Plantão desportivo - Pg2

Separadores primários


PLANTÃO DESPORTIVO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL



FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
BIB 02418 - Projeto Experimental em Jornalismo I – Monografia

O PLANTÃO ESPORTIVO COMO MEIO COMPLEXO DE INFORMAÇÃO

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A partir desse momento, a improvisação abre espaço para a estruturação definitiva que o rádio possui atualmente. Artistas e produtores são contratados. Os programas passam a possuir produção prévia e, torna-se cada vez mais forte a busca pela audiência. Vale ressaltar nesse período inicial do rádio como negócio, que o veículo também começa a estruturar uma linguagem própria, mais direta e coloquial. Nessa fase surgem os primeiros ídolos, transformando o rádio em um veículo extremamente popular. Surgem os programas de auditório, as radionovelas e as programação jornalística. O período de efervescência dos primeiros passos do rádio possibilitou o surgimento de um novo ramo de atividade: as agências publicitárias. Com o advento da venda de espaços no rádio, a publicidade subvenciona os meios de comunicação de massa e, assim, condiciona todos os conteúdos, principalmente de informação.

O rádio passa a ser um veículo de repercussão no Brasil, tanto economicamente como na vida política do país. Após a Revolução de 30, o presidente Getúlio Vargas, verificando a importância do jovem veículo de comunicação, institui o DOP, Departamento Oficial de Propaganda, responsável por uma programação oficialialista. No ano de 1934, o DOP passa a se chamar Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, surgindo nesse período "A Voz do Brasil", atualmente sob a responsabilidade da Empresa Brasileira de Notícias. Em seguida, Getúlio Vargas cria o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) para fiscalizar e censurar programações de rádio, cinema, teatro e jornais.

Um capítulo importante da história do rádio como veículo de comunicação de massa é escrito quando, em 12 de setembro de 1936, é inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Uma estrutura organizacional com divisões coordenadas por um diretor geral, a época Vítor Costa, tinha como objetivo fundamental arrebanhar grande parcela da audiência. COSTELLA (1978:182) enumera que a Rádio Nacional possuía em seu momento inicial, um elenco com "10 maestros, 124 músicos, 33 locutores, 55 radialistas, 39 radioatrizes, 52 cantores, 44 cantoras, 18 produtores, 13 repórteres, 24 redatores, 4 secretários de redação e cerca de 240 funcionários administrativos." A Rádio Nacional possuía ainda um auditório de 500 lugares, seis estúdios e transmitia por ondas médias e ondas curtas, atingindo todo o território nacional e até mesmo espraiando o seu sinal para a Europa, América do Norte e África. Portanto, é possível afirmar que o rádio nesse período começa a adquirir as feições de veículo de comunicação de massa, ou seja, atingindo uma ampla área geográfica e sendo consumido por uma população heterogênea.

Politicamente o fenômeno Rádio Nacional teve a sua importância. Em 1940, Getúlio Vargas tinha absoluta noção de que o rádio era um forte veículo de comunicação e por conseqüência a Rádio Nacional, pela sua penetração, seria uma aliada poderosa para a afirmar o regime político rígido que o país passava naquele período de sua história, sendo utilizada apartir de sua encampação, como mecanismo de legitimação ideológica. É possível verificar que tal prática voltou com a criação da Rede Globo de Televisão, no ano de 1965, quando o regime militar vigente no Brasil precisava controlar o meio de comunicação mais forte em termos de penetração e audiência, que neste momento era a televisão e que já fôra o rádio. Em épocas diferentes é possível constatar que os veículos de comunicação são utilizados politicamente para o controle social para, segundo GOLDFEDER (1981:40) "manter as expectativas sociais dentro dos limites compatíveis com o sistema como um todo." Verifica-se portanto que o rádio teve papel importantíssimo no desenvolvimento do país. Dessa forma é possível concluir que o rádio comercial e a popularização do veículo implicaram a criação de um elo entre o indivíduo e a coletividade, mostrando-se capaz não apenas de vender produtos e criar modas para os consumidores, como também de mobilizar as massas, levando-as a uma participação na vida nacional. Os progressos da industrialização aumentavam consideravelmente o mercado consumidor, criando as condições para a padronização de valores e gostos.

