
No dia 24 de Dezembro de 1906, Reginald Aubrey Fessenden, realizou aquela que é considerada a primeira emissão de radiodifusão
Nessa noite, tocou o seu violino e leu alguns versículos da Bíblia para algumas pessoas que o escutavam à distância.
Era o início do sonho: conseguir transmitir a voz humana, sem o recurso de fios, tal como já se fazia com os sinais telegráficos.
100 anos depois, traça-se aqui o percurso deste fascinante meio de comunicação, muito distante dos primitivos sons transmitidos por Fessenden e dos que, nos anos seguintes, experimentaram, criaram, descobriram e exploraram as técnicas que permitem, hoje, usufruir de um meio de comunicação em elevado estado de perfeição, mas, que mesmo assim, não pára de evoluir.
O que se lerá nestas páginas é apenas um pequeno resumo. A história da rádio é vasta, por vezes fantasiosa, e com muitos pormenores que falta ainda contar.

Guglielmo Marconi pensa numa invenção que substitua o telégrafo, ajude assegurar a segurança dos navios no mar. Marconi emite, em 1900, o seu "S" famoso (dit do dit do dit) no código Morse entre Inglaterra e o Canadá.

6 meses antes, Landell de Moura efectua a primeira transmissão de voz, sem a utilização de fios, mas poucos repararam nisso.
Os inventores como Lee De Forest e Reginald Fessenden procuram um substituto sem fios para o telefone tradicional.
A voz humana poderia ser um melhoramento interessante, não conseguido com o telégrafo, mas inventores como Marconi não consideram isto viável: Não será confidencial uma vez que todos ouvirão a conversa.
Em 1906, em Brant Rock, na noite de Natal, Fessenden tocou o seu violino, cantou uma canção, leu um ou dois versículos da Bíblia num "telefone" sem fios de sua própria invenção.

Esta foi considerada a primeira transmissão de radiodifusão porque foi projectada para mais de um ouvinte, tendo sido previamente anunciada, com a intenção de encontrar suportes financeiros.
Provavelmente o nome mais importante no desenvolvimento da rádio, De Forest faz duas demonstrações importantes do telefone sem fios. Em 1907 equipa a frota da marinha com o seu telefone sem fios, constituído por um emissor de arco, e transmite música de um fonógrafo para várias estações costeiras, como San Francisco e New York.

Transmite, em várias ocasiões, música popular e óperas para grupos de ouvintes e alguns repórteres. Pensava já na rádio como meio de difusão de cultura e entretenimento.
Em San Jose, Abril de 1910, Herrold publicou numa reconhecida revista artigos sobre as suas experiências usando a telefonia sem fios.

Efectuou algumas transmissões para amadores no vale de Santa Clara e fez várias conferências em universidades americanas.
Estas foram as primeiras grandes referências públicas sobre a nova invenção: a telefonia sem fios.
Entre 1912 e 1917 Herrold e os seus alunos transmitem música e voz numa programação regular a uma audiência crescente da Universidade de San José. Em 1915 Herold comunicou diariamente com uma expedição internacional ao Pacífico.
As primeiras experiências em Portugal datam de 1914, com a criação da primeira estação, a Rádio Hertz, fundada por Fernando Medeiros.
Todas as estações amadoras de TSF são silenciadas, de forma a que o governo possa usar a rádio para fins de defesa. A guerra é importante para o desenvolvimento da rádio sob o ponto de vista técnico: O tubo de vácuo, inventado alguns anos antes por De Forest éaperfeiçoado, permitindo melhores comunicações durante a guerra.
Por questões de segurança e interesse nacional, todas as patentes de rádio foram confiscadas, ficando à guarda do governo americano até ao fim da guerra.
Terminada a proibição aos amadores, em 1918, Forest monta em High Bridge (New york) uma estação de telefonia, usando a sua válvula de vácuo.
Transmite música, notícias, os resultados da eleição, etc.
A Inspecção Federal de Rádio obriga-o a fechar o seu emissor, dizendo que não havia lugar no éter para o entretenimento.
Era convicção da Inspecção Federal que a rádio só servia para comunicação nos dois sentidos, opinião que era partilhada pela marinha, boicotando todas as experiências de Forest.

