Sábado, 2006-05-13 19:25 — aminharadio
LISBOA ANTIGA
Poema: José Galhardo e Amadeu do Vale
Música: Raul Portela
Primeira Gravação: 1952
Lisboa, velha cidade,
Cheia de encanto e beleza,
Sempre a sorrir, tão formosa,
E no vestir, sempre airosa.
O branco véu da saudade,
Cobre o teu rosto linda princesa.
Olhai, senhores,
Esta Lisboa d’outras eras,
Dos cinco réis, das esperas,
E das toiradas, reais.
Das festas,
Das seculares procissões,
Dos populares pregões matinais,
Que já não voltam mais.
Comentários
Re: Lisboa antiga
Gostaria de saber o significado de "das esperas" da parte da letra.
"Esta Lisboa d’outras eras,
Dos cinco réis, das esperas,
E das toiradas, reais."
Obrigado.
Paulo
Re: Lisboa antiga
"Das esperas" dos touros. A tradição das "esperas" remonta ao século XIX, com a abertura da Praça do Campo de Santana (Mártires da Pátria). Os touros entravam em Lisboa pela Calçada de Carriche, seguiam depois pela antiga Estrada do Lumiar até ao Campo Grande, passavam pelo Campo Pequeno (ainda sem praça de touros) e percorriam a Estrada do Arco Cego até Arroios, para subirem de Santa Bárbara ao Paço da Rainha e chegarem ao destino. Pelo caminho, "esperavam-se os touros". Outro percurso estava relacionado com a partida do gado do Tourel (junto ao actual jardim no topo do Campo dos Mártires da Pátria) e, depois, do Mercado (em Entrecampos), para o Matadouro Geral, que ficava em Picoas-Saldanha.
Está tudo ligado a modos de vida profundamente reaccionários, nem sequer caracterÃsticos da "Lisboa antiga" -- antes a manifestações de uma certa fidalguia que pretendia manter os privilégios feudais. As "esperas" originais, por exemplo, tiveram origem nas touradas patrocinadas por D. Miguel, que cedia os touros da ganadaria pessoal à s corridas na praça do Campo de Santana.
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