O rádio nesse período, meados da década de 1940, começa a viver um período de guerra pela audiência, concorrência para atingir o maior número de ouvintes e a busca de um maior faturamento das emissoras. Nessa fase, surgem as radionovelas, que depois da primeira experiência feita pela Rádio Nacional em 1942, quando foi ao ar "Em busca da felicidade", espalhando-se por todo o país. O rádio esportivo e o radiojornalismo também começam a tomar forma nesse período com as primeiras inovações nas transmissões esportivas e o lançamento de radiojornais que fazem parte da história do rádio. No dia 28 de agosto de 1941 surge o mais importante noticiário radiofônico. "A testemunha ocular da história", o Repórter Esso, durante 27 anos foi responsável por informar os brasileiros sobre as principais notícias do país e do mundo. No seu início, o Repórter Esso era transmitido pelas rádios Nacional do Rio de Janeiro e Record de São Paulo. No ano seguinte ao do seu lançamento, o Repórter Esso era irradiado também pelas emissoras Inconfidência em Minas Gerais, Jornal do Comércio em Pernambuco e Farroupilha de Porto Alegre. O gaúcho Heron Domingues, a partir de 1944, passou a ser a voz exclusiva do Repórter Esso. Ele também foi responsável por outras transformações no noticiário, com a introdução de uma redação própria do rádio, com o auxílio das instruções da UPI - United Press International e a contagem do número de linhas do texto para verificar o tempo. A última edição do Repórter Esso foi ao ar no dia 31 de dezembro de 1968.

Na história dos programas noticiosos do rádio brasileiro ainda merece destaque o Grande Jornal Falado Tupi, instituído em 1942 por Coripheu de Azevedo Marques e Armando Bertoni. Segundo ORTRIWANO (1985:21),

"o Repórter Esso e o Grande Jornal Falado Tupi foram marcos para que o radiojornalismo brasileiro fosse encontrado a sua definição, os caminhos de uma linguagem própria para o meio, deixando de ser apenas a leitura ao microfone das notícias dos jornais impressos."

É possível afirmar que já neste momento, o rádio consolida-se como veículo de comunicação de massa.

1.5 - A IDADE DAS TREVAS E O RENASCIMENTO

O nascimento da televisão e a readequação do rádio

O período de apogeu do rádio na década de 40 sofre um forte golpe com o nascimento da irmã mais nova: a televisão. Quando ela surge, no início dos anos 50, busca do rádio os seus primeiros artistas além de carregar grande parcela da publicidade. O primeiro canal de televisão da América Latina foi a PRF-3 Tv Tupi de São Paulo, pertencente aos Diários e Associados de Assis Chateaubriand. Apologistas do novo veículo não demoraram em afirmar que o seu surgimento seria a morte definitiva do rádio, que não encontraria meio para sobreviver. As atenções se voltam com toda a força para ao meio de comunicação que dava os seus primeiros passos. O velho rádio precisaria encontrar um outro meio para o seu renascimento.

Um caminho encontrado por muitas emissoras de rádio foi ao da programação musical, porém não mais ao vivo, e sim com fitas e discos. As novelas, os programas humorísticos e de auditório também foram, seduzidas pelo novo veículo de comunicação, sendo lentamente substituídos pelos serviços de utilidade pública. Apartir desse momento, o rádio passa a se preocupar mais com a informação jornalística e o esporte. Ambos começam a se estruturar com força maior nas emissoras, com a montagem de equipes de trabalho.

Se na parte de programação o rádio teve que se redirecionar, o surgimento do transistor em 23 de dezembro de 1947, passou a ser uma nova arma na luta contra a televisão, a agilidade. A sua invenção possibilitou ouvir rádio em qualquer lugar e em qualquer tempo. O rádio inverteu uma lógica: ao invés dos indivíduos irem até ele, o rádio foi quem buscou meios de se aproximar definitivamente das pessoas. O aperfeiçoamento nas transmissões também possibilitou ao rádio um pulo na agilidade do processo de informação, com um radiojornalismo atuante, com repórteres nas ruas trabalhando com equipamentos mais leves e de melhor qualidade de transmissão. Rapidamente o rádio saiu de um período complicado e de descrédito de sua história para o seu renascimento.

