Relatos de restauro


RELATOS DE RESTAURO


Foto de um rádio antes da recuperação, em muito mau estado de 

conservação


Para quem ama os rádios é inconcebível que alguém, em seu perfeito juízo, possa abandonar, deitar fora, atirar para um qualquer contentor do lixo, algum destes belos exemplares.

Também há quem os entenda como objectos sem qualquer préstimo e os deixe abandonados ao tempo, ao pó, à humidade ou sol, num qualquer sótão, cave ou arrumo, esquecidos ao tempo, apodrecendo lentamente.

Felizmente que, algumas vezes, alguém atento, olha uma vez, duas e não hesita: resgata da destruição certa estes fantásticos objectos, restaurando-os, devolvendo-lhes o seu aspecto e funcionamento original, dando-lhes vida por muitos mais anos.

São limpos, reconstroem-se caixas e componentes em falta, remove-se a ferrugem, procuram-se esquemas e válvulas, botões e diais. No fim o trabalho fica pronto, uma obra de paciência, perícia e persistência, durando, por vezes, meses.

E o rádio renasce.

Alguns desses trabalhos de recuperação são tão elaborados e bem feitos que merecem ser vistos. É esse o nosso objectivo, mostrar nestas páginas relatos de restauros, mostrar a destreza e habilidade, a forma engenhosa de criar e reconstruir.

Se efectua este tipo de trabalho e costuma documentá-lo com fotos, envie-nos esse relato para que outros o possam ver, apreciar e aprender.

Para isso, use o nosso E-mail ou o nosso contacto para uma aproximação inicial.

Mostre o "antes" e o "depois" do seu trabalho.


O que é preciso para restaurar um rádio


O QUE É PRECISO PARA RESTAURAR UM RÁDIO....?


Receptor: AGA BALTIC 332
Ano de fabrico: 1943
Restaurado por: Júlio Branco


Rádio AGA BALTIC 332, tal como foi encontrado



Introdução

Nunca trabalhei em madeira, nem tinha lido nada sobre como se trabalha. Não sabia o que era uma plaina, uma goiva, um arco pua, um formão, etc., etc..

Um dia senti necessidade de aprender a trabalhar a madeira, por um episódio que se passou comigo, e que me tocou no “fundo”: Num dos exercícios físicos que faço pela manhã na minha Aldeia, ao passar por um contentor de lixo, reparei que ao lado dele jazia um rádio no chão “moribundo” e pareceu-me ouvi-lo a pedir-me socorro.

Então olhei para ele..... pensei...pensei.... e decidi transportá-lo para casa.


Outra imagem do rádio tal como foi encontrado


Mas estava com um dilema, como ressuscitá-lo? Na electrónica não haveria problema, mas a caixa? Estava partida, não tinha o tampo de cima, era forrada em folha de madeira de cerejeira..... e como recuperá-la?.

Então adquiri uns livros sobre a técnica de trabalhar a madeira, as ferramentas indispensáveis, e outros livros sobre restauração de madeiras antigas, acabamentos etc..

Depois de umas leituras e auto estudo, (tenho um pouco de auto didacta), pus-me a fazer ensaios em retalhos de madeira que ia encontrando, ao pé dos caixotes do lixo que as pessoas colocam lá para serem removidos pela Câmara, e assim fui praticando e aperfeiçoando os meus conhecimentos e também gosto pela madeira.

Durante este período não me esquecia do meu rádio “moribundo”, de marca AGA, cujo fabricante era sediado na Suécia, e como tal, ia tomando atenção a esses restos mortais de mobílias depositados ao lado dos contentores, se havia alguma madeira com o padrão da do meu doentinho.

Até que um dia encontrei um móvel, uma espécie de sapateira, muito mal tratada, que me pareceu ser do mesmo padrão e da mesma origem, ou seja de cerejeira, também forrada em folha, depois de analisá-la melhor, retirei umas peças que me pareciam estar em melhor estado de conservação, levei para casa. Com muito cuidado lixei, até ao osso, como se costuma dizer na gíria da marcenaria, até isto aprendi, fiz o mesmo num dos lados do meu enfermo, comparei-os, pareceu-me que eram iguais, mas só depois de dar uma aguada de bioxene e um verniz incolor sintético acetinado em ambos os ensaios, é que confirmei que era igual até parecia ser uma folha de madeira do mesmo ano e da mesma árvore. Bem podem calcular como eu fiquei depois daqueles ensaios.


