VERDIER - Um homem, um gira-discos

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VERDIER - Um homem, um gira-discos, um mito



Foto do Verdier


Fim dos anos 70. Quase todas as marcas célebres já existem. Durante a década os japoneses fizeram muitos gira-discos de qualidade, essencialmente em motricidade directa (direct drive), alguns de muito grande qualidade como os Denon, Technics e sobretudo Micro Seiki. Mas essa tecnologia tem grandes inconvenientes, o que explica que os ocidentais não se interessarão muito em prosseguir as tentativas de usar esta tecnologia.

A EMT irá usá-la ao nível profissional, e a Goldmund ao nível doméstico.

Aproveito para lembrar que a motricidade directa é uma licença que pertence à Thorens desde os anos 30. Na realidade os Gira-discos Japoneses dos anos setenta não conseguem, em todos os critérios confundidos, dar melhores resultados que os TD125, LINN e outros actores de qualidade do momento.

Mas algumas ideias são geniais e vão ser a pouco a pouco recuperadas e utilizadas nos gira-discos ocidentais.

Em França praticamente não existe nessa época nenhum fabricante de gira-discos. No passado existiu a ERA e a Bordereau, que eram monstros pesados profissionais (concorrentes da EMT e talvez melhores), mas fora isso mais nada. Mas graças à Bordereau, a França têm grandes especialistas na concepção como o P. Lurné que é o pai dos braços e gira-discos da Goldmund.

A Goldmund era no início uma marca francesa que se chamava SFA (science et physique apliqué) sediada em Lyon. Depois partiram para a Suíça perto da fronteira para credibilizar os produtos.

Mas a França têm uma vantagem muito grande nessa época, que é ter a revista L’Audiophile. Graças a um homem que têm a dupla nacionalidade Japonês/Francês que é J. Hiraga, os franceses conhecem os trabalhos da escola audiófila japonesa ( os pais da alta-fidelidade sem compromisso, é preciso um dia falar nisto…). Rapidamente a ideia de construir aparelhos sem nenhum compromisso aparece no seio da revista, e para os gira-discos é o P.Lurné e o J.C.Verdier que vão desenvolver o assunto.

O Lurné vai fazer o célebre MINIMUM, um equipamento pesado de 40Kg, e o Verdier vai começar a analisar todos os gira-discos existentes com o objectivo de conceber a sua obra-prima que o público vai baptizar (La platine VERDIER), ou seja, o gira-discos do VERDIER, nome que este têm ainda hoje.

É este aparelho (o mais copiado dos giras pesados, sobretudo na Alemanha…) que vamos analisar.


O gira-discos VERDIER - Apresentação


Como se disse, o VERDIER analisou a integridade dos gira-discos da época e decidiu fazer um protótipo que não comportaria nenhum dos defeitos encontrados.

Em 1997 o aparelho está acabado, a revolução dos gira-discos pesados está em marcha. Com o objectivo de perceber toda a engenharia e génio deste gira-discos e a revolução intelectual que ele representa vamos analisá-lo por etapas.


  • O prato

  • Quase todos os pratos da época são escavados e moldados por uma questão de custo e de repetição das tolerâncias de fabrico, o inconveniente é que têm uma frequência de ressonância alta, e fazem barulho como um sino quando se bate em cima.

    Verdier vai fazer um prato maciço em duraluminio duro), de 300mm x 60mm, inerte e de 23Kg.


  • O eixo

  • Com um prato tão pesado um eixo descendente vai criar muita pressão sobre a esfera em volfrâmio, e fazer dançar (efeito de pião) o alto do prato (força centrífuga) pois o centro de gravidade é mais alto que a esfera.

    Verdier vai fazer ao contrário, o eixo é fixado no corpo do gira (invertido), e a chumaceira vai ser torneada no prato directamente. A esfera fica em cima, o centro de gravidade é muito mais abaixo. Genial! É o princípio do giroscópio.


  • A repulsão magnética

  • Mesmo em invertendo o eixo, a pressão na esfera é muito importante e provoca rumble. Vai colocar dois ímanes de 180mm (um no prato e outro no corpo do gira-discos) blindados e equilibrados, em oposição de fase (em repulsão de 17KG), que vão ajudar a sustentar o prato e que fazem com que a esfera aguente virtualmente um peso de 6Kg. Magnífico, o rumble desaparece e a força centrífuga mantém-se. Nenhuma fuga magnética para perturbar as células.


  • O corpo

  • Feito em pedra, mármore, compósito ou basalto negro do Zimbabué, e suspendido por três molas potentes. A suspensão equilibra-se por cima com três parafusos para nivelar. Isto faz do VERDIER um gira-discos pesado, mas que é também um placa suspendida, visto ter uma verdadeira suspensão.


  • O motor

  • Para evitar que as vibrações do motor possam subir até ao prato, o motor é separado num corpo em fonte de ferro, com a electrónica de regulação. Um motor síncrono de 24 pólos de grande precisão, com uma polia muito pequena em bronze a sulco picado para melhor agarrar o fio sem escorregar.


  • A correia

  • Para que o efeito filtrante da correia seja máximo, é preciso que ela seja longa. Ora uma correia em borracha longa é muito elástica e cria efeitos de micro puxão importantes. Vai substituir a correia por um fio de algodão, do tipo que se mete nos rodízios do forno. Isto possibilita colocar o bloco motor longe (de 1 até 1,5 metros), obtendo um efeito filtrante único. O fio move o prato pela periferia para obter um efeito desmultiplicador máximo em relação à polia do motor.


  • O suporte de braço


  • Detalhe do Verdier


    Feito num bloco de pedra (que será a mesma da base), ou em Dural, está fixado ao corpo por um parafuso de grande diâmetro. Três braços podem ser montados no gira-discos. A rigidez do suporte de braço é fabulosa.


Evoluções actuais



Outro detalhe do Verdier


As únicas coisas que evoluiriam são o motor e a chumaceira. Hoje o motor é minúsculo e a corrente contínua. É um modelo de eixo em titânio para utilização nos mísseis. A chumaceira é agora em Zamac (o que permite tolerâncias mais pequenas ) e não em bronze, sem lubrificação.


Vantagens


Este gira-discos foi concebido num espírito sem limite. O prato muito pesado e artificialmente aliviado, as tolerâncias e os materiais, dignos dos helicópteros militares, e a lógica geral fazem deste gira discos um dos melhores do mundo em medidas de laboratório. É uma besta fantástica!


Inconvenientes


O peso e a envergadura do objecto, obrigam a possuir móveis especiais. Fora isto não se pode dizer mais nada. (procurei mas não encontrei).


Escuta


A sensação que mais nos marca à escuta deste aparelho é o natural. Da nota mais forte de uma orquestra sinfónica, ao murmúrio mais suave, tudo passa com uma facilidade única. O equilíbrio geral só é limitado pelo braço e ou a célula. A banda é enorme e nos dois sentidos, ou seja baixo/cima. É um gira-discos que é capaz de tudo (ou quase) na condição que o braço e a célula consigam segui-lo.

Uma jóia rara



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