Revistas, associações e exposições

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REVISTAS, ASSOCIAÇÕES E EXPOSIÇÕES



Em Portugal, as revistas dedicadas aos amadores de rádio incentivaram a produção de aparelhos feitos em casa, a partir de diversos modelos usando válvulas. Em década e meia, recenseamos catorze jornais, revistas e boletins. Nelas, os amadores referiam-se a modificações feitas nos aparelhos, alterando componentes, substituindo as antenas de emissão e recepção, aumentando a potência de saída.


Capa 

do primeiro número da revista TSF em Portugal


As publicações, algumas com mais êxito do que outras, procuravam servir de elo de contacto com os senfilistas de todo o país. Nos anos iniciais, o construtor tinha poucos componentes já fabricados, o que impunha a sua confecção artesanal.

"(...) Na “Rádio-Academia de Portugal” muito modestamente instalada numa das dependências da Liga Naval no palácio de Palmela no Calhariz, foram inauguradas na noite de quarta-feira última as anunciadas demonstrações de diferentes marcas de aparelhos radiofónicos existentes em Lisboa feitas pelos respectivos vendedores.
Coube a honra de iniciar interessante série ao nosso director senhor Álvaro Contreiras que apresentou um aparelho a ressonância de quatro válvulas, sendo uma detectora, uma em alta frequência e duas em baixa frequência com o competente alto-falante.
De rápida transposição e facilidade de regulação, o referido aparelho fez-nos ouvir durante quase hora e meia, as audições de Madrid, Paris e Londres com uma nitidez e selecção perfeitas o que causou a maior admiração em todos os presentes (sócios e convidados) os quais lhe dispensaram os mais lisonjeiros elogios.
Antes de começar a audição, o senhor António Transmontano de Carvalho, explicador de TSF, fez uma ligeira palestra, demonstrando as origens da telefonia sem fio e suas variantes, referindo as várias fases progressivas de ciência que tanto assombra a maior parte da humanidade.
Explicou ainda, nas suas linhas gerais, qual a construção do aparelho e seu funcionamento, em seguida ao que se deu começo às audições que acima relatamos (...)".(2)

A par das revistas iniciais, registe-se o esforço associativo. Um dos temas mais levantados pelos amadores era o apoio às comunidades em situações de perigo ou de isolamento quando os outros meios de comunicação já instalados oficialmente falhavam. As associações tiveram um peso específico, funcionando como tertúlias, grupos de pressão para saída de legislação, e grupos de comerciantes e amadores organizadores de exposições de electricidade e rádio.

A sua dimensão foi sempre reduzida e em constante explosão, como mostrou a rápida sucessão de três grupos: a Real Academia, a SPATSF e a REP, entre 1925 e 1926. A luta entre uma geração de técnicos e elementos republicanos (José Celestino Soares, Eugênio d’Avillez) contra um grupo mais jovem e ligado às correntes políticas autoritárias (Penha Garcia, Botelho Moniz) - embora não o explique na totalidade - esteve por detrás da constituição das várias associações.

Alguns dos seus dirigentes circularam pelas várias associações, tentando legalizar a radiodifusão em Portugal. A posição dos amadores complicou-se mais com o começo da segunda guerra mundial, proibindo-se-lhes qualquer actividade a partir de 21 de Setembro de 1939.

Acabada a guerra, os amadores procuraram retomar a sua actividade, recorrendo mesmo a Salazar para resolver o problema.(1) Mas a actividade de radioamador precisava, doravante, do reconhecimento explícito da Legião Portuguesa, declarando-o pertencente à causa patriótica.

A "Legião Portuguesa" fundada por proposta de J.Botelho Moniz, por Decreto-Lei de 30-9-1936, que estabelece na base I "O Governo reconhece a Legião Portuguesa, formação patriótica de voluntários destinada a organizar a resistência moral da Nação e cooperar na sua defesa contra os inimigos da Pátria e da ordem social."

"Nós estamos sempre e em toda a parte. Estamos sempre na vigilância, na contradita, na acção Estamos em toda a parte: nos cafés, nos teatros, nos serviços públicos ou particulares, nos combóios, nas serras, nos campos, nas cidades nas praças e nas ruas..."(3)

No conhecimento público da rádio, há um lugar para as exposições. Por exemplo, a realizada em Fevereiro de 1929 ocupou as primeiras páginas dos jornais, agrupou os lojistas, consolidou o prestígio do posto amador CT1AA, serviu de reanimação do movimento associativo e preparou o surgimento da revista RádioCiência. Durante o certame, escutaram-se também várias estações estrangeiras nos receptores ali instalados. Patrocinada pelo ”Diário de Notícias”, a exposição mostrou quer a indústria nacional quer os melhores aparelhos estrangeiros. Outra exposição, inaugurada a 30 de Novembro do mesmo ano,13 apresentava: "materiais consideravelmente superiores à anteriorExposição em qualidade e sobretudo novidades de incontestável valor que acabam de ser expostas nas últimas grandes exposições internacionais de Paris, Londres, Berlim e Nova Iorque. [...] Desde o simples aparelho de galena aos sumptuosos receptores de válvula de grelha blindada. Desde o aparelho alimentado por pilhas secas aos modernos modelos de ligação a uma simples tomada da corrente no sector".


Foto de rádio 

PHILIPS


Referências:
(1) Carta assinada por Manuel Antunes (CT1CO), presidente da REP, e publicada no Boletim da Rede dos Emissores Portugueses, n.2 54, Janeiro de 1954, em stencil.
(2) Revista "TSF em Portugal", nº1, ano 1, Novembro de 1924, nota acrescentada pela "Minharadio"
(3) Salazar.Discursos III, 20/21. Alocução aos legionários, nota acrescentada pela "Minharadio"

Este artigo é uma cortesia de Rogério Santos e adaptado para "A MINHARADIO"



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