Voltando ao livro sobre Landell de Moura

Separadores primários

Conforme prometido no poste que referia a edição de um novo Livro sobre Landell de Moura, voltamos, passado um mês da sua edição, ao livro e ao Padre.

Nem sempre, como ilustrava Aristóteles, no meio-termo está a virtude. Peguemos no exemplo do padre porto-alegrense Roberto Landell de Moura, nascido em 1861 e falecido em 1928.

Foi sacerdote numa altura em que a ciência apontava o dedo à cara da religião como uma das últimas ferramentas do obscurantismo.

Foi também cientista na mesma época em que a igreja anatematizava a ciência como sacrílega e pactuante com o "Maligno".

Colhido no meio destes dois radicalismos, o Padre Landell não recebeu virtude, e sim incompreensão. Não pôde dar vazão ao potencial das suas pesquisas científicas - que anteciparam em anos a rádio, o teletipo e, talvez até, a TV.

Também não teve compreendida por seus pares eclesiásticos a sua sede de conhecimento dos mistérios físicos da natureza.

É essa trajectória paradoxal e muitas vezes infeliz que o jornalista Hamilton Almeida trata no livro Padre Landell de Moura: um Herói sem Glória (Record,
326 páginas, R$ 39,90), um apanhado da vida, da trajectória e das pesquisas desenvolvidas pelo sacerdote.

O livro documenta a biografia do padre que muitos consideram o real inventor da rádio usando diários do próprio Landell de Moura, entrevistas com pessoas próximas, depoimentos escritos pelos seus contemporâneos, notícias dos jornais e mesmo documentos da época, alguns não disponíveis quando Ernani Fornari publicou a, até agora considerada, a mais completa biografia de Landell: O Incrível Padre Landell de Moura, lançada em 1960 e hoje fora do catálogo.

O livro de Almeida é o resultado de uma pesquisa de nada menos de 30 anos. Conta que teve a atenção despertada para a figura do Padre Landell de Moura em 1976, durante uma aula na Faculdade de Comunicação da Faap, em São Paulo, quando o nome de Landell foi mencionado como um pioneiro das telecomunicações por um professor chileno.

O italiano Guglielmo Marconi costuma ser apontado como o inventor da rádio, em 1895, mas o que se considera a "rádio" inventada por ele era, na verdade, um telégrafo, que emitia sinais de Código Morse à distância sem o uso de fios. As pesquisas que o padre Landell realizou no Brasil, segundo os depoimentos retirados de jornais da época, já transmitiam a voz humana - algo que só seria possível no século 20.

- Diz-se que realizou experiências com a transmissão de sinais à distância já em 1894, antes de Marconi testar o seu telégrafo sem fio. E, em 1900, houve testemunhas de uma experiência na Avenida Paulista na qual transmitiu a voz humana – refere Almeida.

Leia a Biografia de Landell de Moura bem como os links relacionados.

E não esqueça a nossa votação…!


Faça um donativo!

Faça um donativo!

Agora é mais fácil com Paypal!

Com o paypal.me pode contribuir para o site em qualquer moeda e em qualquer valor com a segurança desta plataforma.

Clique aqui para ajudar com o que quiser, com o que poder.