Marantz 8B - Os Estados Unidos entram na dança

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Marantz 8B

Marantz 8B - Os Estados Unidos entram na dança


Praticamente ao mesmo tempo que o QUAD II foi comercializado, do outro lado do Atlântico nascia uma empresa que iria marcar a alta fidelidade até aos dias de hoje.

O destino desta empresa é trágico e poético ao mesmo tempo. É a história de um homem que por paixão, orgulho e espírito visionário, cria o melhor elemento hi-fi (na sua categoria) da história e abre falência por causa dele.


Mítico amplificador Marantz 8B


O aparelho que está na foto acima, é o tuner a válvulas 10B da Marantz, é o Rolls Royce absoluto dos Rádios, o TD124 da alta-frequência.

Em 1961 Saul B. Marantz o fundador da empresa, contrata Richard Sequerra (um jovem engenheiro de génio), para conceber o que é o seu sonho último, ou seja fabricar o melhor Tuner de sempre e dá-lhe meios ilimitados para atingir a meta fixada. Em 1963 o 10B sai, mas custa uma fortuna, as raras vendas não conseguem amortecer os gastos no desenvolvimento do aparelho, e em 1964 perto da falência é obrigado a vender a firma à Superscope Inc. Japonesa. Isto não tem nada a ver com a amplificação a válvulas, mas permite compreender o motivo do mito Marantz, pois o 10B nunca mais foi ultrapassado na história dos Rádios, e isto é um caso único.

Evidentemente a Marantz construía amplificadores e pré amplificadores, que tinham uma boa reputação. Um deles iria sair do vulgar e entrar na história, é o 8B.

O modelo 8 não é um aparelho mítico, é um aparelho de culto( *). Foi com o tempo e sobretudo graças aos audiófilos da escola Japonesa que o Marantz ganhou o respeito e a nobreza que possui hoje.



Apresentação


O 8B é belo para a época em que saiu, ou seja 1961. 10 anos após a saída do QUAD II o Marantz possui mais códigos estéticos de um aparelho moderno, do que os rivais Ingleses da mesma época, QUAD, Leak, Radford, etc.

O aparelho é potente (2 x 35 watts), feito com componentes de alta qualidade, e o galvanómetro integrado permite ajustar o bias com facilidade. Utiliza as pêntodos europeias EL 34 em ultra-linear, que possibilitam mais potência que os clássicos tétrodos 6L6.

O transformador de saída possui vários secundários para fazer uma realimentação selectiva, e é uma obra-prima no seu estilo.

O seu circuito é clássico, quase próximo de um williamson, como a maior parte dos aparelhos da época (e mesmo de hoje), mas é muito optimizado tecnicamente, e é sobretudo muito musical.

Infelizmente tudo isto não seria suficiente para o transformar num sucesso comercial. O mercado americano é muito claro nessa época. Os aparelhos americanos são valorizados pela potência e pelas qualidades técnicas (performance), o que dará origem à escola Americana, e os Ingleses pela qualidade da escuta.

O 8B ficará entre os dois, e o público americano vira-lhe as costas.

Um outro fenómeno irá intervir, mas veremos isso mais tarde.



Vantagens


O circuito muito trabalhado, afinado peça a peça à saída da fábrica, com pequenos condensadores para equilibrar a fase, permite uma estabilidade de fase em função da carga (colunas) muito boa. O bias é fácil de ajustar, e a utilização moderada em potência das EL34, assegura longevidade e fiabilidade ao aparelho.


Outra foto do amplificador Marantz 8B


Outra coisa que é rara neste aparelho, e uma qualidade, é o seu casamento com o pré amplificador da marca, que soa muito bem nesta associação. Esta particularidade fez do casal Marantz um sistema fácil de associar, quer seja com as colunas Inglesas ou americanas da época.



Inconvenientes


Na realidade não há nenhum, fora os fenómenos comerciais da época, a história provou que este aparelho é de uma qualidade fantástica para a altura, e que os exemplares em funcionamento são ainda robustos e de qualidade.

Todos os pontos fracos do aparelho estão ligados ao esquema, mas foram desenhados assim e de propósito para obter o som desejado, e isso não pode ser apontado como um inconveniente.



Escuta


O Marantz 8B é, simplesmente, o mais musical dos aparelhos da época clássica americana. Mas o seu som é do tipo escola Inglesa e isso irá influenciar um outro mito americano que nascerá 25 anos depois.

O 8B é de uma subtileza nos timbres fantástica. É um dos raros Push-Pull que neste critério, pode ser comparado sem vergonha a um grande Single-ended de PX25 ou 300B. O nível de detalhes nos finais de nota, na riqueza harmónica, igualam o melhor que se faz hoje. Como o QUAD II a banda não é enorme, mas é muito mais larga que este último, com um som mais aberto e atento. É o único Push-Pull que os fanáticos da escola audiófila Japonesa aceitam depois de um sistema de alto rendimento do tipo Onken, Goto ou Sato.

Não é por acaso. O 8B não é um mito como os outros que abordaremos, é um caso à parte pela influência que terá, e pelo som que restitui.



* A diferença entre objecto mítico e culto tal é definido em arte é assim: Um objecto mítico é reconhecido como obra-prima assim desde que nasce, um objecto culto é ignorado quando nasce e adquire o estatuto de obra-prima com o tempo.


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