Extracto do filme "O Costa do castelo"

Separadores primários

Imagem: 
Cartaz do filme
Foto de uma cena do filme

O Costa do Castelo, de Artur Duarte

Talvez se pergunte o que terá este filme a ver com a rádio. Pelo título nada se descobre, mas se recorrermos à nossa memória para recuar no tempo, lembramo-nos da célebre cena em que Simplício Costa (António Silva), depois de ter comprado um rádio, o demonstra, explicando como funciona e porque faz aqueles estranhos ruídos.

Nessa simples explicação, feita da forma exuberante com que António Silva nos habituou, acaba por dar a melhor definição de rádio que já se ouviu:

"E isto toca?" – Alguém terá perguntado - "Se toca! Liga-se à parede e é uma torneira a deitar música!". Simples mas genial.

Era o tempo em que o rádio ocupava um lugar de destaque no aposento principal da casa e a família (quantas vezes os vizinhos) se reunia para ouvir atentamente as músicas e as vozes da rádio.


Sinopse:

Daniel aluga um quarto na humilde e simpática casa da senhora Rita e do senhor Januário, na Costa do Castelo, onde mora Luisinha - uma jovem bancária, órfã, por quem Daniel se sente atraído - e um popular professor de guitarra, Simplício Costa. A verdadeira identidade de Daniel é desmascarada por Mafalda da Silveira, sua tia, o que causa grande sarilho na relação entre Luisinha e ele, pois trata-se de um fidalgo.

Graças a um estratagema acabam todos por mudar-se para o solar da família, nos arredores de Lisboa.

Observações:

"O Costa do Castelo", assim como "A Menina da Rádio" e "O Leão da Estrela", que viriam a dominar a comédia popular nos anos 40, resulta da associação (feliz) entre o realizador Arthur Duarte, o autor João Bastos, o argumentista Fernando Fragoso, o director de fotografia Aquilino para retratar a vida do bairro lisboeta, as velhas casas com roupa a secar e sardinheiras à janela, as tricas de vizinhas, a coscuvilhice, o gosto de conversar na cozinha. E algumas das suas figuras típicas, como este António Silva-da-Arábia, que resolve sempre os problemas e nunca está de mal com ninguém.

O enredo (...) é pobre de efabulação e recorre a velhos truques cénicos, como a identidade escondida. Mas o que está em causa é a movimentação permanente das personagens, a vivacidade dos diálogos, a verdade dos apontamentos e (...) a espantosa graça de algumas cenas cómicas."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986


Ficha técnica:

Realização:
Arthur Duarte

Local de Estreia:
São Luiz (Lisboa) - 15 de Março de 1943

Produção:
Tóbis Portuguesa

Obra Original:
João Bastos

Argumento:
Fernando Fragoso

Diálogos:
João Bastos

Actores:
Luís Campos
António Silva
Maria de Lourdes de Almeida Lemos (Milú)
Maria Olguim
António Sacramento
Mendonça de Carvalho
Manuel Santos Carvalho
Hermínia Silva
Dina Salazar
Isabel Carvalho
Vital Santos
João Silva
Maria Matos
Fernando Curado Ribeiro
Teresa Cazal
Virgínia Noronha




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