Em 1919 De Forest vai para San Francisco, montando nova estação de telefonia que passa a emitir diariamente.
Entretanto, em Pittsburgh, um coordenador da Westinghouse nomeou o engenheiro Frank Conrad para aperfeiçoar o transmissor de Forest, para utilização durante a guerra.
Conrad usa um fonógrafo para testar o áudio, recebendo muitas chamadas de amadores que estavam na escuta das suas experiências, desafiando as ordens do governo.
Conrad passou a transmitir para este grupo de ouvintes todos os sábados à noite.
A companhia de Conrad, Westinghouse, pergunta-lhe se está disposto a iniciar, numa base regular, emissões de música, vendendo esta os aparelhos de rádio que pagariam o serviço.
Depois de obtida uma licença comercial de rádio, nasce, em Novembro de 1920, a KDKA, transmitindo, na sua primeira emissão, os resultados da eleição presidencial de Harding-Cox.
Westinghouse promove nos jornais a venda de receptores de rádio e a KDKA recebe a primeira licença oficial do governo.

Aos anos negros da guerra, seguem-se tempos de paz e prosperidade.
Em poucos anos surgem centenas de emissoras que entretêm milhares de pessoas que compram ou constroem os seus receptores.
Em 1922 nasce a BBC, a Rádio Moscovo e são feitas, no Brasil, as primeiras demonstrações públicas de rádio.
Em 1923 iniciam-se as primeiras emissões regulares de rádio no Brasil com o aparecimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro – PR-1ª.
Em 1924 existiam nos Estados Unidos mais de 600 estações de rádio e mais de 20 milhões de receptores vendidos, tornando-se esta indústria mais importante que a construção automóvel.

No fim do mesmo ano fazem-se, em Portugal, algumas emissões experimentais e em 1925, com a estação amadora CT1AA, de Abílio Nunes dos Santos, iniciam-se as emissões regulares de rádio.
Nesta altura, a generalidade dos receptores de rádio era a cristal e usavam auscultadores para audição. A rádio era ainda muito rudimentar, mas o interesse que já despertava fazia prever a sua grande importância e impacto na sociedade.
Um acordo governamental cria a Rádio Corporation, RCA, que supervisionará as patentes para a construção de receptores e emissores de radiodifusão.

A General Electric e a Westinghouse são autorizadas a fabricar receptores, a Western Electric fabrica transmissores e a AT&T cria as cadeias, regras e taxas de radiodifusão.
A década começa com receptores de construção caseira, de cristal de quartzo, usando auscultadores para uma escuta individual e longas antenas de fio.
Evolui para receptores a baterias, com dúzias de selectores e um altifalante de trombeta.

Mais tarde surgem belos receptores, em caixas de madeira de construção artística, a válvulas, com apenas um comando de sintonia e potentes altifalantes.
Em 1923 a WEAF, de New York, é a primeira a transmitir publicidade, sendo a única emissora autorizada pela AT&T a transmitir em cadeia.
No entanto o fenómeno tornou-se imparável, aparecendo muitas estações que passaram a usar este expediente. Muitas outras surgiram com o objectivo meramente comercial, tinham publicidade e apenas vontade de vender algo.
Quebrando o monopólio da AT&T, a NBC e a CBS criam a primeira cadeia privada de rádio em fins dos anos 20.
Eram centenas as emissoras que ocupavam, de forma desordenada, o espectro radioeléctrico, emitindo desorganizadamente e interferindo-se mutuamente.
Para regular as emissões de rádio foi criada a Federal Radio Commission que, em 1927, publicou legislação que organizava o espectro radioeléctrico, distribuindo as emissoras pelas frequências menos congestionadas.
Pela primeira vez as estações de rádio são obrigadas a operar no interesse, na conveniência e na necessidade públicos.
A década termina com a rádio transformada numa indústria sólida e inteiramente formada.
Os anos da depressão alteram radicalmente a sociedade e as grandes transformações vêm a caminho.Com a depressão as populações começam a ouvir e a depender cada vez mais da rádio que, na maior crise económica de que há memória, surge como elemento reconfortante.

O presidente Roosevelt é o primeiro "presidente rádio" e as suas prelecções ajudam os americanos a encarar os anos negros da depressão.
Grandes shows, grandes estrelas, grandes salários, grandes uniões, grandes programas; tudo isto oferecido por centenas de emissoras, entre as quais se destacam a NBC e a CBS que emitem em cadeias nacionais.

