Plantão desportivo - Pg5

Separadores primários


PLANTÃO DESPORTIVO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL



FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
BIB 02418 - Projeto Experimental em Jornalismo I – Monografia

O PLANTÃO ESPORTIVO COMO MEIO COMPLEXO DE INFORMAÇÃO

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3.3.2 – Radioescuta

Função de apoio no trabalho de plantão esportivo. Cabe ao radioescuta promover o monitoramento de emissoras de rádio e de televisão para colher os resultados previstos no plano de escuta. Sempre antes do início dos trabalhos em uma jornada esportiva é combinado com o plantão as prioridades a serem acompanhadas. O escuta, como também pode ser chamado, é responsável pela divulgação de qualquer outra informação importante relativa ao esporte ou ao noticiário geral.

3.3.3 – Repórter

No dia a dia, o repórter executa as suas tarefas com base na escala da trabalho proposta pelo coordenador de esportes. Ele pode ser escalado para fazer algum setor (Grêmio, Internacional, Federação Gaúcha de Futebol ou possíveis adversários da dupla Gre-Nal), como pode fazer matérias gerais, enfocando qualquer assunto esportivo que necessite de cobertura. O repórter monta matérias gravadas com ilustrações de entrevistas ou faz somente um boletim sem a fala de outras pessoas, o chamado boletim seco. Outra modalidade da participação de um repórter esportivo durante a programação são os boletins ao vivo, utilizados para passar informações de última hora.

Em dias de jornadas esportivas, o trabalho do repórter começa cedo, com a participação de toda a programação que antecede o início da partida de futebol. Durante uma jornada esportiva, que sempre é transmitida ao vivo, o repórter possui uma função importante. Ele está dentro de um campo de jogo, trazendo ao ouvinte as manifestações dos personagens do espetáculo esportivo. Além disso, sua função dentro do campo de jogo é acompanhar de perto os lances da partida, trazendo maiores detalhes e tirando possíveis dúvidas surgidas em alguns lances em uma partida de futebol. É incumbência do repórter trazer todas as informações da parte externa do estádio com detalhes sobre a movimentação do público e as condições de trânsito nas proximidades do local do jogo. Depois que a bola para de rolar no gramado, os repórteres fazem o trabalho nos vestiários dos clubes, entrevistando dirigentes, técnicos e jogadores de futebol. A reportagem também pode fazer registros com os torcedores na arquibancada, já que a possibilidade de movimentação de um jornalista com o advento do microfone sem fio é muito maior do que com microfone de cabo. Nesse sentido cabe ao repórter trazer ilustrações de tudo o que o narrador apresenta para o ouvinte.

3.3.4 – Comentarista

É o indivíduo responsável pela opinião em uma equipe de esportes. Durante a programação normal, os comentaristas possuem espaços pré-determinados, de três a cinco minutos, para relatarem as suas opiniões sobre os fatos mais importantes do espectro esportivo. Além disso, os comentaristas se reúnem em programas de debates, onde as idéias são discutidas, muitas vezes de forma áspera. Na história do rádio brasileiro e principalmente do rádio gaúcho, são notórios os casos de programas de debates que descambaram para as discussões mais ríspidas e até mesmo para casos de violência física. Em uma jornada esportiva, o papel do comentarista é o da análise dos acontecimentos da partida de futebol. No intervalo do jogo e no seu final, o analista tem a possibilidade de realizar avaliações mais profundas do espetáculo, utilizando como ilustração a reprodução dos gols.

3.3.5 – Narrador

Comanda a jornada esportiva. Sua função é transmitir aos ouvintes, com toda a emoção e rapidez, os detalhes e desdobramentos de uma partida de futebol. O narrador é uma espécie de âncora, que aciona todos os participantes da cobertura esportiva.

3.3.6 – Produtor de Esportes

O produtor é um agente que controla todas as ações de um programa. Sua função é basicamente pautar as entrevistas de um programa esportivo, verificando as fontes mais indicadas para desenvolver os assuntos da atualidade. Além disso, o produtor deve relacionar todo o material gravado deixado pelos repórteres e comentaristas e observar para que o tempo das entrevistas ao vivo não seja longo. É também função de um produtor de esportes verificar o cumprimento do roteiro comercial do programa. Nesse aspecto é importante o produtor estar sempre atualizado para ter a noção do perfil do público ouvinte do programa e adequar a linguagem além das informações de interesse desse público. O trabalho do produtor muitas vezes é anônimo, mas depende muito dele o sucesso de um programa.

