Meu amigo, o rádio

Separadores primários

Edmilson Ferreira

Agência de Notícias do Acre
http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5...
emid=26

No aniversário de 65 anos da Rádio Difusora Acreana a vedete é com certeza o rádio, o aparelho que faz chegar às mais remotas localidades a música e a notícia
tão necessários ao lazer e informação das comunidades que não têm acesso à outra mídia, senão à sintonia das ondas curtas, médias, tropicais ou de freqüência
modulada.

No Acre, o rádio tem importância estratégica e a relação do homem com seu aparelho beira à filosofia: "o rádio é meu amigo é um companheiro", disse o vigia
Francisco Elias Saturnino, que usa um fone de ouvido para escutar "o tempo todo" música e notícias – mais notícia que música, lembra ele, que trabalha
na Hospedaria Flutuante de Rodrigues Alves, espaço público que abriga ribeirinhos em trânsito pela cidade. Saturnino tem 52 anos, a maioria dos quais,
lembra ele, ouvindo rádio no interior do Vale do Juruá. Saturnino é ouvinte freqüente da RDA e gosta do programa de recados.

Nesse contexto, a RDA ajuda formar a identidade acreana. Saturnino fez questão de encomendar um aparelho novinho em folha da Zona Franca de Cobija, na Bolívia,
levado a Rodrigues Alves por um amigo. "Paguei R$60. É muito bom", diz ele, que anda com o rádio a tiracolo.

Mas não são apenas as pessoas de maior idade que estabeleceram um tratamento diferenciado ao aparelho de rádio. O jovem Sebastião Costa de Souza, de apenas
19 anos, tem tanto carinho pelo rádio que o mantém na caixa original. Apenas os botões e a antena estão de fora. "Fica aqui dentro para conservar", disse,
ao lado do aparelho que, não por acaso, também considera "companheiro" –palavra que, aliás, serve de nome para o modelo de uma marca conhecida.

Apenas quem anda no interior, nos locais mais longínquos do Estado é que pode avaliar a importância do rádio na rotina de quem vive na floresta, nas fazendas,
colocações –daí a importância de um emissora moderna e sintonizada com o povo do Acre como "A Voz das Selvas", como é conhecida a RDA.

A história do rádio começou em 1863 quando, em Cambridgem na Inglaterra, James Clerck Maxwell demonstrou teoricamente a provável existência das ondas eletromagnéticas (mas onde já lemos isto?! Nota de MAS).
James era professor de física experimental e apartir desta revelação outros pesquisadores se interessaram pelo assunto. O alemão Henrich Rudolph Hertz
(1857-1894) foi um deles. De acordo com o site
www.microfone.jor.br
, o princípio da propagação radiofônica veio mesmo em 1887, através de Hertz. Ele fez saltar faíscas através do ar que separavam duas bolas de cobre. Por
causa disso os antigos "quilociclos" passaram a ser chamados de "ondas hertzianas" ou "quilohertz". A industrialização de equipamentos se deu com a criação
da primeira companhia de rádio, fundada em Londres - Inglaterra pelo cientista italiano Guglielmo Marconi. Em 1896 Marconi já havia demonstrado o funcionamento
de seus aparelhos de emissão e recepção de sinais na própria Inglaterra, quando percebeu a importância comercial da telegrafia. Até então o rádio era exclusivamente
"telegrafia sem fio", algo já bastante útil e inovador para a época, tanto que outros cientistas e professores se dedicaram a melhorar seu funcionamento
como tal. Oliver Lodge (Inglaterra) e Ernest Branly (França), por exemplo, inventaram o "coesor", um dispositivo que melhorava a detecção.

Daí em diante, o aparelho só evoluiu. E acabou aparecendo na vida de pessoas como o comerciante Garcia Costa Braga, que também usa a declaração "ouço rádio
a vida toda" para definir o tempo em que tem contato com o aparelho.

Ou a viúva Antônia Katukina, moradora da Aldeia Bananeira da Terra Indígena Campinas/Katukina. "Gosto de ouvir música", diz. "E o jornal também", completa,
sorrindo ao alto de seus 77 anos de vida.

Comentários

:sick: É estranho que não se faça referência ao padre cientista brasileiro Roberto Landell de Moura!
Será que santos da casa não fazem milagres? Ou foi um mau trabalho de investigação?
Se o Brasil ignora a importância deste cientísta, realmente o primeiro a efectuar uma transmissão de rádio, que dizer do resto do mundo?!


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