O restauro

Agora havia que arregaçar as mangas, cortar a madeira para fazer o tampo de modo a enquadrá-lo com o padrão do resto da caixa. Trabalhei-a cortando-a à medida, nos bordos afaguei, depois do corte, a 45 graus, fiz um rasgo à volta para assentar e encaixar e colar com maior segurança.

Depois de o tampo estar fixado, seguiu-se a preparação da caixa para o acabamento final. Reforcei toda a caixa por dentro com pequenos retalhos de madeira, colando-os com cola apropriada, depois de bem seca, testei a caixa para ver se estava bem firme, se não “gingava”, o que não aconteceu.

Então já podia passar a lixa em toda a caixa até ao “osso” e ter o cuidado de não danificar a folha com que a caixa estava ornamentada, para retirar todo o verniz velho. Dei uma aguada em toda ela com bioxene, pré preparado para lhe dar a cor que eu julguei ser o aproximado da cor original, (tinha uma foto, retirada da Net), deixei secar muito bem e num ambiente sem humidade, (aprendi nos livros), de seguida dei várias demãos com intervalos de uma semana, com verniz acetinado e incolor sintético, e está aqui o resultado.


Rádio visto por trás


Este é o rádio depois de restaurado.


Rádio AGA BALTIC 332, depois de restaurado


Outra imagem do rádio, depois de restaurado


Quanto à parte electrónica, só tinha uma válvula, (UBF11), todas as outras tive de as adquirir através da Net, num site alemão. Também tinha o transformador de saída, queimado, mandei-o bobinar, substitui alguns componentes, tais como, condensadores electrolíticos, condensadores de papel, ainda do meu velho stock quando era jovem e algumas resistências, e lá está a trabalhar como se fosse novo e todo vaidoso. O altifalante tinha a bobine colada ao núcleo magnético devido à ferrugem, teve de levar um cone novo.

É esta uma das histórias do coleccionador de rádios a válvulas Júlio Branco. Pode saber mais sobre a sua colecção no Agregador de coleccionadores e saber também se Seria o rádio que me marcou o futuro?


Réplica de um botão em madeira


RÉPLICA DE UM BOTÃO EM MADEIRA GRAVADO


Foto do rádio


Réplica de um botão de madeira gravado
Receptor: Sparton 65
Trabalho efectuado por: Mário Coelho


Durante o processo de restauro de um rádio, o Sparton 65, teve de ser resolvido o problema da falta de um botão em madeira.

A situação era complicada pois não se conseguia encontrar um botão igual.

Pensou-se então em fazer uma réplica num torno para madeira, mas o botão tinha uma gravação em relevo não circular no topo, o que invalidava a hipótese de o fazer integralmente no torno.

Tentou saber-se como teriam sido feitos os botões originais, mas não se encontrou nenhuma literatura que pudesse ajudar.

A única alternativa era tentar fazer o botão, Mas só que teria de ser feito por partes.


Detalhe da construção do botão


O corpo do botão seria feito no torno e o topo em relevo seria copiado por moldagem. A fatia obtida na moldagem seria posteriormente colada ao topo do corpo torneado.


Métodos utilizados:


Detalhe do botão


Finalmente a réplica:

Depois de seca a fatia, esta foi colada ao corpo do botão, com a mesma cola já utilizada antes. A cor final não ficou exactamente igual à cor do botão original pelo que se teve de o escurecer com "Vieux-Chaine" e acertar a cor em todos os botões (pode ser usado outro produto escurecedor para madeira).



Também resulta com baquelite (foto do botão original):


Outro detalhe do botão


Este método também resulta para reproduzir botões de baquelite que tenham gravações não circulares em relevo. A diferença está apenas no pó utilizado Este pó deve ser obtido limando com uma lima muito fina um pedaço de baquelite do tipo do botão a reproduzir.


Detalhes finais da construção do botão


Em cima à esquerda, o molde em borracha líquida; à direita, o botão original; à esquerda em baixo a fatia moldada.


