Plantão desportivo - Pg4

Separadores primários


PLANTÃO DESPORTIVO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL



FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
BIB 02418 - Projeto Experimental em Jornalismo I – Monografia

O PLANTÃO ESPORTIVO COMO MEIO COMPLEXO DE INFORMAÇÃO

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Conforme Antônio Augusto dos Santos, o plantão esportivo mais antigo do Rio Grande do Sul em atividade, a primeira transmissão esportiva no rádio gaúcho aconteceu poucos meses após a experiência de Nicolau Tuma em São Paulo. O palco do espetáculo era o antigo estádio da Baixada no bairro Moinhos de Vento, que fora inaugurado em agosto de 1904, onde o Grêmio permaneceu por meio século até a inauguração do Estádio Olímpico Monumental em 1954. O adversário foi um Combinado Paranaense. O jogo terminou com vitória gremista por 3 a 1. Pela primeira vez, o microfone da Rádio Gaúcha, com o comando de Ernani Ruschel, transmitiu a partida para os seus ouvintes. O público ouvinte de Porto Alegre teve a consciência do que era um jogo de futebol transmitido de um estádio no dia 06 de novembro de 1931. A importância do fato não se justifica somente por ser a primeira transmissão esportiva, mas também por se tratar da primeira cobertura externa do rádio de Porto Alegre que se tem conhecimento. Nesse período, o rádio estava completamente envolvido com seus cantores e outras atrações que seduziam os ouvintes. A parte informativa do rádio era muito restrita para os fatos políticos, econômicos e da sociedade. Na área esportiva, o espaço era quase inexistente. Nessa época não se registravam a existência de programas informativos regulares tratando de esportes. Quem acompanhava o futebol rotineiramente era o jornal impresso. Quatro anos mais tarde, as partidas de futebol contavam com espaços em três emissoras do Rio Grande do Sul: Gaúcha, Difusora e Farroupilha.

O ano de 1938 marca a vinda para Porto Alegre de um dos maiores locutores que o Brasil já ouviu falar. Tratava-se de Oduvaldo Cozzi, o narrador lírico, que era assim chamado por sua forma mais lenta de transmitir as partidas e pela criação de frases de impacto. Cozzi assumiu a direção da Rádio Sociedade Gaúcha. Ele estava na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro e teve um forte atrito com a direção da emissora, que não queria contratar o cantor e compositor Dorival Caymmi para o seu elenco fixo. Um fato curioso ocorido nessa época, deve ser mencionado. Breno Caldas, antes de fundar a Rádio Guaíba e abalar as estruturas do espectro radiofônico de Porto Alegre, já era o sócio majoritário da Rádio Gaúcha. VAMPRÉ (1979:72) salienta a importância da vinda de Cozzi para o Rio Grande do Sul por "revolucionar o sistema de transmissões de futebol. Substituiu o estilo, até então corrente, incapaz de precisar lance por lance, implantando as bases em que, no futuro, se fundamentariam todas as reportagens esportivas." Outros nomes podem ser citados nesse período inicial do rádio futebolístico no nosso estado como os de Amaro Júnior e Rui Vergara Corrêa. Timidamente e de não forma regular, os estádios passaram a ser matéria-prima para abastecer com as informações esportivas as programações das emissoras. Eventualmente, algumas partidas possuíam transmissão, principalmente apartir de 1939, quando o futebol passou a ser profissional no estado. A primeira transmissão esportiva fora do Rio Grande do Sul data de 1944 e ficou a cargo de Farid Germano, que contou para os ouvintes gaúchos o jogo entre as Seleções do Rio Grande do Sul e São Paulo, com vitória paulista por 5 a 4.

