Artur Agostinho (1920-2011)

Separadores primários

Foto de Artur Agostinho
Outra foto de Artur Agostinho
Artur Agostinho, humorista

Artur Agostinho fez o percurso profissional na rádio, primeiro como locutor amador, em 1938 na Rádio Luso, tendo passado também pela Voz de Lisboa, Clube Radiofónico de Portugal, Rádio Peninsular e Rádio Clube Português. Com 25 anos, entrou na Emissora Nacional (1945). Foi figura marcante do jornalismo desportivo radiofónico, caso de relatos de jogos de futebol e reportagens da Volta a Portugal em bicicleta. No período após 1974, esteve seis anos no Brasil, dos quais dois anos na Rádio Globo, e fundou o jornal Portugal Esportivo.

Como jornalista, colaborou nos jornais A Bola, O País, Tribuna, Norte Desportivo, Mundo Português. Dirigiu também o diário desportivo Record (1963-1974), e o jornal do Sporting.

Um grande produtor independente da rádio antes de 1974 foi a Sonarte, que emitia relatos desportivos, nomeadamente futebol, ao domingo. Um dos seus programas-bandeira foi o programa da manhã, Onda do Optimismo, apresentado por Artur Agostinho (Rádio Clube Português).

Artur Agostinho era “um nome popular no meio radiofónico, como locutor da Emissora Nacional, onde arranjou milhares de amigos entre os ouvintes do Programa da Manhã – o do Optimismo e da Boa Disposição” (Riso Mundial, de 16 de junho de 1947). O realizador do programa da rádio era o produtor da maior parte dessas piadas. Além de Artur Agostinho, o programa incluía elementos como Fernando Conde, Jacinto Grilo, Armando Grilo, Armando Mata e João Seco. Um deles, Fernando Conde recordou em entrevista dada a Luís Garlito (29 de janeiro de 1992, Arquivo da RTP, AHD 14792:

“O Artur levava os discos, levava as fitas, fazia-se um grande programa. Foi um grande êxito. Depois, o Artur Agostinho foi proibido de falar ao microfone pela exclusividade da Emissora [por legislação nacional de 1954]. Entretanto, tínhamos mudado para outros estúdios, estúdios que tinham um certo rigor técnico e de qualidade. Já era gravado. Esteve uma equipa com o [Fernando] Pessa, com a Etelvina [Lopes de Almeida], muito tempo, o Henrique Mendes, e depois esteve a Maria Adalgisa [Costa], que foi uma novidade aparecer como locutora, ela que era uma cantora sobretudo de opereta, notável. [A Adalgisa] tinha uma voz linda e lia muito bem”. Grão de Arroz foi, depois, popularizado por Amália Rodrigues, de quem, aliás, era próxima, em especial numa altura em que as duas iam cantar com alguma frequência no Porto em programas de variedades. A cantora viveu um período da sua vida em Moçambique, regressando depois de 1974.

A sua actividade estendeu-se ao cinema e à televisão. Participou em filmes como Capas Negras (1947), O Leão da Estrela (1947), Cantiga da Rua (1949), Sonhar É Fácil (1951), Dois Dias no Paraíso (1957), O Tarzan do 5.º Esquerdo (1958) e Encontro com a Vida (1960). Perfeito Coração (2009), realizado por Patrícia Sequeira, seria o último filme em que participou. Na televisão, participou em séries e telenovelas, como Ana e os Sete e Casa da Saudade. Escreveu dois livros, entre eles, Português sem Portugal (1977). Entre 1980 e 1983, fez parte do departamento desportivo da Rádio Renascença.

(Riso Mundial, nº 1, 1947)

Em dezembro de 2010, foi condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem Militar de Santiago da Espada. Também em 2010 recebeu o Globo de Ouro SIC/Caras de Mérito e Excelência.


Faça um donativo!

Faça um donativo!

Agora é mais fácil com Paypal!

Com o paypal.me pode contribuir para o site em qualquer moeda e em qualquer valor com a segurança desta plataforma.

Clique aqui para ajudar com o que quiser, com o que poder.