Audio Research D79 e Conrad Johnson MV75

Separadores primários


Audio Research D79 e Conrad Johnson MV75


Apresentação


Como se pode ver pela imagem, este amplificador é mais parecido com um aparelho de medida que com um produto hi-fi. No interior é a mesma coisa, e o circuito do D79 é o digno herdeiro do McIntosh MC275, mas muito mais complexo.

O andar de entrada é uma obra prima do analógico com o inversor de fase Van Skoyok, e 10 tríodos para fazer os andares de entrada, inversor e ataque (o que faz dele um herdeiro da escola Russa).

O Push-Pull de 6550 (equivalente americana da KT88) debita 75 watts em montagem tétrodo. As alimentações de entrada e das grelhas auxiliares são reguladas por transístores/ válvulas e são de uma precisão demoníaca (ainda uma alusão à escola Russa, e que irá influenciar os LAMM modernos).

O andar de potência é de um génio intelectual que dá vertigens ainda hoje. A saída simétrica, retorna nos cátodos das 6550 e estabiliza o amplificador em carga complexa. Este circuito exclusivo à Audio Research e nomeado "cathode coupled" é patenteado e explica a raça da escuta do aparelho, entre outras.

Muito poderia ser dito sobre este aparelho, páginas inteiras, mas o essencial está dito.



Apresentação do Conrad-Johnson MV75


Como se pode ver é totalmente o contrário começando pela estética, o Conrad é mais austero esteticamente e minimalista nas funções. No interior é a mesma coisa mas em aparência somente.

O circuito do MV75 assemelha-se a um clássico Williamson com uma ligação directa entre as duas válvulas de entrada. Mas o que faz o segredo é a optimização do circuito. É um trabalho de ourives, com uma atenção diabólica aos mínimos detalhes. A alimentação complexa e regulada a transístores do andar de entrada assegura uma tensão limpa, pura e intransigente. É o primeiro aparelho (ocidental) que reconhece o som dos componentes, e que escolhe à escuta cada um em função do lugar de trabalho e do resultado sonoro desejado.

O andar de potência utiliza as mesmas 6550 mas em configuração ultra-linear o que será a assinatura da marca, debitando os mesmos 75 watts.

A Conrad-Johnson cria um sistema de ajuste do bias (polarização) por led, fácil de utilizar e de uma grande eficiência. Os transformadores de saída, muito elaborados ao nível das bobinagens asseguram medidas muito próximas do D79.

É o digno herdeiro do Marantz 8B mas mais majestoso e ambicioso.



Vantagens do D79


A complexidade do circuito visa a Alta Definição que é o "leitmotiv" da marca. O sistema único do andar de saída assegura uma estabilidade em função da carga sem falhas. Toda a potência passa às colunas sem esforço nem perturbação.

O sistema simétrico da realimentação negativa assegura-lhe medidas de distorção inferiores aos melhores transístores da época, e em todas as frequências, o que é raro mesmo hoje.



Vantagens do MV75


Um astucioso sistema de compensação da distorção, acoplado ao sistema ultra-linear assegura-lhe medidas de distorção semelhantes ao D79, mas com uma melhor presença das harmónicas pares. O espectro harmónico é perfeito e digno dos melhores single-ended comerciais. A alimentação regulada assegura uma transparência nos picos de potência, ao nível dos melhores da actualidade.



Inconvenientes

O D79 pela sua complexidade extrema é mais frágil do que o MV75 que é de uma fiabilidade como um Catterpillar.

O D79 deve ser ajustado regularmente (tem galvanómetros para isso), e não se deve deixar os tubos morrer no circuito. O MV75 basta mudar as 6550 todos os cinco anos.



Escuta do D79


A primeira coisa que salta aos ouvidos é a precisão e a rapidez. Os contornos de nota são picados, como uma óptica da Leïca. A precisão dos músicos no espaço é de uma estabilidade exemplar. A transparência é única, e duas notas próximas em timbre são diferenciadas sem dificuldade. A pulsação e o ritmo são controlados em permanência, mas com menos facilidade (subjectiva) que o MV75. Os timbres são muito bons, mas não atingem o êxtase harmónico do Conrad. A linearidade é estupenda e pode ser utilizado como diapasão para medir os outros amplificadores neste critério.



Escuta do MV75


Serenidade, potência e majestade, tais são os elementos que nos invadem desde os primeiros segundos de escuta. O envelope harmónico é vertiginoso e entontece. É um aparelho menos demonstrativo, mas mais exigente no que diz respeito ao auditor, que o D79. Tudo passa sem esforço, sem vulgaridade e com classe. Não atinge a definição do AR, nem a precisão espacial. Em contrapartida materializa melhor o palco, e dá um verdadeiro relevo aos instrumentos. A transparência tonal é de um nível muito elevado, e só os grandes single-ended podem ir mais longe. Um monstro!



Conclusão


O D79 e o MV75 estão verdadeiramente em fase com o mito que criaram. Opostos, complementares, generosos, ambiciosos e eternos. Dois mitos imaculados.



Próximo artigo:

Comentários

Fiquei muito satisfeito em ver um texto acerca do ARC D79.
Tenho um D79 A que comprei faz uns anos. O seu primeiro dono, um perfeito apaixonado e endinheirado audiofilo do Porto, foi a N.York em 1979 propositadamente para o trazer consigo no avião, depois de haver mandado fazer uma mala de viagem à medida para este monstro de 50kg.
Conservo este lindissimo aparelho ainda hoje. Há 3 anos, enquanto funcionava, a valvula reguladora 6550 na alimentação foi-se, dando um enorme estampido, ficando sem saber se levou alguma resistencia com ela. Nos novos ARC REF600 por exemplo, vê-se logo qdo estoirou alguma resistencia porque ficam ao lado da valvula, mas neste aparelho, é dificil ver-se por ser algo acanhado, e tambem porque esta não se encontra ao lado da respectiva valvula.
Pode dar-me alguma ajuda tanto a localizar a resistencia dessa valvula 6550 (a do meio), como tambem proceder a um teste para saber se "tudo" estºa perfeito e tem as tensões adequadas. Qual a finalidade dos 3 potenciometros que se encontram no PCB da entrada?
Ficar-lhe-ia muito grato se podesse dar -me uma ajuda por forma a resolver eu proprio este problema, pois o representante é prestável, contudo glutão. Sabe como é, casas grandes, grandes contas....


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