É preciso que justiça seja feita à principal raiz desta frondosa árvore que é hoje a Rádio Clube Paranaense nos seus quase 80 anos de existência. Essa raiz chama-se Lívio Gomes Moreira, um médico e chefe do Departamento de Correios e Telégrafos em Curitiba, decano dos radioamadores no Paraná e pesquisador de assuntos relacionados com a comunicação.
Já em 1909, quando ainda ninguém se preocupava com o rádio no Brasil, Lívio já fazia as suas primeiras experiências com a transmissão de sinais sem auxílio de fios. E isto acontecia em Curitiba.
É difícil encontrar na bibliografia, citação do estado do Paraná no pioneirismo de rádio, junto com outros estados.
No remoto ano de 1924, um grupo de homens tinha por hábito reunir-se no sotão da residência de João Alfredo Silva, para ouvir a radiogalena. Era um Clube de Amigos que ouvia numa das suas muitas reuniões, um concerto, transmitido da residência de Lívio Gomes Moreira. Foi numa dessas "reuniões de audição de galena" que alguém lançou a idéia de fundar uma emissora de rádio.
Logo em seguida nascia a primeira emissora de rádio no Paraná.
A Rádio Clube Paranaense foi para o ar pela primeira vez às 11 horas da manhã do dia 27 de junho de 1924. O facto aconteceu na residência do ervateiro Francisco Fido Fontana (1884-1947), homem de grandes posses.
A Mansão das Rosas, como era conhecida a residência do ervateiro, ficava na Avenida João Gualberto. Aliás, ela ainda está lá.
Na reunião de fundação oficial da Rádio Clube estavam presentes curitibanos de visão como, Lívio Gomes Moreira, João Alfredo Silva e Oscar Joseph de Plácido e Silva (seu irmão), Moreira Garcês, Ludovico Joubert, Euclides Requião, Bertoldo Hauer, Gabriel Leão da Veiga, Alberico Xavier de Miranda e Olavo Bório.
A primeira directoria, escolhida no memorável 27 de junho de
1924, ficou assim constituída:
Presidente – Francisco Fido Fontana;
Direcção Técnica – Lívio Gomes Moreira;
Secretário – João Alfredo Silva.
Na edição do dia 27 de junho daquele ano, o jornal de Curitiba Gazeta do Povo, na sua quinta página, publicava o primeiro registo da história do rádio no Paraná. A notícia foi redigida por Acir Guimarães:
"Por iniciativa de diversos amadores fundou-se hoje nesta Capital uma sociedade denominada Rádio Club Paranaense, com o fim de difundir pela telephonia sem fio, concertos musicaes, palestras instructivas, centros para creanças, músicas e notícias de interesse geral".
Nascia, assim, oficialmente a terceira emissora de rádio no Brasil. As primeiras transmissões aconteceram da residência de Lívio Gomes Moreira. O primeiro transmissor tinha a potência de apenas 3 watts na antena. Nesse primeiro momento a Rádio Clube funcionava somente das 8h30 às 9h30 nas quartas e sextas-feiras. Aos domingos a transmissão acontecia das 14h às 15h. A programação era basicamente de música clássica.
Uma curiosidade: quando a Rádio Clube foi fundada, Curitiba tinha apenas 70 mil habitantes, com hábitos de cidade tranqüila. Poucas eram as pessoas que possuíam aparelhos de rádio.
No início, a Rádio Clube Paranaense não possuía uma sede e estúdios fixos. Como a directoria do clube mudava de tempos em tempos com novas eleições, era praxe e mais cômodo que cada director levasse os equipamentos para a sua residência, de onde a emissora passava a funcionar.
As primeiras transmissões foram realizadas da casa de Lívio Gomes Moreira, até 1925. No ano seguinte, a sede foi para o Clube Curitibano, na época funcionando na Barão do Rio Branco, esquina com a rua XV de Novembro. O prédio ainda está lá. Por volta de 1928 a rádio funcionou na residência de Pedro Lapallu, esquina da Marechal Deodoro com Mons. Celso. Em seguida foi para a rua Saldanha Marinho, na casa de Oscar Peixoto. No início dos anos 30 foi para o Belvedere do Alto São Francisco (hoje União Cívica Feminina). Foi ali que a Rádio Clube recebeu o seu primeiro prefixo: PRAN, com uma potência estimada em 500 watts. Em 1935, ainda funcionando no Alto São Francisco, a Clube recebeu o seu prefixo definitivo e que ficaria famoso em todo o Brasil: PRB2. Pelo facto de nunca ter saído do ar, manteve o seu prefixo até hoje. Para a população ficou o B2.
