História da telegrafia sem fios

Separadores primários


A TELEGRAFIA SEM FIOS - TSF


Imagem animada de um telégrafo


“Telegrafia Sem Fios”, do inglês Wireless Telegraphy, era a denominação europeia para as comunicações por ondas electromagnéticas em “Código Morse” (“CW” em linguagem técnica). Na América esta expressão foi usada até cerca de 1910, depois desta data a designação oficial passou a ser simplesmente Radio. A marinha de guerra dos Estados Unidos determinou inclusive que fosse usada a palavra Radio em vez de Wireless nas comunicações oficiais a partir de 1912.

A palavra Radio deriva de um neologismo usado pelo professor Édouard Bradly para designar o aparelho que tinha inventado em 1890, o Radioconductor, mas que viria a ser mais conhecido como Cohesor.

A revista britânica “TID-BITS”, na edição de Maio de 1898, descreve alguns dos trabalhos de Guglielmo Marconi e usa a palavra Radioconductor em vez de Wireless.

Em Portugal utilizou-se a palavra Radiotelegrafia desde logo, mas quando a “fonia” (palavra ou música), substituiu a “grafia” (código Morse), os portugueses, que chamavam aos receptores “telefonias”, uma adaptação de “telephone” (já usada desde a instalação dos primeiros aparelhos em Portugal em 1878), rapidamente conotaram a palavra à sigla “T.S.F.”, aportuguesando para “Telefonia Sem Fios”. Os técnicos ainda usaram durante algum tempo a palavra “radiotelefonia”


Imagem de um telégrafo de 

1855


Não se sabe se existiu qualquer interesse pela “Telegrafia Sem Fios” em Portugal até ao início do século XX, mas é provável que em alguma parte deste país alguém tenha tentado algo, ou que, pelo menos, se tenha interessado pelo assunto, pois desde o início do século XIX que os estudos e descobertas no campo da electricidade e magnetismo, os fundamentos da radiodifusão, foram muitos e esta matéria já era estudada na Escola Politécnica de Lisboa, na Academia Politécnica do Porto e na Universidade de Coimbra desde o século XIX.

Pelo mundo fora já se transmitia sem fios desde 1895, Guglielmo Marconi em Itália, Alexander Popov na Rússia, o Padre Landell de Moura no Brasil e nos Estados Unidos Nikola Tesla, um imigrante croata, já faziam experiências bem sucedidas e ainda hoje existem dúvidas de quem foi realmente a primeira transmissão via rádio.

Muitos foram os que contribuiram para a descoberta e o desenvolvimento da rádio. O alemão Henrich Hertz, em 1887, descobriu a radioelectricidade. O francês Édouard Branly montou um aparelho que assinalava as ondas eléctricas previstas por Hertz. No Brasil, em São Paulo, em 1893 e 94, o Padre-cientista Roberto Landell de Moura realizava as suas experiências, com êxitos, da transmissão, sem fios, por ondas luminosas e electromagnéticas, da telegrafia e da palavra. O russo Aleksander Popov juntou um novo elemento: a antena. Em 1895 os ingleses Henry Jackson e Sir. Oliver Lodge transmitiam sinais a pequena distância. Mas foi a válvula do norte-americano Lee De Forest, capaz de produzir um sinal contínuo, que possibilitou a transmissão da voz humana.

Como se vê, a “T.S.F.” não é produto de um só inventor, mas sim um conjunto de invenções. Ainda assim atribui-se a Marconi a paternidade da “T.S.F.” pois foi o que mais rapidamente patenteou o seu feito em 1896.


Autenticação da empresa de TSF Radio 

Marconi


A comunicação é uma actividade difícil de definir satisfatoriamente. Ao longo dos tempos, académicos e filósofos tentaram dar uma explicação completa para o fenómeno da comunicação. Para uns comunicação pode ser uma simples troca de “olhares”, para outros é falar o mesmo idioma, para outros, ainda, é divulgar informação. A lista podia tornar-se imensa. Num ponto, todos estão de acordo: a Rádio é um meio privilegiado de comunicação. Antes do advento da rádio, as noticias estavam confinadas a uma elite que sabia ler e compreender o que estava escrito nos jornais, os outros limitavam-se às noticias divulgadas pelo pároco nas missas (acabavam normalmente por chegar a todos, mas tinham só um ponto de vista).

A história da “Telegrafia Sem Fios” em Portugal começa com aparelhos simples e pouco potentes ao serviço do Exército e da Marinha em Março de 1901, mas mesmo pelo mundo fora a “T.S.F.” era uma novidade. Em Portugal as primeiras notícias eram dadas na primeira página com um destaque especial. O jornal “O Século” chegou inclusive a dedicar longos e exaustivos artigos a esta nova tecnologia.