Um fato marcante na história da radiofonia do Rio Grande do Sul aconteceu no dia 15 de maio de 1949. Além de marcante para a história do rádio, esse acontecimento deve ser registrado na história do futebol gaúcho como um todo. Neste dia, o Estádio Centenário de Montevidéu assistiu a primeira excursão de uma equipe gaúcha fora das fronteiras do Brasil. Para aumentar o feito, o Grêmio venceu a equipe uruguaia, que completava 50 anos, por 3 a 1. Os gols gremistas foram marcados por Teotônio, Geada e Alegretti. O Nacional havia marcado o seu gol por intermédio de Castro a um minuto de jogo. O Grêmio entrou em campo com Sérgio; Clarel (Alegretti) e Joni; Hugo (Danton), Adams e Alegretti (Aurélio); Teotônio, Hermes, Geada, Álvaro e Detefon. A equipe do Nacional de Montevidéu jogou com Paz; Raul Pirri e Tejera; Gambetta, Rodolfo Pini e Cruz; Castro, Walter Gomes, Atílio Garcia, J.Garcia e Orlandi. A equipe da Rádio Gaúcha, que transmitiu a partida estava representada por Cândido Norberto. No programa Sala de Redação do dia 15 de maio de 1999, que comemorou os 50 anos do fato, Cândido Norberto contou que começou a narrar esportes sem querer. A transmissão foi realizada pela Radional, um sistema telefônico parecido com o utilizado atualmente, entretanto com toda a precariedade das comunicações da década de 40. A narração foi realizada totalmente sem retorno, ou seja, sem a possibilidade de ouvir a própria voz para ter consciência de como a transmissão está chegando até os ouvintes. Completamente sozinho, Cândido tinha que transmitir 90 minutos, mais o intervalo e o encerramento da cobertura. Nesse jogo em Montevidéu, ele contou com o apoio do companheiro da imprensa escrita Adair Borges Fortes, do Correio do Povo, que fez um comentário no intervalo da partida. A vitória do Grêmio fez com que em novembro e dezembro do mesmo ano, o clube fosse convidado para excursionar pela América Central. Mais uma vez, Cândido Norberto foi com o microfone da Rádio Gaúcha trazer detalhes das nove partidas invictas do Grêmio para os ouvintes gaúchos. O rádio esportivo consolidava-se.

Um fato interessante e que ficou marcado na história do rádio pampeano foi protagonizada por Oduvaldo Cozzi. Em uma partida entre as seleções brasileira e argentina, na década de 40, com a impossibilidade de transmitir o jogo do estádio, Cozzi desapareceu por alguns dias para todos pensarem que ele havia viajado. Na verdade, ele se escondeu durante esse período e através da captação precária do som de uma outra emissora de rádio, fez a dublagem do jogo. O ouvinte que não sabia da história, podia jurar que Cozzi estava vendo o que estava falando. A prática da dublagem dos jogos foi utilizada inúmeras vezes na história do rádio esportivo, principalmente quando começou a aumentar a concorrência entre as emissoras que faziam futebol. Nesse período, meados da década de 40, as rádios Gaúcha, Difusora e Farroupilha mandavam na audiência e faziam coberturas esportivas, ainda muito distante dos moldes atuais, que possibilitam grandes espaços na programação e realizam todas as coberturas esportivas. Em 1947, o departamento de esportes da Farroupilha realizava, através do comando de Antônio Mafuz, a transmissão dos páreos de turfe diretamente do Hipódromo do Moinhos de Vento, ao lado da Baixada. Faziam parte da equipe esportiva o comentarista Aurélio Reis, os narradores Sayão Lobato e Rafaéle Merolilo e na retaguarda ficava Rui Vergara Corrêa. As transmissões de futebol começaram a ser mais freqüentes no final dos anos 40. Por mais paradoxal que seja, apesar da grande popularidade de futebol desde o seu início, as emissoras, que podiam utilizar essa tese para angariar bons patrocínios, só conseguiam apoio para os eventos de grande porte. Segundo FIORIN (1994:14), "as transmissões esportivas até 1949 foram esporádicas, e em caráter precário devido as dificuldades técnicas existentes naquela época."

No início da década de 50, o radiojornalismo esportivo passou por um momento de melhoria na parte técnica e o aumento considerável de cronistas dedicados ao esporte. Esse período marca o início de um profissional de destaque na vida do rádio esportivo do Rio Grande do Sul. O jovem Jorge Alberto Mendes Ribeiro recebeu a sua primeira oportunidade por Cândido Norberto no departamento de jornalismo da Rádio Gaúcha. Em seguida, Mendes Ribeiro passou a desempenhar a função de locutor comercial, sendo responsável pela leitura dos reclames publicitários da emissora. Como muitos dos fatos relacionados com a história do jornalismo esportivo, o início de Mendes Ribeiro aconteceu por acaso. Cândido Norberto transmitia uma partida de futebol e durante a transmissão pediu um comentário de Mendes Ribeiro sobre o que estava acontecendo. Pouco tempo depois, Mendes Ribeiro narrava a sua primeira partida e em seguida transformou-se no primeiro locutor esportivo da Rádio Gaúcha e diretor do departamento de esportes. O período marca também a contratação de Guilherme Sibemberg pela Rádio Gaúcha para narrar futebol e acabou como Diretor de esportes. Com o objetivo de conseguir a liderança, a Gaúcha decidiu utilizar o sistema de transmissões em diagonal, que já era usado pela Rádio Nacional. Dessa forma, Cândido Norberto e Guilherme Sibemberg transmitiam o jogo, com cada um cuidando metade do gramado. A Rádio Difusora respondeu introduzindo três narradores, sendo que dois deles na linha de fundo, possibilitando dessa forma, um ganho significativo da transmissão de escanteios e jogadas de área.