Do Belvedere do Alto São Francisco, a Clube voltou para a rua Barão do Rio Branco, nº 139, agora entre as ruas Marechal Deodoro e José Loureiro. Ali a emissora viveu o apogeu da época de ouro do rádio brasileiro, nas décadas de 40 e 50. Da rua Barão do Rio Branco, no final da década de 60 (em torno de 1968), a Clube foi para a rua Westphalen onde ficou alguns anos. Nesse período viveu o seu tempo mais triste desses quase 80 anos de história. Em 1973 passou para o edifício D. Manoel da Silveira D'Elboux, na rua Dr. Murici, onde funcionou aproximadamente 19 anos. Desde 1993, a Rádio Clube Paranaense está a ocupar amplas instalações na rua Rockfeller, 1311, no bairro Rebouças.
A Rádio Clube Paranaense nessas quase oito décadas, passou por diversos donos. Até 1934, os integrantes do grupo de fundadores alternavam-se periodicamente na direcção da emissora. Em seguida quem esteve à frente da Clube foi Francisco Severiano Justi que em poucos meses venderia a rádio para empresários liderados por Epaminondas Santos. Foi o accionista maioritário durante duas décadas, passando depois para o seu filho Ruy Santos que por sua vez, em meados da década de 60 negociou com o grupo liderado por Luiz Gonzaga de Freitas. Em 1968 o grupo João Mansur/Willi Mussi/Adonis Bufrem comprou a emissora. Não se manteve por muito tempo. Em 1969, um outro grupo tendo à frente o engenheiro Munir Guérios assumiu a Clube, transferindo posteriormente para Erwin Bonkoski. Com grandes dificuldades Bonkoski manteve a rádio. Em junho de 1973 a Cúria Metropolitana de Curitiba e o seu arcebispo D. Pedro Fedalto, adquire a emissora. Após 19 anos, novas dificuldades obrigam a arquidiocese, no final de 1992, a passar os direitos da Rádio Clube Paranaense para os Irmãos Maristas tendo à frente o Ir. Clemente Ivo Juliatto, época em que foi transferida para a nova sede, no Rebouças.
Desde que foi fundada, em 1924, a Clube foi a única emissora de Curitiba durante mais de duas décadas. Somente a partir de 1946 é que começam a aparecer outras emissoras.
No início, a Rádio Clube Paranaense transmitia a programação somente através de Ondas Médias (na época eram chamadas Ondas Longas). Só mais tarde, lá pela década de 40, segundo Ubiratan Lustosa (trabalhou na Clube durante 25 anos) é que foram adquiridas as Ondas Curtas de 49 e 25 metros. A Onda Curta de 31 metros foi adquirida no final da década de 50 início de 60.
Além dos fundadores, já citados anteriormente, muitos outros nomes expressivos fizeram parte da Rádio Clube Paranaense ao longo da sua história.
Na década de 30 os directores Francisco Severiano Justi, Arno Feliciano de Castilho e Cid Ferreira da Luz representaram um momento marcante na Clube, pois com eles começou uma melhor organização da emissora, implantando a fase comercial da Rádio Clube.
Epaminondas Santos, outro grande nome que marcou época. Era Presidente da Associação Comercial do Paraná. Homem de grande visão comercial, foi comprando as quotas dos outros sócios, tornando-se um dos principais accionistas da rádio. Foi quem dinamizou a emissora.
Uma infinidade de pessoas fizeram parte da história da Rádio Clube Paranaense. Entre os locutores e apresentadores de programas está Jacinto Cunha que consta como primeiro locutor da Rádio Clube e também o primeiro do Paraná. Mais tarde, em 1957, tornou-se gerente da emissora.Lorenz de Souza, Wilson Martins (mais tarde grande escritor paranaense), Mário Vendramel, Eolo César de Oliveira, Botelho de Souza, Carlos Batista, Yone Peixoto.
