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ESCUTE OS DOIS LADOS DA NOTÍCIA!



Rádio em ondas curtas - papel estratégico nos conflitos


Célio Romais*

Em épocas de conflitos, no passado, o rádio foi o veículo de comunicação mais usado por vencidos e vencedores. Na chamada Guerra Fria, idem. De um lado, a Voz da América pregava o mundo democrático americano e, de outro, a antiga Rádio Central de Moscovo, também conhecida como A Voz do Comunismo, irradiava as maravilhas socialistas.

O tempo passou. A Internet chegou, a televisão por cabo leva o mundo para os mais longínquos rincões. As maravilhas da comunicação ditam as regras. Os conflitos, entretanto, permanecem como antes. Se outrora era a guerra comunismo versus capitalismo, actualmente, de acordo com a mídia ocidental, o "mocinho americano" combate terroristas.

Quando todo mundo pensava que a Internet e a televisão por cabo seriam os principais veículos de comunicação usados nos conflitos actuais, vem a surpresa: o velho e bom rádio continua tendo papel decisivo e estratégico.

No dia 4 de outubro, o embaixador de Israel na ONU, Dan Guillerman, foi à tribuna do Conselho de Segurança para acusar a Rádio Damasco de "incentivar o terrorismo na sua programação". Como muito bem anotou o jornalista Flávio Archangelo, na lista de discussão "radioescutas", "o rádio foi o único veículo citado na reunião de emergência do Conselho".

Para quem acompanha ondas curtas, não é surpresa a citação. Os Estados Unidos, após apear o Mulá Omar do poder, no Afeganistão, o que fez? Criou serviços, no idioma dari, em ondas curtas, para aquele território. A emissora recebeu a alcunha de "Rádio Afeganistão Livre". Em seguida, após espantar Saddan Hussein para local ignorado, criou o mesmo serviço para os ouvintes iraquianos. Inclusive, chegou a emitir sinais de rádio de um avião, o Comando Solo, que sobrevoava Bagdá e arredores.

Se hoje a Voz da Rússia suplica por anúncios comerciais na sua programação e cede transmissores para grupos religiosos, o contraponto pode ser feito pelas pequenas emissoras estatais de países envolvidos em conflitos. O que a Voz da América e suas estações satélites como a Rádio Afeganistão Livre e Ásia Livre levam ao ar tem outra versão nas ondas da Rádio Damasco, Voz do Irã e Rádio Cairo.

Não conheço os detalhes da denúncia do embaixador de Israel na ONU sobre terrorismo na programação da Rádio Damasco, nem ao certo sei em que idioma foi proferida. O que quero ressaltar é que o rádio, a pesar de vivermos o mundo da Internet, está aí provando a sua força. É ele quem traz os "dois lados da notícia".

O governo sírio de Bashar al Assad utiliza os velhos transmissores de ondas curtas da Rádio Damasco, fabricados há anos pelos soviéticos, para falar à sua maneira. É preciso lembrar, também, que o governo de Israel possui a Rádio Galei Zahal, que é uma emissora com programação dedicada ao seu meio castrense. Emite, em hebraico, em 6973 e 15785 kHz.

Como radioescuta e dexista, ou seja, que capta emissoras de países distantes via ondas curtas, acompanho, periodicamente, os programas emitidos desde Damasco, a partir de 20h15, em 12085 e 13610 kHz, em espanhol. Na programação, muita música típica daquele país, informações turísticas, respostas aos ouvintes que enviam cartas e comentários políticos.

Se já tem um receptor de rádio de ondas curtas, não perca tempo: escute os "dois lados da notícia". A primeira conclusão que terá é a de que o rádio, com toda a sua versatilidade, practicidade e economia, permanece firme como veículo de comunicação no atribulado mundo de conflitos de hoje.



*Jornalista e radioescuta. Coordenador do DX Clube do Brasil. E-mail: romais@portoweb.com.br

Link relacionado: RÁDIO EM TEMPO DE GUERRA



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