Gravada originalmente em versão instrumental na Odeon (Casa Edison) em 1916 pela Banda Odeon, e logo em seguida recebendo a versão cantada de Baiano e coro, também pela mesma gravadora e no mesmo ano. Ambas lançadas em discos 78 rpm.
Outras gravações conhecidas são as da Banda do 1º Batalhão da Brigada Policial da Bahia, José Gonçalves (1938), Conjunto Regional do Donga (1938), Almirante (1952), Gilberto Alves, Mário Reis, Carolina Cardoso de Menezes (piano), Marlene com Nuno Roland & Blecaute (1968), Abel Ferreira, Altamiro Carrilho (1962), Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (1957), Carolina Cardoso de Menezes (1957), Paulo Tapajós, Os Cinco Crioulos (1967), Plauto Cruz (flauta, 1980), MPB-4 (1970), Elza Soares, Martinho da Vila (1973), Banda do Canecão (1973), Grupo 10.001 & Vocal Documenta (1975), Os Caretas, Roberto Izidon (piano), Ivan Paulo, Trovadores Urbanos (1995), entre outras.
Este é o primeiro samba oficial, grande sucesso dos carnavais a partir de 1917.
Mauro de Almeida adoptava o pseudônimo de Peru dos Pés Frios, daí os versos O Peru me disse.... Outra citação é a do Morcego, um cronista carnavalesco da época chamado Norberto Amaral.
A popularidade desta música foi tamanha que apareceram ainda
muitas variantes, todas elas muito espirituosas. Esta foi a primeira, estampada
na coluna Pingos e Respingos do Correio da manhã, de 15/12/1917:
O Chefe da Polícia
Com toda carícia
Mandou-nos avisá
Que de rendez-vuzes
Todos façam cruzes
Pelo carnavá!...
Em casas da zona
Não entra nem dona
Nem amigas suas
Se tem namorado
Converse fiado
No meio da rua.
Em porta e janela
Fica a sentinela
De noite e de dia;
Com as arma embalada
Proibindo a entrada
Das moça vadia
A lei da polícia
Tem certa malícia
Bastante brejeira;
O chefe é ranzinza
No dia de "cinza"
Não quer Zé-Pereira!
Coro (Civis)
Me dá licença, não dou, não dou
Faça favô, não dou, não dou
Pra residença, não dou, não dou
Com pressa vou, não dou, não dou
Coro (Madamas)
Do chefe é orde? Não vou, não vou
Sua atrevida, não vou, não vou
Entrar não pode, não vou, não vou
Vá pra Avenida, não vou, não vou.
Edigar de Alencar ainda cita outro episódio:
"A outra versão espirituosa focalizava um facto de 1913,
quando da anterior campanha do jornal A Noite contra o jogo. Naquele ano, para
provar a inocuidade da repressão policial ao jogo, o vibrante vespertino
instalara no Largo da Carioca, em frente da sua redacção, uma roleta. A
iniciativa fora dos repórteres Castelar de Carvalho e Eustáquio Alves. Eis os
versos da bem sucedida paródia:
O chefe da polícia
Pelo telefone
Manda me avisar,
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar...
Ai, ai, ai
O chefe gosta da roleta, ó maninha
Ai, ai, ai
Ninguém mais fica forreta, ó maninha
Chefe Aurelino, Sinhô, Sinhô,
É bom menino, Sinhô, Sinhô,
Faz o convite, Sinhô, Sinhô,
Pra se jogar, Sinhô, Sinhô,
De todo jeito, Sinhô, Sinhô,
O bacará, Sinhô, Sinhô,
O pinguelim, Sinhô, Sinhô,
Tudo é assim, Sinhô, Sinhô."(1)
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