
Foto de uma das Réplicas do Transmissor de Ondas do Padre-cientista Roberto Landell de Moura executada durante as muitas experiências que foram feitas.
É um trabalho de Marco Aurélio Cardoso Moura, de Porto Alegre-R.S. que após dois anos de paciente pesquisa, muita dedicação e experiências, conseguiu construir e por em funcionamento uma réplica do transmissor de ondas de Landell de Moura e, como podemos ver pelas fotos, o aparelho ficou extraordinário.

Aqui ficam os agradecimentos e elogios ao Marco por ter tido tanta paciência e dedicação para construir esta réplica de Landell de Moura que se propôs a fazer. Está pronto, lindo de se ver e a funcionar!

Abaixo Marco Aurélio descreve as experiências realizadas e os seus resultados até chegar ao melhor ponto de desempenho no funcionamento do aparelho, caminho que ele novamente percorreu revivendo a experiência de Landell.

Marco Aurélio Cardoso Moura
Prezado Luiz:(1)
É com grande satisfação que te comunico a conclusão da réplica do
Transmissor de Ondas, que venho desenvolvendo ao longo de dois anos. Como já é
do teu conhecimento, deparei-me com enormes dificuldades, especialmente quanto à
inexistência de dados referentes ao dimensionamento das peças e tipos de materiais empregados.
Praticamente todas as peças do transmissor foram feitas, experimentadas e refeitas várias vezes, até que fosse possível obter um funcionamento adequado.
Embora, para os dias de hoje, o circuito possa parecer rudimentar, constatei que
a construção do Transmissor é crítica em vários aspectos, a saber:
A construção dos dois capacitores, no que se refere às capacitâncias e
tensão de trabalho, foi tarefa que consumiu muitos meses, até que fosse possível
obter em cada um deles as características ideais que permitissem o funcionamento
de ambos em conjunto. O sistema realmente não funciona se os capacitores não forem construídos de forma adequada. Isso só foi possível com repetidas experimentações.
O interruptor fonético (microfone) foi uma história à parte. Testei 10
tipos de diafragmas e obtive resultados razoáveis com bronze fosforoso e com folha de flandres. O diafragma feito em madeira foi o que melhor respondeu às vibrações da voz). O diafragma de madeira foi feito com
duas lâminas coladas (essas usadas para revestir móveis), com as fibras em ângulo de 90º. O
material assim obtido ficou com a espessura de 1,30mm. Sem dúvida, o funcionamento do
diafragma é um dos pontos mais críticos do aparelho. Inicialmente imaginava que
o material devesse ser flexível e fino. Puro engano. Um material mais fino, tal
como o latão com 0,1 mm de espessura, ao vibrar com a emissão da voz, provoca
no eixo do microfone uma série de "maus-contactos". Esse facto provoca centelhamento intenso nos contactos, bem como um grande e rápido aquecimento, provocando a queda da tensão e fazendo com que a centelha entre as
esferas fique débil, com frequência irregular ou inexistente.
Por outro lado, ao utilizar-se diafragmas mais grossos que o ideal, verifica-se
a diminuição drástica da sua capacidade de responder às frequências da voz.
Conclusão: se o diafragma não tiver a espessura adequada, o sistema não funciona. Nesse aspecto, é interessante
verificar o que dizia o Pe. Landell de Moura em um dos trechos da descrição do projecto
(Patente771.917) ; " ... , pode-se regular o ajustamento dos terminais fixos e do diafragma, até
que a amplitude das vibrações seja suficiente para eliminar todos os tons, menos os
fundamentais. De facto, pode ser dado mais peso ao diafragma, se assim for preciso, ou as suas
pulsações podem ser, de outro modo, retardadas.
Para os contactos entre o eixo do microfone e o diafragma, testei alguns
materiais como prata, latão, cobre e bronze, mas todos apresentaram aquecimento
demasiado e corrosão rápida pelo centelhamento. Utilizei, então, dois contactos
feitos com uma liga especial de metais, contactos esses tirados de uma velha chave contactora de alta qualidade. Vale referir que, ao contrário do que alguns imaginavam, o funcionamento do sistema através do "liga-desliga" do interruptor fonético não transmite apenas ruídos de descargas elétricas. O sistema modula e
permite perceber-se as variações de frequência da voz. Não foi surpresa a modulação algo
imperfeita, pois há que se considerar o pioneirismo do invento que se constituiu na primeira e bem
sucedida tentativa de transmissão da voz por onda eletromagnética. Vale lembrar que na
descrição do projecto objecto da Patente 771.917 de 11/10/1904, o Pe. Landell dizia:
"Certamente é impossível obter um ajustamento de contacto tão perfeito que reproduza todos os harmônicos e torne perfeita a articulação; ..." A bobina de indução foi feita, inicialmente,
utilizando bobinas de ignição de automóvel. Com esse material fiz várias tentativas,
ligando primários em série, secundários em paralelo, etc. etc. Tudo em vão (destruí 6 bobinas). A
maioria das experiências produziu centelha entre as esferas, entretanto todas as
bobinas aqueceram demasiadamente e "queimaram" o secundário em poucos minutos de
uso. Assim, partí para a solução que eu tinha até então evitado: Construir uma
bobina de Ruhmkorff (é um saco !). A bobina foi feita com 220 espiras de fio AWG-14 no primário e 20.000 (vinte
mil) espiras de fio AWG-28 no secundário e produziu grande e abundante centelha
entre as esferas; entretanto, demandou altíssima corrente no primário, aquecendo a fiação e chegando a derreter
as soldas dos contactos entre o diafragma e o eixo do microfone. Tentei resolver o problema
Intercalando resistências para reduzir a corrente ou a tensão mas o resultado prático foi
que o sistema deixou de centelhar entre as esferas. Retirei a bobina de Ruhmkorff e instalei em seu
lugar um transformador antigo de alta tensão, com saída de 12.000 V, desses usados para
luminosos de gás neon. Embora o transformador seja dimensionado para operar com corrente
alternada de 127 V, funcionou extremamente bem para a finalidade desejada, com corrente
contínua de 12 V. Nesse sentido saliente-se que o próprio Pe. Landell de Moura
na Patente 771.917 ("Wave Transmitter"), quando descrevia as conexões do sistema, dizia: "
"Nessas figuras, "F" é uma bobina de Ruhmkorff ou outra qualquer bobina de indução e de alta potência,
ajustada de maneira a produzir uma centelha de certo comprimento..."
O teste do aparelho somente foi feito dentro de casa, sem antena e sem
ligação à terra, em distâncias até 10 metros. Embora tenha se verificado a recepção do sinal tanto em AM como
FM, o melhor sinal se deu em onda média, abaixo dos 540kz. Oportunamente vou testá-lo em
ambiente externo e alterar (reduzir) a capacitância do capacitor ligado ao primário para verificar
a transmissão em frequências acima da onda-média.
Por ora é o que eu tinha a relatar. Na medida em que meu tempo permitir, estarei te enviando dados construtivos adicionais.
Um abraço
(1) Luiz Netto é um estudioso do padre cientista Roberto Landell de Moura. Este padre foi o primeiro a fazer uma transmissão de rádio, mesmo antes de Marconi apesar da história dar o feito a este último. Mas essa mesma história e o esforço de entusiastas do padre cientista como Luiz Netto ou Marco Moura, encarregar-se-à de corrigir este facto.
Na secção de biografias pode ler, especialmente escrita por Luiz Netto, a biografia de Landell de Moura










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