Na década de 30 e 40, em Portugal, os postos de rádio eram muito experimentais, fruto das limitações técnicas e do amadorismo reinante.
Dada a forma amadorÃstica como tudo era feito, popularmente eram conhecidos como "minhocas", sendo vários os exemplos no cinema português da importância da rádio nesses anos, com descrições mais ou menos caricatas, mas muito próximas da realidade.
"O pátio das cantigas" é um desses exemplos. O "engenhocas" é um entusiasta da rádio, levando muito a sério o seu empenho em transmitir música para os vizinhos do bairro.
Neste excerto trava-se uma corrida entre os vários meios de comunicação; quem conseguirá avisar a D. Rosa da chegada da sua filha, do Brasil? O telefone, o telegrama, a telefonia e, até mesmo um pombo correio!
No filme todos ganharam, mas, tantos anos depois, todos sabemos que foi a rádio a verdadeira vencedora.
"O pátio das cantigas" estreou a 23 de Janeiro de 1942 no cinema Éden.
Argumento:No Pátio do Evaristo, morava a Srª Rosa que tinha dois pretendentes, Narciso que bebia para afogar as suas mágoas e o Evaristo droguista, pessoa de génio agreste, pai da menina Celeste aspirante a pianista, patrão do João Magrinho, caixeiro da drogaria, e do Alfredo, que morria de amores por uma vizinha. A mesma que namorava o irmão, o Carlos Bonito, a Amália que era uma artista bonita mas leviana, bem diferente da irmã, a recatada Susana.
O avô das raparigas, o Sr. Heitor morava por baixo do Engenhocas, que transmitia as cantigas que todo o pátio cantava. Na casa ao lado, vivia um russo, o Borisdonove, a Sr.ª Margarida, e em baixo no rés-do-chão os irmão Marx, Arnesto, Vicente e Sebastião. Falta ainda a Maria da Graça com o seu claro sorriso, que até faz perder o tino ao rebento do Narciso, o grave Rufino Fino.
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