3.3.7 – Coordenador de esportes

Profissional responsável pela coordenação dos trabalhos em um departamento de esportes. Realiza o planejamento e a organização geral das tarefas, como o pedido de linha junto a CRT ou Embratel para a transmissão dos eventos esportivos, escala de trabalho e horário semanal dos profissionais do departamento, prepara a infra-estrutura das viagens, o controle da folha de pagamento do departamento, autorização de verbas e comunicados internos.

4 – O PLANTÃO ESPORTIVO

Enquanto a bola rola pelos gramados, o mundo gira. Por mais óbvio que isso pareça, o trabalho do plantão de estúdio é um vínculo da jornada esportiva com o restante dos acontecimentos inclusive aqueles ligados ao esporte. Enquanto narradores, comentaristas e repórteres ficam completamente ligados no jogo que estão transmitindo, o plantão esportivo, além de possuir dados estatísticos importantes sobre a atração principal da jornada, têm condições de acompanhar em cima do lance outras partidas paralelas no Brasil e no mundo. Todas as ações do esporte pelo planeta estão na mira do plantão, que não pode deixar escapar nenhum detalhe.

O ouvinte menos avisado talvez nem se dê conta do trabalho do plantão esportivo de estúdio. Muitas pessoas podem supor ser este um trabalho menor e de fácil execução: uma pessoa fica tranqüilamente acomodada no estúdio climatizado da rádio para fazer pequenas intervenções durante a transmissão. Um grande engano. O trabalho do plantão é o mais complexo durante uma Jornada Esportiva, trabalhando com números, estatísticas, detalhes e uma avalanche de material informativo. Um trabalho, que muitas vezes, não possui o mesmo destaque dos demais integrantes de uma equipe de esportes.

Quando o jogo começa, quem comanda o espetáculo é o narrador. No histórico das transmissões esportivas do rádio brasileiro, os chamados speakers foram os primeiros nomes de destaque. Com todo o poderio de utilização da linguagem, o narrador sempre encabeçou a lista de preferidos da galera. Nesse aspecto, os locutores investem na criação de expressões engraçadas e recriam todas as ações de uma partida de futebol dosando paulatinamente emoções para o público ouvinte. Se fizermos uma comparação assistindo uma partida pela televisão escutando pelo rádio, será possível verificar que a narração radiofônica tem uma carga emocional, tornando o embate entre as equipes mais atraente. Comentaristas, com suas opiniões sobre a partida de futebol, são uma forte influência opinativa para o ouvinte. A reportagem de campo traz a palavra dos artistas do espetáculo, aproximando o ouvinte aos destaques do jogo. Nesse aspecto, pode parecer que o trabalho do plantão de estúdio é meramente burocrático e que passa informações dispensáveis ao ouvinte, o que na realidade é um julgamento não justificado. O papel do plantão em uma jornada esportiva se explica basicamente pela vasta carga informativa que passa para o ouvinte mais atento.

Quando as partidas começaram a ser transmitidas dos estádios, as informações de gol de jogos disputados no interior e nos estados eram passadas aos ouvintes pelo próprio narrador durante a jornada esportiva. Uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, transcrita por SOARES (1994:48) explica como as informações chegavam até o locutor, "a forma de captação era bastante curiosa – o operador de som ouvia os jogos em seu rádio de ondas curtas e. à medida que surgiam os gols, avisava o narrador, que em seguida os anunciava." A quantidade de material coletada nesse período se comparada àquela conseguida nos dias de hoje é infinitamente menor. No máximo chegavam até os ouvintes informações dos principais clubes de cada estado, ainda sem a figura do plantão.