Artur de Souza é outro nome expressivo que fez história na Clube. Trabalhou em rádio durante 45 anos. Destes, 25 anos foram dedicados à Rádio Clube. Começou em 1943, vindo de Ponta Grossa, quando eram donos Natálio e Epaminondas Santos. Artur de Souza actuou sempre como locutor, criando e impondo-se com o seu estilo pessoal. Já em 1946 criou o seu próprio programa, o “Revista Matinal”, sucesso durante longos anos, revolucionando os hábitos curitibanos.
Outro nome marcante da Clube foi Ubiratan William Lustosa que também trabalhou durante 25 anos na emissora. Começou em 1957, como locutor. Com duas interrupções, permaneceu até 1990. Descoberto por Mário Vendramel e Sérgio Fraga, foi apresentador de programas de auditório, redactor e director artístico. Mais tarde tornou-se superintendente, deixando a emissora em 1990. Junto com Mário Vendramel fez os programas de auditório denominados “Calouros B2”, “Carrossel de Atracções”. Outros programas seus eram “Ciranda Infantil” e Festival na Antena”.
A Clube revelou também muitos nomes para o Brasil. Entre eles estão Haroldo de Andrade, que depois foi para a Rádio Globo. Nei Costa, famoso locutor desportivo que fez a primeira transmissão de futebol internacional pela Clube na década de 60, mais tarde contratado pela Tupi e Bandeirantes. Ainda, Adelson Santos, Leoni Ferreira que depois passou para a Rádio Nacional. Muitos artistas fizeram os seus nomes através da rádio. Odelair Rodrigues, Ari Fontoura, por exemplo, são actores que começaram fazendo radioteatro na Clube.
A Rádio Clube, na expressão de Ubiratan Lustosa, “é uma rádio legitimamente paranaense, nasceu do coração e da vontade do paranaense, do idealismo e da paixão de um grupo de pessoas que desejavam expandir a comunicação e queriam comunicar-se. Um historiador do quilate de Romário Martins, fez inúmeras palestras através da Rádio Clube”.
Com a popularização do rádio, já na década de 40, e a sua comercialização, aos poucos os programas, que no início eram apenas culturais e para a elite, foram se transformando, atendendo mais às massas.
Em termos de programação, Ubiratan Lustosa no seu artigo Do Concerto da Viúva Alegre nasce a PRB2, escrito em 1966, afirma que "a primeira radiofonização do radioteatro no Brasil, foi realizada pela Rádio Clube Paranaense. A peça levada ao ar foi A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas. O primeiro conjunto vocal a cantar na B2 chamava-se Os Garotos do Microfone, composto por académicos de várias faculdades, que inclusive pagavam para cantar na emissora. A primeira publicidade ouvida em Curitiba foi de Loção Brilhante, na B2."
Desde a sua fundação, em 1924, a Clube já tinha apresentações ao vivo, com os voluntários que iam até ao estúdio cantar. Mas foi no início da década de 40 que os programas de auditório, nos moldes que se conhece, passaram a existir na Rádio Clube.
Sempre a acompanhar a evolução do rádio, a B2 também reinou, ao lado da Rádio Nacional, nos anos 40 e 50, décadas áureas da radiodifusão brasileira. Tempo das novelas, dos programas de auditório, das apresentações de orquestras, da produção de atracções variadas, incluindo o humor e o radiojornalismo.
Um dos programas que marcou a época no rádio curitibano e paranaense foi “Revista Matinal”, criado e apresentado por Artur de Souza. Permaneceu no ar durante quase três décadas. Começou em 1946. Nesse tempo, os programas de rádio iam para o ar apartir das 9 horas da manhã. Artur de Souza ao criar a “Revista Matinal”, resolveu ousar e estabeleceu que o programa começaria às 8 horas. Uma hora mais cedo, portanto. Os anunciantes o tacharam de louco: “Quem é que vai ouvir rádio a esta hora da manhã?” Finalmente, convenceu alguns amigos patrocinadores e o programa foi para o ar às 8 horas da manhã. Artur de Souza passou a comprar o horário da Rádio Clube. O programa tinha uma hora de duração. A audiência foi total. A repercussão foi tão grande que precisou ampliar o horário para duas horas. Passou, então a entrar no ar mais cedo ainda: às 7 horas da manhã. Estava aí cravado o pioneirismo informativo da Rádio Clube Paranaense. O sucesso do programa “Revista Matinal” foi tão grande que ele permaneceu no ar durante 29 anos.
