Plantão desportivo

Separadores primários


PLANTÃO DESPORTIVO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL



FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
BIB 02418 - Projeto Experimental em Jornalismo I – Monografia

O PLANTÃO ESPORTIVO COMO MEIO COMPLEXO DE INFORMAÇÃO

ano Périco
Matrícula 1862 / 95-2

Orientação: Sandra de Deus

Monografia de Conclusão do Curso de Comunicação Social,
Habilitação em Jornalismo, da FABICO – UFRGS
Confere grau de Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo

Porto Alegre
Julho de 1999

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AGRADECIMENTOS

- À minha mãe Ilma, meu pai Fiorello e minha irmã Regina pelo apoio em todos os momentos da minha vida.

- Aos meus companheiros de jornada, Lia e Ricardo, pelo convívio e amizade irrestrita e que são a prova viva de que a FABICO valeu a pena.

- Ao meu grande primo-amigo-irmão, Marco Périco, que sempre confiou em mim e sempre me apoiou.

- Ao colega e amigo, Cléber Grabauska, pela sugestão do assunto da monografia e por me apresentar o trabalho do plantão esportivo.

- À minha orientadora Sandra de Deus pela calma, confiança no meu trabalho e competência. Ela vai dar um jeito na FABICO !

INTRODUÇÃO

Este estudo tem por objetivo fundamental descrever um aspecto que nunca sequer foi cogitado ser trabalhado. Relegado a um plano secundário, o plantão esportivo no rádio nunca teve reconhecido o seu valor, como parte importante de uma equipe de esportes. As grandes estrelas dos departamentos de esportes das emissoras de rádio sempre foram os narradores e não há qualquer contestação quanto a isso. São eles que transformam as transmissões esportivas num grande teatro e que fazem de tudo para atrair a atenção do ouvinte especialmente para o jogo de futebol, transmitindo tudo com muita emoção. O plantão esportivo nesse aspecto, poderia muito bem ser classificado como o oposto do narrador em termos de destaque. Ele muitas vezes pode passar desapercebido para o ouvinte. Com informações precisas e ficando distanciado dos fatos que dão emoção, como narração do jogo diretamente de um estádio de futebol, o plantão é a parcela de uma transmissão mais ligada com os acontecimentos fora do âmbito da irradiação de futebol. Dessa forma, o trabalho pretende apresentar dados que revertam esse quadro, ou seja, que comprovem a importância do plantão, não só que como um espaço jornalístico capaz de trabalhar com grande quantidade de dados e que transmite informações precisas para os ouvintes, mas também pela presença de um profissional que possui importância fundamental no contexto do radiojornalismo esportivo.

Se fosse possível resumir o estudo que será apresentado a seguir em forma de apenas um objeto, com o perdão da comparação, ele seria um funil. A explicação dessa analogia é simples. A pesquisa parte do geral, com uma base extremamente larga, quando o homem começou a procurar meios para se comunicar com os seus semelhantes. A distância entre as pessoas era excessiva. Através do avanço constante das técnicas de comunicação utilizadas, chegamos ao momento em que o ser humano passa a fazer uso sistemático da radiodifusão para exterminar definitivamente do seu convívio as distâncias entre as pessoas.

O passo seguinte na apresentação do tema proposto trata do momento definitivo da instituição do rádio. Nesse aspecto é apresentado um breve histórico do rádio, que serve de lastro para as idéias que serão abordadas na seqüência. Com a definitiva implantação do veículo, nosso funil começa a se estreitar, quando o rádio, já como meio de comunicação de massa, permite o nascimento de uma parcela sua que iria gerar belos frutos, o radiojornalismo esportivo. O campo de ação nesse momento é o Brasil e o Rio Grande do Sul. Através da instituição dos artistas do rádio esportivo, o segmento se estrutura definitivamente, atingindo grande parcela da população. Durante a apresentação do estudo são colocadas explicações sobre as tarefas realizadas pelos integrantes de uma equipe de esportes. Nesse momento, o funil está no estágio final do seu estreitamento, pois o passo a seguinte será a descrição do trabalho do plantão esportivo no veículo rádio.

