Borges criava as suas criaturas a partir de impressões do quotidiano: um rapazinho negro, que gostava de escrever poemas de amor às moças da sua rua, inspirou a figura de "Otelo Trigueiro" e as folias poéticas do "Boa-Noite"; um português do bar da esquina, gordo e bigodudo, serviu de modelo para o "Megatério"; uma vizinha portuguesa metida a entoar fados e que vivia implorando por uma oportunidade no rádio deu origem à "Maria Joaquina Dobradiça da Porta Baixa".
Infelizmente existem poucas informações sobre estes dois importantes nomes da radiofonia e do humorismo brasileiros. Laurentino Borges Sáes (Lauro Borges) era paulista. Nasceu em 1901 e faleceu em 1967. Joaquim Silvério de Castro Barbosa (Castro Barbosa) era mineiro, nascido em 7 de maio de 1905 e falecido em 20 de Abril de 1975.
Segundo humoristas como Chico Anísio e Jô Soares, e importantes nomes da comunicação como Renato Murce e José Bonifácio Sobrinho, o Boni, PRK 30 foi o melhor programa de humor de todos os tempos e o embrião de todo humor desenvolvido pelo Rádio e pela Televisão desde então.
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PRK-30 apresenta... |
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Otelo Trigueiro recita um poema de S. João |
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Vamos eugenizar... |
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Carro furtado |

A noite de Natal e a sua magia; a árvore com os seus enfeites, em alguns casos o presépio, os presentes e uma família feliz reunindo-se em torno de uma mesa partilhando palavras, saudades e alegria.
E tudo está bem: a refeição, os doces, os presentes. Há no ar um doce aroma a Natal. E ninguém se lembra de quem, para que o Natal aconteça em casa de cada um de nós, fica privado do seu próprio Natal.
São milhares as pessoas que mantêm os transportes públicos, que asseguram as urgências nos hospitais, que velam para que a água corra nos canos e a electricidade alimente os muitos aparelhos e luzes.
E como será o Natal dessas pessoas?
Uma boa resposta está nesta reportagem feita em 24 de Dezembro de 1955 por Igrejas Caeiro a um funcionário da Central Tejo, na época uma das mais importantes centrais de distribuição eléctrica de Lisboa.
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NATAL NA CENTRAL TEJO (24 de Dezembro de 1955) |
Entrevista: Igrejas Caeiro
Funcionário: Manuel Rodrigues Marques
Da próxima vez, quando estiver reunido tranquilamente com a família, comendo as iguarias tradicionais, conversando, convivendo, lembre-se de tantos que abdicaram do Natal para que o seu seja o melhor.

"(... Hitler só teve existência política graças ao rádio e aos meios para se dirigir ao público.(...) Se a TV existisse na época de Hitler, ele teria desaparecido logo. (...) a TV, é um meio frio que rejeita as personalidades ,os assuntos e as pessoas quentes do meio quente da imprensa.”
VIDA E MORTE DE HITLER

Adolf Hitler (1889-1945)
Nasce em Brenau, Áustria, e vive em Viena entre 1909 e 1913, quando assimila o nacionalismo pangermânico e o anti-semitismo radical predominantes. Em 1914 alista-se no Exército alemão como voluntário, é ferido em combate e recebe a condecoração da Cruz de Ferro. Em 1918 e 1919 trabalha na secção de imprensa e propaganda do Exército em Munique. Em setembro de 1919 filia-se no Partido Operário Alemão (DAP), convertendo-o no final de 1920 no novo Partido Operário Nacional-Socialista Alemão (NSDAP, que ganharia o apelido de "nazi"), o qual passa a chefiar em julho de 1921.
Preso em 1923, após frustrada tentativa de golpe de Estado em Munique, consolida as suas idéias no livro Mein kampf (Minha luta), escrito na prisão.
A sua ideologia é baseada num conglomerado de idéias que incluem o niilismo de Nietsche, o racismo de Gobineau e Chamberlain, a teoria da herança genética de Mendel, a fé no destino de Richard Wagner, a geopolítica de Haushofer e o neodarwinismo de Ploetz. As idéias motrizes são o nacionalismo, o anticomunismo e o anti-semitismo. Propõe a defesa do sangue e do solo alemães, o aniquilamento dos judeus, o fortalecimento da raça ariana, a integração incondicional do indivíduo na comunidade e a fé cega no líder (führer).
Com base nessas linhas ideológicas, estabelece como objectivos políticos a construção de um novo Estado (o III Reich) que seja capaz de promover a autonomia econômica para a Alemanha, conquistar o seu "espaço vital", libertá-la das cadeias do Tratado de Versalhes e aniquilar o bolchevismo.
Assume o poder em janeiro de 1933. Casa-se com a sua amante, Eva Braun, pouco antes de se suicidar, em 1945, no bunker da Chancelaria alemã, em Berlim.