No histórico de desenvolvimento do trabalho do plantão esportivo de estúdio, em 1948, a Rádio Panamericana de São Paulo criou o primeiro sistema de coleta de informações sistemáticas dos resultados dos jogos em disputa. O então diretor da rádio, Paulo Machado de Carvalho, resolveu criar um diferencial contra os seus concorrentes e instituiu o processo. Segundo SOARES (1994:48) a experiência da Panamericana foi o trabalho "do primeiro Plantão Esportivo de que se tem conhecimento no Brasil." No início do processo, a figura de Narciso Vernazzi trabalhava com uma equipe de radioescutas, que buscava informações de outras partidas de futebol. O recurso que passou a ser utilizado foi o de rádio de ondas curtas, além de uma rede de informantes que possibilitavam as informações de gols da rodada com maior agilidade. Com relação aos primórdios do rádio esportivo, quando não havia a narração direta dos estádios e o trabalho de coleta de dados era basicamente o de plantão através do telefone, a utilização das ondas curtas foi um avanço e uma opção a mais para se melhorar as condições de trabalho. A instituição sistemática do trabalho de plantão esportivo possibilitou uma modernização da coleta de informação dos resultados esportivos, principalmente no final de semana.

O trabalho do plantão esportivo de estúdio é mais antigo do que a própria transmissão direta dos jogos dos estádios de futebol. Obviamente, o trabalho que era realizado antes da primeira narração de uma partida inteira por Nicolau Tuma em São Paulo em 1931, não recebia especificamente o nome de plantão esportivo e está longe de ser o trabalho que é realizado atualmente em todo o seu contexto. Como não havia a transmissão das partidas diretamente das praças de esporte, um locutor que estivesse a disposição no horário na emissora tinha a função de ler os resultados dos jogos mais significativos do domingo, o dia mais forte em termos de notícias esportivas. As informações chegavam até a emissora via telegrama. Naquela época, nem se sonhava com as tecnologias como o fax e a Internet. Outro recurso para se ter acesso as informações dos resultados dos jogos era telefonar para o estádio ou clube. Esse trabalho é realizado nos dias de hoje pelo plantão esportivo, que de dentro do estúdio consegue essas informações. Portanto, não é pretensão afirmar que a essência da função de plantão é anterior ao da narração, comentário e reportagem em uma transmissão esportiva.

Em seguida, como a experiência da Rádio Panamericana de acompanhar outros jogos da rodada deu certo, outras emissoras passaram a fazer escuta e reproduzir as informações, como se tivessem feito todo o trabalho de coleta dos dados. Enquanto a equipe da "Emissora dos Esportes", como era chamada a Panamericana, conseguia os resultados através de emissoras de ondas curtas ou com telefonemas de colaboradores em cidades distantes, as retaguardas das rádios concorrentes que transmitiam futebol, como a Tupi, a Bandeirantes e a Excelsior, copiavam os resultados. A comprovação de que o trabalho do plantão era copiado está no fato de que certa vez, o plantão da Panamericana passou um resultado errado, provocando o erro em cadeia. Todas as emissoras deram o mesmo resultado. Logo após, a Panamericana corrigiu a informação e obrigou as concorrentes a fazerem o mesmo, evidenciando uma cópia pura e simples dos dados.

Nos primórdios do rádio, o jornal era forte fonte de material informativo. A grande maioria das notícias veiculadas se originavam das páginas dos veículos impressos. Foi o período do "gilette-press", já que as notícias eram recortadas do jornal e lidas pelo locutor, sem qualquer adaptação ou redação específica para as características do rádio. Atualmente, muito da matéria-prima do que sai impresso nas páginas de nossos jornais teve passagem pela mídia falada, num evidente processo de inversão de papéis. Nesse aspecto, a avalanche de dados coletados pelo plantão entram nesse contexto. Invariavelmente, pela complexidade de coleta de informações de diversos acontecimentos esportivos de um domingo, a escuta do trabalho do plantão é aproveitada para o fechamento das informações que chegam ao leitor somente no dia seguinte.

Com relação ao trabalho de plantão esportivo, após o sucesso obtido pela equipe de retaguarda da Panamericana, outras emissoras viram-se obrigadas a estruturar uma equipe esportiva. Atualmente, todas as emissoras possuem o plantão como fonte de informações esportivas e arquivo de dados e fatos relativos ao futebol. Resumidamente, SOARES (1994:52) cita matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 29 de novembro de 1981, que comenta sobre o trabalho efetuado pelo plantão esportivo:

"O narrador abre a Jornada, anuncia a partida e pede detalhes sobre as equipes, o juíz, o estádio – e o Plantão Esportivo responde com informações minuciosas. O narrador quer saber quem é o goleador do torneio, o líder em arrecadação, a situação de todos os participantes – e o Plantão em seguida esclarece, sem deixar margem de dúvidas. Após o jogo, o narrador pergunta como fica o campeonato – e o Plantão Esportivo explica."

