Fim das emissões em onda curta da RDP Internacional

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Segundo informações da agência LUSA a RTP pediu suspensão temporária das emissões da RDP Internacional em Ondas Curtas. Após uma avaliação da empresa de que o baixo número de audiência é um dos principais motivos.

Segundo a LUSA não vale a pena manter emissões com um alto custo sem ter um retorno satisfatório.

As emissões da RDP Internacional, rádio pública em onda curta, dedicadas à todos os portugueses espalhados pelo mundo, podem ter um fim à vista.

A RDP diz que há cada vez menos ouvintes servidos por esta plataforma de distribuição. Embora não se saiba muito bem como foi possível chegar a tal conclusão.

Após questões do Jornal PÚBLICO dirigidas ao director da RDP Rui Pêgo, a estação afirma que “tem estado a analisar as emissões da RDP Internacional distribuídas em onda curta”, invocando, no mesmo comunicado, “o cada vez menor número de ouvintes servidos por esta plataforma de distribuição” e a necessidade de investimento nos emissores de onda curta, localizados no centro emissor de São Gabriel, em Pegões, perto de onde nascerá o novo aeroporto do Montijo.

A decisão, diz a RTP, já tem luz verde do ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, e espera um parecer da Anacom: “A suspensão ainda não tem data marcada, por serem necessários procedimentos de consulta prévia à Anacom. Só no final do prazo da suspensão provisória será feita uma avaliação das consequências da mesma e tomada uma decisão definitiva”, diz a nota.

Mário Figueiredo, provedor do ouvinte da rádio pública, conta que só teve conhecimento desta decisão depois do processo já ter sido desencadeado. “Sou frontalmente contra, como representante dos ouvintes”, afirma, adiantando que pretende dedicar o programa do provedor a esta problemática que tem gerado já queixas ao provedor e uma corrente de opinião nas redes sociais.

Mário Figueiredo lembra que as outras plataformas de emissão da RDP no mundo, referidas no comunicado da RTP, como o satélite, cabo ou DTH e Internet implicam custos. E programas da RDP Internacional, dedicados, por exemplo, a camionistas, deixam de fazer sentido.

Já em Janeiro a emissão em onda curta tinha sido reduzida, com corte da emissão ao fim-de-semana para o Brasil e alguns pontos de África, que perderam assim a possibilidade de acompanhar o campeonato nacional de futebol.

No site da própria RTP a RDP Internacional é definida como “o grande elo de ligação dos portugueses no Mundo. Através das suas emissões, todos, em qualquer ponto, podem aceder instantaneamente ao contacto com Portugal”.

As emissões em onda curta começaram ainda antes das emissões regulares em AM, ou seja, ainda antes de 1935.

Não faz qualquer sentido terminar com as emissões da RDP internacional. Certamente poderão ser feitas economias em outros sectores e emissoras da RTP.

Porque não privatizar a Antena 3, emissora sem o mínimo de qualidade?
Porque não acabar com uma emissora para uma elite que pode ouvir música clássica por outros meios e até com melhor qualidade?
E os carros de luxo, os cartões de crédito, os ordenados milionários de alguns?

Nenhuma outra plataforma substituirá o rádio. Não há internet ou satélite numa boa parte das aldeias de África. Mesmo em países europeus onde existem grandes comunidades de portugueses, estas plataformas tecnológicas não estão disponíveis ou não são práticas.

É, em meu entender, mais um crime contra um país, uma língua e milhões de pessoas que, por não conseguirem ver garantidas as suas condições de subsistência no país que as viu nascer, tiveram de abalar para outras paragens e, no entanto, contribuem com os tostões que amealham para o progresso do país que os esquece, abandona, ostraciza.

Alguma da história da Emissora Nacional aqui:

http://www.aminharadio.com/radio/portugal_anos30

Comentários

Acho um crime contra a cultura portuguesa, já que as ondas curtas acabam por divulgar Portugal, sua cultura, seus problemas, desafios, vitórias, para os outros países de língua portuguesa, posso até dizer que funciona como um instrumento de relações internacionais, abdicar de tudo isso por tão pouco pode ser encarado pela comunidade internacional que a crise européia levou Portugal a completa bancarrota,...


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