Uma tendência originária da década de 50 tem se desenvolvido no período mais recente da história do rádio: a segmentação. Esse processo de especialização redireciona o perfil das emissoras. Algumas, dessa forma, investem pesado no conteúdo informativo, com programações de jornalismo e esportes. Basicamente, a programação dessas emissoras é dividida em programas de notícias, entrevistas e debates, noticiosos de hora em hora e jornadas esportivas. essas emissoras são chamadas de talk ans news, pois as informações são passadas aos ouvintes de forma ágil, sendo posteriormente discutidas nos espaços específicos. Outras emissoras investem na música em seus diversos estilos: populares, pop, sertaneja, erudita, etc. criando outros segmentos mais específicos. Conforme afirma ORTRIWANO (1985:29), "a especialização acabou ocorrendo pela necessidade de atender ao mercado, onde existem várias faixas sócio-econômicas que precisam ser exploradas adequadamente."

2 - CARACTERÍSTICAS DO RÁDIO COMO VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO DE MASSA

Popular e abrangente. Estes são dois adjetivo que poderiam perfeitamente qualificar o rádio como meio de comunicação de massa nos dias atuais. Entretanto, se fizermos uma regressão aos primórdios do rádio no Brasil, na década de 20, com Roquette Pinto e sua Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, é possível verificar que o rádio mudou, pois possuía características de um meio de comunicação de elite. A publicidade instituída nos anos 30, ajudou no processo de popularização do veículo. Assim, como todo o negócio que busca a rentabilidade, o rádio passou a atingir um número maior possível de pessoas, aumentando o faturamento.

Um aspecto importante da diferenciação do rádio com relação aos outros veículos de comunicação está no fato de ser muito abrangente na audiência devido ao uso da linguagem oral. Qualquer parcela da população pode ter acesso às informações transmitidas, principalmente analfabetos, que não podem contar com os veículos impressos e que através da televisão podem não ter acesso a algumas informações importantes. O processo da fala e da audição possibilita uma difusão maior das informações para um universo maior de pessoas. Em termos de alcance, o rádio atinge os mais distantes pontos da geografia de um país. As emissoras via-satélite chegam aos mais diversos locais do Brasil, bem como emissoras locais, muito mais próximas do cotidiano dos ouvintes que se utilizam do rádio como meio de informação e lazer.

Equipamentos de televisão são pesados e de difícil instalação para uma transmissão ao vivo diretamente da rua com o som e a imagem perfeitos. A produção de uma edição extra de um jornal impresso levaria um tempo considerável para ser finalizada já que precisaria de redação, diagramação e a rodagem dos exemplares. Citando esses aspectos, é possível verificar que o rádio em termos de mobilidade está muito a frente do jornal impresso e da televisão. A facilidade de atuar do rádio pode ser explicado por duas frentes. Cada dia é mais fácil transmitir informações precisas aos ouvintes dos lugares mais inusitados. A notícia segue do local onde o fato está acontecendo para os ouvintes via receptor, sem preparação prévia, necessitando apenas de uma voz e um celular ou das unidades móveis. Dessa forma, é possível afirmar que o rádio é o veículo imediatista por excelência. Segundo ORTRIWANO (1985:80), "o rádio permite trazer o mundo ao ouvinte enquanto os acontecimentos estão se desenrolando." Se o rádio possui grande mobilidade para transmitir para os ouvintes, o inverso também acontece. Os ouvintes levam o rádio para qualquer canto. O rádio poderia ser classificado como o veículo da locomoção, pois ele saiu da sala, encolheu e ganhou o mundo.

