APREENSÃO DE POSTOS De T.S.F.

Separadores primários

Lembram-se de, no post sobre a atribuição de indicativos, eu ter falado na apreensão pelas autoridades das primeiras estações a funcionar a partir de março de 1925?
Aqui fica a notícia e opinião, publicada na revista TSF em Portugal, junho de 1925. O português é o original.

Tivemos conhecimento pelos jornais que, por ordem da autoridade competente, haviam sido aprehendidos uns oito ou nove aparelhos emissores de T. S. F. que funcionavam em Lisboa. Segundo diziam os mesmos jornais fundava-se tal diligencia no facto de se supor que havia sido por meio d’eles que para o estrangeiro haviam sido enviadas informações inexactas relativas ao movimento revolucionário de Abril ultimo.
Achamos bem que o governo tome todas as providencias tendentes a evitar que para o estrangeiro sigam noticias falsas que só tem por fim desprestigiar o bom nome de Portugal junto dos paizes civilisados e que pregam a ordem.
Mas o que nós não comprehendemos é a fúria com que as autoridades cahiram sobre os poucos aparelhos da T. S. F., ainda em experiência, que funcionavam em Lisboa.
Não dispõem as autoridades de aparelhos receptores para, por meio d’eles, poderem fiscalizar as emissões de amadores que entre nós são feitas ?!
E, pergunta a nossa curiosidade; não podiam essas notícias terem sido enviadas de outro modo? Parece-nos que quaisquer notícias podem seguir para o estrangeiro, pelo telegrafo ordinário, pelos postos de T. S. F. do Estado e ainda pelo cabo submarino. Porque é que as suspeitas recahem injustamente e exclusivamente sobre os postos de amadores da T.S.F.
Parece-nos que se devem sempre, em circunstancias como estas procurar o interesse que guia a pessoa que assim procede. Não sabemos se alguma entidade tinha interesse em enviar taes noticias, mas seguramente que os pobres amadores da T. S. F. é que não tinham nem interesse nem vantagem em estar a desprestigiar o seu paiz aos olhos dos estrangeiros.
No entanto estes acontecimentos vem apenas confirmar aquilo que vimos sustentando ha uns poucos de mezes em vários jornais da capital e n’esta revista. Que ha um certo numero de serviços que nunca podem passar para as mãos de estrangeiros pela intima relação que eles tem, não só com a vida da nação, mas como própria defeza nacional.
Os factos acabam de provar que temos absolutamente razão quando dizemos que as comunicações radiotelegraficas devem ficar em mãos inequivocamente portuguezas e sob a fiscalisação do Estado, quando a estes seja absolutamente impossível explorar tal serviço directamente, do que discordámos.

IN: TSF em Portugal, junho de 1925

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