A Rádio Gaúcha esteve presente em todas as Copas do Mundo apartir de 1950, exceto na Suíça em 1954, quando problemas técnicos inviabilizaram a transmissão. Na Copa realizada no Brasil, onde o Uruguai conquistou o título no Maracanã, a Gaúcha transmitiu todos os lances do Mundial através da dupla de locutores Cândido Norberto e Guilherme Sibemberg. Um importante evento no histórico das transmissões esportivas fora do nosso território, foi a campanha realizada em 1956 pela Seleção Gaúcha, representando o Brasil, e que conquistou o Pan-Americano no México. Farroupilha, Gaúcha e Difusora estiveram presentes. Além das emissoras gaúchas, a Bandeirantes de São Paulo, com os narradores Édson Leite e Mário Morais acompanhar a seleção gaúcha.

3.2.1 – A emissora que nasceu para ser líder

No dia 30 de abril de 1957 é inaugurada em Porto Alegre a emissora que vinha revolucionar a audiência e o estilo de fazer rádio no Rio Grande do Sul. O diretor presidente da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Breno Caldas, criou a Rádio Guaíba. A instituição do novo veículo marcou a volta de Breno Caldas ao rádio, já que ele fora em 1938 acionista majoritário da Rádio Sociedade Gaúcha. O então diretor do jornal vespertino Folha da Tarde, Arlindo Pasqualini, assumiu o comando da emissora. Jorge Alberto Mendes Ribeiro foi contratado para ser o comandante das jornadas esportivas. Com ele, inicio um jovem repórter de campo chamado Pedro Carneiro Pereira. Na área técnica, já no ano de 1953, para montar a estrutura da emissora, foram chamados da concorrente Gaúcha o engenheiro técnico Homero Simon e seus auxiliares Alcides e José Krebs e Hélio Custódio.

Montado o esquema técnico e de equipe, a Rádio Guaíba tinha como principal diferencial uma personalidade marcante. Conforme coloca VAMPRÉ (1979:124), a programação da Guaíba consistia de "muita música, a maioria gravada, e com característica comercial sem spots e jingles. Propaganda única e exclusivamente através da própria voz dos locutores." No mesmo ano, Arnado Balvê, seu filho Frederico Arnaldo Balvê e Maurício Sirotsky Sobrinho compraram a Rádio Gaúcha e reformularam toda a programação, iniciando assim uma fase de bipolarização da concorrência radiofônica em Porto Alegre, principalmente em termos de rádio esportivo.

Em 1958, a Copa do Mundo que foi realizada na Suécia serviu para consolidar a posição destacada da Rádio Guaíba no jornalismo esportivo. Antes, nenhuma emissora fora do eixo Rio-São Paulo havia se aventurado de entrar em uma cobertura esportiva de um Mundial de Futebol. A área técnica conseguiu, através da Post Telefonie et Telegrafie de Suisse, no Centro de Comunicações de Berna, todas as condições para que o narrador esportivo Mendes Ribeiro e sua equipe tivessem meios de trazer as emoções para todos os ouvintes das partidas do campeonato de futebol. O sucesso da transmissão internacional evidenciou que era possível continuar realizando grandes coberturas esportivas. A Rádio Gaúcha também se fez presente na Copa da Suécia, com o patrocínio de Brahma Chopp. Entretanto, esteve em desvantagem com relação a cobertura da concorrente da Caldas Júnior. Quem usou o microfone da Rádio Gaúcha foi o locutor esportivo Guilherme Sibemberg, fazendo parte da equipe da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no comando de uma rede de emissoras. A primeira transmissão esportiva em uma Copa do Mundo coincidiu com a conquista do título pela Seleção Brasileira de futebol.

