Detalhes do transmissor


DETALHES DOS EMISSORES



Imagem do Titanic


O emissor de rádio do Titanic recebeu em Janeiro de 1912 o seu indicativo oficial de “MCUâ€, no entanto algum tempo depois verificou-se que esse indicativo já tinha sido atribuído. Pertencia ao navio Yale dos Estados Unidos, pelo que foi substituído pelo indicativo “MGYâ€.

Na época os indicativos começavam pela letra do fabricante do transmissor que era montado a bordo:
M = Marconi
T = Telefunken

A segunda letra era relativa ao país de origem:
F = França
G = Grã-Bretanha


Esquema completo do transmissor


No dia 22 de Abril foi instalado a bordo o equipamento transmissor. Era constituído por um duplo emissor e um duplo receptor, tudo montado num equipamento único.

O transmissor principal era uma estação de telegrafia a rotor "multi chispas" (Spark), capaz de entregar à antena 5Kw. O segundo transmissor era para emergência, funcionava a bateria e era capaz de entregar na antena 1,5Kw.


Esquema do transmissor Spark


O receptor principal era um moderno modelo Marconi a detecção magnética e escuta por auscultadores. O receptor de reserva era um modelo já antigo com detecção por “cohesor de Branly†e registo em tira de papel.

A antena foi desenhada por Marconi, um modelo vertical em “Tâ€, de ¼ de onda, alimentada no topo e sintonizada para uma frequência de 700KHz. Com recurso a um acoplador indutivo podia funcionar em 500KHz, frequência utilizada para comunicações navio terra e para sinais de “CQD/SOSâ€. Esta frequência tinha sido atribuída para esse efeito em 1908.


Antena do Titanic


A baixada da antena em vez de ligar no centro do “Tâ€, ligava a 1/3 do seu comprimento em direcção à proa. Isto permitia criar uma espécie de “janelaâ€, fazendo com que a antena irradiasse bem em 580KHz bem como em 500KHz com a ajuda do acoplador.

No dia 2 de Abril, saindo do porto de Belfast, o Titanic iniciou as suas provas de mar. Durante essas provas os telegrafistas Phillips e Bride instalam o equipamento na que passará a ser chamada “sala Marconiâ€. Da parte da tarde fazem experiências com baixa potência para procederem aos ajustes da antena, transmissores e receptores.

Dado o êxito das provas de mar, o Titanic já não volta a Belfast mas ruma até ao porto de Southampton.

No dia 3 terminam os ajustes do equipamento e, da parte da tarde, efectuam-se testes a plena potência, sendo feita uma chamada geral do Titanic. Curiosamente, a esta primeira chamada geral responde uma estação de Tenerife. A distância alcançada era de 2000 milhas náuticas, cerca de 3700Km. Noutra chamada contestou Port Said, 3000 milhas, uns 5500KM.

Com estas experiências concluiu-se que o navio poderia estar em contacto com as emissoras costeiras de ambos os lados do Atlântico.


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