Em caso de qualquer dúvida ou sugestão, por favor contacte o autor:
Mário Coelho
Pelo E-mail: radiorestauro@aminharadio.com


Restauro rádio ECHOPHONE EC112


RESTAURO RÁDIO ECHOPHONE EC112


Foto do rádio antes da recuperação


Rádio: Echophone modelo EC112
Restaurado por: Sidney Daros Júnior

Este receptor Echophone modelo EC112 foi fabricado nos EUA na década de 40 (antes de 1948). Comprado numa sucata, estava literalmente esquecido no tempo, recebendo sol e chuva durante anos como se poderá ver nestas primeiras fotos.


Outra foto do rádio antes da recuperação


O esquema do rádio foi conseguido no site Nostalgiaair, o que ajudou muito no restauro da parte electrónica.


Mais uma foto do rádio antes da recuperação


O principal desafio era o de deixar a caixa como o original. No entanto, faltavam diversas partes e da grelha frontal só se dispunha de uma peça, mas com o auxílio de um molde de silicone e resina poliéster, foi possível devolver a aparência original ao rádio.


Outra foto do rádio antes da recuperação


A cor original verde pálido foi substituída por um verde mais forte e os botões (inexistentes) foram reproduzidos com resina tingida de laranja, de um molde que foi feito em silicone.


Etapas principais:

  1. Restauro físico

  2. Restauro eléctrico

  3. Detalhes finais

Foto de um rádio igual conseguido na Internet

Foto do rádio tirada da Internet

Em caso de qualquer dúvida ou sugestão, por favor contacte o autor:
Sidney Daros Júnior
Pelo E-mail: sidneydj@ajato.com.br


Detalhes finais


DETALHES FINAIS


O dial original tinha sido consumido pelo óxido. O mesmo foi previamente digitalizado e em seguida lixado até a remoção completa do óxido. A imagem digitalizada foi trabalhada no CorelDraw e os números, dizeres e escala foram redesenhados. Depois este desenho foi impresso numa película transparente adesiva e que foi aplicada sobre o dial, previamente pintado de dourado.


Restauro electrónico


RESTAURO ELECTRÓNICO


Chassis do rádio já restaurado.

No restauro da parte electrónica foram substituídos todos os capacitores (com excepção dos de mica), alguns resistores queimados , lâmpada piloto, borrachas e cordão do dial.

O chassis foi escovado e aplicado ferrox nas partes de ferro oxidadas. Confeccionou-se o ponteiro com um pedaço de latão cortado com uma tesoura.

Detalhe de uma antena de ferrite que foi adicionada ao circuito, em conjunto com a antena de quadro, que possibilitou uma melhoria significativa na recepção sem comprometer a sua originalidade.


Restauro físico


RESTAURO FÍSICO


Caixa lavada com água quente, sabão em pó e escova de nylon.

Aplicou-se uma massa de modelismo sobre uma área do rádio intacta, cuja parte superior era idêntica á parte partida.

Na massa já com os contornos do rádio, foi aplicado um gel de poliéster de cor branca e que teve como resultado uma casca um pouco mais espessa que o rádio com os contornos mostrados.

Esta reprodução foi ajustada para encaixar na parte partida, foi colada, lixada e teve a emenda completada com massa plástica, que depois foi lixada para ficar no mesmo nível. Podemos ver a parte inferior que foi completada com massa plástica, estando ainda no estado bruto.

Para completar o outro lado que possuía uma curva, foi aplicada uma fita adesiva para segurar a massa no contorno e aplicou-se a mesma por trás.

Antes de lixar esta massa foi necessário reforçar por trás com manta de fibra de vidro, para que o aplique ficasse resistente e pudesse ser lixado.

Aplicou-se a manta na parte interna do rádio onde se tinham feito emendas.

Do único pedaço da grelha que existia, produziu-se um molde em silicone e deste reproduziram-se todas as peças que faltavam. As mesmas foram ajustadas uma a uma para a obtenção de uma boa colagem.

Detalhe da aplicação da manta de fibra de vidro na parte interna do rádio. Após seca a resina apararam-se e lixaram-se os excessos.

Depois de lixadas as emendas, o rádio recebeu uma camada de fundo usado em automóveis que permitiu a visualização de pequenos defeitos. Estes defeitos foram corrigidos com massa rápida. Depois de lixada a massa o rádio recebeu uma demão de primer e lixado novamente com lixa de água 400. Depois disto o rádio recebeu 3 demãos de tinta laca para automóvel e 3 demãos de verniz de secagem rápida. Não foi necessário fazer o polimento.

Caixa acabada.

Rádio acabado.