Além de trazer dados sobre o histórico do desenvolvimento da função de plantão esportivo, o estudo pretende, sem ser dono da verdade, apresentar sugestões práticas sobre a utilização da Internet como meio de aperfeiçoamento do trabalho do plantão. Outra meta do estudo é propor idéias aos veículos de comunicação de como encontrar uma melhor forma de operacionalizar o trabalho de um plantão esportivo através da utilização de um plano de escuta. Um aspecto que será ressaltado é o intercâmbio informativo que acontece durante a realização do trabalho com as outras emissoras de rádio no Rio Grande do Sul e no Brasil, verificando a existência ou não de um fluxo constante de informações. A coleta de dados foi realizada na Rádio Gaúcha de Porto Alegre. A escolha da periodicidade do levantamento de dados foi aleatória. O recurso de entrevistas gravadas ou informações obtidas de modo informal ajudou bastante a compor o quadro que será apresentado. A bibliografia a respeito de rádio é muito pequena. Textos que falem de radiojornalismo esportivo são raros. Esse foi uma dificuldade que a pesquisa teve durante a sua realização, mas que não trouxeram prejuízos ao todo do trabalho.

1. HISTÓRIA DO RÁDIO

Vamos fazer um breve exercício de imaginação. Responda mentalmente, o que você lembra quando indagado sobre as questões listadas na seqüência. Qual é o veículo de comunicação que você utiliza quando está no carro ? Quando vai dar uma caminhada no parque, qual é o meio de comunicação que lhe faz companhia ? O que você leva para o campo de futebol para ter informações mais detalhadas sobre o jogo que vai assistir, além de transmitir muitas informações de todos os fatos esportivos que acontecem simultaneamente ? Qual é o único veículo de comunicação que permite a realização de outras tarefas enquanto você o utiliza como meio informação e entretenimento ? Qual é o veículo de comunicação mais barato ? Bem, chega de perguntas. Com absoluta certeza, mais de uma vez você respondeu rádio. Essa enquete serve apenas para provar que o rádio, mesmo com o advento de meios de comunicação com tecnologias mais avançadas, como a televisão e a Internet, continua sendo o veículo de comunicação mais presente na vida das pessoas. A parceria indivíduo-rádio é uma história que possui capítulos que começaram a ser escritos no final do século passado, transcorrem o século XX e a cada dia novas páginas vão sendo acrescentadas.

1.1 – A PRÉ-HISTÓRIA DO RÁDIO

As primeiras experiências de comunicação à distância

O homem pode ser considerado um indivíduo extremamente inquieto. Essa inquietude pode ser explicada pelo seu desejo de interagir com o mundo que o cerca. A necessidade de se relacionar com o semelhante, de se integrar para estabelecer as primeiras trocas de informações, permite afirmar que esse desejo aponta para o sistema de comunicação de massa que se tem conhecimento hoje em dia. A utilização da palavra possibilitou, dessa forma, aos seres humanos a chance de levar até os seus semelhantes informações sobre os acontecimentos, permitindo o fechamento de um ciclo que redundará na consciência da globalidade, onde ele faz parte de um universo do qual deve participar.

Nos primórdios da civilização era preciso encontrar meios de transpor os limites que as distâncias e as dificuldades de comunicação impunham. Entretanto, o homem por ser um indivíduo empreendedor e que não se deixa abater pelas adversidades, foi conseguindo meios de se comunicar. As fogueiras colocadas no alto das montanhas seriam utilizadas para interagir com o mundo. Os gregos quando conquistaram Tróia utilizaram fogueiras para transmitir a notícia da vitória a cidade de Argos, distante aproximadamente 400 quilômetros. O uso das fogueiras, conforme LOPES (1970:2), "foi o primeiro sistema de comunicação à distância que o homem utilizou, desde as épocas imemoriais e ao longo dos séculos que se seguiram." Além dos sinais de fumaça, o homem utilizou o som de tambores, de pombos-correio e, mais tarde, do serviço regular de informações através do correio.