Era tal o poder de fascínio da oratória Hitleriana, que muitos autores comentaram sobre a sua capacidade de hipnotizar o público.
Segundo Stanley High, “Quando, num ponto culminante, se balança de um lado para o outro, os ouvintes se balançam com ele. Quando se inclina para a frente os ouvintes também o fazem e quando termina, estão reverentes e silenciosos ou de pé em delírio, como Hitler quiser”.
As palavras, conforme ensina a tradição ocultista universal, desempenham uma função mágica, não pelo seu significado mas pela natureza das suas vibrações sonoras. Isto Hitler conhecia perfeitamente e também sabia -aprendera da Igreja Católica que a repetição exagerada de determinadas expressões tem o poder de penetrar nos níveis mais profundos da mente humana.
Basta estar atento às actuais campanhas eleitorais ou aos anúncios publicitários na televisão, para perceber que estas tácticas hitlerianas foram bem aprendidas.
O que Hitler não sabia ou não quis saber, é que esta acção mágica pode ser muito eficaz, mas não dura muito tempo se se contrariar a natureza; e nada mais contraditório da natureza e do senso comum do que a ideia de uma raça superior dominando todas as outras durante os mil anos que duraria o III Reich.
Não pode ou não o quis levar em conta?
Como poderia com paginar-se a água tranquila de uma fonte com o cântaro de azeite fervente do ditador?
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Adolf Hitler fala aos jovens alemães em 1939
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Américo Tomás (1894-1987)
Américo Tomás usou pouco a rádio. Falava apenas nas cerimónias oficiais e nas inaugurações de obras públicas. Segundo consta o texto que lia em cada inauguração era sempre igual variando apenas a indicação do local e uma ou outra palavra de circunstância.
A sua importância estava resumida a uma segunda figura do regime.
Mas nada é eterno e um dia Oliveira Salazar sofre um acidente vascular cerebral tendo como consequência visível para o povo a queda de uma cadeira. Mas a situação foi bem mais grave e Salazar ficou incapacitado para governar.
Coube a Américo Tomás encontrar um sucessor.
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Américo Tomás anunciando a destituição de Salazar e a nomeação de um substituto.
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Esse substituto era Marcelo Caetano.

António Maria da Silva nasce em Lisboa a 15 de Agosto de 1886. Filho da famílias humildes, começa a trabalhar cedo, como marçano. É depois empregado de retrosaria, caixeiro de drogaria e bombeiro, chegando ao posto de comandante.
Tira o curso comercial e frequenta diversos grupos cénicos amadores. A sua estreia como actor data de 1910, na peça "O Novo Cristo", de Tolstoi, que a companhia de Alves da Silva levava à cena no Teatro da Rua dos Condes.
Agrada e é contratado, desempenhando outros pequenos papéis em peças como "O Conde de Monte Cristo" ou "O Rei Maldito".
Entre 1913 e 1921, viaja com a companhia de António de Sousa pelo Brasil, onde participa pela primeira vez num filme, no mesmo ano em que casa com Josefina Silva (1920).
De volta a Portugal, trabalha vários anos consecutivos na companhia Satanella Amarante, em peças de teatro ligeiro e de revista. Depois de passar por outras companhias teatrais (Lopo Lauer, António de Macedo, Comediantes de Lisboa, Vasco Morgado), chega finalmente à ribalta do cinema português, integrando o elenco principal do filme "A Canção de Lisboa", de Cottinelli Telmo (1933). E é no cinema que firma em definitivo a sua popularidade e engenho como actor, assegurando papéis cómicos ou dramáticos em mais de trinta películas: "As Pupilas do Senhor Reitor" (1935), "O Pátio das Cantigas" (1942), "O Costa do Castelo" (1943), "Amor de Perdição" (1943), "Camões" (1946), "O Leão da Estrela" (1947), "Fado" (1948) e muitos outros. A sua última aparição no cinema data de 1966, em "O Sarilho de Fraldas", com António Calvário e Madalena Iglésias.
Morre com 84 anos, em Lisboa, a 3 de Março de 1971.
Poderá ouvir aqui alguns extractos de uma entrevista de António Silva ao programa de rádio "Perfil de um artista"
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Genérico do programa "Perfil de um artista" |
Entrevista de António Silva ao "Perfil de um artista":
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Quando e onde nasceu
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Familiaridades artísticas |
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Entrada para o teatro |
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Se o tempo voltasse para trás |
Do arquivo histórico dos "Clássicos da Rádio", uma cortesia de Paulo Ferreira
"Ah, choro, duplamente! Sempre que eu penso nele, sempre que eu penso no Roquette-Pinto, eu choro duplamente! Eu choro meu pai, o companheiro, trabalhei com ele, a vida inteira ao lado e choro muito a falta do brasileiro, muito! Porque eu acho que precisava ter muitos Roquettes agora, no Brasil. Sempre! Com aquele espírito que ele tinha, aquele amor pela gente dele, mas é um amor consciente, amor de pai para filho, que vê que o filho tem seus defeitos e que tem que educar! E não é aquele pai que diz: "Meu filho é o melhor do mundo, meu filho é inteligente.", ou encher o filho. Não, nada disso, não! É trabalhar para poder educar o seu filho bem! E dar o exemplo, é o amor! Esse amor que ele tinha, é uma coisa impressionante! O amor que ele tinha por essa gente e, engraçado: ele não era povo. Eu gosto de dizer isso, eu gosto muito de dizer isso. Porque ele nasceu – eu vou dizer, parece uma coisa – mas ele nasceu numa certa aristocracia. O meu pai nasceu, ele era aquela coisa de fazenda, neto de fazendeiro, tinha meios. Depois minha avó perdeu, vendia doces para fora, ficou pobre. Mas, quer dizer, do ponto de vista de educação. Então, ele não era povo, mas ele sentia mais o povo do que muita gente que mora na favela, que é povo! Ele sentia o povo dele! E eu acho isso algo muito bonito. E muito raro!
Era isso que eu queria ser..."
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Beatriz Roquette-pinto fala de seu pai e de como ele fazia os noticiários na rádio |

