A rádio portuense em 1932 segundo a revista "Maria Rita"

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Em 1925, o Porto tinha uma estação de rádio, em 1928, passou para duas, em 1932, para quatro. E, antes de um périplo pelas estações, a divulgar as suas características, a revista Maria Rita saudaria os Marconis e Edisons tripeiros (habitantes do Porto).

Como publicação de humor, o texto tem de ser lido com cautela. Por exemplo, quando se escreve sobre Rádio Porto, há uma sobreposição com a rádio CT1AA, de Abílio Nunes dos Santos Júnior. Nas horas livres, este disputava provas de automobilismo no Campo Grande (Lisboa) a tripular um Bugatti com a chapa 12. Quanto a Sonora Rádio, perceciona-se que a ópera (excertos) Fausto, de Charles Gounod, era transmitida de modo excessivo, até cansar.

E, se se adivinha a paixão do despachante oficial de alfândega Henrique de Aguiar pela sua Invicta Rádio, o humorista é cáustico quanto a Júlio Silva, o palavroso mas cerimonioso dono de Ideal Rádio, sempre pronto a passar um fado de Maria Alice, a qual morava ali para os lados de Valentim de Carvalho, proprietário da empresa e editora com a mesma marca. Ainda não era o tempo da microgravação em marcha, dos discos de 45 rpm, mas Silva já afirmava os seus dotes diários de oratória ao microfone.

(Maria Rita, 30 de abril de 1932, semanário humorístico do Porto)