O desejo de encontrar novas formas de comunicação continuava latente na mente do homem. O primeiro passo para acabar com as distâncias foi a invenção do telégrafo por impulsos eletromagnéticos e seu código alfabético, que foram inventados por Samuel Morse. Segundo LOPES (1970:16) "a 24 de maio de 1844 era inaugurada a primeira linha experimental ligando Washington e Baltimore numa distância de 64 quilômetros, com a transmissão da frase ‘What hath God wrought’ (Eis o que Deus realizou)". No Brasil, o telégrafo com fio foi implementado em uma linha entre a Quinta da Boa Vista e o Quartel da Polícia no Rio de Janeiro. Conforme apresenta ALBUQUERQUE (1985:40), "em 1868, o Brasil contava com 2089 quilômetros de linhas construídas, 40 em construção e 75 autorizadas. Em 1873, o Brasil é ligado pela telegrafia à Europa através de cabos submarinos."

O transcorrer dos anos avança até chegarmos em 1887, quando são descobertas as ondas de rádio por Henrich Rudolph Hertz. O homem passa a usar a atmosfera como meio de propagação de suas mensagens. Esse foi o primeiro passo para o desenvolvimento da radiodifusão que conhecemos atualmente. Apesar de até hoje em dia se discutir a verdadeira paternidade do rádio, foi um porto-alegrense que realizou a primeira transmissão da palavra falada, sem fios através das ondas eletromagnéticas. O pioneiro foi o padre Landell de Moura, ao realizar a sua transmissão em 1893. Entretanto, alguns autores ignoram o fato. Se levarmos em conta a cronologia pura e simples dos fatos, essa hipótese é a mais correta, já que Gugliermo Marconi realizou a sua transmissão sem fios em 1896, três anos depois, quando conseguiu enviar sinais à distância. Sucessivas experiências de Marconi foram ampliando as distâncias entre as estações emissoras e receptoras. Esse fato marcante na história das comunicações permitiu ao homem chegar a universalidade, diminuindo assim incômodas distâncias.

Um passo seguinte realizado por Gugliermo Marconi foi o aperfeiçoamento do seu invento, com a possibilidade de permitir a sintonia, ou seja, podia se ajustar receptores e transmissores com o mesmo comprimento de onda. Assim, uma mensagem só poderia ser captada pela estação receptora a que fosse dirigida. Dessa forma, criaram-se condições de enviar várias mensagens ao mesmo tempo. Esse é o principio das diversas emissoras de rádio na atualidade, tanto em freqüência AM, quanto em FM. Todas estão disponíveis na atmosfera. Todos têm possibilidade de escolher através de um receptor, qual a freqüência que desejam sintonizar. Este período pode ser descrito como a Pré-História do rádio.

1.2 - A IDADE ANTIGA DO RÁDIO

Os primeiros passos da Radiodifusão no mundo

O marco do início da Idade Antiga na história da humanidade foi a invenção da escrita. Comparativamente, as descobertas de Landell de Moura e Gugliermo Marconi poderiam ser citadas como ponto de partida para uma suposta era antiga do rádio. O Natal do ano de 1906 registra a participação de Reginald Fessedeir e Ernest Alexanderson, quando estes realizaram uma irradiação de discursos e uma apresentação de canto com violinos. A radiodifusão começou a se solidificar definitivamente apartir de experimentos de grande importância realizados por Lee de Forest. Ele aperfeiçoou a válvula de áudio, sendo que no ano de 1908, realizou diretamente do alto da Torre Eiffel, em Paris, a transmissão de um sinal sonoro que atingiu Marselha. No processo evolutivo da criação das bases da radiodifusão, em 1916 foi construída em Nova Iorque a primeira estação de radiodifusão que transmitia música, gravações e programas de conferências. Com relação a importância de Lee Forest, LOPES (1970:19) coloca que "o inventor obteve retumbante sucesso produzindo um programa radiojornalistico de grande envergadura: a transmissão de resultados das eleições presidenciais dos Estados Unidos em 1916."