Dizem as estatísticas que a população, no começo do século XX, era de aproximadamente 5 500 000 habitantes em Portugal e de acordo com antigos e enraizados condicionalismos socioeconómicos, a distribuição da população era muito irregular. A concentração fazia-se junto ao litoral a Norte do rio Tejo em detrimento do interior, onde dominava quase exclusivamente uma agricultura de índole muito rotineira e de que se ocupava também a população infantil. Mas com a falta de escolas fora dos centros urbanos, a frequência escolar era reduzida. Com esta situação a manter-se nos anos 30 e ainda com 50% da população analfabeta, a Rádio acaba por vir em auxilio das terras que viviam em verdadeiro esquecimento. A Rádio chega onde outros meios de comunicação não chegam, e chega a todos que tenham um receptor sejam eles letrados ou analfabetos.

A Rádio tornou-se rapidamente no meio mais económico e rápido de informação e entretenimento. Embora não houvesse um jornalismo radiofónico em Portugal, o que só veio a acontecer durante a segunda guerra mundial, a população tinha sempre algumas noticias divulgadas pelos locutores de serviço. Mas a grande paixão dos portugueses era a música e o teatro radiofónico.

Sendo a Rádio um bem inestimável, pela quantidade de informação que disponibiliza e pelo pluralismo de opiniões que proporciona, foi rapidamente regulamentada pelo poder vigente, sendo esta regulamentação revista periodicamente, pois este meio de comunicação sendo mais abrangente implicava um poder, que talvez só tenha sido testado e compreendido na totalidade, pela primeira vez, em 1938 quando Orson Welles encenou a “A guerra dos Mundos”.

Em Portugal é difícil dissociar a pré-história da Rádio da história dos Telégrafos, dos Telefones e dos Correios, assim como a história da Televisão não pode ser separada da história da Rádio. Todas estas entidades estavam tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Os telégrafos já tinham linhas em Portugal desde 1855, e o telefone foi uma realidade no país em 1879, chegando inclusive a ser feitos nesse ano testes com um aparelho inventado pelo português Cristiano Bramão, o famoso telefone de mesa.


Postos de telégrafo


Foram dois empregados dos Correios e Telégrafos que em, 16 de Maio de 1902, fizeram aquela que se pode considerar a primeira emissão civil de “T.S.F.” em Portugal, entre o cruzador “D. Carlos” e a Estação de Semáforos de Cascais. A experiência vem relatada nos jornais da época, e o nº 17 da revista “T.S.F. em Portugal”, editada em 1 de Março de 1925, dedica-lhe umas linhas inseridas no artigo “A T.S.F. nos Açores”.

A palavra “Radiotelegrafia” (radiotelegraphia como era escrito na altura) foi usada em Portugal logo em 1901 no “Diário do Governo”, quando a “Telegrafia Sem Fios” ainda estava a ser experimentada em Portugal, mas depois de 1920 as palavras “Telefonia Sem Fios”, “Radiotelefonia”, e “Radiodifusão” começaram a ser utilizadas, não só pelos técnicos, como pela população em geral. Em Portugal os jornais da época referiam-se ao aparelho de Brandly como “Radioconductor” e não como “Cohesor”.

Muita confusão surge em torno destes tecnicismos, muitas vezes referindo-se a “Telegrafia” quando se queria chamar de “Telefonia” e vice-versa, e, para ajudar a esta mistura, em 1903 a palavra Radio é atribuída a um elemento químico metálico descoberto por Marie Curie. A palavra Rádio provém do latim Radius, que significa raio.

No primeiro número da revista “T.S.F. em Portugal”, em 9 de Novembro de 1924, já se fazia uma distinção clara entre a Radiodifusão e a Telegrafia Sem Fios. A palavra telefonia já era usada quando os primeiros telefones apareceram, a revista “O Instituto”, de Março de 1878, publicou um artigo do professor Adriano de Paiva com o titulo “A telefonia, a telegrafia e a telescopia”.De salientar que a invenção da televisão foi baseada nalgumas teorias de Adriano de Paiva

Adriano de Paiva leccionava na Academia Politécnica do Porto, hoje Faculdade de Engenharia do Porto. O jornal “O Comércio do Porto”, de 4 e 7 de Outubro de 1879, descreve as teorias e as publicações do professor Adriano de Paiva.

Até cerca de 1925, os postos de “T.S.F.” civis eram praticamente todos amadores, os emissores e os receptores eram quase todos fabricados pelos próprios entusiastas, uns transmitiam em Morse e outros já emitiam em “fonia”, mas de muitos não ficou qualquer registo.


Foto do rádio mais antigo



Texto: Cortesia de Jorge Silva proprietário do site sobre a rádio em Portugal http://telefonia.no.sapo.pt/
Imagens e links relacionados são propriedade da "Minharadio"


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