A história da rádio segundo Álvaro de Andrade (parte 1)

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Foto de Álvaro de Andrade
Foto de Álvaro de Andrade
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Álvaro de Andrade ( Álvaro Jorge Vaz Ferreira de Andrade, 1894-1976) foi jornalista, radialista e homem de teatro. Ele começou a sua atividade de jornalista no Século. À volta de 1920, entrou para o Diário de Lisboa como secretário da redação, passando a chefe de redação, função que exerceria ainda no Diário da Manhã, no Jornal do Comércio e das Colónias e nas revistas Ilustração, Notícias Ilustrado, Vida Mundial Ilustrada, O Cartaz e Hoje. Por questões de necessidade política, também dirigiu A Bola em 1945 (os seus diretores não podiam assumir a função por problemas políticos). Álvaro de Andrade dirigiu dois semanários de rádio (Rádio Semanal e Rádio Nacional), organizou o Anuário Radiofónico Português (1937, 1938) e foi adjunto da direção de Serviços de Produção da própria Emissora Nacional. Na sua faceta de homem ligado ao teatro, foi secretário da companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Após falecer, foi dado o seu nome a um largo na zona de Marvila (bairro dos autores de teatro).

Como redator do Diário Popular, deixou, no começo da década de 1970, textos deliciosos sobre teatro. Sobre a rádio, não escreveu propriamente uma história, mas deixou memórias escritas nas páginas do seu jornal. Aqui, recupero dez textos que editou, a começar pelo publicado a 4 de agosto de 1970.

O primeiro artigo trata a memória de dois dos locutores mais antigos da Emissora Nacional, a que Álvaro de Andrade esteve ligado na época inicial. Os pioneiros, como lhe chama, são Fernando Pessa e João da Câmara. De Pessa destacaria a “voz inteligente, agradável, otimista”. A ida do locutor para Londres no período da II Guerra Mundial criou um vazio, preenchido com as crónicas e os programas emitidos pela BBC. De Câmara, destacaria as reportagens das missas dominicais da igreja de São Domingos e a apresentação dos programas de ópera no São Carlos, com “a facilidade elegante e culta da locução e a pureza da linguagem, aliadas ao timbre equilibrado e insinuante da sua voz clara”.

Em 1936, ao microfone de Rádio Clube Português, surgiu a orquestra Aldrabófona, cerca de vinte elementos com idades entre os 12 e os 30 anos. Álvaro de Andrade recorda-a, no Diário Popular de 11 de agosto de 1970. Ele foi vê-la um dia e ao vivo no estúdio grande da Emissora Nacional, onde colaborava então. Hino, Danúbio Azul, Atalaia, Eneida, Sinos de Mafra, secção brasileira, Fragateiros de Lisboa, Canções e Cantares e Marcha de Lisboa seriam alguns temas ou tipos musicais ouvidos nessa audição, a fazer perceber um repertório entre a música clássica leve e as modas populares. Os instrumentos confirmam isso: violas, guitarras, harmónios, pífaro, berimbaus, harmónicas de boca e pandeireta. Não há violinos ou violoncelos, por exemplo, muito embora o estúdio tivesse um piano ao centro, talvez utilizado. Dos nomes dos músicos, aparece apenas António, que cantou a solo, como diz o programa, e a indicação do maestro, “um rapazinho de grandes óculos à Harold”.

No Diário Popular, de 18 de agosto de 1970, Álvaro de Andrade escreveu sobre o Quarteto Vocal da Emissora Nacional, recordando a composição do grupo e suas histórias desde 1947. Ele incluía Mota Pereira (baixo, professor liceal e profissional da Emissora), tenor Guilherme Kjölner, barítono Paulo Amorim e Fernando Pereira, popular cantor de opereta, sob a direção do maestro Belo Marques. Mota Pereira, depois de atuar em recitais na Rádio Nacional de Espanha, trouxe a ideia e pô-la em prática.

Neste texto de Álvaro Andrade, editado no Diário Popular de 25 de agosto de 1970, o tema foi a locução radiofónica. Olavo d’Eça Leal era uma personalidade multifacetada: crítico de cinema, desenhador, pintor. E entrou para a Emissora Nacional como locutor mas também autor de múltiplos diálogos, que alimentou ao longo de décadas de profissão. Um dos textos iniciais dele foi A Voz da Rádio (depois título de livro e que eu aproveitei, numa espécie de homenagem, no título de livro que publiquei em 2005, mas com a frase no plural). Olavo diria que nem sempre o locutor era compreendido pelos ouvintes, às vezes engana-se (por exemplo, pronuncia mal as palavras), precisa de longo tempo para se formar numa escola de locutores, dada a profusão de conhecimentos a aprender, e tem um ordenado que apenas chegava para viver decentemente.


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