A radiodifusão espalhou-se pelo mundo como um vírus. As novidades sempre estiveram relacionadas com os avanços proporcionados pela ciência. O dia 02 de novembro de 1920 é considerado o marco do nascimento efetivo do rádio. A KDKA passou a transmitir suas mensagens no dia da eleição presidencial de Harding à presidência dos Estados Unidos. Os resultados do pleito eram transmitidos para a emissora via telefone e posteriormente eram divulgados para uma opinião pública ávida por informações. LOPES (1970:20) explica o perfil do rádio apartir desse momento:

"a nova estação KDKA inaugurou-se portanto produzindo uma ampla e segura cobertura jornalística que serviu de modelo às que se seguiram imediatamente. Em dois anos as reportagens esportivas eram rotina na programação e as entrevistas com altas personalidades passaram a ser acontecimentos comuns."

O efeito cascata se fez presente no aumento repentino do número de emissoras em um curto espaço de tempo. Em 1921, eram quatro rádios nos Estados Unidos. No final do ano seguinte já haviam 382 emissoras de rádio. Um marco no histórico da comunicação foi a inauguração da British Broadcasting Corporation (BBC) em Londres no dia 14 de novembro de 1922. No mesmo ano, em Paris, é inaugurada a emissora Radiola, onde se transmitia um serviço diário de informações. Transmissões regulares na União Soviética passaram a acontecer apartir de 1924, quando a radiodifusão servia de sustentação para o sistema político vigente. As bases para o surgimento de um forte veículo de comunicação estavam solidificadas.

1.3 - OS PRIMÓRDIOS DO RÁDIO NO BRASIL

Os brasileiros são apresentados ao rádio

Um brasileiro possui papel importantíssimo na pré-história do rádio. Roberto Landell de Moura nasceu em Porto Alegre no dia 21 de janeiro de 1861, na Rua do Bragança, atualmente Rua Marechal Floriano, no centro da capital gaúcha. Em 1893, o padre Landell de Moura realizou na cidade de São Paulo as pioneiras transmissões e recepções em ondas eletromagnéticas, numa distância de oito quilômetros. A data de 09 de março de 1901 marca para a história da radiodifusão o registro patenteado de Landell de Moura para o invento descrito por ALBUQUERQUE (1985:20) como "aparelho destinado a transmissão fonética à distância, com ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso." Em julho do mesmo ano, o padre cientista rumou para os Estados Unidos a fim de ter reconhecidas três invenções suas: o transmissor de ondas, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio - todos devidamente patenteados. Nesse momento era difícil prever o que esses inventos iriam significar na história da comunicação e da humanidade como um todo.

1.3.1 - As primeiras emissoras

Com a chegada de um transmissor vindo da França foi inaugurada no dia 06 de abril de 1919, a Rádio Clube de Pernambuco, na capital Recife. Documentos evidenciam ser essa a primeira experiência ainda em caráter amador. Sua inauguração oficial data de 17 de outubro de 1923 utilizando de um transmissor de 10 watts. Entretanto, a instalação da primeira emissora, na então capital do país, foi no dia 20 de abril de 1923, quando começa a funcionar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro comandada por Edward Roquette Pinto e Henry Morize, embasando a sua programação no conteúdo eminentemente educativo. O rádio é inaugurado oficialmente nas comemorações do Centenário da Independência, no dia 07 de setembro de 1922. A primeira transmissão foi um discurso do presidente Epitácio Pessoa. Fora colocado um transmissor no Corcovado e 80 receptores importados possibilitaram a poucos privilegiados integrantes da elite carioca acompanhar de suas casas o discurso presidencial.

Como qualquer tecnologia inovadora, o rádio em seu início era um veículo extremamente elitista. Comparativamente, é possível fazer uma analogia com o surgimento do compact disc na década de 80, ou seja, aparelhos caros, invariavelmente importados. Além disso, a programação do rádio tinha a finalidade cultural e educativa. ORTRIWANO (1985:14) afirma que

"no início ouvia-se ópera, com discos emprestados pelos próprios ouvintes, recitais de poesias, concertos, palestras culturais, etc., sempre uma programação muito seleta, apesar de Roquette Pinto estar convencido desde o início, de que o rádio se transformaria num meio de comunicação de massa."