O narrador Armindo Antônio Ranzolin iniciou a sua carreira no Rádio Esportivo do Rio Grande do Sul no ano de 1959 na Rádio Difusora Porto-alegrense, que começou a sua trajetória estando totalmente desvinculada dos Diários e Emissoras Associadas de Assis Chateaubriand, passou a concorrer mais abertamente com as outras emissoras da capital: Gaúcha, Guaíba e Farroupilha. A Difusora abandonou o vitrolão e investiu definitivamente em broadingcasting. Ranzolin veio para Porto Alegre, da Rádio Diário da Manhã de Lajes, onde iniciou na crônica esportiva em 1952 para ser destaque no rádio gaúcho.

A Copa do Mundo de 1962 evidenciou um período de forte concorrência entre as emissoras, tanto no âmbito nacional quanto no Rio Grande do Sul. A Gaúcha mandou para a cobertura os narradores Willy Gonzer e Antônio Carlos Rezende, além do comentarista Samuel Madureira Coelho. A emissora de Breno Caldas mandou um número maior de profissionais sob o comando do narrador Mendes Ribeiro. Com ele, seguiram para o Chile, o narrador Pedro Carneiro Pereira, o jovem Lauro Quadros, Adroaldo Streck, Amir Domingues e Ataíde Ferreira. Com as equipes a postos, os problemas técnicos foram um duro adversário, que quase acabaram por inviabilizar as transmissões diretamente do Chile. Nos estádios de futebol em Santiago e Viña del Mar, as rádios Gaúcha, Guaíba e Record de São Paulo não encontraram os circuítos de comunicação, já ocupados por outras emissoras. O método utilizado para trazer as emoções do Mundial para os ouvintes do Rio Grande do Sul foi um pequeno transmissor de longo alcance chamado SSB (Single Said Band). Em termos de avanço tecnológico, esse período marca, na história do jornalismo esportivo, o início da utilização sistemática de um gravador portátil, que era chamado de "Gheloso". Ele permitiu aos repórteres a cobertura diária dos fatos dos estádios, com a possibilidade de gravar as entrevistas dos jogadores e dirigentes de uma forma de trabalhar muito semelhante àquela que é realizada atualmente. Surge com grande força a figura do setorista, que é o repórter que cobre com freqüência o mesmo clube.

A troca dos profissionais entre as emissoras de rádio também era muito comum no início da década de 60. Em 1963, o narrador Pedro Carneiro Pereira trocou a Guaíba pela Rádio Gaúcha. O titular era Antônio Carlos Rezende, com quem mais tarde se juntaria Mendes Ribeiro. Com a ida de Mendes Ribeiro para os quadros da Gaúcha, Pedro Carneiro Pereira voltou para a Rádio Guaíba, como chefe do Departamento de Esportes. Em 1969, Ruy Carlos Ostermann participou da cobertura das eliminatórias pelo microfone da Rádio Gaúcha, junto com Willy Gonzer e Antônio Carlos Rezende, mas acabou fazendo a cobertura pela Rádio Guaíba no ano seguinte.

O Mundial do México de 1970 marca um avanço tecnológico fundamental para a melhoria na qualidade das irradiações esportivas internacionais: a primeira transmissão esportiva via-Embratel. A Rádio Gaúcha foi à Copa do Mundo como aliada da Rádio Globo. A Guaíba mandou para os trabalhos o locutor esportivo Pedro Carneiro Pereira, o comentarista Ruy Carlos Ostermann e o repórter João Carlos Belmonte. A programação esportiva diária era extremamente restrita, com programas curtos ao final de cada turno do dia. No mesmo ano, acontece a contratação de Armindo Antônio Ranzolin pela Rádio Guaíba, quando ele trabalhava na direção artística da Tv Piratini.

3.2.2 – A Gaúcha dá um tempo para a bola

A Rádio Gaúcha resolve largar as transmissões esportivas em 1971. A última Jornada Esportiva foi ao ar no dia 30 de maio com a transmissão do clássico Gre-Nal, que acabou empatado em 1 a 1. Sem um patrocinador disposto a pagar 500 mil cruzeiros necessários para a cobertura dos jogos, a direção da Gaúcha preferiu fechar o departamento de esportes para não ter mais prejuízos financeiros. O fundador da RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho, falou a revista VEJA (1971:68) em sua edição do dia 02 de junho, as razões para a desistência no futebol: "Os campeonatos deixaram de ser locais para se tornarem nacionais. A movimentação das equipes de esportes onera os custos e o anunciante acaba desistindo do rádio para investir na televisão. As transmissões esportivas pelo rádio estão condenadas."

