LINN LP 12 - A vingança inglesa

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O LINN LP 12 - A vingança inglesa


Foto do LINN LP12


O LINN LP12 é um caso único de longevidade e controvérsia no mundo do áudio. A questão legítima que muitos se colocam (legítima quando um produto é tão célebre), é a seguinte. O LP12 é realmente um grande gira-discos?

A resposta é sim, mas (porque há um mas), o LINN não é tão bom quanto os seus adoradores pretendem, nem tão mau como o que os seus críticos dizem.

Esta resposta ambivalente será explicada através da análise que se seguirá.

Um último ponto, a LINN é regularmente criticada por ter feito um marketing intenso e genial. Não é completamente verdade! A marca foi recuperada desde a nascença pelos jornalistas como sendo um fenómeno, e talvez contra a sua vontade. Foram as revistas inglesas que fizeram o marketing da LINN e não a firma de Glasgow. Mais tarde a empresa vai navegar sobre esse sucesso, mas não podemos criticá-los de aproveitar as oportunidades.


Razões do sucesso


Panorama: Estamos no princípio dos anos setenta. Já há mais de dez anos que os gira-discos britânicos, não brilham no panorama áudio internacional.

O Garrard 401 ainda é produzido, mas o acolhimento do público é mau. O Transcriptor aparece nos filmes do Stanley Kubrick (Laranja mecânica), mas não consegue vingar na exportação, nem mesmo no país.

Os jornalistas ingleses têm necessidade de uma Musa, uma máquina que possam defender contra tudo o que existe e recuperar assim, uma parte do orgulho perdido. Querem um produto novo, original, diferente de tudo o que existe, o LP 12 à nascença vai ser eleito a Musa.

Como é possível que um produto que é a cópia da cópia seja considerado como original?

O LP 12 tem uma qualidade muito inglesa e que depois do G301, nenhum aparelho do reino de sua majestade tinha possuído: a radicalidade. O LINN LP 12 não tem nada, mas o pouco que tem é muito bom!


O LINN LP 12 - Apresentação


O LP 12 é uma cópia quase idêntica do Ariston RD 11, que era fabricado também pela Castle Précision Engineering, sendo que este último era uma cópia melhorada do Thorens TD 150.

O que diferencia a LINN do resto? TUDO e nada!

O LP 12 é um aparelho estranho, só tem um interruptor à esquerda, só tem uma velocidade e chega! (é isto a radicalidade). Mas na realidade ele é muito mais que isso. O eixo (inspirado no TD 125 e idêntico ao segundo RD 11) é de uma qualidade (nos primeiros fabricados) fantástica. Os primeiros eixos possuem um sistema original de micro sulco gravado em espiral que faz subir o óleo fino e o espalha por toda a superfície. O eixo acaba quase como uma ponta o que reduz a fricção e o barulho de rotação. A contraplaca suspendida é nervurada e em aço de qualidade, rígida e neutra. A base é em cedro inglês de grande resistência. E o motor síncrono de 12 pólos é um dos melhores da época. O prato em duas partes é em Zamac e equilibrado com precisão.

Na realidade o que faz a diferença num Linn LP 12 não é nem a forma nem a tecnologia, mas o fabrico e a qualidade em geral das peças.


Vantagens


Como todos os gira-discos a suspensão (contraplaca suspendida neste caso) o rumble é muito pequeno. Graças às suas molas especiais e à fixação destas com as peças móveis, o rumble do LP 12 atinge um prodigioso -73 dB.

O LP 12 foi desde sempre um trabalho na continuidade « work in progress ». Os clientes sabem que a marca irá fazer melhoramentos para o gira-discos "tweeks", e depois é só adaptar em qualquer um dos LINN o kit.

O LP 12 pode evoluir pelas fontes de alimentação internas ou externas, mudança da contraplaca, das peças da suspensão, do braço, etc. Muitos Kit’s de evolução vão ser feitos para este gira-discos.

O facto de a marca de Glasgow ter criado braços específicos para o LP 12 (fabricados pela Gelco no Japão) é uma ideia muito boa.


Inconvenientes


A LINN copiou o bom e o mau (é sempre assim quando se copia!). A sustentação da contraplaca por molas, cria um movimento irregular e caótico (como um doce de gelatina) que perturba a leitura lateral da célula e às vezes modifica num curto instante a força de apoio da célula.

O suporte de braço fixado ao meio, cria ressonâncias difusas entre o braço e a ponta (é por isso que a LINN utiliza braços pesados e com tubos espessos).

Sem regulação electrónica, a estabilização da velocidade (wow and flutter) não é muito melhor que o do TD150.

Enfim para terminar, a ideia de fazer evoluir em permanência o gira-discos, não agradou a muitos clientes que viram aí uma receita para fazer dinheiro. E este é, na minha opinião, o mais desagradável dos inconvenientes do LP 12.


Escuta


O LINN LP 12 original tem um som diferente do actual, é mais doce, quente no baixo-médio e próxima (próxima, não igual…) nos contornos das notas do G301 com um braço de 12 polegadas.

O LP 12 marca sempre o som (talvez em excesso…), nisto os mais recentes são melhores. Mas um velho LP 12, com um braço ITTOK e uma célula DL 103, é de uma doçura no médio e de fineza nos agudos tal que é uma experiência a viver pelos audiófilos.

Mas o gira-discos é constantemente desequilibrado para baixo (muita matéria) e o som tem tendência a ser pesado. A escolha da célula e do phono são primordiais neste gira-discos.



Nota final

Com quase nada escrevi muito. É isto o paradoxo e talvez a razão do sucesso do LINN LP 12.



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