Digital Radio Mundiale: Norma DRM+ experimentada com sucesso em Paris

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A tecnologia actualizada da norma Digital Radio Mondiale (DRM) foi recentemente testada em Paris com sucesso. O sinal DRM+ foi emitido na frequência de 64.5MHz a partir da Tour Pleyel, um edifício localizado a Norte de Paris e foi recebido nas instalações do Conselho Superior do Audiovisual (CSA) entidade que regula os vários meios de comunicação em França.

O CSA está localizado a 10 Km do ponto de transmissão, mas o sinal foi recebido em boas condições, tendo sido emitido apenas com 400 watts de potência.

Depois desta emissão bem sucedida, o consórcio DRM+ emitiu já uma recomendação para o governo britânico no sentido de reconsiderar a utilização exclusiva da tecnologia DAB, conforme advogado no recente relatório "Digital Britain".

Este sucesso posiciona o padrão DRM+ como uma solução perfeita para estações de rádio que não desejam aderir aos multiplexers DAB, mesmo em locais onde a banda FM está saturada.

O DRM + amplia o standard DRM que é uma norma de rádio digital aberta, universal, para bandas de broadcast que utilizam frequências até 174MHz, incluindo o espectro de FM dos 87.5MHz a 108 MHz. O DRM + oferece uma vasta gama de funcionalidades e benefícios para as estações de rádio de todo o mundo e representa uma boa relação custo-eficiência na migração para o digital.

O DRM+ já tinha sido testado com sucesso pela primeira vez na Banda FM, em Kaiserslautern, na Alemanha, no ano passado, mas esta é a primeira vez que o DRM+ é utilizado na Banda I.

Embora a norma inicial do consórcio Digital Radio Mondiale tenha sido desenvolvida a pensar na onda curta e onda média, o padrão DRM+ apresenta vantagens sobre a FM convencional, utilizando menor potência de transmissão para uma igual cobertura e abre novas possibilidades de áudio como o suporte surround 5.1, aumentando a eficiência do espectro e oferecendo serviços de dados electrónicos tais como o guia de programação electrónico e informação adicional.

David Blanc, do SNRL (Syndicat National des Radios Libres) afirma: "o Professor Dr. Andreas Steil e a sua equipa, constituída pelo Sr. Schad e pelo Sr. Kohler, da Universidade de Ciências Aplicadas de Kaiserslautern, foi capaz de criar um sistema completo de DRM+ na Banda I e concordaram testá-lo em Paris.

O SNRL, que reúne mais de 300 estações de rádio locais em França, tem vindo a tentar encontrar uma solução técnica para as muitas estações que não podem aderir aos multiplexers DAB pelas mais variadas razões, incluindo a área de cobertura, custos e o desejo de permanecer no controlo das suas operações de broadcast".

"O DRM + parece ser uma excelente escolha, oferecendo mais de 100 kbps utilizáveis, permitindo áudio com qualidade de CD e transmitir slideshows e outros dados a partir de um simples transmissor-privado. Recomendamos que integrem o DRM+ em todos os receptores digitais de rádio, entre os de 60-108 Mhz", acrescentou.

Este teste foi realizado com a ajuda de instituições como a University of Applied Sciences, Kaiserslautern e o instituto Fraunhofer IIS e Erlangen.

Ruxandra Obreja, presidente do Consórcio DRM afirma: "Com esta experiência, efectuada em França, temos ainda uma outra prova de que o standard DRM pode oferecer um leque de opções ainda mais versátil e económico para os grandes e os pequenos operadores, beneficiando o público que deseja rádio de boa qualidade. Esperamos que esta experiência em França seja notada e escolhida pelas autoridades francesas da rádio. É um excelente passo para se conseguir que o standard DRM possa ser um standard global".

Sobre o DRM e DRM+
O DRM+ utiliza a mesma codificação de áudio, serviços de dados, multiplexagem e esquemas de sinalização que o standard DRM para as ondas curta, média e longa até 30 MHz, mas opera em frequências mais elevadas entre 30 e 174 MHz (incluindo as Bandas de broadcast I e II).