A programação consiste em variedades, comédia, ópera, novela, drama, música ao vivo, concursos, shows, etc.
As agências publicitárias possuíam e controlavam na totalidade programas e talentos. Escolhiam os apresentadores, os artistas convidados, os músicos e todos os outros detalhes do programa. Os shows tinham o nome do patrocinador.
É o tempo das intermináveis "novelas do sabonete", chamadas assim por serem patrocinadas por um grande fabricante de sabões e destinadas a um público cada vez mais interessado: as donas de casa.
Nasce em 1934, substitui o FRC e regula o rádio. O seu mandato é muito similar ao antigo FRC.
No fim da década as rádios ultrapassam o seu estatuto local, através de redes nacionais não licenciadas, provocando um descontentamento geral, uma vez que estas emissoras eram licenciadas para servir a comunidade local.
Os jornais temem que o imediatismo da informação radiofónica reduza o consumo destes, colocando em risco o negócio. Por isso, impedem as rádios de aceder às notícias, até que os jornais sejam colocados nas ruas.
São formadas a AP e a UP e a CBS cria o seu próprio departamento de notícias.
Na tentativa de obter mais poder, a União dos Músicos proíbe os seus associados de actuarem na rádio até que sejam formalizados os novos contratos.
Em alternativa muitas das estações tocam músicos estrangeiros ou pouco conhecidos, não pertencentes a esta associação.
Este invento elimina a tradicional estática, ruído de fundo e melhora substancialmente o fraco áudio característico da modulação de amplitude (AM).
Infelizmente estas vantagens do novo sistema não interessam aos proprietários das emissoras, que estão muito mais preocupados em ganhar dinheiro e não pretendem ver os actuais receptores já desactualizados.
O FM haverá de “dormir” até aos anos 60.
Walter Cronkite, Edward R. Murrow e outros tornam-se reputados repórteres de rádio, levando, aos seus ouvintes, as notícias da guerra.
No fim da década a rádio é um importante meio de informação, com destaque para as notícias que vêm da Europa em confronto.
Serve de entretenimento aos soldados e fonte de notícias, nem sempre isentas, a um público confuso. A rádio une-se.
Em Junho de 1941 o NTSC determina os padrões a usar nas emissões de televisão. Estes são: 525 linhas, 60 quadros e exploração entrelaçada.
Em Dezembro de 1941, com o ataque a Pearl Harbor, a indústria americana é convertida em indústria de guerra.
Durante os anos seguintes o fabrico de receptores de rádio sofre uma significativa baixa, prevalecendo os fabricantes mais pequenos.
Com o fim da guerra os soldados voltam a casa, arranjam um bom emprego, casam-se, compram casa nos subúrbios, carro novo, frigorífico e um rádio ou dois.

Nascem mais bebés e a população aumenta consideravelmente.
Embora a televisão tenha surgido no início dos anos 40, é no fim desta década e início da seguinte que este novo meio de comunicação se generaliza, crescendo tanto como a rádio nos anos 20.

A televisão é controlada praticamente pelas mesmas redes e patrocinadores que a rádio. No entanto é só no fim da década que chega às zonas rurais.
Todas as grandes estrelas, programas, produtores, publicitários que fizeram os “anos de ouro” da rádio nas décadas de 30 e 40, desertaram para a televisão.

A rádio perde a sua identidade, transforma-se numa máquina de reproduzir música.
A grande novidade que é a televisão torna-se numa forte concorrente do cinema.
Em resposta a esta concorrência que leva as pessoas a ficarem em casa, a verem maus espectáculos sem argumento, o cinema aposta em grandes realizações e técnicas, como o cinemascope, 3D, estereofonia, etc.
Em meados dos anos 50, os artistas de variedades brancos começam a imitar os cantores negros dos anos 40. Nomes como Elvis Presley e outros, começam a ser ouvidos e a vender muitos discos em cidades grandes, como New York e Cleveland, nos EUA e Londres na Europa.

Nas rádios locais os “disc jockeys” vendem discos e começam a espelhar e a influenciar a cultura emergente da juventude.
Em fins dos anos 50 os artistas do Rock and Rol, que a rádio ajudou a criar, estão na televisão. A rádio está salva pelo meio que quase a matava prematuramente.
Em meados dos anos 50, Gordon MacClendon, sentado num restaurante, reparou que os jovens ouviam repetidamente as mesmas músicas nas "jukebox". Pensou então, porque não fazer algo semelhante na rádio: criar pequenas listas com as músicas mais ouvidas e passá-las repetidamente.

