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Re: Rádio Mocidade de Moçambique

Dr. Nogueira,

Li o seu texto e foi um prazer.

Tinha 14 anos quando residia com os meus pais e irmãos na Polana em Lourenço Marques em 1974 e já mal me recordava desta pérolazinha da nossa experiência comum. Mas repare: em 1973, num dos momentos altos da minha de outro modo plácida vida, entrei num concurso promovido pela Rádio Mocidade, e ganhei um disco de 45 rpm. Foi um evento! pessoalmente, fui ao Liceu Salazar bater à porta para obter o meu prémio, que, para variar, era excelente e que toquei vezes sem conta. Trinta e quatro anos depois, com debandada a pontapé de Moçambique, emigração para três países, dois casamentos, um filho, sete empregos e dez mudanças de casa mais tarde, acredite ou não, ainda tenho o tal disco escondido num caixote na minha quinta ribatejana, preciosa relíquia de uma infância que o dinheiro não compraria.

Falando mais a sério, ainda sou um viciado em boa rádio, algo que infelizmente vai rareando, e gostava de referir a incrível experiência que facultou de, num liceu de uma cidade distante do tal Império, logrou facultar uma experiência excelente e se calhar única, que colocou jovens na fase de arranque da vida em posição de adquirirem experiência que os ajudou a formarem-se e a saber o que é responsabilidade - de forma provavelmente divertida.

Por isso parabéns, e bem haja.

Atenciosamente

António Botelho de Melo

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