A Rádio Clube foi sempre muito popular em toda a sua história. Nas décadas de 40 e 50, os programas de auditório estavam sempre superlotados. Aliás, nessa época a emissora mergulhava num período de grande audiência, realizando uma programação variada, como o “Expresso das Quintas”, divertido programa de auditório, apresentado e produzido por Mário Vendramel e Sérgio Fraga; “Salve o Rádio”, criado por Ubiratan Lustosa; “Repórter Real”, notícias do país e do exterior; “Grande Jornal Última Hora”, noticiário exclusivo de factos paranaenses; e o programa infantil “Aventuras de Viquinho e Malteminha”.
A B2 tinha vários cantores e cantoras contratados, conjuntos vocais. Pertencia também à rádio o Conjunto Regional, famoso na época e com bons músicos, além, é claro, do radioteatro, com artistas da própria emissora, que fez época no rádio paranaense e curitibano.
Na época de ouro do rádio, a B2, além de valorizar os artistas musicais da “casa”, trouxe para Curitiba outros artistas de fora, de renome nacional e internacional como, Orlando Silva, Ataulfo Alves, Pedro Vargas, Dalva de Oliveira, Gregorio Barrios, Nuno Roland, Tito Schippa, Carlos Galhardo, Vicente Celestino.A Rádio Nacional do Rio era o grande sucesso no Brasil. Era ela que tinha os artistas famosos. Os curitibanos ouviam os cantores famosos mas não os conheciam. Quando a Clube trazia um desses cantores, movimentava a população que queria ver com os próprios olhos os ídolos que apenas ouviam através do rádio. Quase todo final de semana, na época, a Rádio Clube promovia a vinda de um artista famoso do eixo Rio-São Paulo, lotando os 700 lugares do auditório que ficava na rua Barão do Rio Branco, nº 139.
Ubiratan Lustosa observa que “a Rádio Clube prestou uma grande contribuição cultural ao Paraná e Curitiba, além de inúmeras oportunidades para artistas da terra que depois se evidenciaram no cenário artístico. Além de tudo, a Clube tem sido uma extraordinária escola que projectou comunicadores de renome e políticos experimentados”.
No início dos anos 60, com o surgimento da televisão em Curitiba que se somou a outros factores, os programas de auditório, que tantas alegrias e horas de lazer haviam proporcionado ao público, passaram para segundo plano. Em 1968, a Clube foi vendida e os novos donos, vindos da Rádio Independência, entenderam que era desnecessário o programa de auditório. Assim, no ano seguinte, os equipamentos do grande auditório foram vendidos e tudo terminou. Na opinião de Ubiratan Lustosa, foi um erro de estratégia muito grande, além de se perder um monumento histórico do rádio paranaense.
Muitos artistas paranaenses de destaque trabalharam na Rádio Clube. Por exemplo, Odelair Rodrigues, Ari Fontoura, Ivo Ferro, Lourdes Maria, Elaine Garcia, Félix Miranda, Sinval Martins, eram alguns dos nomes de sucesso na época. Após o programa “Expresso das Quintas”, comandado por Mário Vendramel, fazia-se fila para pedir autógrafos a estes artistas. No Paraná isto era inusitado.
O Radioteatro, é uma outra página interessante da Rádio Clube Paranaense. Havia um grupo de actores pertencentes à emissora. Eram todos amadores, porém cheios de boa vontade e de idealismo. Em geral intelectuais que gostavam de artes cênicas e se engajavam no quadro da B2. Entre as muitas peças de teatro que a Clube levou para o ar, destaca-se a “Ceia dos Cardeais”. Os recursos técnicos eram mínimos. A sonoplastia era rudimentar.
Ubiratan Lustosa afirma que a primeira experiência de radioteatro no Paraná e seguramente no Brasil, reivindica-se para a Rádio Clube Paranaense. Isto aconteceu em 1934, quando foi apresentada no rádio a peça “Ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas. Participaram três intelectuais de Curitiba: Heitor Stokler de França, poeta e que mais tarde foi presidente da Associação Comercial do Paraná; Dr. de Sá Barreto, advogado e intelectual curitibano, e Correia Júnior, poeta. Uma emissora da Bahia, a Rádio Clube da Bahia, reivindicou para si o pioneirismo. Porém segundo pesquisas de Ubiratan Lustosa, o feito dessa emissora foi posterior ao do Paraná.
