O aparecimento das "Rádios Piratas"

Separadores primários


O APARECIMENTO DAS "RÁDIOS PIRATAS"



No domingo de Páscoa de 1964 um navio zarpou da Irlanda para o Mar do Norte, mudando o curso da hisTória da rádio.

Foi assim que surgiu a Rádio Caroline, a mais antiga rádio pirata da Europa.


Logo da Radio Caroline


Tudo começou quando Roanan O'Rahilly deixou a sua terra natal, Dublin, em 1961, com 21 anos, atraído pelo cenário da música pop de Londres. Era agente de jovens artistas, mas, como encontrou as rádios da época fechadas para aqueles que não pertenciam ao cartel das gravadoras, decidiu criar a sua própria rádio.

Com um empréstimo de 250 mil libras, comprou um antigo navio holandês de porte médio para o transporte de passageiros e partiu para Greenore, um estaleiro a cem quilômetros de Dublin, que pertencia ao seu pai. Em 1964, o navio estava renovado, equipado com transmissores de rádio e rebaptizado de "Caroline", em homenagem à filha do primeiro presidente católico dos Estados Unidos, John Kennedy, que tinha origens irlandesas.

Em 1966, a emissora teve que sair das águas britânicas e passou a operar no Mar do Norte, onde, acredito eu, permanece até hoje.

O exemplo do Caroline foi seguido pelas Rádios Verônica e Mi Amigo, outras emissoras que surgiram na mesma época. O nome "pirata", que se dá às emissoras clandestinas, vem dessas três primeiras, por estarem sempre a operar dentro de um navio em águas internacionais.

Nas ondas curtas, as emissoras passaram a ser chamadas, também, de clandestinas. Isso é devido ao facto de estarem nas mãos de grupos políticos, religiosos ou econômicos que são declarados ilegais por determinados países.

Até 1989, quando o derrube do Muro de Berlim terminou com a chamada Guerra Fria, dezenas de países lutavam contra grupos políticos que utilizavam a guerrilha e uma estação de rádio para tentar derrubar o grupo político que estava no poder.

Angola e El Salvador são exemplos clássicos onde isso aconteceu. Há pouco tempo os governos dessas nações conseguiram fazer um acordo com as guerrilhas, o que determinou o fim da Rádio A Voz da Resistência do Galo Negro, que estava ao serviço da Unita, e da Rádio Farabundo Martí, que lutava através do sinal de rádio contra o governo do presidente Alfredo Cristiane. E, dessa forma, muitas outras emissoras clandestinas acabaram por sucumbir em diversos países do Terceiro Mundo.

Os outros propósitos que fazem com que determinado grupo utilize uma emissora clandestina, o religioso e o econômico, ainda persistem, principalmente no mundo árabe e em relação a Cuba, onde o propósito econômico também pode ser de natureza política.

Um exemplo de país em que o dial de ondas curtas se vê invadido por estações clandestinas tentando passar mensagens religiosas é o Irão. Diversas facções utilizam o rádio. Num rastreamento feito por radioescutas em 1987, foram captadas as seguintes emissoras:

  • Rádio Iraniana dos Trabalhadores,
  • Voz da Libertação do Irão,
  • Rádio Nacional do Irão,
  • Voz do Partido Comunista do Irão,
  • Voz Livre do Irão,
  • Voz do Curdistão Iraniano e
  • Rádio Irão

Com relação a Cuba, numa pesquisa feita por radioescutas, também em 1987, foram relacionadas as seguintes estações que trabalhavam contra o regime de Fidel Castro:

  • Radio Camilo Cienfuegos,
  • Radio Libertad Cubana,
  • Radio Caimán,
  • Rádio Soberania Nacional,
  • La Voz de Alpha 66,
  • Radio Antorcha Martiana e
  • Radio Mambí

A Radio Mambí é uma emissora de Miami, legalizada pelo governo norte-americano em 710 kHz, que não deixa de ter uma programação clandestina em relação a Cuba.

A grande sensação que puxa essas emissoras contra Cuba, no entanto, é a Radio Martí, que foi instalada em 1986 para combater Fidel Castro e o seu governo. Ironicamente a emissora recebeu o nome de um dos maiores líderes de Cuba.


Cortesia de Ivan Rodrigues


Faça um donativo!

Faça um donativo!

Agora é mais fácil com Paypal!

Com o paypal.me pode contribuir para o site em qualquer moeda e em qualquer valor com a segurança desta plataforma.

Clique aqui para ajudar com o que quiser, com o que poder.