O Consórcio DRM já completou o desenvolvimento técnico do DRM+. A tecnologia envolvida no sistema DRM encontra-se actualmente em processo de normalização no ETSI. O Digital Radio Mondiale (DRM) é o sistema de broadcasting para as bandas que emitem abaixo dos 30MHz (ondas longas, médias e curtas).

O DRM reúne uma qualidade de som próxima do FM, mais a facilidade de utilização das transmissões digitais, combinadas com um longo alcance e um funcionamento em potências mais baixas.

Debate com o Reino Unido
Entretanto, o consórcio DRM emitiu já um comunicado a 6 de Julho, que responde à proposta das autoridades inglesas que, no relatório "Digital Britain", estabelecem o prazo de 2015 como data limite para o fim das emissões FM e AM analógicas, substituíndo-as pela norma DAB, com a qual o Reino Unido já está fortemente comprometido.

Segundo afirma em comunicado o comité directivo do consórcio DRM que representa mais de 100 membros e organizações afiliadas, "o consórcio DRM elogia a publicação da visão estratégica do Governo Britânico, exposta no Digital Britain Report, solicitando no entanto que o padrão DRM seja considerado como parte integral da equação de rádio digital para o Reino Unido".

Tendo em conta que o Reino Unido é actualmente o único país europeu onde o DAB se encontra comercialmente estabelecido, o governo britânico entendeu que deveria promover a conclusão do processo, preparando-se mesmo para fazer uma recomendação à Comissão Europeia, no sentido de que a tecnologia DAB seja recomendada como norma de rádio digital na Europa, solicitando mesmo uma aceleração dos prazos de transição.

O problema é que a Europa já se encontra envolvida em processos de avaliação de tecnologias que surgiram posteriormente - tecnologicamente bastante mais evoluídas e eficientes - tal como a norma DAB+ (que actualiza o DAB em termos de modulação e adopta a compressão MPEG-4 AAC), a norma T-DMB que permite conjugar a transmissão de TV móvel com rádio digital nas mesmas frequências DAB e, naturalmente o sistema DRM+.

Numa carta enviada ao Department of Culture Media and Sport (DCMS) do governo britãnico (que publicou o relatório Digital Britain), o Consórcio DRM chama a atenção para o facto de que as conclusões assumidas no documento "Digital Britain" podem fazer com que a oportunidade de digitalizar os serviços seja perdida no Reino Unido, "especialmente em algumas zonas rurais e áreas menos habitadas, ao desprezar o valor da solução económica oferecida pela proposta de tecnologia Digital Radio Mondiale".

Além disso, o orgão superior deste consórcio afirma que a combinação de DRM e DAB (que são tecnologias complementares) poderá mesmo ajudar a alcançar os objectivos propostos no relatório de forma ainda mais rápida.

O relatório "Digital Britain" apenas refere a tecnologia DRM original como uma solução a considerar para a transferência de serviços de Onda Média, enquanto o consórcio DRM recomenda a sua utilização apenas em 26MHz e da tecnologia DRM+ (até 174 MHz) como a solução para rádios locais, ultra locais e emissões em comunidades muito pequenas.

Segundo afirma Ruxandra Obreja, chairman do DRM Consortium, "O Reino Unido teve uma contribuição significativa para o desenvolvimento de ambas as normas de radiodifusão digital. Uma vez que a rádio entre no domínio digital, oferecendo as funcionalidades extra que o relatório Digital Britain apresenta de forma tão eloquente, não deveria importar ao ouvinte de que forma é que este recebe a totalidade dos seus canais e serviços, independentemente de onde este vive no Reino Unido. Se o governo recomendar tanto o DRM como o DAB como o caminho a seguir, irá obter uma solução completa para a cobertura total da rádio digital no seu território".

Cândida Luzia e João Martins

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