Mas foi no final da década de 40 que se difundiu e implementou o
radioteatro nos moldes conhecidos. A Clube tinha, nessa época, um elenco muito grande e bom. Tanto que, num
determinado momento, enfrentou um desafio. Quem conta é Ubiratan Lustosa:
A Rádio Nacional do Rio entrava muito bem em Curitiba, e tinha muitas
novelas. Tanto a novela das 11 horas quanto a das 13 horas tinham uma audiência extraordinária na capital paranaense. A Clube
possuia diversos
horários de novelas, praticamente de hora em hora entrava uma no ar. Tornava-se problemático colocar mais uma novela na
programação, pois em
disponibilidade havia somente o horário das 13 horas. Era, porém, uma temeridade entrar com
novela neste horário em que a Rádio Nacional “lavava” em audiência na cidade de Curitiba. Mas
foi enfrentado o desafio. Ivo Ferro, director de novelas da Clube, escolheu um bom tema com um bom roteiro. Foi
bem divulgado nos outros horários da própria rádio. Em poucos meses a audiência da Clube, no horário das
13 horas, superou a novela da Rádio Nacional. Na época isto era um verdadeiro absurdo. Por aí se vê como o
radioteatro da Clube era muito bom.
A Clube foi pioneira em transmissão desportiva no Paraná. A primeira transmissão aconteceu em 2 de setembro de 1934, num jogo entre Atlético e Coritiba, no Estádio da Baixada, completamente cheio. Os homens que assistiam ao jogo vestiam terno e usavam chapéu. A transmissão foi realizada por Jacinto Cunha e Jofre Cabrão, locutores desportivos improvisados para aquele feito inédito. Narraram o jogo de cima de um palanque, especialmente montado. A transmissão foi feita via telefone, com muita dificuldade. Ivan Machado e Levi Chrestenzen ao se referirem a esta primeira transmissão da Rádio Clube frisam que foi uma “iniciativa de Aristarcho Silva e Agostinho Veiga, com a colaboração da Companhia Força e Luz e também da Companhia Telefônica. Foi construído uma espécie de ‘girau’ que ficou preso nos eucaliptos que existiam nas gerais do Estádio da Baixada da Água Verde e quem ficou em casa pode ouvir as peripécias do jogo tranquilamente”. Há uma foto histórica do primeiro evento desportivo da Clube, onde aparece o palanque de transmissão e os locutores da época. Nesse ano o Atlético foi campeão paranaense.
Daí em diante começaram a aparecer os locutores especializados na área desportiva, notadamente o futebol. Entre eles destacam-se Iolo César de Oliveira, Heleno (um professor de português, que foi muito famoso como locutor desportivo), Maurício Fruet, na década de 50 e que mais tarde foi prefeito de Curitiba.
Artur de Souza, já nos anos 40, fazia a locução dos comerciais durante o jogo. O curioso era que o locutor de comercial ficava ao lado do narrador desportivo. Entre uma jogada e outra, entrava o locutor com os comerciais dos patrocinadores, pois não havia possibilidades de gravação. Tudo era feito ao vivo.
A Clube, desde o início, sempre manteve um departamento desportivo muito bom, marcando presença em todos os eventos desportivos importantes, tanto do Paraná, quanto nacional e também internacional. Desde 1970 vem transmitindo, em directo, as Copas do Mundo de Futebol. Um dos grandes nomes da equipe desportiva da Clube foi, sem dúvida, Lombardi Júnior, falecido em 1994, prematuramente.
A Clube, desde a sua fundação em 1924, se destacou pela preocupação em bem informar e também prestar serviço à sociedade como um todo. No início era tudo muito precário.
O primeiro programa jornalístico foi “Revista Matinal”, apresentado por Artur de Souza, já na década de 40, quando um noticiário com características mais jornalísticas começou a ocupar espaço no rádio. As notícias nacionais e internacionais eram captadas através de ondas curtas. Como não havia gravador em fita, os taquígrafos desempenhavam papel importante na escuta, gravação taquigráfica em papel e posterior reprodução da notícia que era repassada ao locutor noticiarista para transmissão.
