História da rádio do Porto contada às novas gerações (II)

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História da rádio do Porto contada às novas gerações
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Rogério Almeida Russo tinha tudo para ser um dos nomes principais da rádio portuguesa. A par de Jorge Botelho Moniz, um dos fundadores de Rádio Clube Português, e de monsenhor Lopes da Cruz, um dos proprietários iniciais de Rádio Renascença. A estação Portuense Rádio Clube foi, possivelmente, a mais criativa das rádios portuguesas. Como Botelho Moniz, Rogério Russo era capitão do exército e conseguiu com outros criar uma associação radiofónica pujante para aquela época (com forças vivas políticas, comerciantes e artistas, além do grande apoio de centenas de sócios da cidade).

Ao contrário do colega de Lisboa, que congregou gente, lutou contra o ministro das comunicações por causa da proibição da publicidade, se empregou num dos maiores grupos económicos (CUF) e prosseguiu uma atividade política e corporativa de apoio ao Estado Novo, Rogério Russo envolveu-se em disputas internas, desagregou o capital simbólico de Portuense Rádio Clube e afastou-se amargurado. Não conheço uma personalidade tão quezilenta na história da rádio do país, tipo Marreta da série televisiva ou velho do Restelo.

Como gosto da História à maneira de Hobsbawm, que credita os perdedores como elementos a ter em conta, a contrabalançar a valorização dada aos vencedores, dou relevo a Rogério Almeida Russo e procuro colocá-lo no lugar que merece estar. Em tempo de pioneirismo e de muitas dificuldades, ele comprou os primeiros discos da rádio, investiu dinheiro na estação, foi diretor técnico a custo zero, saiu, entrou e voltou a sair e defendeu uma posição minoritária, a da rádio enquanto clube face à opinião maioritária da estação como atividade comercial e lucrativa a partir da publicidade radiofónica. Plumitivo, ele publicou artigos em jornais do Porto e em jornal mais obscuro de Vila Nova de Gaia, acabando por escrever o livro mais triste da história da rádio de Portugal, com acusações a outros colegas da estação. A meu ver, não era necessário fazê-lo, mas ele quis defender-se para a posteridade.

A rádio da avenida Rodrigues de Freitas, já perto da rua de Entreparedes, tinha jardim para realização de espetáculos e auditório quando o tempo não estivesse propício. O edifício foi nas duas últimas décadas destruído e em seu lugar foi construído um anódino prédio. Dela, simultaneamente um clube popular e uma rádio, com bailes e festas ao sábado e ao domingo, saíram locutores (Júlio Guimarães, Fernando Gonçalves, Júlio Silva, Carlos Silva, Domingos Parker), um programa de humor radiofónico (A Voz dos Ridículos), artistas e gravação de discos, organização de espetáculos de massa em espaços como a nave do antigo Palácio de Cristal, de concurso de cantadeiras de fado e de jogos florais.

Portuense Rádio Clube, quase a exemplo de Rogério Russo, acabaria por ter insucesso, por um lado por inépcia e dificuldades financeiras, por outro lado por azar (aquisição de um emissor avariado). Desapareceu em 1955.


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