Fernando Pessa construiu, por seu próprio mérito, a condição e o lugar cimeiro entre os maiores comunicadores do século XX em Portugal.
Homem da rádio e da televisão desde a primeira hora, o pioneirismo com que participou na equipa que lançou a radiodifusão no País com a então Emissora Nacional prosseguiu na sua conduta com a desarmante simplicidade que transmitia para o público, desta feita mais tarde, com a Radiotelevisão Portuguesa.
Fernando Pessa continua a ser hoje um exemplo para os profissionais da comunicação social, desde logo pela capacidade que demonstrou na tarefa quantas vezes tão difícil de fazer com que o jornalismo pareça afinal tão fácil. E fê-lo sem afectações, sem vaidades e sem pretensões de sobranceria.
Importa sempre relembrar o papel assumido por Fernando Pessa no decurso da Segunda Guerra Mundial. Para muitos portugueses, era esta a voz presente e denunciadora da agressão nazi na Europa e no mundo.
Como a vida demonstrou, em Portugal, a ditadura fascista não perdoou essa coragem e só em 1976 teve lugar a sua admissão nos quadros da Televisão. Na rádio, tal nunca chegou a acontecer. No entanto, a sua vitalidade não desarmou: a homenagem com que foi distinguido há mais de 10 anos já então lhe conferia o título de decano mundial dos jornalistas, tal como foi afirmado.
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Mistura de várias gravações de Fernando Pessa |
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Extracto do relato do fim da 2ª guerra |

Getúlio Dornelles Vargas nasceu a 19 de Abril De 1882, no Rio de Janeiro, tendo-se formado em advocacia, tornando-se um político influente na cena política brasileira.
Foi chefe civil da revolução de 1930 e presidente do Brasil quatro vezes:
De 1930 a 1934 no Governo Provisório; de 1934 a 1937 no governo constitucional; de
1937 a 1945 no Estado Novo e de
1951 a 1954 como presidente eleito pelo voto directo.
Getúlio era chamado por alguns de "Seu GeGê" e, até hoje, é considerado por muitos como o "pai dos pobres". Para os seus partidários, era o Dr. Getúlio; para os seus opositores, simplesmente "Getúlio". Só foi chamado de Vargas pelos historiadores estrangeiros, os brasilianistas.
A sua doutrina e o seu estilo político foram chamados de Getulismo, ou, pelos brasilianistas, de Varguismo. OS seus seguidores, que até hoje existem, de getulistas.
Suicidou-se, a 24 de Agosto de 1954, com um tiro no coração, no seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal.
Getúlio Vargas foi o mais controverso político brasileiro do século XX, e a sua influência estende-se até hoje.
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Extracto do discurso da tomada de posse em Julho de 1934 |
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Extracto do discurso do 1º de Maio de 1939 |
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Extracto do discurso do anúncio do Estado Novo, a 10 de Novembro de 1937 |