4.1 – O PLANTÃO ESPORTIVO NASCEU NO RIO GRANDE DO SUL

Inegavelmente, o momento mais importante de uma partida de futebol é o gol. Bola na rede é o que interessa aos torcedores. Toda a torcida presente no estádio quer ver o seu goleador estufar as redes do goleiro adversário. O gol é como um choque. Todas as pessoas ficam ligadas à espera do derradeiro momento em que a bola encontra as redes da goleira rival. Instantaneamente, recebem alta dose de emoção. O gol transforma feições de vencedores e vencidos, acalma e aumenta simultaneamente as maiores tensões. O trabalho do plantão esportivo busca resgatar toda a emoção do gol em todos os cantos do planeta. Onde exista alguma partida de futebol profissional é alvo para o plantão coletar em seu levantamento informativo.

A estruturação definitiva da figura do plantão esportivo foi esculpida no Rio Grande do Sul. O trabalho realizado por Narciso Vernazzi e sua equipe na Rádio Panamericana em 1948 foi a primeira experiência de coleta sistemática de dados de futebol. Entretanto é preciso verificar que a primeira pessoa a realizar efetivamente o trabalho de plantão esportivo, com a coleta de dados informativos e o arquivamento das informações como forma de estatística, além de instituir a figua como sendo plantão esportivo de estúdio foi realizado no início da década de 60, com Antônio Augusto na Rádio Difusora em Porto Alegre. Em entrevista concedida no dia 18 de maio de 1999, Antônio Augusto relembra que naquela época, na Rádio Difusora já existia o trabalho de escuta. Qualquer locutor que estivesse presente na emissora durante a programação, mencionava os resultados dos jogos. Portanto, não existia a figura instituída do plantão, como havia o narrador por exemplo.

O início de Antônio Augusto no rádio aconteceu por acaso, já que seu objetivo era fazer medicina. A primeira experiência no microfone foi em novembro de 1960, na Difusora. Antônio Augusto fazia um curso pré-vestibular ao lado do prédio da Difusora e conheceu algumas pessoas que trabalhavam na emissora. Naquela época, havia um repórter que fazia enquete com os ouvintes na rua. A correria do dia a dia, muitas vezes impedia o repórter de realizar a enquete. Como os prédios eram vizinhos, constantemente o repórter recorria a entrevistas com os estudantes. Muitas pessoas se esquivavam do microfone, mas Antônio Augusto participou várias vezes da enquete. Em seguida ele participou de uma promoção da Difusora, que era basicamente gravar mensagens para os parentes no interior em discos de papelão de 78 rotações. O pessoal da rádio gostou da voz de Antônio Augusto e em seguida ele já era locutor da emissora. Sua primeira tarefa foi a apresentação da "Parada Esportiva", além de fazer o serviço de escuta. Os resultados coletados ou informações esportivas eram passadas pelo locutor do horário. Posteriormente, Antônio Augusto passou a exercer também a função de setorista.

Na década de 60, a comunicação telefõnica era muito complicada. Antônio Augusto relembra que quando a Difusora transmitia as partidas de futebol era muito difícil a comunicação com o interior do Rio Grande do Sul para se conseguir os resultados. Quem muitas vezes servia de fonte de informação eram os quartéis da Brigada Militar ou postos da Rede Ferroviária. Para se conseguir os resultados esportivos na cidade de Rio Grande, na zona sul do estado, era uma grande dificuldade. Naquela época, Antônio Augusto fazia o plantão esportivo diretamente do estádio. A equipe de esportes se dirigia até Pelotas para se transmitir e Antônio Augusto ficava no gramado, ao lado do repórter, para escutar uma rádio de Rio Grande que estivesse transmitindo outro jogo do campeonato gaúcho. Esse trabalho era muito utilizado para partidas de futebol no interior do Rio Grande do Sul. Portanto, antes de ser plantão esportivo de estúdio, Antônio Augusto foi plantão esportivo no estádio.

