Fado do estudante

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FADO DO ESTUDANTE



Fado do Estudante (também conhecido pelo nome "fado do Vasquinho")

Que negra sina ver-me assim
Que sorte e vil degradante
Ai que saudades eu sinto em mim
Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar cabeça ao léu
Sem me ralar vivia eu
A vadiar e tudo mais eram cantigas

Nenhuma delas me prendeu
Deixa-las eu era canja
Até ao dia que apareceu
Essa traidora de franja

Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir num bengalão e ar descarado
A malandrar com outros tais
E a dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar cantar o fado

Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa da anatomia

Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana

O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Dá gosto à gente ouvi-lo até
Na radio - telefonia

Quando é cantado e a rigor
Bem afinado e com fulgor
É belo o Fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, toda a emoção faz-nos vibrar
Eis a razão de ser Doutor e ser Fadista

O "Fado do estudante" foi interpretado pela primeira vez por Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa" de Cottinelli Telmo.

Realizado em 1933, foi o primeiro filme sonoro feito em Portugal.


Sinopse:

Vasco Leitão (Vasco Santana), vive da mesada das tias, que vivem em Trás-os-Montes, que nunca vieram à capital, e o consideram um aluno cumpridor. Ora, o Vasco prefere os retiros e os arraiais, as cantigas populares e as mulheres bonitas, em particular Alice (Beatriz Costa), uma costureira do Bairro dos Castelinhos, o que não agrada ao pai, o alfaiate Caetano (António Silva), sabendo-o crivado de dívidas...

Os azares de Vasco sucedem-se: no mesmo dia em que é reprovado no exame final de curso, recebe uma carta em que as tias lhe anunciam uma visita a Lisboa!



Actores e Técnicos:
BEATRIZ COSTA - Alice
VASCO SANTANA - Vasco
ANTÓNIO SILVA - Pai de Alice
TERESA GOMES - Tia de Vasco
SOFIA SANTOS - Tia de Vasco
MANOEL DE OLIVEIRA - Carlos

Realizador - COTTINELLI TELMO

Argumento - COTTINELLI TELMO

Fotografia - HENRY BARREYRE, OCTÁVIO BOBONE

Produtor - TOBIS PORTUGUESA, 1933

Comentários

Grandes tempos estes, com homens como Vasco Santana, António Silva, e tantos outros, interpretando personagens que marcaram a cinematografia nacional e as nossas vidas; Prova viva é a repetição de inumeras deixas e diálogos pertencentes a estes filmes, como é o caso de "A Canção de Lisboa", que se imortalizou, não só por meio das frases de "Vasco Leitão" e do "Alfaiate Caetano", mas também através deste fado, o do Estudante, (que por sinal a letra apresentada não se encontra de acordo). Fico com enorme alegria de ver esta referência aos anos 30 portugueses.

O actor Vasco Santana nunca irá morrer nos nossos corações.

Sou um grande fã do Vasco Santa!
Tambem têm a letra da musica cantanda no final do filme após o Vasco ter passado no exame quando estão todos à mesa no casamento? " Lisboa já tem agora em mim um doutor..."

Caso tenha, pode-me enviar por email ou postar aqui?

Muito obrigado

Senhoras, tão encantadoras
Tanta simpatia, quero agradecer
Senhores, se tiverem dores
Uma pneumonia, trato-os com prazer

Lisboa já tem, agora em mim um doutor
Para além de sábio, também, sou inventor
Lá estou para os ver, para os injectar, para os abrir
Para os retalhar, para os cozer, sempre a sorrir

A minha satisfação, o meu calor e prosápia
Estão nesta minha invenção, alegroterápia
Curar a valer, não é para mim conseguir
E então morrer por morrer, que seja a rir

Este mártir da ciência,
Autor de curas magníficas
Sacrificou a opulência,
Ás descobertas científicas

Até a mobília de ornatos
Pôs no prego com saudade
E empenhou os próprios fatos
Para salvar a humanidade

Ao Sousa Martins igual
Com os micróbios não se engana
É um émulo sem rival
Do doutor Câmara Pestana

Teu saber não tem preço
Podes contar com as velhotas
Pela ciência eu agradeço
Que eu preciso é das notas

A música como vou escrever agora,vai só até rir, era assim no filme:

Senhoras, tão encantadoras
Tanta simpatia, quero agradecer
Senhores, se tiverem dores
Uma pneumonia, trato-os com prazer

Lisboa já tem, agora em mim um doutor
Para além de sábio, também, sou inventor
Lá estou para os ver, para os injectar, para os abrir
Para os retalhar, para os cozer, sempre a sorrir

A minha satisfação, o meu calor e prosápia
Estão nesta minha invenção, alegroterápia
Curar a valer, não é para mim conseguir
E então morrer por morrer, que seja a rir

hino nacional e fado do estudante obrigatorio nas pre-escolas ja.


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