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A Emissora Nacional nas décadas seguintes


A RÁDIO NOS ANOS QUARENTA



Instalou-se nos lares dos portugueses em lugares de honra, como as salas de estar. Era uma companhia e uma fonte de entretenimento. Durante décadas os serões das cidades passavam-se à sua volta.

Foi uma necessidade do tempo da segunda guerra mundial tornada hábito nos anos posteriores ao conflito mundial. A informação, os noticiários e os programas políticos diminuíram na década de cinquenta para dar lugar ao espectáculo radiofónico realizado por gente do teatro e do cinema, nele colaborando pessoas das artes em geral, com especial predominância de jornalistas habituados a escrever rábulas para o teatro de revista, argumentos de cinema e folhetos de publicidade.

Pedro Moutinho é um herói desse tempo, entre muitos outros, onde se evocam Olavo d’ Eça Leal, Jorge alvez, Francisco Mata, Fernando Pessa, Artur Agostinho, Rui Ferrão, Nuno Fradique, F. Corado Ribeiro e muitos outros, tantos que não caberiam nestas linhas.

Pedro Moutinho calcorreou todos os géneros da produção de rádio, nunca se distinguiu sem que alguém o tivesse distinguido –a ficção científica e radiofónica. Recorda-se um seu programa que seria uma muito boa réplica portuguesa da “Guerra dos Mundos” de Orson Wells em 1938.


Anos 40, clique na imagem para expandir


Um grande contributo da rádio oficial para a vida cultural portuguesa é a Orquestra Sinfónica. Sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco, a Orquestra deu o seu primeiro Concerto, nas Ruínas do Convento do Carmo em 14 de Agosto de 1935. Através dos anos, a orquestra, viria a ter uma inegável acção na divulgação dos grandes nomes da música de todos os tempos e na apresentação de alguns dos seus maiores intérpretes.

O ano de 1940 marca a transformação da Emissora Nacional num organismo autónomo, o que se verifica com a publicação da primeira Lei Orgânica - Decreto-Lei nº30752 - que apresenta a primeira fase dos Planos de Radiodifusão Nacional. Aqui se prevê a montagem, em Lisboa, de um emissor de O.M. de 50 Kw, um de O.C. de 40 Kw e a criação de emissores regionais no Porto, Coimbra e Faro. No mesmo ano, começa a funcionar o Emissor Regional do Norte, instalado provisoriamente no jardim do Palácio de Cristal.

A década de 40 foi cenário de um extraordinário esforço da EN. De salientar as reportagens das celebrações dos Oito Séculos da Nacionalidade, do grande ciclone que assolou o país e da campanha de auxilio aos sinistrados; o programa, realizado com a colaboração do “Diário de Notícias”, intitulado “Salvemos as crianças vitimas da guerra”; a cobertura atenta das várias fases do conflito mundial, através de um serviço noticioso constituido por profissionais da Imprensa; a criação de rubricas que ganharam grande impacto popular, como o “Folhetim Radiofónico”, o “Rádio-Teatro” e o “Domingo Sonoro”, este último com os ínesquecíveis diálogos de Aníbal Nazaré e Nelson de Barros “Zéquinha e Lélé”, interpretados por Vasco Santana e Irene Velez.

Surgem importantes iniciativas como o “Centro de Preparação de Artistas da Rádio” e o «Gabinete de Estudos Musicais», de onde saíram numerosas composições de rui Coelho, Joly Braga santos, Armando José Fernandes e outros. Algumas destas obras serão apresentadas por estações de Rádio de vários países.


A Rádio populariza nomes de realizadores de programas, como Adolfo Simões Muller, Olavo d’Eça Leal, Francisco Mata, Aníbal Nazaré e Nelson de Barros e de locutores como Fernando Pessa, Jorge Alves, João da Câmara, Pedro Moutinho, Artur Agostinho e Maria Leonor.

 

Locutores da época, clique na imagem para expandir



ANOS 50 E 60


Com a entrada em funcionamento de dois potentes emissores de Onda Média, de 135 Kw, no Centro Emissor de Castanheira do Ribatejo, .


Logo da Emissora Nacional, clique na imagem para expandir

a Emissora Nacional vive os anos 50 sob o signo da expansão e do reequipamento

Com a criação do Centro Emissor Ultramarino, em Pesões, com dois emissores de Onda Curta de 100 Kw, incrementam-se as transmissões para o Ultramar, iniciando-se, em 1954, o serviço em inglês para o Sudoeste da Ásia.

Na rádio privada, “Os Companheiros da Alegria” de Igrejas Caeiro, marcam uma época.

No velho edifício da Rua do Quelhas, reequipam-se os serviços e -reestruturam-se os quadros de programação e dos noticiários.

A Rádio prepara-se para fazer face à concorrência da televisão que em Portugal tentava as primeiras emissões.

Os anos sessenta solicitam a intervenção da Rádio em diversos -acontecimentos de relevo, nomeadamente a Guerra em África que abala profundamente o país e as estruturas políticas.

A Rádio aposta na informação explorando as suas potencialidades face à concorrência da televisão.



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