Elemento para uma história da rádio do império

Separadores primários

Diário Popular de 8 de outubro de 1968
Diário Popular de 20 de outubro de 1968Outro recorte de jornal

Em 1968, programas da rádio portuguesa estendiam-se às então colónias africanas. Aqui, estão dois casos. Um deles é A Voz do Casa Pia, de Rádio Peninsular para Rádio Clube de Angola, Rádio Clube de Moçambique e Emissora Oficial da Guiné Portuguesa, atual Guiné Bissau. Foi nesse programa que Aurélio Carlos Moreira se estreou na rádio, há já 61 anos. Então, a Casa Pia recolhia crianças órfãs e abandonadas e dava-lhes formação; hoje, a sua missão é a promoção dos direitos e a proteção das crianças e dos jovens. Estes jovens tornados adultos espalharam-se pelo país e pelas então colónias em busca de oportunidades de trabalho e realização profissional. O programa era um elo de ligação dos jovens à casa acolhedora. Aurélio Carlos Moreira colabora atualmente com Rádio Sim (grupo Renascença). O outro programa pertencia a Fernando Curado Ribeiro, emitido em Rádio Clube Português e Rádio Clube do Huambo, então Nova Lisboa e hoje Huambo, em Angola, Leitura – Semanário Radiofónico de Divulgação Literária. Por volta de 1949-1950, Curado Ribeiro e a sua mulher Joana Campino tinham ido trabalhar para Angola; daí a antiga ligação a Angola. O programa Leitura teve duração de décadas com centenas de programas e um contacto intenso com autores, com entrevistas, leitura de textos e sonorização de cenas. Curado Ribeiro, além da rádio, foi um conhecido ator de cinema e teatro, tendo pertencido aos quadros do Teatro Nacional D. Maria II.