A Rádio Guaíba conseguiu manter-se em campo graças a um alto contrato com a refinaria de petróleo Ipiranga, algo em torno de 600 mil cruzeiros. A previsão pessimista de Maurício Sirotsky Sobrinho não se confirmou e mais tarde ele voltou atrás em sua decisão de não dedicar mais espaços para as transmissões esportivas no microfone da Rádio Gaúcha. Amparado pelo sucesso e a repercussão junto aos ouvintes do programa Sala de Redação criado por Cândido Norberto, em 1971, o departamento de esportes da Rádio Gaúcha voltou a ativa algum tempo depois. Celestino Valenzuela assumiu a chefia do departamento. As narrações esportivas ficaram a cargo de Samuel Souza Santos, Luis Carlos Prates e Carlos Moacir. Na reportagem, estavam Cláudio Britto, Valtair dos Santos e Ramiro Morais.

Com a morte em 1973, de Pedro Carneiro Pereira em um acidente na pista do Autódromo de Tarumã, quando competia em prova de automoblismo, Armindo Antônio Ranzolin foi o seu substituto natural na chefia de esportes da Rádio Guaíba. A Copa de 1974, disputada na Alemanha, teve a transmissão de todos os jogos e não somente os do Brasil como era feito anteriormente. As emissoras tiveram a disposição um canal 24 horas, o que possibilitou a transmissão de boletins durante a programação. Willy Gonzer, Íbsen Pinheiro e Valdomiro Morais foram os enviados da Rádio Gaúcha. Pela primeira vez, Armindo Antônio Ranzolin foi transmitir um Mundial de Futebol através do potente microfone da Rádio Guaíba. Vindo da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, Haroldo de Souza começou na Gaúcha em 1974. Willy Gonzer foi para o seu lugar em Minas Gerais.

Quase às portas da Copa do Mundo da Argentina, mais precisamente em 13 março de 1978, a Gaúcha dá uma cartada decisiva para o seu crescimento definitivo e contrata o "professor" Ruy Carlos Ostermann para fazer parte da sua equipe de esportes. Além de ser um integrante gabaritado da equipe, ele passa a ser o chefe de esportes, dando maior ênfase para o trabalho de retaguarda, com o planejamento de jornada e da cobertura do treino, entre outras tarefas realizadas para melhoria na qualidade do produto final, que nada mais é do que a programação diária e as Jornadas Esportivas da emissora. O comandante da equipe de retaguarda da Rádio Gaúcha era Félix Valente. No mesmo ano, nomes como Pedro Ernesto Denardin, Régis Höer e Roberto Brauner passaram a fazer parte da história do rádio esportivo em Porto Alegre. Íbsen Pinheiro preencheu a lacuna na Guaíba com a saída de Ruy. Outro aspecto que colaborou para o crescimento da Rádio Gaúcha foi a instalação de um transmissor de 100 kilowatts mais potente, dando maior alcance às ondas sonoras da emissora. Entretanto, a Rádio Guaíba continuava forte na área esportiva sob o comando de Armindo Antônio Ranzolin.

A década de 80 marca um período de liderança da Gaúcha e declínio da Guaíba. Após a cobertura da Copa do Mundo da Espanha, em 1982, uma forte crise financeira na Companhia Jornalística Caldas Júnior, proprietária da Rádio Guaíba e dos jornais Folha da Tarde e Correio do Povo, fez com que inúmeros profissionais mudassem de lado na concorrência bipolarizada Gaúcha-Guaíba. Nomes como Armindo Antônio Ranzolin, Antônio Augusto, João Carlos Belmonte, Lauro Quadros e Lasier Martins mudam de prefixo. Entretanto, muitos "guaíbeiros" continuavam fiéis aos estilo Guaíba de transmitir futebol, que manteve nomes como Élio Fagundes e Milton Jung. Em 1984, alguns integrantes da Rádio Gaúcha resolveram sair da emissora e apostaram em um projeto de uma emissora independente, a Rádio Sucesso. Participaram da empreitada, que não teve o êxito que o nome da emissora sugeria, Wianey Carlet, Pedro Ernesto Denardin, João Garcia e Paulo Mesquita.

