
Mais uma vez, ouviam-se notícias saídas de todos os rádios sobre aquilo que se estava a passar.
Com 10 anos, Emília não percebia muito bem o que estava a acontecer, percebia apenas que era algo muito importante. Os pais falavam baixinho e ela só conseguia apanhar “golpe de estado”, palavra que nunca tinha ouvido e que não sabia o significado.
Estava-se no ano de 1974, 25 de Abril, em Portugal. Emília era uma criança como muitas outras que, de repente, se encontraram dentro de um acontecimento avassalador, mas que não compreendiam. Política não existia dentro daquelas pequenas cabeças nem nada semelhante. Os pais falavam a medo do que se passava, sem nada explicarem aos miúdos e estes, enrolados nessa onda também se calavam mal ouviam vozes no rádio que, divulgavam os acontecimentos mais recentes. Depois era música o tempo todo, curiosamente, só música portuguesa.

Na escola a professora levou um pequeno rádio onde todos se juntavam para ouvir as notícias. Emília não percebia, mas adorava todo aquele mistério, suspense e, ansiedade que, envolvia naquele momento a sua vida, sempre tão normal!
Emília hoje com 40 anos, recorda esses tempos e a paixão que sente quando liga o seu pequeno rádio e ouve tudo: musica, vozes, ideias, gostos, drama, humor, amor, tudo, tudo brota daquele pequeno aparelho. Ainda bem que ondas curtas e compridas nos ligam num abraço de cumplicidade, para sempre a RÁDIO!










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