É uma bolacha grande, em regra de cor preta e com um diâmetro de 30cm. Ao longo dela há uma espiral contínua, de espiras muito apertadas e com espaços um pouco largos de vez em quando. Este espaço, facilmente visível, separa as faixas, provocando uma pequena pausa entre elas. Ao contrário do CD, esse hiato não é silencioso. É aqui que se ouvem cliques, sopros, ruídos estranhos, que, por vezes, também se misturam com a música, envolvendo-nos numa atmosfera de magia, surpresa e encantamento.
Este fio condutor de emoções termina junto ao rótulo numa espira sem fim, onde a agulha descansa depois de um longo curso de uns 20 minutos.

Durante esse tempo, a agulha seguiu religiosamente esta espiral, sentindo as suas saliências, convertendo-as em ténues movimentos, ondas de vida, só percebidas por um sensor magnético, umbilicalmente ligado, parte integrante deste explorador de emoções, ora capaz de sussurrar as mais doces palavras, ora capaz de explodir em calorosos sons.
É assim a magia do vinil, o seu calor melódico, a sua presença nas frequências médias privilegiando a voz, os graves extensos para lá das frequências inaudíveis que nos fazem vibrar o corpo, e um som quente e sensual, diferente do acéptico digital, processado por complexos algoritmos que retiram ao som o que este tem de melhor, a sua imperfeição.

Ouvir Norah Jones ou Louis Armstrong em vinil é diferente e mesmo os Pink Floyd levar-nos-ão a colocar em dúvida quem, realmente, tapará o lado escuro da lua. Será o vinil?










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