Curiosidade sobre a atribuição dos indicativos

Separadores primários

Foto de CT1AA
Equipamentos de CT1AA

Não é para me gabar... mas sempre fui muito curioso, e, falando-se em radioamadorismo, as coisas não são exceção!
Uma curiosidade tinha a ver com a forma como eram atribuídos os indicativos com duas letras, uma vez que, na generalidade dos casos que conheço, a idade dos operadores não se encaixa na cronologia temporal da sequência.
É evidente que esses indicativos estariam a ser atribuídos a operadores mais novos, por estarem disponíveis.
Mas, qual seria o critério?
Numa pesquisa recente, encontrei na Web uma página que responde a esta minha dúvida existencial.
Está num site muito interessante, do nosso colega CT1EAT, espaço que, desde já, pelo seu conteúdo histórico, sugiro a visita.
O artigo "Evolução dos titulares dos indicativos CT1AA a CT1ZZ de 1932 a 2019 - Uma breve análise" traça o percurso dos critérios e motivos desta atribuição a operadores mais recentes, ou, pelo menos, a operadores bem mais novos que os iniciais.
Para contextualizar a história, começo por explicar que os primeiros indicativos começaram a ser atribuídos na década de 20 do século passado. O primeiro radioamador português, titular de um indicativo nacional, foi Abílio Nunes dos Santos, logicamente, CT1AA.
CT1AA foi, também, o primeiro detentor de uma estação de TSF, fundada em fins de 1924 e iniciando oficialmente as suas emissões em março de 1925, data que marca o nascimento oficial da radiodifusão em Portugal.
Na altura o radioamadorismo misturava-se com a radiodifusão; alguns emitiam de forma mais ou menos regular, programas de rádio com música ao vivo.
Essa regularidade tornou-se mais consistente com o surgimento da Rádio Lisboa, estação de CT1AA, como escrevi acima, em março de 1925.
Claro que a festa durou pouco e, em 7 de maio foram encerrados os 5 emissores de TSF em Lisboa por ordem da Administração Geral dos Correios e Telégrafos. Mas isso é outra história...
Voltando à lista de indicativos e, agora sim, ao artigo do CT1EAT, este faz uma cronologia década a década, analisando a sequência alfabética, os seus retrocessos, alterações e saltos.
Basicamente, o regulador pretendeu poupar a sequência com 2 letras, e, como tal, muitos foram atribuídos a mais de um operador. Os amadores desta época eram, em geral, idosos e os mais novos desistiam em face da complexidade do hobby.
Por esse motivo muitos indicativos ficavam vagos rapidamente.
O artigo também aborda uma questão interessante, o ou os critérios de atribuição a posteriores titulares.
Esses critérios foram variando ao longo das décadas, por vezes eram atribuídos em função do nome e apelido do operador, outras eram herdados por familiares do operador falecido e outras pelo "nacional porreirismo e o amigo Valente Cunha, que sempre foram uma constante da vida em CT."
Reforço a sugestão de leitura deste artigo, vejam algumas fotos interessantes da coleção deste colega e aproveitem para espreitar os restantes conteúdos do site.
Link para o artigo: Evolução dos titulares dos indicativos CT1AA a CT1ZZ.
Apenas uma observação final: No amadorismo, como na vida, a idade não é atributo relevante, quando se trata de experiência, conhecimento e competência. Que se acabe com o trauma dos indicativos novos!

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