Pelo o que se viu, o rádio conseguiu atingir os objetivos esperados por Roquette Pinto, sendo ainda hoje um veículo que atinge grande parcela da população. Na década de 20, uma epidemia radiofônica espalhou inúmeras emissoras por todo o território nacional. Um aspecto interessante desse período deve ser ressaltado. As primeiras emissoras geralmente eram chamadas pelas palavras "clube e sociedade", já que eram bancadas por indivíduos que pagavam mensalidades, pois possuíam ouvintes ou empresas públicas e privadas que davam recursos. É importante destacar que nesse período a publicidade era proibida pela legislação da época. As principais emissoras surgidas nesse período começaram a formar a estrutura radiofônica que conhecemos hoje em dia.

1923 - Rádio Clube Paranaense (PR)

Rádio Educadora Paulista (SP)

1924 - Rádio Sociedade Maranhense (MA)

Rádio Clube do Ceará (CE)

Rádio Sociedade Riograndense (RS)

Rádio Sociedade da Bahia (BA)

1925 - Rádio Pelotense (RS)

1926 - Rádio Educadora do Brasil (RJ)

Rádio Clube do Brasil (RJ)

1927 - Rádio Sociedade Gaúcha (RS)

Rádio Cruzeiro do Sul (SP)

Rádio Sociedade Mineira (MG)

Rádio Mayrink Veiga (RJ)

1928 - Rádio Clube do Pará (PA)

É possível concluir, que o rádio na década de 20 ainda não era um veículo de massa, mas começava a estruturar essa nova fase. Conforme diz MADRID (1972:32) com relação ao perfil da programação instituída no rádio brasileiro, "a cultura popular não tinha acesso ao rádio, que não se caracterizava como entretenimento de massa."

1.4 - A ESTRUTURAÇÃO DO RÁDIO

A Idade Moderna do veículo

Contrariando a cronologia da história da humanidade, a Idade Moderna do rádio precede a Idade Média. Com o advento do rádio comercial, ou seja, a possibilidade de vender espaços publicitários pelas emissoras transformou o veículo de comunicação apartir da década de 30. Esse nascimento só teve início quando a publicidade foi permitida por meio do Decreto número 21.111, de 01 de março de 1932. Com a possibilidade de lotear os seus espaços durante a programação, o rádio mudou de fisionomia, passando de erudito e cultural para um estilo popular, eminentemente voltado para o entretenimento. Outra mudança radical surgida no rádio nesse período foi a implantação de uma forma empresarial de administrar as emissoras. A lógica capitalista que incentiva a concorrência serve de parâmetro para o enfrentamento das emissoras, que passam a ter como objetivo fundamental, a sedução dos ouvintes. Dessa forma, a programação almejada por Roquette Pinto e Henry Morize, dirigida a educação, foi suprimida e substituída por um grande conjunto de atrações populares, já que os interesses comerciais começam a impor um retorno financeiro. Nesse sentido, o rádio se apresenta eficaz para provocar o desejo pelo consumo por parte dos ouvintes.

Como uma criança que começa a engatinhar, nesse período a organização do rádio comercial ainda é incipiente. Os primeiros profissionais compram os espaços loteados durante a programação, realizam os programas e repassam os espaços para os anunciantes. Esse processo é muito parecido ao que atualmente algumas emissoras de televisão estão utilizando para se manterem no ar, com a venda de espaços para a produção independente. Dessa forma, a produção, a apresentação, além do contato comercial e a redação ficam a cargo dos responsáveis pelo espaço adquirido. Esse quadro passou a mudar com a organização de equipes de trabalho, com o objetivo de dividir as tarefas. Sobre esse período do emergente veículo de comunicação, MADRID (1972:42) considera que

"o rádio passaria por um processo de reformulação estrutural, ampliando os seus recursos, para poder atender às novas atribuições no processo de industrialização, da urbanização e da tecnologia. Iria integrar-se em outros níveis da realidade nacional e passaria a responder às necessidades coletivas, como meio recreativo e informativo, manipulador da opinião."

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