Segundo Artur de Souza, muitas notícias eram captadas, via ondas curtas, pelo próprio locutor que, estando no ar, repassava o assunto dando sua versão, ou seja, pegava o facto e narrava usando os próprios recursos de fantasia.
As notícias do Paraná e locais eram levadas para o ar pela Clube através de um convênio com o jornal Gazeta do Povo.
Uma fonte de notícias internacionais muito famosa e utilizada na década de 40 em Curitiba chamava-se Alberti. Tratava-se do sargento do exército, que também era telegrafista. Montou na sua casa um estúdio, onde recebia notícias de diversas agências internacionais como a UPI, ANSA, etc. Era muito curiosa a operação de Alberti na captação da notícia. Ela chegava em língua espanhola. Ele ouvia em código Morse e, ao mesmo tempo, ia traduzindo e dactilografando em português, directamente num papel stêncil para reprodução em mimeógrafo a álcool, indo directo para o locutor noticiarista ler. O Alberti era considerado um gênio da captação de notícias.
A Rádio Clube, que funcionava na rua Barão do Rio Branco, tinha um convênio com o jornal Gazeta do Povo, na década de 40. Na época o jornal funcionava na Rua XV de Novembro. No seu terraço estavam instalados dois alto-falantes possantes com um rádio sintonizado na B2. Assim, os noticiários produzidos pela rádio eram reproduzidos pelos alto-falantes da Gazeta do Povo para toda a Rua XV. Como se estava em plena 2ª Guerra Mundial, as notícias eram basicamente referentes aos combates, respondendo às expectativas da população. Quando a guerra acabou, segundo Artur de Souza, achava-se que o rádio não iria mais ter noticiário. Contudo, pode-se dizer que, a partir daí despertou-se para o valor da notícia, como uma informação importante e que atraía a expectativa da população e a sua curiosidade. Começaram a aparecer, então, os “Jornais Falados”.A Rádio Clube Paranaense, durante estes seus anos de existência, procurou sempre manter os seus objectivos de ser um veículo também informativo e de serviço à população de Curitiba e do Paraná.
Mas é na década de 90, mais precisamente em 1993, que o jornalismo ganha uma estrutura mais forte e prioridade na Rádio Clube. É criado um departamento jornalístico, investe-se em equipamentos e profissionais. Aos poucos vão se ampliando os horários com os programas que levam ao público notícias locais, estaduais, nacionais e internacionais, ao vivo. Hoje a emissora tem em torno de 6 horas de jornalismo por dia. A comunicação via satélite, permite que a Clube receba e transmita notícias internacionais de diversos países.
A Rádio Clube pretende oferecer um jornalismo com qualidade, ou seja: que tenha credibilidade, agilidade e independência total na busca da verdade dos factos, banindo o sensacionalismo. A agilidade tem sido buscada através dos seus repórteres, correspondentes e também mediante convênio com diversos centros de notícias internacionais, com transmissão directa, via satélite.
O que se quer é um jornalismo que não seja tendencioso. Um jornalismo que, em cada facto, em cada momento procura ouvir e analisar os dois lados de uma questão fornecendo todos os elementos para que o ouvinte faça o seu julgamento.
O jornalismo que a Clube está procurando implantar não comunga com o sensacionalismo. A sua preocupação jornalística é trabalhar pela elevação da comunidade. Em função disso há uma atenção constante para as coisas que acontecem na sociedade. Ela não pode esquecer que existem os sem-terra, sem-teto, os famintos, famílias atingidas por violências. Cada caso merece uma atenção, uma divulgação, e é tratado com muita ética, evitando a exploração da dor, da lágrima e da miséria. A proposta é que a sua actuação jornalística seja tal que, num momento de tragédia, a Clube também conforte e crie novas esperanças no ser humano. É em função desta nova filosofia jornalística que se estabeleceu uma profunda transformação no seu jornalismo policial, banindo o sensacionalismo e implantando o respeito pelo ser humano, mesmo registando o lado mais avesso da sociedade.
Se tem curiosidades, histórias, fotos, roteiros de programas ou de radionovelas... se tem equipamentos que possam estar ligados à história da rádio Clube, entre em contacto com Luiz Witiuk pelo e-mail luizwitiuk@uol.com.br
Website: http://www.clubeb2.com.br










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