A fixação de Antônio Augusto no estúdio se deu de uma forma curiosa. A equipe etinerante da Difusora viajava para o interior em uma camioneta dirigida por um padre. Nesse período da história da emissora ela pertencia a Igreja Católica. Certa vez, o padre, que não possuía muitas habilidades ao volante, provocou um acidente. Apartir desse momento, Antônio Augusto desistiu e viajar com a equipe, pois não queria correr riscos e acabou fixando-se no trabalho de retaguarda diretamente do estúdio. Até esse momento não existia a figura de plantão esportivo em nosso estado. Dessa forma, apartir de 1961, a história do trabalho de plantão esportivo no Rio Grande do Sul começou a ser escrita. Segundo Antônio Augusto, "eu comecei a me tornar plantão esportivo efetivamente fixo em rádio. Fui o primeiro nesse ponto em todo o Brasil, por que antes não havia um indivíduo específico para a execução do trabalho." Portanto, apartir desse momento que começou a se instituir a figura personificada do plantão esportivo nas jornadas de futebol, nos moldes muito parecidos aos que conhecemos atualmente.

Na pré-história das transmissões esportivas só existia a figura do narrador. Mais tarde, começam a surgir os primeiros comentaristas. A figura de repórter era executada pelo próprio comentarista, que ia até os vestiários para pegar as escalações das equipes. Equipe de retaguarda do esporte não existia, já que o serviço informativo geral da emissora é quem fornecia resultados esportivos nas transmissões. Mesmo que não fizesse parte da equipe de esportes, avisava aos ouvintes alguns resultados dos jogos.

Um diferencial importante no trabalho de plantão esportivo foi sistematizado por Antônio Augusto, com a apresentação de curiosidades ligadas ao futebol, sempre com base na estatística. Isso aconteceu apartir de 1967, durante a sua passagem pela Farroupilha, quando a dupla Gre-Nal começou a disputar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, popularmente chamado de Robertão, que mais tarde, apartir de 1971, viria a se chamar o Campeonato Brasileiro. O plantão relembra que apartir desse período começou a organizar o seu vasto arquivo de estatísticas de jogos de Grêmio e Internacional e da Seleção Brasileira. Antônio Augusto dispõe de todas as fichas de jogos da dupla Gre-Nal. Todo o material arrecadado foi coletado através de pesquisa no acervo dos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde e nos museus dos dois clubes. Em sua trajetória profissional, Antônio Augusto iniciou na Difusora e mais tarde foi trabalhar na Farroupilha. Em 1969, ele se transferiu para a equipe esportiva da Rádio Guaíba, a época comandada por Pedro Carneiro Pereira, ficando na emissora até o ano de 1983. Em seguida, Antônio Augusto teve uma passagem pela Rádio Gaúcha, após a crise financeira vivida pela Empresa Jornalística Caldas Júnior. No ano de 1985, ela voltou para a Guaíba. Novamente saiu e retornou em 1991, para encerrar o seu ciclo na empresa em 1994. Depois de uma passagem pela Rádio Bandeirantes, Antônio Augusto atualmente é o plantão esportivo da Rádio Pampa, que se iniciou nas transmissões esportivas no primeiro semestre de 1999. Outros nomes também executaram a função de plantão esportivo de estúdio no rádio esportivo do Rio Grande do Sul, mas não durante tanto tempo quanto Antônio Augusto. Vale destacar figuras como Érico Sauer, Jorge Estrada, Ítalo Gall, Sérgio Lima e Raul Moreau.

4.1.1 – O fenômeno da Loteria Esportiva

Como membro de retaguarda em uma equipe de esportes, o plantão esportivo durante muito tempo, foi uma função que nunca mereceu muita atenção do público ouvinte e dos próprios empresários da comunicação, que não muniam o plantão de recursos para executar da melhor maneira possível o seu trabalho. O início efetivo de destaque da função de plantão aconteceu com o estrondoso sucesso que a Loteria Esportiva fez em todo o Brasil na década de 70. Tendo como base o esporte nacional mais popular, o futebol, a Loteria Esportiva foi instituída pelo Governo Federal em 27 de maio de 1969, pelo Decreto 594. O primeiro concurso foi realizado somente em abril de 1970. Em todo o Brasil, a Loteria Esportiva foi a pioneira em matéria de loteria de prognósticos. Por ocasião do seu lançamento, as apostas eram feitas em 49 casas lotéricas nas cidades de Niterói e Rio de Janeiro. O sucesso foi tão retumbente, que inúmeras pessoas de outras regiões do país traziam os seus volantes para poderem apostar em busca de conseguir enriquecer. A implantação definitiva da Loteria Esportiva em todos os estados do território nacional aconteceu somente em outubro de 1972, quando foi realizado o concurso 109. No decorrer de sua trajetória, a Loteria Esportiva sofreu quatro alterações nas suas regras, incluindo mudanças na quantidade dos jogos em cada teste a na forma de premiação. A versão atual foi implantada em janeiro de 1994 e possui as mesmas características que a sua versão original, entretanto sem o mesmo êxito inicial.