Marcelo Caetano (1906-1980)
Político, professor e historiador, licenciou-se em Direito, na Universidade de Lisboa, e doutorou-se em 1931.
Foi um homem notável, marcando uma geração de professores e políticos. Durante a sua vida passou por vários cargos governativos, mas tornou-se conhecido do público em geral, quando, em 1968, na altura do afastamento de Salazar, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros, cargo que ocupou até 1974, tendo sido deposto com o 25 de Abril.
Contudo, os seus méritos de intelectual e professor de Direito não são apagados pelo seu desempenho político e governativo. Foi o fundador do moderno Direito Administrativo Português, cuja disciplina sistematizou e ordenou; influenciou várias gerações de juristas e de governantes, no modo de pensar uma Administração Pública legal e sujeita ao contencioso.
Foi professor de Direito Constitucional e também aqui deixou a mesma influência nos vindouros (estudaram-se, pela primeira vez sob um ponto de vista jurídico e sistemático, os problemas dos fins e funções do Estado, da legitimidade dos governantes, dos sistemas de governo, etc.).
Foi ainda um historiador de Direito de méritos pouco igualados, designadamente, da Idade Média portuguesa; os seus estudos sobre as cortes de 1254 e de 1385 continuam ímpares. Aliás, o seu passatempo de historiador revela-se em cada manual das disciplinas dogmáticas em que são constantes as referências históricas e eruditas sobre cada assunto.
Morreu pouco tempo antes de ser publicado o I volume (e único) da sua História do Direito Português, sem desejos de regressar jamais a Portugal no exílio no Brasil, depois da Revolução dos Cravos que lhe retirou os direitos à totalidade da pensão de reforma.
Marcelo Caetano usou bem a rádio e a televisão. Foram célebres as suas "Conversas em Família".
Caetano achava que era importante conversar com o povo, contar-lhe os factos, os seus factos, e desfazer boatos.
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Ouça um extracto de uma das últimas "Conversas em Família"
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O regime estava já muito fragilizado quer pelas pressões internacionais, quer pelo agravamento da situação nas colónias e, principalmente, pelo mal estar interno que se fazia sentir nomeadamente nas chefias do exército

Oliveira Salazar (1889-1970)
António de Oliveira Salazar nasceu em Santa Comba Dão a 28 de Abril de 1889. Primeiro seminarista em Viseu, depois estudante de Direito em Coimbra.
Ainda antes de ter terminado o curso foi assistente da cadeira de Ciências Económicas, tendo assumido a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em 1917, praticando a actividade com uma qualidade nunca antes vista.
Professor universitário, estadista e ditador português, foi Ministro das Finanças entre 1928 e 1932.
Entre 1932 e 1968 foi o ditador que dirigiu os destinos de Portugal, com o cargo de Presidente do Conselho de Ministros.
Em 1968 é vítima de um acidente vascular cerebral tendo ficado incapacitado para governar, sendo voz do povo que tal se deveu à queda de uma cadeira. O presidente da República, Américo Tomás substituíu-o por Marcelo Caetano.
Morreu dois anos mais tarde.
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Temos, também, o dever de sermos orgulhosos dos vivos (27-08-1963) |

