Teresa Salomé - A rádio invade os nossos sonhos

Separadores primários


A RÁDIO INVADE OS NOSSOS SONHOS



Teresa Salomé*

Desenho de um 

rádio


De facto, a rádio tem assumido um papel de extrema relevância desde o seu surgimento até aos nossos dias. Deste modo, pode referir-se, somente a título de exemplo, a elevada qualidade da informação noticiosa de algumas emissoras radiofónicas, os inúmeros programas musicais que fazem sonhar os ouvintes ou ainda e não menos importante aqueles locutores das rádios que, por carisma, simpatia ou por qualquer outra razão nos cativam de uma tal forma que conseguem obter o privilégio, por vezes nem à nossa família concedido, de entrar, diariamente nas nossas casas, invadir os nossos sonhos, fantasias e desejos tornando-se, quase, membros da nossa família.

Para os jovens como eu, este facto apresenta-se ainda mais evidente uma vez que o nosso temperamento alegre e vivaz leva-nos a desejar fugir das pequenas contrariedades e problemas com que nos deparamos no nosso quotidiano.

Assim, para nós, a rádio, os seus programas, as suas músicas, os seus locutores, entre muitas outras coisas que a rádio nos pode oferecer, são como que uma válvula de escape que muitas vezes nos ajuda a solucionar os nossos problemas ou pelo menos a encontrar força para os enfrentar.

No entanto, e a pesar de tudo isto, vivemos numa época que nem sempre se apresenta fácil para as emissoras radiofónicas devido em grande parte, ao facto de a maioria dos indivíduos que compõem as sociedades actuais valorizarem muito mais o conteúdo, quer implícito, quer explícito, de uma única imagem do que o conteúdo que possa eventualmente estar patente num conjunto de palavras.

Mas se é verdade que vivemos na época da exaltação da imagem, não deixa de ser igualmente verdade o facto de que há muitos, tal como eu, que não podem usufruir desse privilégio, não podendo, por isso mesmo atribuir às imagens qualquer valor, ainda que muito o desejassem. E sendo assim, de que forma poderão estas pessoas percepcionar o mundo que as circunda? Será através da rádio, das suas descrições e informações muitas vezes detalhadas e levadas ao pormenor que permitirão colmatar estas necessidades? Não sei como poderá ser para os outros, mas posso tentar dar o meu próprio testemunho de vida.

Tenho 19 anos, sou cega de nascença e desde tenra idade, descobri a rádio. De tal forma gosto de ouvir rádio, que às vezes até digo na brincadeira que já devo ter nascido a ouvir rádio. Refira-se, então, a este propósito, que foi através da rádio que acompanhei, atentamente, por exemplo, a queda das torres gémeas ou ainda que é através da rádio que acompanho sempre os relatos de futebol já que estes são apresentados de uma forma indubitavelmente, mais clara, concisa e rica em informações detalhadas e rigorosas que me permitem compreender melhor o que se passa nos jogos, contrariamente, ao que sucede com os relatos televisivos que são desprovidos de informações pormenorizadas. É igualmente importante sublinhar que as estações radiofónicas não têm todas a mesma função, como é sabido, tendo cada uma delas muito bem definida a sua identidade, bem como as suas semelhanças e diferenças relativamente às outras emissoras.

Em suma, é lícito afirmar que as emissoras radiofónicas são ainda hoje, para muitas pessoas, como eu, uma boa companhia nas horas de tédio e até de tristeza. Muitas vezes, é a rádio que me anima e me alegra.

Tenho, tal como qualquer outra pessoa, as minhas estações de rádio favoritas, e são elas que muitas vezes me ajudam a resolver problemas que pensava insolucionáveis. Por exemplo, quando contacto com testemunhos de ouvintes que estão doentes, mas que ao ouvir a rádio ficam a sentir-se melhor, até me sinto mal por fazer das minhas frivolidades, grandes e incontornáveis problemas. Por fim, gostaria ainda de deixar um pequeno conselho para todos em geral e para os jovens em particular: é muito bom que quem possa visualizar imagens o faça, mas sem nunca esquecer que por vezes um conjunto de palavras podem dizer, efectivamente muito mais do que uma simples imagem.

Não nos podemos esquecer que o contacto e a comunicação com os outros também são importantes.



*Teresa Salomé é cega de nascença. Para as pessoas com deficiência visual a rádio redobra a sua importância, quer como meio privilegiado de informação, quer como companhia e distracção.
Numa sociedade que não aprendeu a conviver com a diferença, a rádio é a voz amiga, sempre presente, disponível, sem recriminações ou preconceitos.

Comentários

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