McIntosh MC275 - Xeque-mate

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McIntosh MC275

McIntosh MC275 - Xeque-mate


Exactamente no mesmo ano que o 8B foi comercializado, ou seja em 1961, uma já estabelecida empresa americana lançava o aparelho que definiu os códigos da escola Americana, causando um choque, do qual o mundo da alta fidelidade ainda não se refez. Trata-se do McIntosh MC 275, a maior catedral jamais construída do áudio clássico.


Amplificador McIntosh MC275


Este amplificador irá eclipsar o seu concorrente directo, o Marantz 8B. Imaginem a potência de tiro de 75 Watts reais nessa época, uma distorção muito fraca, e uma estética fantástica, cromado sobre preto e McIntosh em relevo e as letras góticas.

Um mito absoluto acabava de nascer, e com ele a base filosófica da escola Americana, ou seja, potência, tecnologia e "performance".

A empresa foi fundada nos anos 40 pelo Franck McIntosh no estado do Ohio com o nome de CRE (Consulting radio engeneering). Em 1946 o Gordon Gow torna-se o seu sócio, e juntos criam o célebre circuito McIntosh "Unity coupling".

Este circuito foi optimizado entre 1946 e 1949, data em que o modelo 50-2 foi apresentado. O amplificador tinha 50 watts com um par de tétrodos 6L6 em classe B, o que será a assinatura técnica de todos os Amplificadores Mac’s que Irão surgir.



Apresentação


O McIntosh MC275 é um aparelho estéreo de 2 x 75 watts. Utilize o tétrodo de raios dirigidos KT88. Esta válvula Inglesa concebida e fabricada pela GEC, acabava de sair, e o Mac utiliza-a no máximo da sua potência, mas sem problema para a longevidade da válvula. É um dos primeiros aparelhos a utilizar diodos na alimentação em vez de válvulas, o que baixa a impedância da alimentação, e favorece a reprodução dos graves. O circuito de 5 andares é de uma grande complexidade, mas o segredo que o torna impossível de copiar, é o transformador de saída "unity coupled", bobinado pela empresa, com o fim de preservar o segredo.

O sistema "unity coupled" distribui a carga do andar de potência em cruzamento, entre os ânodos, grelhas e cátodos. Para potência igual o transformador tem duas vezes menos fio, o que possibilita subir nos agudos sem distorção. Como o sistema é cruzado no Push-Pull, a terrível "distorção de cruzamento" será anulada, ou quase. A McIntosh patenteou este circuito, que nunca foi (nem pode ser) copiado, e é uma das únicas marcas a trabalhar em classe B, nas mais altas esferas do hi-fi.

O transformador de saída é uma obra-prima com três secundários independentes. Até hoje a única empresa que foi capaz de fazer uma réplica idêntica desse transformador foi a Millerioux em França, nos anos oitenta.


Outra foto do amplificador McIntosh MC275


O MC275 é para os designers o maior circuito do áudio clássico, e um dos maiores de sempre.



Vantagens


O funcionamento em classe B permite ter um grande rendimento, e obter a maior potência possível. O aparelho tem um potenciómetro na entrada, que permite adaptar a sensibilidade ao Pré amplificador que se queira. Os contactos e comandos de lado, facilitam as operações de conexão e manipulação.

A última é a estética magnífica deste aparelho, que todos reconhecem à primeira vista.



Inconvenientes


O primeiro é relacionado com as válvulas de potência. As KT88 são utilizadas quase a fundo, se não forem de qualidade a placa vai tornar-se rubra e a válvula morre em três ou quatro meses. Este aparelho prova que em média, as válvulas modernas são muito inferiores às KT88 da década de sessenta ou setenta. Os transformadores de saída são frágeis por causa dos fios finos utilizados e muito serrados uns aos outros.


Outra foto do amplificador McIntosh MC275


Desde que uma válvula de potência entre em oscilação, esses fios podem fazer faísca, queimando-se e matando o aparelho.

A fiabilidade do aparelho é média, pois os circuitos complexos aumentam as possibilidades de avaria, mesmo que os componentes sejam da mais alta qualidade, como é o caso aqui. É por isso que um MC275 em segunda mão é sempre um risco.



Escuta


O MC275 não soa como nenhum outro aparelho, mesmo da marca. É um som poderoso, com uma banda muito larga e graves profundos. O palco é "cinemascope" como dizem os Americanos para classificar as dimensões muito largas da imagem estéreo. Os agudos são bons, mas não tão finos como os do 8B ou dos Radford STA25.

A dinâmica é explosiva, aberta, com um sentido do ritmo constante. A dinâmica fina é menos subtil que nos aparelhos citados. Os timbres são bons, mas muito inferiores a um Marantz 8B ou mesmo aos do QUAD II.

Finalmente o MC275 é o modelo do som Americano, ou seja, a vida, a dinâmica e a abertura e mesmo a majestosidade.


Outra foto do amplificador McIntosh MC275


A subtileza, os timbres finos e a elegância da reprodução, não são o seu domínio predilecto. Mas os aparelhos Americanos clássicos como o MC275 ou o Harman Kardon Citation II, casados com colunas Inglesas clássicas, como as Tannoy ou Kef é uma experiência audiófila a viver ao menos uma vez.



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