A fase áurea do trabalho de plantão de estúdio teve como principal alavanca o sucesso da Loteria Esportiva. Em meados da década de 70, o Brasil inteiro parava no final da tarde de domingo para saber o resultado dos 13 jogos que faziam parte do teste da semana. Nesse aspecto, o rádio com a sua agilidade, possibilitava ao ouvinte instantaneamente ter acesso aos resultados dos jogos que tornariam os acertadores , novos milionários do país. Assim, o plantão esportivo era o agente que coletava os resultados e passava para os ouvintes. Muitas vezes os jogos programados para fazerem parte do concurso eram realizados em regiões longínquas, de difícil contato, o que aumentava a expectativa dos apostadores e o trabalho do plantão. Antônio Augusto relembra que na época de maior força da Loteria Esportiva no Brasil, o Rio Grande do Sul vendia de 6 a 7 milhões de cartelas por concurso. Atualmente, segundo dados da Caixa Econômica Federal, depois de sucessivas mudanças em sua forma, a Loteria Esportiva vende em média por concurso 150 mil cartões.

No período de maior importância da Loteria Esportiva, Antônio Augusto possuía uma coluna de prognósticos no jornal Correio do Povo e, mais tarde, no jornal Zero Hora, quando ele se transferiu da Caldas Júnior para a Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS). Em sua página, ele analisava os 13 jogos do concurso dando os seus palpites aos leitores, além de apresentar cada uma das equipes que tinham os seus jogos envolvidos na loteria. No rádio, em todas as emissoras que trabalhou, Antônio Augusto tinha espaço para passar dicas aos ouvintes de como apostar.

A decadência da Loteria Esportiva no Brasil teve início com uma reportagem publicada pela revista esportiva semanal Placar, em 22 de outubro de 1982, que desvendou um esquema de fabricação de resultados na loteria envolvendo 125 pessoas, inclusive, dirigentes, árbitros, técnicos e jogadores. A corrupção começava na escolha dos 13 jogos que iriam fazer parte do teste do final de semana, que eram propostos pela agência de notícias Sport Press para a Caixa Econômica Federal. Os jogos escolhidos tinham que ter pessoas diretamente ligadas à máfia da Loteria Esportiva, a fim de combinar as mudanças nos resultados. Inúmeras vezes os resultados fabricados fugiam totalmente da lógica do futebol, onde a melhor equipe geralmente vence uma equipe de pouca expressão. A queda da Loteria Esportiva não reduziu a importância da função de plantão esportivo de estúdio.

4.2 – RECURSOS USADOS NO TRABALHO DE PLANTÃO ESPORTIVO

Atualmente, o acesso a informação é mais tranqüilo. A evolução da comunicação no final do século XX chegou a um avanço tão estrondoso, que o maior trabalho nesse processo informativo é coletar os dados e fazer o posterior tratamento. A informação percorre todos os espaços e rompe qualquer fronteira, permitindo ao ouvinte ficar informado sobre tudo o que de interessante e atual ocorre no planeta. Entretanto, as notícias esportivas gravitam dispersas, como um astronauta em torno de uma atmosfera. É preciso um agente capaz de captá-las e posteriormente dar o tratamento necessário. Quem realiza essa tarefa é o plantão esportivo de estúdio, que executa a coleta de dados, com o auxílio dos escutas, e passa todo o material informativo para o ouvinte. Para se acessar aos dados, alguns recursos básicos são fundamentais. As novas tecnologias do final do milênio estão surgindo para habilitar do trabalho de plantão esportivo.

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