Superheterodino - Análise detalhada

Separadores primários


Análise detalhada dos estágios de um receptor superheterodino



Considerações


Este artigo tem a finalidade de clarificar o entendimento do funcionamento do circuito em questão, não tendo absolutamente a pretensão de esgotar o assunto. Usou-se, para exemplo, o circuito de um rádio de apenas uma faixa, com o objectivo de simplificar a compreensão, uma vez que as chaves de onda “complicam” o desenho do esquema, tornando-se na maioria dos casos um verdadeiro emaranhado de linhas.



O conversor ou misturador de um receptor super-heterodino


Este estágio tem por objectivo realizar três funções:

  1. Sintonizar e amplificar os sinais recebidos pela antena ou pelo amplificador de R.F presente em alguns modelos mais elaborados.

  2. Gerar um sinal não modulado a uma frequência de valor maior que o da frequência sintonizada. Esse valor maior, é a frequência estipulada no projecto para ser a F.I. (frequência intermediária). Sempre que a sintonia do receptor for alterada, essa frequência deverá ter o valor lido no dial do rádio somado à frequência intermediária (F.I.) O valor dessa frequência não é padronizado, e varia entre 115khz e 480khz; dependendo do fabricante.

  3. Misturar o sinal recebido com o gerado localmente (daí o termo oscilador local).

  4. Manter a diferença constante entre o sinal sintonizado e o gerado no circuito.

  5. Finalmente entregar um sinal modulado denominado “Frequência Intermediária”, que será processado no próximo estágio do receptor: O canal de F.I.



Teoria simplificada de operação


Sintonia e amplificação



Clique no esquema para expandir


Tomando por base o esquema acima, podemos notar que o conversor, está construído em “torno” da secção héptodo da válvula 6AJ8. Verificando o diagrama, consideremos a bobina de antena (L1, L2) como um sendo transformador, cujo primário (L1) está conectado entre a "terra" (chassis) e o fio de descida de antena, que canaliza os sinais electromagnéticos gerados por transmissores remotos. Esses sinais, de valores muito baixos, são elevados pelo “transformador”, a valores apropriados que estão presentes no secundário (L2), alimentando a grade do héptodo.

Esses sinais já devidamente amplificados, “aparecem” na placa do héptodo. Em paralelo com o secundário da bobina, há um capacitor variável (CV1) e um trimmer (T1), formando um circuito sintonizado, capaz de seleccionar a frequência que se deseja captar.



Oscilador


Gera um sinal de R.F. de valor "diferente" e maior daquele que está sendo sintonizado. No caso da 6AJ8, esse trabalho é realizado pelo seu tríodo, que trabalha configurado como um oscilador de frequência variável (circuito sintonizado formado por L3,L4, CV2 e T2).

Não abordaremos aqui a questão, mas há diversos tipos de configuração para osciladores.

O oscilador, é projectado de forma a produzir uma frequência de valor constante e superior à do sinal sintonizado na antena. Essa frequência, varia sempre que sintonizamos o receptor. (Os capacitores CV1 e CV2 são mecanicamente acoplados e variam simultaneamente) Por exemplo, se o valor estipulado para a diferença entre as frequências (sintonizada e gerada) for de 455khz, ao sintonizarmos uma estação de 800khz teremos a frequência de 1255khz sendo gerada pelo oscilador, e assim por diante.



Misturador


Mistura os dois sinais. O sinal de R.F. amplificado pelo héptodo e o sinal de R.F. gerado pelo triodo aparecem na placa do héptodo, produzindo quatro frequências de valores distintos. Essas frequências são:

  • A frequência sintonizada no circuito da grade g1 do héptodo.

  • A frequência gerada pelo circuito oscilador.

  • A frequência resultante da soma das duas primeiras.

  • A frequência resultante da diferença entre as duas primeiras. Essa é a que nos interessa!!

Exemplo:
Imaginemos um circuito oscilador no qual a frequência gerada é de 455 khz maior que a frequência sintonizada em um dado momento. Consideremos que na antena (circuito formado por L2/CV1/T1) foi sintonizada a frequência de 1000 khz. O oscilador estará então gerando a frequência de 1455 khz. Na placa teremos as seguintes leituras:

  • 1000 khz - sinal sintonizado.

  • 1455 khz - sinal produzido pelo oscilador local.

  • 2455 khz - soma dos dois sinais.

  • 455 khz - diferença entre os dois primeiros.

Dos sinais acima, na prática, usamos apenas o de 455khz, que é a Frequência Intermediária. Esse sinal de frequência constante para qualquer valor sintonizado, é modulado (contém informação de áudio) pelo transmissor (estação de rádio) que estamos sintonizando, ou mesmo por um gerador de sinais de bancada. Esse resultado obtido na placa do misturador, é aplicado ao próximo estágio do receptor: o amplificador de frequência intermediária.



Meyer M. Rochwerger


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