Financeiramente, o rádio é muito mais acessível que a televisão e o jornal. O baixo custo de um aparelho receptor possibilita a uma grande parcela da população, ou até mesmo a sua totalidade, adquirir uma unidade. O jornal, a cada dia, necessita de um novo investimento financeiro para se ter acesso a um exemplar. Um aparelho de televisão possui um valor elevado em comparação ao rádio e em termos de mobilidade de recepção é infinitamente mais limitado, devido ao seu tamanho e a utilização da energia elétrica. A produção radiofônica também é mais barata, por necessitar de menos recursos técnicos do que a televisiva. A chegada da televisão, no início da década de 50 não decretou o fim do rádio, porque o veículo das ondas sonoras decidiu apostar com maior força nas suas potencialidades, conseguindo bater de frente com a sofisticada televisão.

2.1 - A multiplicação do rádio

Durante os seus 70 anos de vida, o rádio transformou-se um um abrangente meio de comunicação de massa, graças ao seu vasto alcance geográfico e de público que atinge. Dentro desse quadro, da expansão da radiodifusão mundial, o Brasil possui um papel extremamente destacado, tanto em termos de número de aparelhos receptores, quanto ao número de emissoras espalhadas pelo território nacional. O Rio Grande do Sul dentro do contexto brasileiro, com relação a expansão da radiodiifusão possui grande parcela. Segundo números fornecidos pela Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT), em levantamento realizado até o dia 01 de abril de 1999, existem 323 emissoras de rádio retransmitindo no Rio Grande do Sul. Desse número total de rádios espalhadas em território gaúcho, 176 atuam em amplitude modulada (AM) e 147 rádios operam em freqüência modulada (FM).

Quadro 1:

EMISSORAS

CAPITAL

INTERIOR

TOTAL

AM

15

161

176

FM

16

131

147

TOTAL

31

292

323

Fonte: AGERT

Em termos de distribuição das emissoras pelo país, conforme informações do Ministério das Comunicações, a grande maioria das rádios brasileiras atua em amplitude modulada (AM). Entretanto, um fenômeno deve ser destacado. Em alguns estados brasileiros como Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Pernambuco, Rondônia, Sergipe e São Paulo, o número de emissoras FM é muito maior do que as que atuam no espectro AM. Essa mudança ocorre basicamente pelo simples fato de que onde não havia emissoras de rádio, as que surgem são instaladas preferencialmente em FM, pela melhor qualidade de som. As emissoras FM começaram a operar na década de 60, causando uma verdadeira ebulição no meio radiofônico, sendo responsáveis direta pelo aumento significativo de emissoras de rádio transmitindo informações e música. Tanto, que no ano de 1976, o Governo Federal resolveu criar a Radiobrás (Empresa Brasileira de Radiodifusão) para organizar as emissoras e operar o serviço de radiodifusão do governo.

Em números recentes, coletados no Anuário Brasileiro de Mídia, edição 98/99, a região que possui o maior número de emissoras de rádio é a Sudeste, formada por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, com um total de 769 emissoras, a maior quantidade de emissoras no dial. Na seqüência, em números absolutos estão as regiões Sul (610 rádios), Nordeste (307 rádios), Centro-Oeste (138 rádios) e Norte (87 emissoras). Os dados comprovam que no país ainda existe um bom potencial a ser explorado em termos de radiodifusão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Quadro 2:

REGIÃO SUDESTE

NÚMERO DE EMISSORAS DE RÁDIO

São Paulo

440

Rio de Janeiro

98

Minas Gerais

204

Espírito Santo

27

TOTAL

769

Fonte: Anuário Brasileiro de Mídia

Quadro 3:

REGIÃO SUL

NÚMERO DE EMISSORAS DE RÁDIO

Rio Grande do Sul

323

Santa Catarina

113

Paraná

174

TOTAL

610

Fonte: Anuário Brasileiro de Mídia

REGIÃO CENTRO-OESTEDistrito Federal

14

Goiás

51

Mato Grosso

30

Mato Grosso do Sul

43

TOTAL

138

Fonte: Anuário Brasileiro de Mídia

Quadro 5:

REGIÃO NORDESTE

NÚMERO DE EMISSORAS DE RÁDIO

Alagoas

12

Bahia

81

Ceará

54

Maranhão

20

Paraíba

31

Pernambuco

47

Piauí

17

Rio Grande do Norte

28

Sergipe

17

TOTAL

307

Fonte: Anuário Brasileiro de Mídia

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