Estava formatada a rádio.
Com a televisão a tomar conta de todo o entretenimento e a rádio baseada nas "playlists", pouco resta às redes de rádio, do que a difusão de notícias.
No fim da década o total controlo da programação pelos publicitários permite que estes comprem 30 ou 60 segundos de publicidade dentro de um programa, em vez de comprarem todo o tempo deste. Cada programa pode ter mais do que um anunciante, diminuindo assim os custos da publicidade e aumentando os lucros das emissoras.
No entanto, uma boa razão para esta nova forma de controlo da rádio pelos publicitários é o medo de que esta seja tomada por artistas, músicos e escritores comunistas tidos na "lista negra" e que, alegadamente, pretendem derrubar o governo.
Inspiradas no trabalho de profissionais como MacClendon e Bill Drake, centenas de emissoras de AM adoptam uma programação baseada no "Top 40", informação do estado do tempo e temperatura.
Afixados nas cabinas de emissão proliferam os avisos "Seja claro, seja breve" e as músicas, de 3 minutos cada, são escolhidas por homens cínicos e velhos. Abundam os jingles e as promoções.
Os programas, publicidade e música são, agora, direccionados para um público com idade compreendida entre os 12 e os 35 anos, baseando-se esta escolha em estudos demográficos que indicam ser este o grupo de pessoas com maior poder de compra e com disponibilidade para gastar em bens e serviços.
Em 1963, emquanto as estações do "Top 40" em AM, repetem desgastadas músicas de 3 minutos, na Inglaterra, nasce um grupo que mudaria, em todo o mundo, o panorama musical para sempre.

Com os Beatles e os Stones os "Top 40" rejuvenescem com a nova música.
A cena musical está prestes a alterar-se. As audiências são o catalizador para a mudança. De repente há muito mais música, atrevida e audaz, não controlada pelas companhias tradicionais, música que sai de San Francisco e influenciada pelo "Monterey Pop Festival" de 1968.
Entre as manifestações contra a guerra, experimenta-se o sexo e as drogas.
Inventado 40 anos antes, o FM finalmente destrona o velho AM. A música pop exige melhor qualidade e o FM está mais próximo dos sistemas de áudio doméstico.
As emissoras de AM recusam-se a tocar a nova música não conseguindo competir com a qualidade e programação do FM.
As emissoras de AM, as do "Top 40", começam a década com os olhos nas audiências. A pesar da sua programação aborrecida e da falta de qualidade de áudio, mais de 50% das pessoas, em todo o mundo, ouve as emissoras de AM. No entanto estas sabem que é uma questão de tempo e que, mesmo com alguns recursos técnicos como o AM de banda larga e o estéreo, não é possível competir com o FM que está perfeitamente consolidado no fim da década.
Inicialmente eram as estações de AM, agora são as de FM que fazem muito dinheiro. Há abundância de ouvintes, os tempos correm bem, há trabalho e dinheiro.
Os publicitários já não querem pagar por 20 ou 30 segundos de publicidade. Agora querem comprar as próprias rádios.
Já não existem apenas dois formatos, o "Top 40" para as estações de AM e o "Rock progressivo" para as de FM. Agora há o "Soft rock", "Classic rock", "New rock", "Old rock", "Soul", "New age", "Latina", "Disco", etc. Cada estação cobre apenas um pequeno segmento das audiências.
Com o embaratecimento da tecnologia de satélite e a sua disponibilidade a cada estação, nascem e morrem centenas de cadeias de rádio, oferecendo os mesmos formatos de música tocados pelos "Dj's" das grandes cidades.
As pequenas estações de rádio automatizam as suas emissões, tornando-as mais impessoais, não cativando o ouvinte e afastando os patrocinadores.
A partir de agora, as estações de rádio já não têm de obedecer aos regulamentos federais, mas sim às regras do mercado.
Se uma estação não conseguir dinheiro imediato para funcionar não conseguirá manter-se por muito tempo.
Notícias, cobertura de acontecimentos públicos e espectáculos, sofrem com o novo modelo. Os repórteres e jornalistas que trabalhavam nas estações dos anos 70 já não são mais necessários.
Tal como a casa que se comprou por um elevado preço no fim dos anos 80 e que rapidamente se desvalorizou, as emissoras de rádio valem bem menos do que o seu valor de compra. Isto significa mais restrições, menos notícias, mais automação e menos espectáculos e eventos.
Durante os anos 80, nos EUA, mais de metade das estações muda de mãos.
Para os jovens que procuram uma carreira na rádio, a boa notícia é que, se se for bom vendedor, publicitário ou promotor de eventos, o lugar está garantido. Não necessita de ser locutor, jornalista ou repórter.
Termina a era dos grandes formatos, abrangentes, iguais para todos os públicos. As estações direccionam os seus programas para nichos de mercado, públicos específicos classificados por faixa etária, cultural e nível económico.
Os estudos de mercado que têm servido para ajudar a venda de detergentes, jeans ou pizas, servem agora para formatar as rádios.
De novo, cada vez menos gente tem de produzir mais. Agora os profissionais da rádio também têm de ser persistentes e determinados.
Ajudado por novas regulamentações técnicas do FCC, pela promessa de menos estações e aumento da banda, o AM tenta prolongar a sua vida por mais algum tempo. Mal ele sabe que uma revolução digital se avizinha.
Cada vez menos gente executa mais trabalho. Os novos proprietários das emissoras, para reduzir custos, automatizam cada vez mais a programação, partilhando instalações e equipamentos, chegam a controlar 3 estações em simultâneo.
O mesmo edifício, os mesmos técnicos, os mesmos anunciantes, os mesmos locutores e 3 estações ao mesmo tempo! Isto sem qualquer problema com sindicatos ou associações de classe, porque estas, em rádio, são praticamente irrelevantes.
Parece que a rádio continua a ser um bom negócio, a avaliar pelo interesse manifestado por grandes grupos económicos, muitos deles detendo também estações de televisão e jornais.
Muitas destas empresas detêm rádios em várias cidades com funcionamento totalmente automatizado, passando programação exclusivamente musical, vocacionada para faixas etárias muito específicas e pouco exigentes.
Agora um dia inteiro de emissão pode ser guardado, editado e transmitido a partir de um disco duro de computador.