"A partir de agora todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência e da arte pelo milagre das ondas misteriosas que transportam, silenciosamente, no espaço, as harmonias"
- Roquette Pinto
O poeta e jornalista Amadeu Amaral, Secretário da Gazeta do Rio e cronista de O Estado de S. Paulo, teve vontade de rir. Fora convidado por seu amigo Edgard Roquette-Pinto para ouvir uma transmissão experimental da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que este acabara de fundar.
Roquette contara-lhe maravilhas do rádio, mas preparara-o para o espectáculo que o esperava.
Como toda a gente em 1923, Amadeu Amaral ouvira falar da nova invenção. Sabia que era uma forma de transmitir sons à distância, um misto de telégrafo com telefone, mas nunca escutara uma transmissão. Na sua fantasia, deveria ser uma coisa da alta ciência, cheia de aparelhos complicados. Daí a sua surpresa ao entrar na casa de Roquette, na Rua Vila Rica, em Botafogo, e deparar-se com um cenário de circo de cavalinhos.
Uma vara de bambu, plantada no jardim, servia de antena. Dela escorriam fios de cobre, que iam até a sala e se enfiavam numa bobina de papelão, a qual devia ser o aparelho. Deste saíam uma tomada de terra, comicamente ligada à torneira da pia, e um fone comum, de telefone, para ser aplicado à orelha. Uma geringonça infantil, primitiva e precária. Amadeu Amaral achou graça. Aquilo e que era o rádio.
Amadeu Amaral esperou o pior: iria escutar grunhidos estalos e chiados, e, para não desagradar o seu anfitrião, teria de dizer a Roquette que o rádio era mesmo a oitava maravilha. Olhou resignado para a engenhoca, aplicou o fone ao ouvido – e, em vez da cacofonia que imaginava, escutou os poemas e trechos de ópera que estavam a ser irradiados a quilômetros dali, na estação da Praia Vermelha. "Tudo tão perceptível como se os sons se originassem a dois passos. Aquela caranguejola ridícula funcionava maravilhosamente", ele escreveria entusiasmado em O Estado de S. Paulo.
Amadeu Amaral fez mal em duvidar, uma vez que conhecia Roquette-Pinto muito bem.
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Roquette-Pinto num extracto de uma entrevista a uma rádio brasileira |
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Roquette-Pinto fala das primeiras experiências da rádio no Brasil |
Se desejar saber mais sobre a fantástica história de Roquette-Pinto, consulte o link BIOGRAFIAS

A história regista muitos paradoxos (factos que parecem ser contraditórios entre si), mas nenhum mais estranho do que este: duas das maiores invenções acústicas (que dependem da habilidade de se ouvir sons) foram desenvolvidas por um homem parcialmente surdo.

o fonógrafo era a descoberta preferida de Thomas Edison. Chamava-a de "máquina de falar" e supostamente gastou mais de 3 milhões de dólares no seu desenvolvimento. Consistia num cilindro coberto com papel de alumínio. Uma ponta aguda era pressionada contra o cilindro. Conectados à ponta, ficavam um diafragma (um disco fino num receptor onde as vibrações eram convertidas de sinais electrônicos para sinais acústicos ou vice versa) e um grande bocal. O cilindro era girado manualmente conforme o operador ia falando no bocal (ou chifre). A voz fazia o diafragma vibrar. Conforme isso acontecia, a ponta aguda cortada uma linha no papel de alumínio.
Quando a gravação estava completa, a ponta era substituída por uma agulha; a máquina desta vez produzia as palavras quando o cilindro era girado mais uma vez. Thomas Edison trabalhou nesse projecto no seu laboratório enquanto recitava "Mary Tinha um Carneirinho " e reproduzia a gravação.

Daí, até ao aparecimento de gramofones e suportes de gravação de variados tipos, foi um pequeno passo, levando as grandes vozes e orquestras às salas dos mais afortunados.
Também a rádio se serviu deles para as suas emissões, embora, no início e devido ao seu alto preço, preferissem transmissões ao vivo, com os artistas no estúdio.
"The Wizard of Menlo Park", como era conhecido, tinha um "QI" estimado em 240, tendo deixado um legado de mais de 1300 invenções, com destaque para a lâmpada eléctrica, o gramofone, o cinematoscópio, o ditafone e tantos outros que a memória esquece.
Para conhecer melhor a vida deste génio, leia o artigo Biografia de Thomas Edison.
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Reconstituição, feita por Edison, em 1927 da primeira gravação realizada em 1878 |
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Let Us not forguet, Edison fala do poder dos aliados durante a primeira guerra |

Actor português, inigualável na criação de figuras populares. O seu êxito fê-lo interromper os estudos de arquitectura e iniciar uma das mais célebres carreiras de cómico da cena e tela portuguesas.
Pisou o palco pela primeira vez, por acaso, aos 18 anos. Fez centenas de actuações em revistas, operetas, comédias e filmes ao longo da sua carreira.
Alguns títulos foram: A Menina Endiabrada 1929, O Dinheiro dos Pobres 1956, A Canção de Lisboa 1942.
Participou também em programas de rádio, onde teve sobretudo, muita popularidade com o programa O Zequinha e a Lélé (1947 - 1948).
Vasco Santana morreu em Lisboa, onde havia também nascido, a 13 de Junho de 1958, com 60 anos.
Abaixo poderá ouvir alguns excertos de uma entrevista dada por Vasco Santana a Igrejas Caeiro para o programa "Perfil de um artista"
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A pergunta habitual: "Quando nasceu?" |
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A primeira vez que pisou o palco |
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A primeira comédia |
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Quantas comédias? |
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Novos projectos
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O "perfil" deste artista |
Do arquivo pessoal de Paulo Ferreira dos CLÁSSICOS DA RÁDIO