"Ah, choro, duplamente! Sempre que eu penso nele, sempre que eu penso no Roquette-Pinto, eu choro duplamente! Eu choro meu pai, o companheiro, trabalhei com ele, a vida inteira ao lado e choro muito a falta do brasileiro, muito! Porque eu acho que precisava ter muitos Roquettes agora, no Brasil. Sempre! Com aquele espírito que ele tinha, aquele amor pela gente dele, mas é um amor consciente, amor de pai para filho, que vê que o filho tem seus defeitos e que tem que educar! E não é aquele pai que diz: "Meu filho é o melhor do mundo, meu filho é inteligente.", ou encher o filho. Não, nada disso, não! É trabalhar para poder educar o seu filho bem! E dar o exemplo, é o amor! Esse amor que ele tinha, é uma coisa impressionante! O amor que ele tinha por essa gente e, engraçado: ele não era povo. Eu gosto de dizer isso, eu gosto muito de dizer isso. Porque ele nasceu – eu vou dizer, parece uma coisa – mas ele nasceu numa certa aristocracia. O meu pai nasceu, ele era aquela coisa de fazenda, neto de fazendeiro, tinha meios. Depois minha avó perdeu, vendia doces para fora, ficou pobre. Mas, quer dizer, do ponto de vista de educação. Então, ele não era povo, mas ele sentia mais o povo do que muita gente que mora na favela, que é povo! Ele sentia o povo dele! E eu acho isso algo muito bonito. E muito raro!
Era isso que eu queria ser..."
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Beatriz Roquette-pinto fala de seu pai e de como ele fazia os noticiários na rádio |
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aminharadio. Vozes: Beatriz Roquette-Pinto (2006). http://www.aminharadio.com/radio/radio_beatriz
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