A produção que, antes era feita cortando e emendando com adesivo a fita magnética, agora é feita com um clique de rato.
Os dispositivos de armazenamento analógicos, como gravadores de bobina, cassetes, cartuchos, deram lugar a cartões de memória usados em computador.
A qualidade das reportagens de exterior melhorou significativamente graças à utilização de linhas REDIS e gravadores digitais.
Emissão Digital, DBS, DMX, Internet, etc. permitem novos serviços e funcionalidades. Paralelamente, 100 anos depois, o AM continua vivo e, com as mudanças que se avizinham, adivinha-se um aumento importante da sua utilização.
A rádio tem mais um concorrente: o leitor digital de MP3. Todos os dias, milhares de pessoas deslocam-se nas movimentadas ruas das grandes cidades, com auscultadores nos ouvidos e uma pequena caixa presa à cintura.

A rádio não perde tempo e utiliza em seu favor aquilo que seria, naturalmente, o seu grande concorrente: a Internet.
Cada vez mais rádios emitem on line os mesmos programas que pela via tradicional e surgem muitas rádios que optam apenas pela programação na Internet.
É notório que a vida agitada das pessoas não lhes permite estar a determinada hora em casa, disponíveis para ouvir o seu programa favorito.
Com a Internet é possível ouvir os seus programas favoritos, a qualquer hora e, com o Podcast, em qualquer lugar graças à utilização de um simples leitor de MP3.
A voz volta à rádio. Depois das playlists com música ininterrupta, retornam as conversas, entrevistas, programas de humor, opinião, análise política.
Os ouvintes são chamados a participar nas emissões: passatempos, fóruns, etc.
A rádio é mais pessoal, retornam os programas de autor.
A pesar da informática e das mais recentes tecnologias, o sistema de emissão e recepção utilizado, continua semelhante ao dos primórdios da rádio. A emissão faz-se em modulação de frequência ou de amplitude, a recepção é feita por rádios cujo sistema foi inventado em meados de 1917 e generalizado nos anos 30 - o superheterodino.

A rádio digital será o próximo passo. Na Europa, Estados Unidos e Japão testam-se novos sistemas de radiodifusão, diferentes na tecnologia, mas semelhantes no objectivo: fazer com que a rádio chegue cada vez a mais gente e em melhores condições de recepção.
100 anos depois, tendo visto várias vezes a sua morte anunciada, talvez seja este o maior desafio por que passa actualmente a rádio, vencê-lo significa a sua sobrevivência.