Carta aberta

Separadores primários

Antes de mais, os meus sinceros agradecimentos por ter aberto esta carta.
Será um texto um pouco longo para os dias de hoje, daí que lhe peça, por favor, para que chegue até ao fim.
Se o fizer, cumprirá o meu objetivo de partilhar consigo um sentimento de algum desalento e tristeza.

Como sabe, em 2002 iniciei este projeto de divulgação e preservação da memória da rádio.
Começou por ser algo simples, apenas com alguns textos simples e fotos da minha pequena coleção de rádios antigos.

Os anos foram passando e os conteúdos foram aumentando substancialmente, quer em quantidade quer em qualidade.

Para isso tenho contado com a colaboração de muitos, muitos mesmo, que quiseram, tem querido, partilhar o que têm ou o que sabem, com os outros.

O site aminharadio.com acabou por se tornar numa montra de conteúdos de quem, de outra forma, não o faria por falta de meios ou conhecimento técnico para usar a web como fonte de divulgação.

Entretanto, o site foi crescendo. Crescendo sempre, em visitantes, imagens, sons, textos, e foi acompanhando a evolução da web ao longo de quase vinte anos.

Como faço notar muitas vezes, a evolução da internet foi brutal, não só na quantidade de utilizadores, condições de acesso, como novos dispositivos e formas de aceder.

Em 2002 não existia FaceBook, Twitter, Instagram, etc., e o Google tinha 4 anos…

A evolução técnica veio criar novos desafios e perigos. Nos últimos, digamos 10 anos, a necessidade de estruturas de acesso seguras, rápidas, fiáveis foi acompanhada do respetivo aumento dos custos de alojamento e manutenção.

Ter um site na web passou a ser uma responsabilidade civil com consequências graves para quem contribui, mesmo sem o saber, para a difusão de vírus, pornografia, negócios ilícitos, etc.

Já não é possível ter um site alojado num servidor doméstico ou numa empresa que não garanta as condições de segurança exigidas.

A todo momento surgem ameaças e o fornecedor do alojamento tem de estar atento e estar dotado de ferramentas para controlo e mitigação desses ataques.

Do lado da plataforma, a escolha pelo Drupal em 2006 veio garantir mais segurança, além de um site notavelmente melhor, tanto ao nível das funcionalidades de publicação, etc, como da segurança.

Esse trabalho constante de atualização não tem tido custos porque é feito com os meus parcos conhecimentos de informática.

O foco recai nos custos de alojamento e domínio.

Em 2017 iniciei um teste para verificar a exequibilidade de financiamento deste projeto.
Era uma ideia simples, o site tem mais de 5 mil utilizadores registados, se 5% doassem 1 euro, o valor seria suficiente para cobrir quase a totalidade dos custos.
Se fossem 10% seria um sonho porque sobraria para adquirir conteúdos. Pagar direitos de conteúdos áudio ou de imagem, comprar publicações antigas e fazer a sua digitalização, tudo isto enriqueceria ainda mais o site. Quem sabe até, pagar a alguém que cuidasse da parte gráfica, tratar imagens, cores, etc., dar um aspeto melhor à plataforma…

Criei algumas formas práticas de contribuição, PayPal, a preferível, mas também transferência bancária, referências multibanco para valores baixos, e, recentemente, o MbWay.
Em boa verdade, alguns visitantes e amigos do site, têm colaborado com valores que, para uma só pessoa, até são significativos.

Mas o número de doadores é muito baixo.
O ano passado quase não houve doadores.

Este ano houve um aumento substancial do custo do alojamento e do domínio.
Este mês o servidor terá de ser pago. Estou a tentar negociar, mas, se a empresa que disponibiliza o serviço fizer alguma atenção, será de uns poucos euros.

Se chegou até aqui, deixe-me falar-lhe de um outro projeto meu, mais antigo, mas que, embora de conteúdo diferente, acaba por caber nesta carta.

O lerparaver.com. Este projeto nasceu em 1999 pela minha mão e de um outro amigo.
É um site dedicado à deficiência visual e foi o primeiro em língua portuguesa a abordar esta temática.
Tornou-se o maior site sobre deficiência e uma base de referência para quem procura informação sobre a deficiência da visão.

Em 2006 foi considerado de utilidade pública e apoiado pelo programa POSC.
Em 2012 teve de abandonar o servidor onde esteve gentilmente alojado desde o início e, como é evidente, passou para o mesmo servidor onde está aminharadio.com.

Isto quer dizer que estão em causa dois projetos.

Claro que ninguém tem culpa desta minha empreitada e sou eu quem deve assumir essa responsabilidade.

Mas, a dúvida persiste, estes projetos têm algum valor? Se calhar não têm e eu preciso saber disso.

Talvez não tenha interesse nenhum guardar a memória da rádio de outros tempos. Não interessa nada para os jovens que nem fazem ideia do que é um gravador de bobinas ou uma galena.
E os sons? Não importa saber quem foi Vasco Santana ou Igrejas Caeiro, Irene Velez ou Raúl Solnado…
Quem inventou a rádio ou fez a primeira gravação não deve dizer nada a quem usa o streaming…

Percebo isso quando vejo gente que consegue ganhar dinheiro com vídeos a fazer piruetas, a contar anedotas ou a engolir cápsulas de detergente.

Neste momento o site necessita de 300 euros para pagamento do servidor e domínio. Seria egoísta querer que este valor fosse todo coberto pelos visitantes Eu assumo boa parte dele, mas gostaria de uma ajuda, algo que me fizesse perceber que este esforço vale a pena e estou a contribuir com algo importante e útil.

Não sei se é fácil conseguir isto ou não. Sei que a pandemia veio tornar a vida mais complicada a muitos. Compreendo que não tenho o direito de pedir algo, quando sei que as pessoas têm necessidades e compromissos bem mais importantes. Mas… pode ser um euro, o que quiser, o que poder!

Até o fim de abril estará em avaliação a continuidade do site.

Entretanto, não posso ignorar a ajuda que tem sido dada por alguns amigos, em valores que muito ultrapassam o que seria expectável.

Se acharem que este projeto ainda vale a pena, encontram algum valor ou acrescenta alguma coisa para a preservação da memória da rádio, por favor, clique no link Contribua e ajude a manter viva esta paixão.

Porto, 5 de abril de 2021

António Silva