Em 1992, uma nova reviravolta no espectro das equipes de esportes de Porto Alegre, principalmente na Gaúcha e na Guaíba. Depois de 19 anos transmitindo emoções pelo microfone da Rádio Gaúcha, o paranaense Haroldo de Souza vai para a Guaíba, que também traz de volta para a sua equipe o plantão de estúdio Antônio Augusto. Em 1994, o comentarista Wianey Carlet, que chefiava a equipe de esportes da emissora da Caldas Júnior, cede o seu lugar para Paulo Sérgio Pinto, e vai trabalhar na Gaúcha. Dois novos profissionais, que começavam a se destacar na Guaíba, integraram essa transação com a Gaúcha: o narrador Marco Antônio Pereira e o plantão Cléber Grabauska. Uma nova equipe esportiva independente, através da Rádio Bandeirantes, ex-Difusora, surge em 1995, com nomes como Cláudio Cabral, filho de Cid Pinheiro Cabral, João Garcia, Paulo Mesquita, Mário Lima, Marco Antônio Pereira e Antônio Augusto. No final do ano, após a decisão do Grêmio contra o Ajax do Mundial Interclubes em Tóquio, o narrador titular da Rádio Gaúcha e chefe de esportes, Armindo Antônio Ranzolin, pendura as chuteiras e reestrutura a administração da emissora. O repórter Antônio Carlos Macedo passa a ser o editor de esportes, responsável pela linha editorial do departamento. Pedro Ernesto Denardin assumiu como locutor esportivo titular e supervisor do trabalho da equipe e a coordenação de esportes da Gaúcha ficam a cargo de Cléber Grabauska. Ranzolin passa a se dedicar exclusivamente a direção geral da Rádio Gaúcha,

Quase na virada do milênio, o rádio de Porto Alegre volta a ter quatro emissoras com cobertura esportiva cotidiana. A nova integrante do mercado é a Rádio Pampa, que contrata da Rádio Guaíba, Paulo Sérgio Pinto, formando uma equipe esportiva comandada por Roberto Brauner. Com a saída de Paulo Sérgio Pinto da direção da Guaíba, quem assume é o repórter Luis Carlos Reche.

3.3 – FUNÇÕES EM UMA EQUIPE ESPORTIVA

Nos primórdios do rádio como veículo de comunicação, a programação esportiva não dispunha de espaço nas emissoras existentes. Entretanto, os empresários da comunicação descobriram na programação esportiva um forte atrativo, o grande apelo popular. Outro aspecto relevante para a ampliação do espaço para o esporte no rádio está a alta rentabilidade financeira. Serve como argumento para explicar o aumento significativo da programação esportiva, nas emissoras de rádio ao surgimento da televisão. O novo veículo, com o grande trunfo da imagem, provocou mudanças na estrutura do rádio. Grande parte dos artistas pertencentes aos elencos das emissoras de rádio se transferiram para o veículo emergente. A saída encontrada pelo rádio para continuar vivendo foi o investimento no jornalismo e por conseqüência em jornalismo esportivo. Dessa forma, o número de profissionais ligados ao rádio esportivo aumentou consideravelmente e surgiram as grandes equipes esportivas e os nomes famosos do "rádio-chuteira". As estrelas do rádio, que antes eram somente atores de radionovelas e cantores, passaram a ser também os integrantes das equipes esportivas. Atualmente, as emissoras de grande porte e que transmitem futebol, contam com equipes esportivas que possuem em média 45 profissionais, tanto atuando diretamente no microfone, na retaguarda e na parte técnica.

3.3.1 – Plantão Esportivo

O plantão esportivo é uma espécie de link com o mundo fora das fronteiras de uma jornada esportiva. Quando todos os integrantes de uma equipe de esportes, narradores, repórteres e comentaristas, estão ligados na partida que transmitem, o plantão acompanha as demais informações esportivas, buscando resultados de outras partidas de futebol pelo estado, país e mundo. Além do futebol, outros esportes como tênis, automobilismo, basquete, vôlei e futsal são alvo do faro informativo do plantão. Acontecimentos fora da cobertura esportiva muitas vezes chegam aos ouvintes através da palavra do plantão esportivo de Estúdio. Fora do âmbito de uma jornada esportiva, o plantão é responsável pelo grande arquivo estatístico do esporte em uma rádio, um tesouro informativo.

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